>Conversas da rua

Posted on maio 12, 2011. Filed under: Sem-categoria |

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Por Alfredo da Mota Menezes*
Na época da morte do juiz Leopoldino Amaral poucos acreditavam que ele tinha ido ao Paraguai e que lá o mataram. Que ele foi enganado por um joão-ninguém que o levou, inclusive dirigindo seu carro, e lá foi morto como um trouxa.
Será que uma cidade inteira, ou melhor, um estado todo ia aceitar aquela versão? Os supostos envolvidos com o fato não estavam ouvindo a rua. Se estivessem, teriam parado com aquelas invenções. Conto um comentário daquele momento que mostra como o povo falava sobre o caso.
O juiz, quando morto, estaria de terno e gravata. Logo depois da morte dele no Paraguai apareceu a notícia de que ele fora àquele país para buscar informações sobre esse ou aquele desembargador. Ele, no caso, teria ido com alguém ao Paraguai, numa longa viagem, vestido daquela maneira?
Corria informação na capital de que ele saíra de onde morava para ir a uma solenidade na Academia Mato-grossense de Letras. Daí o terno e gravata. A rua comentava que ele foi apanhado no trajeto, morto aqui e levado de avião para o Paraguai.
Na hora de abandonar o corpo, o erro de quem fez o serviço foi queimá-lo só parcialmente e também não perceber que a carteira de identidade dele caíra. Com ela, e como o fogo não o queimou todo, pode-se saber quem era. Sem isso, ninguém nunca saberia o que havia ocorrido com ele.
O que embaralhou um pouco a opinião pública naquele momento foi a denúncia de que o juiz morto usara dinheiro depositado em juízo. De tanto se bater o bombo sobre esse assunto, o morto passou a ser mais culpado do que os que o mataram. Ou que poderia ser morto porque ele não era o paladino que dizia ser. Tudo isso fazia parte dos comentários daquele momento. O ato praticado contra o juiz foi uma enorme mancada de quem o fez ou mandou. Talvez o paralelo seja a morte do Sávio Brandão que atribuem ao Arcanjo. A reação desproporcional no caso Leopoldino e do Sávio deu no que deu.
Havia um receio, na antiga Cuiabá, de que um magistrado descontente com o posicionamento de alguém poderia ser um perigo numa imaginada sentença que fosse de interesse da pessoa que ficara contra os interesses de quem tinha o poder de dar sentença.
Mas naquela época começou uma diferente falação de rua do que havia sido no passado. Parece que aquele caso foi o primeiro em que a população se manifestou. E, como sempre ocorre na história, de forma jocosa.
Tudo o que se colocou aqui não é invenção de articulista. Fazia parte dos comentários daquele momento triste da história local.

*Alfredo da Mota Menezes é analista política e autor de vários livros. 
E-mail: pox@terra.com.br site: http://www.alfredomenezes.com

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