>Agecopa, frustração ou resgate social?

Posted on maio 10, 2011. Filed under: Sem-categoria |

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Por Félix Marques*
Quer a sociedade queira ou não o fenômeno Copa do Mundo já se instalou no Brasil e consequentemente na Capital mato-grossense, uma das cidades-sede escolhida pela Fédération Internationale de Football Association – Fifa. Em Mato Grosso, legalmente, a Agecopa é o órgão público incumbido de levar avante e consolidar a festança internacional colocando Cuiabá e os cuiabanos no interior dos olhos do mundo. Sem exagero, a imprensa mundial vai estar com suas lentes, objetivas, holofotes e câmeras voltados para Cuiabá e sua gente, fazendo correr mundo as notícias daqui, levando a imagem da cidade, a cultura, o contexto social dos cuiabanos para os cinco continentes do planeta. Então, os responsáveis pelo evento aqui na cidade-sede não podem toscanejar.
Em primeiro plano o presidente da Agecopa, o senhor Eder Moraes. Assim como os chefes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Todos têm uma grande responsabilidade e devem contar com a eficiência de todos os órgãos públicos, porque o evento foi estatizado. É, portanto, de responsabilidade do Estado. Agiu com eficiência o deputado José Riva quando se posicionou com clareza sobre o sistema de transporte a ser adotado para a Capital em face do evento da Fifa. Agiu bem a Assembleia Legislativa ao transformar o modelo de administração da Agecopa. Age com denodo o governador Sinval Barbosa ao indicar Eder Moraes para a presidência da Agecopa, a uma, porque esse moço ainda não é um político improbo e a duas, porque se trata de um jovem que já demonstrou ser possuidor de autoridade para bem conduzir os trabalhos que Cuiabá muito necessita. Ele pode com um bom desempenho até pavimentar o seu destino político.Todavia, é bom alertá-lo que a legalidade e a moralidade administrativa se constituem na energia para o sucesso da obra.
Assim, é bom entender o que seja imoralidade administrativa ou pública. Imoralidade pública não é somente carregar o dinheiro do povo para casa. Não é somente o que é contrário à moral, aos bons costumes ou o que é feito em ofensa aos princípios da moralidade. Não. Imoral é não obstante o derrame do dinheiro público na cidade deixá-la sem rede de esgoto, sem rede de água adequada, sem canalizar os córregos e regos de água que cruzam as cidades. As cidades porque falo de Cuiabá e Várzea Grande. Imoral é perder a oportunidade e não dar um trato no rio Cuiabá com esgotos-mestres nas suas margens para receptar a podridão que vem das cidades, é não dotar as margens de um projeto de urbanização própria para salvar a vida do rio, torrente que São João Bosco, lá da Itália, há centenas de anos, dizia que ficava no fim do mundo atrás de um morro fazendo alusão ao rio Cuiabá e o Morro de Santo Antônio. Deixar de realizar essas obras, data venia, seria imoral e mereceria uma actio popularis para devolução do dinheiro público.
Mas, não precisa exagerar. Não precisava ir a Portugal deglutir um Ramos Pinto, passear na Europa ou peregrinar pelo Velho Mundo tirando fotos para deduzir que o sistema de transporte VLT é o melhor para Cuiabá. Não. Bastava visitar o complexo urbano do ABC paulista, Campinas, onde o VLT foi desativado e saber a causa, Rio de Janeiro, São José dos Campos, Santos ou nas profundezas do sertão nordestino, no Cariri, para se chegar a uma conclusão, evitando esbanjamento do dinheiro público. Se todo serviço e empreendimento da Agecopa precisar desse expediente turístico, provavelmente teremos uma frustração danosa que vai dar com a cara na justiça.
Sem gastança os donos do poder haveriam de concluir com mais eficiência que o sistema “light rail” (e elétrico) é o ideal para Cuiabá, embora, a qualquer é dado a entender que tanto o sistema BRT e o VLT são modais de transportes urbanos retrógrados, ultrapassados, pois, o desafio para metrópole como Cuiabá seria desde logo optar pelo metrô, que é o sistema de transporte urbano do futuro, como o trem-bala no sistema de transporte intermunicipal será a solução. Agora não tem volta. Os agentes que aí estão terão que dar conta do recado e colocar Cuiabá em evidência no mundo ou sofrerem as consequências da irresponsabilidade. Qui habet aures audiendi, audiat.



*Félix Marques é advogado, presidente da Comissão de Defesa do IBDI/SP. E-mail: felixmarques@terra.com.br – Fonte: A Gazeta

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