>Código Florestal no exterior

Posted on maio 24, 2011. Filed under: Sem-categoria |

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Nesta semana se vota o novo Código Florestal brasileiro na Câmara dos Deputados. A discussão sobre o assunto foi seguida com cuidado pela mídia internacional.
Vou reproduzir matéria do The New York Times, jornal que faz a cabeça de gente pelo mundo, para se ver como o assunto é tratado lá fora. A preocupação é quase que exclusivamente com o meio ambiente. Vou praticamente traduzir a matéria.
O correspondente, falando da atual lei, diz que os ambientalistas estavam preocupados “que se mudasse uma das mais efetivas legislações que protege a floresta e a biodiversidade”. A preocupação é que a Amazônia brasileira esteja caminhando para um grande desmatamento.
Ele diz que os ruralistas, “que são a favor da expansão do agronegócio, incluindo o deputado do Partido Comunista, Aldo Rebelo”, estão propondo mudanças na lei que abrirão mais terra para expansão agrícola. A lei atual estabelece que 80% das propriedades na região amazônica e 20 para 35% em outras áreas não sejam derrubadas. A nova proposta exime pequenas propriedades dessas regras, “o que aceleraria o desmatamento”.
O correspondente do jornal ouviu ambientalistas sobre o assunto. Um deles disse que o que está sendo aprovado é “uma receita para o desastre”. Outro, pesquisador do Inpe, reclamava da falta de estudos científicos para dar base às mudanças no novo código. O correspondente do jornal não ouviu nenhum representante do agronegócio, do governo ou do Congresso.
Escreveu ele que muitos países querem ter segurança alimentar, incluindo a China, e que o Brasil é o país com o maior potencial no mundo para grãos e carnes. Mesmo com as restrições atuais no Código Florestal, diz o correspondente, o Brasil é o maior exportador de carne e só perde para os EUA em exportação de soja.
Ele diz que cientistas afirmam que a Amazônia tem perdido parte de sua vida vegetal e animal porque grandes trechos da floresta se transformaram em savana. Hoje 18% da floresta amazônica já foi derrubada. Se for permito abrir mais terras para cultivo, poderia reduzir a chuva na Amazônia. Uma mudança climática no mundo já preocupa os ambientalistas e se a Amazônia diminuir seu tamanho a coisa pode ser pior ainda.
Ele conclui que se a lei passar na Câmara terá que ser aprovada no Senado e que a presidente poderia vetar alguns dos itens aprovados. Acaba insinuando que se alguém do exterior quiser pressionar, o Senado e a presidente seriam o caminho.
Percebe-se o viés ambientalista do jornal que faz a cabeça do mundo. Eu diria que são duas vertentes: defesa sincera da Amazônia e certa preocupação com a expansão do agronegócio no Brasil.

Alfredo da Mota Menezes é analista político e autor de 8 livros. 
E-mail: pox@terra.com.br site: http://www.alfredomenezes.com

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