>Briga de cachorro grande

Posted on maio 22, 2011. Filed under: Sem-categoria |

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Revolução de Jasmim é o nome dado ao movimento popular ocorrido na Tunísia e que derrubou o governo dali. As pessoas não usavam o Alcorão como arma. Pediam liberdade, democracia e mais emprego. Da Tunísia o braseiro foi para o Egito, Iêmen, Líbia e Síria.

Há algo nessa direção lá pelas bandas da China. Pela internet, pessoas foram convocadas para lutarem por mais liberdade e democracia. O interessante é que os encontros da marcha foram marcados para ocorrer em frente às lanchonetes norte-americanas, McDonalds e Starbucks.
O governo chinês reagiu e, sei lá como, bloqueou convites pela internet. Também criticou uma fala da secretária de Estado dos EUA, Hilary Clinton, que conclamava mais liberdade na China e que o país não tem como impedir o povo de pedir mais pluralismo político.
Nos EUA está sendo criado um site em chinês para dar guarida aos dissidentes e às manifestações a favor de mais liberdade na China. Não sei como o governo vai bloquear isso. A China já reagiu à movimentação dos EUA e disse que querem criar lá um movimento como o que ocorreu no Oriente Médio, mas que a China é diferente. Está formado o caldo de um angu que vai dar muito que falar daqui para frente.
Vou dar asas à imaginação. Será que os EUA querem perturbar a vida política do seu mais forte contendor na arena econômica mundial? Se o país asiático tiver que lidar com manifestações políticas crescentes, desviaria o esforço nacional do crescimento econômico para tratar dessa batata quente.
Quando a Rússia estava naquela barafunda, os EUA deram força ao movimento de Boris Yeltsin. Na confusão formada, com pluralismo político de uma hora para outra, a Rússia, não treinada nisso, resvalou e ficou para trás em tantas coisas.
Na época da revolução dos jovens chineses na Praça da Paz Celestial, os EUA davam força danada ao movimento. Um dos símbolos do movimento era uma réplica da Estátua da Liberdade doada pelos franceses aos EUA.
Se o governo chinês naquele momento perdesse a batalha, quem sabe a China não estivesse onde está hoje. Teria talvez repetido a Rússia, só que num país de mais de um bilhão de gente.
Ninguém pode dizer que os EUA querem provocar celeuma na China. E ninguém também é contra mais democracia, mas num país em que ela é novidade, se abrir as comportas de uma hora para outra, num lugar do tamanho populacional da China, talvez não seja uma boa coisa para o momento do país.
A China, em algum ponto lá na frente, terá mais de um partido político. Quem ganha dinheiro hoje, quer poder político amanhã. Essa mudança virá. Os chineses devem decidir quando.

Autor: Alfredo da Mota Menezes é analista político e autor de 8 livros.
E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com

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