Alexandre Garcia

>Piñera e Lula

Posted on outubro 19, 2010. Filed under: Alexandre Garcia, América Latina, Banco Central, Fernando Henrique, Fidel Castro, Pinochet, presidente do Chile, Sebastian Piñera |

>

Por Alexandre Garcia
Para a esquerda brasileira, o presidente do Chile Sebastian Piñera é de direita. Para os chilenos, essa bobagem já está ultrapassada. Depois que Pinochet saiu e assumiram governos socialistas, todos seguiram a política econômica implantada pelo ditador, tal como Lula seguiu as políticas econômica e social implantadas por Fernando Henrique. Isso não é humilhação, mas bom-senso.
Sebastian Piñera presidente do Chile
O Chile era um país conservador antes das reformas de Pinochet. Quem lê os livros da escritora Isabel Allende sabe disso. A escritora nunca concordou com a ditadura, que derrubou o primo do pai dela, Salvador Allende. Mas reconhece que foi Pinochet quem modernizou o Chile. Salvador Allende estava sendo usado para implantar uma ditadura comunista, como confessou há pouco Fidel Castro, em entrevista, revelando que tentou exportar sua revolução marxista para a América do Sul. O Chile salvou o cone sul de uma expansão comunista. Se ela tivesse acontecido, talvez nem teríamos a queda do Muro de Berlim e da União Soviética.
Quando digo Chile, refiro-me ao povo que aprovou Pinochet no plebiscito de 1980, que lhe deu 75% dos votos. Oito anos depois, em outro plebiscito, o general perde e se retira e é sucedido por governos democráticos que mantêm a ordem econômica. Aqui no Brasil a ordem foi invertida e os militares promoveram a abertura política, deixando para os governos democráticos a abertura econômica. Sem a força que Pinochet teve, o Brasil até hoje não desatou os nós da economia.
A diferença entre o Chile e o Brasil é gritante. O Chile sofre um dos maiores terremotos do planeta, de 8,8 graus Richter, resiste e se recupera rapidamente porque está preparado. O Brasil não está preparado para evitar desmoronamentos como o do Morro do Bumba, em Niterói, que matou 50, e tudo indica que tragédias assim vão se repetir. O Chile tira 33 mineiros de 700 metros de profundidade com uma ação de primeiro mundo que supera todas as expectativas.
O ex-presidente do Banco Central, Carlos Langoni, classifica o Chile como único país desenvolvido da América Latina. O país, desde 1996, tem grau de investimento AA3, só a três degraus do topo, renda per capita de 15 mil dólares, juros de 3% aa e investimento igual a 27% do PIB, o mais alto da América Latina. Tudo porque as mudanças do ditador foram mantidas pelos governos democráticos: privatizações, desregulamentação da economia, abertura econômica, independência plena do Banco Central, estabilidade fiscal, ausência de déficit público, fim do protecionismo no comércio exterior e tarifas baixas para importação. O Chile tem crescimento sustentado já por 20 anos e mostra que tudo isso é possível numa democracia sul-americana. Lula não foi à posse de Piñera; deu uma desculpa fajuta. Mas curvou-se à eficiência chilena e ligou para cumprimentar Piñera no dia do resgate dos mineiros. Quem sabe se interesse agora pelo modelo de sucesso.



Carlos Chagas á articulista político. E-mail: colunas@alo.com.br
Fonte: A Gazeta

Anúncios
Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

>Retrocesso às cavernas

Posted on junho 22, 2010. Filed under: Alexandre Garcia, cavernas, Retrocesso |

>

Por Alexandre Garcia

Na Guerra Civil Espanhola, o general franquista Milan Astray emitiu um grito que entrou para a história das imbecilidades: Viva la muerte! Aqui no Brasil parece que andamos gritando bastante viva a ignorância! Por boa parte de minha vida eu assisti ao estímulo ao saber, à leitura, à informação, ao raciocínio, à curiosidade. E não havia os meios eletrônicos que hoje potencializam a informação. No entanto, a facilidade do moderno está estimulando a ignorância, a imbecilidade, a selvageria, a futilidade. Hoje passei por um colega que mostrava no computador fotos de sua viagem a Roma, no momento em que ele aparecia diante do gigantesco monumento a Vittorio Emanuele II – e alguém perguntou o que seria aquilo. Ele respondeu com desdém: é um tal de Emanuel… Foi a Roma, o berço da nossa civilização latina, e não quis aprender nada. Nem mesmo o alvíssimo Altare della Pátria.

Entrar em redes sociais na internet é o modo de fazer um bom diagnóstico da ignorância que grassa. As mensagens estão cheias de erros de português, de informação, de lógica. O pensamento sai torto, pobre. Hoje recebi um texto raivoso contra a Veja, escrito por um radialista, que em vez de argumentar, usava expressões chulas, que eram a pobre munição produzida pelo seu cérebro pouco usado. Quando não se tem substantivos, apela-se para os adjetivos, e não se produzem argumentos, mas imprecações. E quando as imprecações se esgotam, sobrevêm os grunhidos e, depois deles, paus e pedras. Foi assim na convenção regional do PMDB na capital da República, nesse fim-de-semana. Foi assim, também em Brasília, que depredaram um quartel dos bombeiros, onde se refugiara a torcida goiana vítima de ataques de torcedores locais do Gama. Selvageria pura, cada vez mais crescente, com a ausência de argumentos.

Ainda na capital dos brasileiros, um marmanjo de 27 anos, enquanto esperava na fila de uma lanchonete drive thru, escutava, por todos altofalantes do carro, a todo volume, um horrendo rap, às três e meia da madrugada. Foi quando levou um violento soco na cara. Os pais do desordeiro declararam que o filho é pacato. Mentira! Quem agride uma cidade às três e meia da madrugada com o barulho insuportável de um rap, não é um ser pacato. É um perigoso perturbador de algo extremamente precioso: o nosso sono. Não justifico a agressão, mas imagino que o agressor também virou selvagem, tomado de incontrolável ira, depois de tanta vuvuzela.

Estamos deixando de lado a urbanidade, que é a forma organizada e inteligente de se relacionar na urbe. Não temos noção da civilidade, que é a maneira de todos viverem bem, respeitando os direitos alheios, na cives. Agimos como se estivéssemos sós, na selva. Infernizamos as vidas dos outros e somos vítimas também da ignorância alheia. Esquecemos tudo que nos legaram, nesses últimos três mil anos, pensadores gregos, romanos, franceses, alemães, espanhóis, ingleses e portugueses. O sinistramente correto está optando por culturas mais atrasadas, jogando fora os avanços. Vamos voltar para antes da Idade Média.

Alexandre Garcia é articulista político. E-mail: alexgar@terra.com.br
Ler Post Completo | Make a Comment ( 1 so far )

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...