Adolfo Hitler

>Leitura para tarde de domingo: Cinebiografias no cinema nacional

Posted on janeiro 3, 2010. Filed under: Adolfo Hitler, assistir filmes, Cinebiografias, cinema nacional, indomável, Lula, Marketing, o filho do Brasil |

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Tenho vício indomável de assistir filmes ruins e bons. Adquirido com patrocínio fiel de tio que era proprietário de cinema. E que adorava discuti-los após as sessões. Não raro frente ao meu reclamo juvenil de que o filme era imprestável. Ele rebatia na brasa viva: nas artes têm gostos e finalidades políticas. No cinema nada pode acontecer por acaso. E nada insurge das profundezas dos céus ou do inferno. Tudo é resultado de planejamento e financiamento. Não se pode esquecer o último grande exemplo, quando Adolfo Hitler não disparou um tiro sequer para chegar a ser chanceler do Reich Alemão. Ele com ajuda das câmaras fez sua carreira de 13 anos. De um desconhecido agitador anticomunista ao homem mais forte da política mundial. De um homem sem biografia que vendeu mercadologicamente rancor e esperanças aos alemães. Obteve 13 milhões de votos e fez o que fez com o sucesso e marketing – atingindo com crueldade a trajetória humana.

Não me nego mais a assistir qualquer filme. O filme mais caro da história do cinema nacional fez estréia arrepiando os críticos. Conta a vida endereçada do presidente Lula. Lula, o Filho do Brasil teve orçamento de 12 milhões. Uma cinebiografia de quem está no exercício do poder nacional. Foi financiado por empresas privadas sem retribuição direta de nenhum incentivo fiscal. Algo inusitado que agraciou o fácil e doce trabalho do diretor Fábio Barreto. A película centra na vida de dona Lindu, interpretada por Glória Pires, explorando a relação entre mãe e filhos – empobrecidos. E que permitiu de sutilmente excluir parte da ação política e sindical do filho político. Tom emotivo que escondeu a real bibliografia. Tem 3 mil figurantes e 130 atores – destes 5 interpretam o protagonista em diferentes fases. Enfim, retirando as cenas de emoções familiares é película enfadonha, mas que se salva pela pipoca agasalhada em saco gigante, que a gente tem que comer.


Em termos de cinedocumentário estou mais esperançoso para assistir em 2011 outra estreia da cinebiografia brasileira – Bom Para o Brasil. Produção da vida significativa de Luiz Martins de Souza Dantas, de direção de Luiz Fernando Goulart. É a história não pasteurizada de Souza Dantas como embaixador brasileiro em Paris durante a Segunda Guerra, que salvou do holocausto mais de mil pessoas (a maioria de judeus). Bom para o Brasil era a expressão aposta junto ao visto consular no passaporte do perseguido que fugia das atrocidades de Hitler. Tudo ocorrendo contra a ordem do presidente Getúlio Vargas. Filme fundado no livro “Quixote nas Trevas”, de Fábio Koifman. A paisagem de fundo traz uma França ocupada e dominada pelo nazismo e contraposta com a coragem humanista do embaixador concedendo vistos aos indesejáveis, segundo dizia Getúlio Vargas. E que nos oferta um fio dourado ou orgulho de ser brasileiro por ser patrício de Dantas.


O grande embaixador permaneceu de certo modo desconhecido em nosso país. Contudo, seu heroísmo e humanidade já têm reconhecimentos significativos internacionais. O museu Yad Vashem, de Israel, por exemplo, o colocou como um justo entre as nações. O governo francês colocou placa na casa, onde ele morou indicando que ali viveu um amigo da França. Dantas foi levado junto com outros diplomatas para a Alemanha nazista, onde permaneceu em detração por 14 meses, tendo sido trocado por prisioneiros alemães. Homem de fino trato, culto e solidário e sensível com a dor do próximo. Adorava e teve grandes amores com mulheres lindas. No plano político internacional pronunciou o primeiro discurso na história das Nações Unidas e colocou seu nome dentre os mais importantes da diplomacia mundial.


Enfim, Bom para o Brasil, aponta como filme de excelência já na prospecção de filmagens. E vale a gente brasileira humilde gastar parte do Vale-Cultura – R$ 50,00, que será ofertado a partir de 2011. Afinal, tal ajuda popular cultural não entra em vigor em 2010 como queria o presidente Lula. Foi barrado no Senado Federal para evitar quiçá acrescer ao custo da produção e encenação do filho do Brasil na época eleitoral com mais de R$ 3 bilhões. Vale ressaltar a bem da verdade que a fita mais cara dos filmes hollywoodianos e recente custou na produção apenas US$ 500 milhões.


Autor: Hélcio Corrêa Gomes é advogado e diretor tesoureiro da Associação dos Advogados Trabalhista de Mato Grosso. E-mail: helciocg@brturbo.com.br – Fonte: A Gazeta

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