>Mato Grosso e o debate sobre seu futuro

Posted on abril 28, 2011. Filed under: Sem-categoria |

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Por Alfredo da Mota Menezes*
Recebi de Miguel Miranda, professor do Núcleo de Pesquisa de Logística e Transporte da UFMT, longo comentário sobre artigos que tratavam de estradas, agroindústria, Andes e Pacífico. Faço um resumo do que ele mandou.
Acredita que poderemos escapar dessa tragédia (dependência da soja) através da industrialização, no nosso caso, agroindústria.
Existem opções, não muitas, continua ele. A mais visível seria um programa de industrialização a partir da planta do Distrito Industrial de Cuiabá. Lá temos hoje conexão rodoviária com a rede nacional. Temos energia com o gasoduto e a termelétrica. Faltam apenas os insumos que possam chegar a esse complexo com preços competitivos. Na ausência de uma hidrovia perene e confiável, restaria a ferrovia.
O transporte ferroviário é competente para transporte de insumos para complexos industriais, e tem a seu favor impactos ambientais insignificantes. Uma ferrovia só é viável se for dedicada à exportação de grandes volumes, a grandes distâncias e para cargas de baixo valor agregado, num mercado fortemente dominado por uma cadeia logística de ponta a ponta, como é o caso de minérios. Até aqui a Ferronorte até Rondonópolis cumpre parte do seu papel.
A economia precisaria contar com a agroindústria, que seria abastecida pelos insumos, aqui caracterizados como carga de retorno do modo ferroviário.
Gostaria de destacar alguns estudos sobre as saídas da produção de Mato Grosso. Já sabíamos da resistência do capital sediado no Sul e Sudeste sobre as ligações bioceânicas. Porém, esse mesmo capital buscou recursos junto ao BNDES para a pavimentação da Carretera do Chaco com cerca de 450 km, que liga Corumbá a Santa Cruz, na mesma faixa onde está construída a ferrovia. Alguém acredita que isso é por acaso? Nada disso. Esse é o conhecido salto de rã para pular sobre os Andes.
Para um mercado de 2,5 bilhões de consumidores no Pacifico, os Andes são apenas um morro, uma Chapada dos Guimarães. A continuar nesse imobilismo, chegaremos ao pote depois que não tivermos mais vantagens para explorar, restará para nós o bagaço da laranja.
O acesso à calha do Amazonas através do Corredor Centro-Amazônico pela BR-163 deverá dar bons resultados, mas não acredito que esses bônus se estendam ao sul do Estado.
Devemos ainda estar atentos porque enquanto o governo federal está fazendo o dever de casa na infra-estrutura da BR-163, não se viu ainda os programas a serem efetivados pelo setor produtivo como a plataforma logística de Santarém.
A infra-estrutura de transporte desse corredor requer a implantação da hidrovia do Teles Pires-Juruena-Tapajós, que viabilizaria uma melhor distribuição dos benefícios da crescente produção regional.
Ele destaca ainda os estudos em torno do Corredor Noroeste para a produção localizada na Chapada do Parecis através da rodovia BR-364 e hidrovia do rio Madeira. Com eclusas em Santo Antônio e Jirau, Porto Velho seria um destino privilegiado para acessar a bacia do Pacífico através do canal do Panamá.



*Alfredo da Mota Menezes é analista político e escritor. E-mail: pox@terra.com.br site: http://www.alfredomenezes.com

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