Alfredo da Mota Menezes

>Goleiro bom e político têm que ter sorte

Posted on outubro 31, 2010. Filed under: Agecopa, Alfredo da Mota Menezes, Collor, Copa em Cuiabá, FMI, Lula, Petrobras, Zoneamento Agroambiental |

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Três assuntos

Por Alfredo da Mota Menezes
Acredito que goleiro bom e político têm que ter sorte. O caso Dante de Oliveira, quando Ulysses Guimarães escolheu sua emenda das diretas, é sempre citado. Catapultou a carreira dele. Lula, se eleito em 1989 na disputa do segundo turno com Collor, com a economia em frangalhos e como via o mundo por outro prisma, teria desaparecido na história. Elegeu-se na hora certa.

O Silval Barbosa tem sorte também. Pego dois fatos recentes. O pedido de demissão do Adilton Sachetti da presidência da Agecopa é um. Sem um tiro, sem um grito ou empurrão, caiu no colo dele. Não fez nenhum gesto que contrariasse o Maggi, seu aliado mais importante na eleição. Silval vai ordenar as despesas para a Copa em Cuiabá.

Outro fato foi o do gás. Será retomado, volta a usina termelétrica a funcionar e beneficiaria os carros a gás e empresas. Sem um grito extra ou empurrão, na hora mais apropriada para ele, tudo se encaixou.

Tenho conversado com muita gente da nova classe média brasileira, esta que está decidindo a eleição. Ela acredita com convicção que o governo Lula pagou toda a dívida externa do país.

Pagou a do FMI, não toda a externa, tento arguir. Ninguém tira da cabeça desse brasileiro que o Brasil não tem mais dívida. Olha para a gente até com cara de piedade por ser “contra” o Lula. Essa aceitação dele talvez seja porque o FMI aparece como bicho-papão em nossa história.

Ao emprestar dinheiro ou dar aval para que outros emprestassem, o FMI exige austeridade econômica dos governos. Nossa dívida externa não é com o FMI. Ele é apenas o xerife dos interesses capitalistas. Não consegui convencer ninguém disso.

Outro argumento que pegou é que querem vender a Petrobras. Ela vive do sistema de concessão criado no governo anterior. O que a Petrobras pode tocar, toca. O que não pode entrega a outros e recebe por isso. Não precisa privatizar nada.

Não sei se por pesquisa ou intuitivamente, não importa se diz a verdade ou não, Lula soube chegar a corações e mentes do eleitor com os mesmos argumentos em três eleições. A oposição não soube sair dessa armadilha, não criou um discurso alternativo. Talvez seja culpa da jactância paulista. Quem sabe o grupo de Minas Gerais possa entender melhor a situação.

A Assembleia Legislativa aprovou o Zoneamento Agroambiental. Acho que esse assunto foi prejudicial na eleição para o Alexandre Cesar. Seu relatório inicial, com normas ambientais mais rígidas, não foi aceito pelos deputados num ano pré-eleitoral. Perderiam votos num estado agropecuário. O Alexandre, por sua vez, passou a ser olhado enviesado pelo setor agropecuário.

A crítica vai para os ambientalistas de MT que não deram seu voto àquele deputado que enfrentara a classe econômica mais poderosa do estado em defesa do meio ambiente. Sua sinceridade o derrotou.

Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com
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>A favor das privatizações

Posted on outubro 21, 2010. Filed under: Alfredo da Mota Menezes, Dilma Rousseff, Embraer, José Serra, Plano Real, privatizações, PSDB, Telebrás, telefonia, Vale do Rio Doce |

>Por Alfredo da Mota Menezes*

Dilma Rousseff usa a privatização de estatais como arma de acusação ao candidato do PSDB. O José Serra poderia pedir a Dilma que se comprometa perante o povo brasileiro que, se eleita, estatizaria outra vez a telefonia no país. Nem que a vaca tussa ela faria isso.
Será que foi uma coisa maléfica as privatizações? Coloco alguns números que roubo de uma revista de circulação nacional sobre o assunto.
Quando a Telebrás foi privatizada, ali por 1999, o Brasil tinha 22 milhões de linhas telefônicas fixas. Hoje possui 60 milhões, aumento de 172% em algo como dez anos. Telefone, gente, era deixado em herança para os filhos. No momento da privatização, no Brasil havia 7,3 milhões de celulares, hoje tem 190 milhões ou aumento de 2.478%. Uma linha custava cerca de nove mil reais e levava três anos para ser instalada. Hoje custa 115 reais e sete dias para a instalação. O setor dá emprego agora a mais de 400 mil pessoas no Brasil.
Reclamam demais da privatização da Vale do Rio Doce. Vejam os números de antes e de agora. Em 1997 o valor de mercado dela era de oito bilhões de reais. Hoje é de 272 bilhões, aumento de 3.265%. O lucro líquido dela naquele ano foi de 756 milhões, hoje é de 10 bilhões. O mais importante: possuía 11 mil funcionários, hoje tem 40 mil, aumentou 264%.
A Embraer vendeu em 1997 quatro aviões, em 2010 vendeu 227, aumento de 5.575%. Possuía seis mil funcionários, hoje 17 mil, aumento de 179%. Além disso, as empresas privatizadas pagam muito mais impostos que antes.
As privatizações arrecadaram 106 bilhões de dólares. Sem esse dinheiro não se teria a redução da dívida pública e nem o equilíbrio fiscal. O Plano Real, que controlou a inflação e ajudou a vida de milhões de brasileiros, seria também afetado. Alguém é contra isso? O PSDB fala nisso nos debates ou no horário gratuito?
O mundo comunista inteiro vendeu as estatais. A China hoje faz a mesma coisa e não demora Cuba fará também. A América Latina toda vendeu suas estatais. No Brasil a coisa é usada como se fosse um belzebu.
Alguém em MT quer de volta a velha Cemat? Aquela que a Secretaria de Fazenda tinha que ajudar no fim do mês a pagar suas contas? Aquela que qualquer dinheiro que caía nas contas era tomado pela Justiça Trabalhista?
Alguém quer de volta o Bemat? Aquele que tinha nomeações políticas para gerir dinheiro num mundo capitalista? Aquele que emprestava dinheiro aos amigos do rei sem quase nenhuma garantia?
Perguntem ao Blairo, Silval e Pagot, que coordenam a campanha da Dilma em MT, se eles são contra as privatizações.
Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com
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>Novo livro: "Ingênuos, Pobres e Católicos: A Relação dos EUA com a América Latina".

Posted on outubro 19, 2010. Filed under: Alfredo da Mota Menezes, Editora Fundo de Cultura, livro, ngênuos, Pobres e Católicos, UFMT |

>Alfredo da Mota Menezes

Estou na fase de divulgação de um novo livro. Chama “Ingênuos, Pobres e Católicos: A Relação dos EUA com a América Latina”. É um lançamento da editora Fundo de Cultura, do Rio de Janeiro. É o sexto livro da gente por editora nacional. É o quinto livro desde que deixei a UFMT.
Professor, escritor e analista político Alfredo da Mota Menezes
O livro, como diz o subtítulo, trata das relações dos EUA com a América Latina desde os primeiros contatos até os dias mais recentes. A pesquisa foi feita exclusivamente em livros e artigos dos EUA sobre o assunto. A busca foi justamente entender como eles veem a América Latina.
O livro parte de um princípio aceito nos EUA: a América Latina não fez nada que ajudasse no desenvolvimento da humanidade. É muito forte a colocação, mas é como a maioria dali vê o vizinho abaixo do rio Grande. Essa nossa inaptidão transformou-se lá numa crença.
Em alguns momentos nos EUA a América Latina é vista como uma criança que precisa de apoio e incentivo para encontrar seu caminho. Encontrei livro, com charges em jornais dali desde o século 19 até agora, sobre a América Latina em que esse detalhe, em brutal gozação, aparece constantemente.
Em outros momentos a América Latina é caracterizada como um símbolo feminino. Emotiva, insegura, precisando do apoio masculino para vencer na vida. As charges desse período até doem. Em outros momentos a América Latina é negra ou mestiça.
O pior, na visão norte americana, é que somos uma cultura ibero-católica. Aqui estaria a raiz de todo nosso mal. No campo político, como exemplo, a região aceita governos autoritários. No econômico não temos o espírito capitalista. Estaria na herança da mãe-pátria a maior diferença entre os dois lados da América. Tudo, leitor, é baseado no que eles escrevem. Não é invenção de alguém de Poxoreo.
A América Latina, para os norte-americanos, é vista de forma monolítica. Se um governante faz uma besteira é como se fosse o mesmo para todos os países. Não adianta o Brasil, com população, economia e território maior, pensar que é diferente. É tudo igual a uma grande Guatemala para eles.
Depois das teorias sobre religião, raça, clima tradição ibero-católica e tantos defeitos que nos atribuem, o livro entra pela história do relacionamento entre as duas bandas da América.
A época das invasões na região, da diplomacia do dólar ou do big stick ou grande cassete para bater na gente. O momento da “boa vizinhança”, quando precisaram da região, por causa da Depressão e da aproximação da guerra na Europa. Depois veio a Guerra Fria, época de repressão brutal na região. Analisa-se também o pós-Guerra Fria. Tem ainda capítulo sobre estereótipos no cinema e na mídia de lá sobre os latino-americanos.
Com pequena descrição tento seduzir eventuais leitores. O livro já deve estar nas livrarias de Cuiabá, como também em outros lugares.
Importante: nesta quarta-feira, 20 de outubro, o professor Alfredo fará o apresentação do livro, ao vivo, no Programa Chamada Geral, das 06:20 às 08:00 da manhã. Para ouvir clique aqui

Alfredo da Mota Menezes. E-mail; pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com

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>Nova cara de Mato Grosso

Posted on outubro 13, 2010. Filed under: Alfredo da Mota Menezes, Assembleia Legislativa, Blairo Maggi, CUIABÁ, economia, jovens, Mato Grosso |

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A eleição de Silval Barbosa e antes a de Blairo Maggi mostra a cara do novo Mato Grosso. Também se vê essa nova cara na Assembleia Legislativa, nos Tribunais de Justiça e de Contas e nos cargos de confiança dos governos. Até nas páginas e crônicas sociais se vê a cara nova do estado.

Cuiabá, desde que ganhou a disputa com antiga capital Vila Bela, deu as cartas na política estadual. Mais tarde, quando o sul do antigo estado, com Campo Grande à frente, já incomodava o mando dos cuiabanos na política, veio a divisão do estado. No estado remanescente a presença cuiabana voltou a ser absoluta na política.

Com a forte migração das décadas de 1970 e 1980, a economia de MT deu um salto. Faltava ainda a presença dos novos mato-grossenses na política. Não tinham nome no Senado, no governo e nas funções burocráticas mais altas do estado. Agora mudou, o círculo se fechou. Era de se esperar, já que a economia mudou de mão e de lugar. Os cuiabanos terão menos espaço na política estadual.

Os cuiabanos mais antigos ainda acharão estranho esse novo momento. Os mais jovens, que talvez já sejam a maioria dos cuiabanos atualmente, nem sentirão essa mudança. Eles já fazem parte da mudança.

São eles que, em algum ponto à frente, disputarão cargos e mandatos. Já sob uma nova tendência e ótica na política. Não mais aquela do cuiabano mais velho. Será a geração shopping center e outras modernidades se contrapondo (não eliminando) as das antigas tradições como as festas de santos e padroeiros.

Essa mudança na área política começa com Blairo Maggi, que veio do novo setor da economia do estado. Eu pensava que demoraria alguns anos ainda para que se fizesse essa mudança no mando político. Foi antecipado pela brecha que surgiu na desavença interna do PSDB ou do grupo ao redor do cuiabano Dante de Oliveira.

Lideranças locais, agastadas com aquele grupo, ajudaram na ida do Blairo ao governo. Na verdade, foram usadas com inteligência pelo grupo que chegaria ao poder. Da mesma forma que gente daqui usou os novos mato-grossenses para ganhar eleições depois da divisão do estado. O chumbo trocado já veio na primeira eleição do Maggi.

No início, os que apoiaram o Blairo, foram contemplados com cargos, funções e tapinhas nas costas. Essa união escorregadia foi até a reeleição. A partir daí, Blairo e o grupo se afastam dos antigos apoiadores. Esses se sentiram traídos, começam a atirar no ex-governador.

Não há o que reclamar como andam fazendo alguns. Era o caminho natural do novo Mato Grosso. A mistura de gente, ideias e comportamentos só pode ser benéfica para o futuro deste estado.

Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredoemenzes.com

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>Últimas impressões

Posted on setembro 30, 2010. Filed under: Agecopa, Alfredo da Mota Menezes, Blairo, Dilma, eleições 2010, FHC, impressões, Lula, Pedro Taques, PSDB, PT, Riva, Sérgio Ricardo, Silval, UPPs, votos, Wilson Santos |

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Eleições 2010 – Imagino que cada um deve ter suas impressões sobre a eleição. Invento as minhas.

1 – A importância que a saúde tem hoje na vida do brasileiro. As UPAs ou unidades de pronto-atendimento, nascidas no Rio, são um achado. Não são esses quase pardieiros que são as policlínicas. Deve ser copiada pelo Brasil afora.

2 – Segurança é outro item que entrou na vida eleitoral mesmo. Mais classe em ascensão, mais gente preocupada com segurança. Vou outra vez ao Rio. As UPPs ou Unidades de Polícia Pacificadoras foi outro achado. Pode fazer o quase inimaginável: domar as favelas. Em MT a coisa está na fronteira com a Bolívia, gente.

3 – Educação, base para o futuro de um país, teve apelo menor.

4 – A campanha está terminando e o PSDB não toca no que fez o governo FHC. Nem mesmo em sucesso como foi a privatização da telefonia.

5 – Lula se mostrou raivoso com a imprensa.

6 – O “apoio” esquisito do Zé Carlos do Pátio ao Wilson Santos.

7 – Wilson Santos apanhou muito antes da campanha e durante a maior parte do horário gratuito se comportou como se fosse candidato na Inglaterra. Deve ser a tal da qualitativa.

8 – A surpresa Pedro Taques.

9 – Silval tem o apoio do Blairo, Dilma, Lula e grande parte das lideranças políticas e, interessantemente, não conseguiu deslanchar. Teve um breque de mão puxado que precisaria ser mais bem analisado.

10 – Lula não deu o ar da graça em MT. Ele viria, se fosse um candidato ao governo do PT?

11 – A disposição que o Júlio Campos demonstra ainda com a política.

12 – Apesar do enorme prestígio do Lula, há mais de 50% de brasileiros que não votam onde ele e o PT querem.

13 – Outro assunto que precisa de tese acadêmica: como e por que ocorreu o desgaste do Wilson Santos em apenas 15 meses?

14 – A inexpressividade política do Murilo Domingos, prefeito do segundo colégio eleitoral do estado.

15 – Como na capital se sabe pouco do que se passa na eleição no interior do estado.

16 – A briga no PT estadual também chamou a atenção.

17 – O caso do aborto estancou o crescimento eleitoral do Abicalil.

18 – Carlos Bezerra não abriu a boca nesta eleição.

19 – Até agora não apareceu nenhuma acusação à Agecopa de se meter na eleição.

20 – A diferença de aceitação eleitoral de comunicadores conhecidos como Maksuês e Rabelo, se comparada com a eleição passada.

21 – Sérgio Ricardo pode bater Riva em votos. Credencia-se para tentar a prefeitura em 2012.

22 – Você sabia que não há mais voto “em branco?” Que se clicar nele, ele se transforma em nulo?

ALFREDO DA MOTA MENEZES é professor universitário e articulista políico.
pox@terra.com.br;  www.alfredomenezes.com

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>Só se fala naquilo

Posted on setembro 21, 2010. Filed under: ajuste fiscal, Alfredo da Mota Menezes, analistas, Assistência Social, Índio da Costa, Cesar Maia, ciência, Dilma Rousseff, infraestrutura, O Globo, populismo, Serra, Tecnologia |

>Por Alfredo da Mota Menezes
Dez entre dez analistas do país e do exterior acreditam que o Brasil precisa de um ajuste fiscal. Que o governo gastou demais com custeio e que seria preciso pisar o breque por um período para colocar a casa em ordem. Dilma Rousseff não vê desse modo. E aí mora o perigo.

Veja o que disse ela, segundo O Globo: “o papo dos ajuste fiscal é a coisa mais atrasada que tem…E eu quero saber: com inflação sob controle e com a economia crescendo, vou fazer ajuste fiscal para contentar quem? Quem ganha com isso? O povo não ganha”.

É fala típica de alguém de esquerda no poder. Não gostam de desgaste, tendem para o populismo. O Brasil do futuro importa menos do que a popularidade do momento. Se o próximo governo continuar a pisar no acelerador, só se terá mais dinheiro para mais assistência social, infraestrutura, ciência e tecnologia e mais tantas coisas se houver aumento de imposto. Tudo está no limite, só aumentando a carga tributária se pode ir no mesmo caminho que se veio até agora.

A fala de José Dirceu a petroleiros na Bahia mostra o caminho futuro do PT num governo Dilma. Lula ficou maior que o partido e o salvou do mensalão. Com uma vitória da Dilma, que é mais à esquerda que o Lula e sem a força dele, o “projeto” do partido, como disse Dirceu, seria colocado em prática. Entre eles o controle da mídia. Dá para acreditar também que pode voltar a tentativa da Lei do Audiovisual. Aquela que controla até grade de televisão, incluindo as novelas. Vamos ver coisas que até o diabo duvida.

No Rio só se fala em UPP ou Unidade de Polícia Protetora. O criador delas, Sérgio Cabral, dá votos à Dilma, diferente do que ocorre no resto do país. Dilma se apresenta no Rio sempre falando em UPP. Outra coisa sobre segurança no Rio: bandido não é mais herói, como era antes. Essa mudança é fundamental para entender o novo momento do Rio.

O que encabula é como o Serra não fala nada sobre essas ações da segurança no Rio. Usar o fato para criticar ou apoiar. Fala-se que o Lula teve 67% dos votos na última eleição e que a Dilma pode ter mais de 70%. E o Serra dependendo do complicado Cesar Maia.

Comenta-se também que Cesar Maia impôs Indio da Costa como vice no lugar de Álvaro Dias, tirando-o da disputa a deputado federal, só para beneficiar a candidatura de seu filho, Rodrigo. Os dois disputariam votos no mesmo espaço político. Os muitos desacertos em torno da candidatura Serra ajudou a arrastá-lo para baixo.

Alfredo da Mota Menezes. Email: pox@terra.com.br site: http://www.alfredomenezes.com

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>Jactância paulista

Posted on agosto 24, 2010. Filed under: Alfredo da Mota Menezes, Geraldo Alckmin, José Serra, Lula, Programa eleitoral, PSDB |

> Alfredo da Mota Menezes

Chega a ser irritante o programa eleitoral do José Serra no horário gratuito da televisão. Repete quase cem por cento o de Geraldo Alckmin quatro anos atrás. É uma paulistinização da campanha.
Apresentam obras feitas em São Paulo e que vão fazê-las no plano federal. Como é que se gastam preciosos minutos mostrando uma clínica de fisioterapia e que se vai levar aquilo para o país inteiro, gente do céu?
O pior, nos dois casos, é que não se mostra a cara do PSDB. O partido marcaria seu terreno ao se posicionar perante o eleitor. O PSDB está perdendo, pela segunda vez, essa enorme chance.
O que o PSDB e a campanha do Serra deveriam fazer seria apontar os erros do governo Lula. 
Nem que perdesse a eleição. Mas marcaria sua posição. Ganharia para o futuro aqueles que fossem se desencantando com o governo petista. E isso vai ocorrer em determinado momento. Onde o eleitor iria buscar guarida?
Outro equívoco do programa do Serra é querer se mostrar simpático ao Lula e que pode ser a continuação do seu governo. É supor que o eleitor é idiota. Se for para fazer o mesmo, por que colocar no lugar um estranho ao Lula e que pode até fazer mudanças?
O marqueteiro do Serra é o mesmo do Alckmin. Ele é endeusado porque ganhou todas as eleições para governador de São Paulo com o PSDB. Mas ganhar em São Paulo é até fácil. 
Há uma história peculiar ali.
A oposição ao PSDB foi se autodestruindo eleitoralmente ao longo dos anos por corrupção e outras besteiras. O caso Paulo Maluf é conhecido. Orestes Quércia e Antonio Fleury do PMDB fizeram uma lambança no estado. O PT teve os casos do dinheiro na cueca, aloprados, mensalão. Perdeu credibilidade.
O PSDB, começando com Mario Covas, passando por Alckmin e Serra, não foi ainda acusado de atos não republicanos. Os adversários, perante um eleitorado mais esclarecido, deixaram rastros pelo caminho. Daí que ganhar eleição ali não é uma coisa difícil. Aí querem levar a “experiência” paulista para o plano nacional. Não deu e não vai dar certo.
Há uma arrogância do PSDB paulista por causa dessa superioridade naquele estado. Eles não ouvem ninguém. É, aliás, o estilo paulista com o resto do Brasil. Se São Paulo é o estado mais avançado do país, como é que gente de outros lugares pode lhes ensinar alguma coisa?
O que encabula é a indiferença do PSDB nacional em marcar posição perante o eleitorado como opção a “tudo que aí está”. Nem que perca a eleição. O PT está marcando seu território, o PSDB não quis e não quer fazer o mesmo.
Se ocorrer mais uma derrota, a terceira seguida, a coisa pode ficar feia para o futuro dessa agremiação política. Culpa dela mesma que não quis se mostrar como opção clara para o eleitorado nacional.

Alfredo da Mota Menezes – Email: pox@terra.com.br site: http://www.alfredomenezes.com

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>Momento político

Posted on agosto 3, 2010. Filed under: Alfredo da Mota Menezes, Blairo Maggi, Cáceres, Justiça Eleitoral., Pedro Henry, reeleição |

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Por Alfredo da Mota Menezes
Pedro Henry está com problemas na Justiça Eleitoral para ser candidato à reeleição. Lembro que ele era para ser o candidato ao Senado em 2006 na chapa de Blairo Maggi. Teve outros problemas e teve que ceder a vaga a Jaime Campos.
Henry seria eleito senador naquela oportunidade. O que lha daria condições de pleitear hoje a candidatura do grupo ao governo do estado. Ao invés disso, está com dificuldade de ter o aceite da Justiça para sua reeleição.
Na política de longo prazo, avançar o sinal, na maioria das vezes, não dá certo. O Henry quis ir por atalhos e foi levado à incômoda situação de agora. Deixou de ser senador e governador.
Talvez como resultado da sua não confortável situação atual, o seu próprio grupo começa a apontar o dedo para ele como o culpado pelo desgaste dos governos Maggi e Silval na região de Cáceres. Estão dizendo que a região foi entregue a ele. Indicava o que fazer ou não fazer. Agora, na apuração dos resultados, é o lugar onde a coligação do Silval está com mais problemas junto ao eleitor.
Os fatos sugerem que Sérgio Ricardo está fazendo campanha para deputado de olho na de prefeito em 2012. Quer ser o mais votado em Cuiabá, com a massificação do seu nome nesta eleição, pensando em ser o prefeito da Copa.
O PP tem bons candidatos a deputados federais e estaduais, por causa disso resolveu sair sozinho para a eleição deste ano. Aí começaram a acontecer fatos inesperados.
Pedro Henry está com dificuldade em registrar sua candidatura. Chico Daltro foi ser vice do Silval. Eliene Lima tem um problema de saúde em família que faz com que ele diminua seu ritmo de trabalho pelo estado. Para deputado estadual, dois campeões de votos da sigla, Riva e Valter Rabello, estão com algum tipo de pendência na Justiça Eleitoral.
Numa atitude até inesperada, Blairo Maggi disse que não dá para comparar seu governo com o de Dante de Oliveira e nem outros com outros, pois o orçamento da frente é sempre maior do que o que passou. Não sei se é para conseguir os votos de antigos eleitores do Dante ou se essa diferente postura veio mesmo para ficar. Faltou dizer ainda que o Dante fez rigoroso ajuste fiscal, rigor que lhe custou a eleição ao Senado.
Um rumor tem crescido em Cuiabá: saber qual o resultado do inquérito sobre o superfaturamento dos maquinários repassados às prefeituras. O governo do Estado, numa atitude positiva, veio de público e disse que sumiu algo como 45 milhões de reais na compra daquelas máquinas. Pessoas também foram mandadas para o interior para saber se peças e componentes desses maquinários foram trocadas ou não.
Até agora ninguém sabe quem foi o culpado pelo desfalque apontado pelo próprio governo. Ninguém está entendendo esse silêncio barulhento perto de uma eleição disputadíssima.
Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com
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>Pensar grande

Posted on julho 27, 2010. Filed under: agroindústria, Alfredo da Mota Menezes, BNDES, grande, Pensar |

>Por Alfredo da Mota Menezes

Não li os programas de governos dos candidatos ao governo do Estado, mas duvido que tenham colocado ali que vão lutar para se ter o asfalto para Santa Cruz de La Sierra na Bolívia. Dali se vai aos outros países dos Andes (Chile, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador).
Não é aquela conversa de que se vai integrar povos irmãos ou, outra besteira, trazer de volta o sonho de Simon Bolívar.
O que se defende é mais comércio com os países andinos com seus 145 milhões de habitantes e um PIB perto de um trilhão de dólares. Ninguém está falando em transportar soja pelos Andes, seria para beneficiar nossa futura agroindústria. Temos enorme vantagem pela proximidade geográfica.
O que se gostaria de ter dos candidatos ao governo seria o comprometimento deles em fazerem firme gestão junto ao futuro presidente para conseguir o que outros estados já conseguiram. Tem pelo menos isso nos programas de governo? Duvido.
Como se vai asfaltar dentro da Bolívia? O BNDES emprestou mais de 300 milhões de dólares ao governo boliviano, com carência de cinco anos e não sei quantos anos para pagar, para se fazer o asfalto entre Puerto Suarez, ao lado de Corumbá, até Santa Cruz de La Sierra (o Brasil tem interesse em penetrar economicamente nos países andinos). O Acre também se beneficiou de ligação com o Peru com dinheiro do BNDES, nas mesmas condições do outro empréstimo.
Quem tem ou terá mais produtos da agroindústria para exportar para os países dos Andes, Mato Grosso do Sul, Acre ou Mato Grosso?
Já ouvi gente do estado dizer que MT não precisaria da alternativa para Santa Cruz porque nossos produtos da agroindústria poderiam ir pelo Acre ou pelo Mato Grosso do Sul. É um absurdo pensar assim.
Para que nossos produtos cheguem a Corumbá seriam 1.140 km (700 km daqui a Campo Grande e 440 a Corumbá), mais 650 km dali a Santa Cruz ou 1.790 km no total.
Para chegarmos à fronteira do Acre com o Peru, o nosso produto teria que percorrer 2.343 km ou 1.456 até Porto Velho, mais 544 a Rio Branco e ainda 343 dali a Assis Brasil já na divisa com o Peru.
De Cuiabá a Santa Cruz seriam 1.059 km ou 225 até Cáceres, mais 100 até San Matias e 734 a Santa Cruz. Faltam uns 420 km para ser asfaltado dentro da Bolívia. Já ouvi também gente falar que o governo da Bolívia não deu prioridade para a saída do nosso lado. Outra besteira. Diga ao Evo Morales que se pode ter um empréstimo subsidiado do BNDES, como foram os outros, para asfaltar essa rodovia. Alguém acha que ele vai recusar? Se recusar, poderia ser feita gestão junto às lideranças políticas e empresarias de Santa Cruz para convencer o governo boliviano.
Todos os candidatos ao governo certamente dão ênfase, em seus programas, à agroindústria. O que causa estranheza são eles não defenderem uma alternativa de transporte que poderia ajudar enormemente o futuro da agroindústria do estado. Pense grande, gente.

Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com

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>O momento fez o Lula

Posted on junho 29, 2010. Filed under: Alfredo da Mota Menezes, Depressão, Fernando Collor, FHC, Getúlio Vargas, Inflação, Lula, Plano Real, sorte |

> Por Alfredo da Mota Menezes

Existe uma expressão em história que diz que não é o herói ou o líder que faz o momento, é o inverso. O que adiantaria aparecer hoje Napoleão Bonaparte? Ele apareceu no momento certo, que o fez. Sua grande habilidade foi entender o momento. Outros nomes na história não souberam entender e usar o momento.
Alguns exemplos históricos talvez ilustrem esse aspecto. Getúlio Vargas, o primeiro “pai dos pobres”, virou mito, entre outros motivos, porque deu assistência ao trabalhador, incluindo as leis trabalhistas, no momento da grande migração brasileira do campo para as cidades.
O mundo estava investindo no trabalhador, até na Itália fascista. Os EUA, por causa da Depressão econômica, foram por aí também. Na Argentina surge o Justicialismo ou a grande ligação que o trabalhador terá com o peronismo. Foi Perón que fez aquilo ou o momento o conduziu a fazer aquilo? O mesmo se pode dizer de Lázaro Cárdenas no México.
Vindo para casa. O presidente Lula descobriu que se deveria investir no pobre ou foi o momento que o levou a isso? Está se transformando em novo “pai dos pobres” por sorte na política. Goleiro bom e político têm que ter sorte. Lula tem de sobra.
Imaginemos que o Lula tivesse ganho de Fernando Collor a eleição para presidente de 1989. Inflação desbragada, descontrole nas contas públicas, adaptação à nova Constituição. Se ganha do Collor, naquele momento complicado, ele teria tempo e meios para investir no pobre? Teria tirado milhões da pobreza?
Imagine que o Lula ganhasse de FHC em 1994. Para consolidar o Plano Real, que ele era contra, deveria tomar as amargas medidas que o ex-presidente tomou. Todas que a esquerda condena até hoje ou ações neoliberais. Naquele momento de ajustes na economia, Lula teria dinheiro para tantas Bolsas Família? Naquele momento de transição, Lula tiraria milhões da pobreza? Era outro momento complicado para ele assumir a presidência.
Ele assume o governo com as contas públicas se ajeitando, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, com um plano econômica em andamento e a economia se estabilizando. As pessoas mais pobres, que sofreram o diabo naquele ajuste fiscal, precisavam de apoio para sair do sufoco. Veio o Lula e caminhou por aí, como o Serra ou outro teria caminhado. O momento conduziu o Lula àquelas ações. O momento o fez e não o contrário.
Com a estabilização da economia mais gente foi incorporada ao mercado consumidor. Outra vez o presidente estava no lugar e na hora certa. O momento o está transformando na pessoa que tirou tantos milhões de uma classe social para outra. O Lula entendeu o momento e foi em frente.
Tem outra característica daqueles que entenderam e usaram com inteligência o momento: o discurso. Napoleão, Roosevelt, Perón, Vargas e agora o Lula. O momento histórico e o discurso convincente fizeram esses mitos. Também o homem de Garanhuns.

Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br

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