agroindústria

>Pensar grande

Posted on julho 27, 2010. Filed under: agroindústria, Alfredo da Mota Menezes, BNDES, grande, Pensar |

>Por Alfredo da Mota Menezes

Não li os programas de governos dos candidatos ao governo do Estado, mas duvido que tenham colocado ali que vão lutar para se ter o asfalto para Santa Cruz de La Sierra na Bolívia. Dali se vai aos outros países dos Andes (Chile, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador).
Não é aquela conversa de que se vai integrar povos irmãos ou, outra besteira, trazer de volta o sonho de Simon Bolívar.
O que se defende é mais comércio com os países andinos com seus 145 milhões de habitantes e um PIB perto de um trilhão de dólares. Ninguém está falando em transportar soja pelos Andes, seria para beneficiar nossa futura agroindústria. Temos enorme vantagem pela proximidade geográfica.
O que se gostaria de ter dos candidatos ao governo seria o comprometimento deles em fazerem firme gestão junto ao futuro presidente para conseguir o que outros estados já conseguiram. Tem pelo menos isso nos programas de governo? Duvido.
Como se vai asfaltar dentro da Bolívia? O BNDES emprestou mais de 300 milhões de dólares ao governo boliviano, com carência de cinco anos e não sei quantos anos para pagar, para se fazer o asfalto entre Puerto Suarez, ao lado de Corumbá, até Santa Cruz de La Sierra (o Brasil tem interesse em penetrar economicamente nos países andinos). O Acre também se beneficiou de ligação com o Peru com dinheiro do BNDES, nas mesmas condições do outro empréstimo.
Quem tem ou terá mais produtos da agroindústria para exportar para os países dos Andes, Mato Grosso do Sul, Acre ou Mato Grosso?
Já ouvi gente do estado dizer que MT não precisaria da alternativa para Santa Cruz porque nossos produtos da agroindústria poderiam ir pelo Acre ou pelo Mato Grosso do Sul. É um absurdo pensar assim.
Para que nossos produtos cheguem a Corumbá seriam 1.140 km (700 km daqui a Campo Grande e 440 a Corumbá), mais 650 km dali a Santa Cruz ou 1.790 km no total.
Para chegarmos à fronteira do Acre com o Peru, o nosso produto teria que percorrer 2.343 km ou 1.456 até Porto Velho, mais 544 a Rio Branco e ainda 343 dali a Assis Brasil já na divisa com o Peru.
De Cuiabá a Santa Cruz seriam 1.059 km ou 225 até Cáceres, mais 100 até San Matias e 734 a Santa Cruz. Faltam uns 420 km para ser asfaltado dentro da Bolívia. Já ouvi também gente falar que o governo da Bolívia não deu prioridade para a saída do nosso lado. Outra besteira. Diga ao Evo Morales que se pode ter um empréstimo subsidiado do BNDES, como foram os outros, para asfaltar essa rodovia. Alguém acha que ele vai recusar? Se recusar, poderia ser feita gestão junto às lideranças políticas e empresarias de Santa Cruz para convencer o governo boliviano.
Todos os candidatos ao governo certamente dão ênfase, em seus programas, à agroindústria. O que causa estranheza são eles não defenderem uma alternativa de transporte que poderia ajudar enormemente o futuro da agroindústria do estado. Pense grande, gente.

Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com

Anúncios
Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...