Amigo

>A falta que ele nos faz

Posted on julho 7, 2010. Filed under: Amigo, Blairo Maggi, Dante, Dante de Oliveira, democracia, Mato Grosso, Wilson Santos |

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Wilson Santos
Dante faz muita falta.
Como líder que agregava sensibilidade intuitiva e lógica elaborada, para formular juízos políticos e prospecções eleitorais que tinham sempre o interesse coletivo como matriz.
Como amigo desprendido, capaz de dissimular os muitos gestos pessoais de grandeza com um calculado toque de humor com que buscava ‘aliviar’ a importância de sua solidariedade incondicional.
Dante faz muita falta.
Aos amigos, às centenas de milhares de eleitores e aos incontáveis admiradores que fez em todo o Brasil. 
Como autor da emenda das ‘Diretas Já’, como ministro da Reforma e do Desenvolvimento Agrário e, claro, como prefeito de Cuiabá e como governador de Mato Grosso, que transformou em referência nacional.
Dante faz muita falta.
Contudo, o sentimento de perda irreversível que nos comove e abate, aos quatro anos de seu desaparecimento absurdamente precoce, nos leva a reverenciar os valores éticos que condicionavam sua enorme inteligência política a se mover sempre em favor das causas maiores.
Sobre Dante de Oliveira, a designação de estadista não cai forçada, mas natural e apropriada. De deputado estadual a governador de Mato Grosso, de prefeito de Cuiabá a inspirado líder do maior movimento cívico que mobilizou a nação brasileira em defesa da restauração democrática, Dante de Oliveira construiu uma trajetória política ímpar. Tanto em significação político-institucional quanto em relação à rapidez com que se consolidou. Como se, por amarga premonição, a História tivesse pressa.
Ainda que a história recente do Brasil, especialmente o capítulo fundamental da reconstrução da democracia, tenha em Dante de Oliveira uma de suas mais notáveis referências, somos nós, seus irmãos mato-grossenses, que sabemos mais da falta que ele nos faz. Porque tivemos privilégio de merecer os melhores frutos de seu desvelo, de seus sonhos e angústias de governante criativo e corajoso.
A gênese, a matriz fecunda do Mato Grosso que hoje registra números exponenciais de crescimento econômico, foi forjada com a têmpera e o discernimento do governador Dante de Oliveira.
Dessa gênese fazem parte a solução da grave questão energética, com a construção da termelétrica, do gasoduto, e a implantação da hidroelétrica de Manso, os investimentos em rodovias – com a supressão de ‘gargalos’ que comprometiam a logística e anulavam Mato Grosso como opção de investimento no agronegócio – e, especialmente, a extraordinária mobilização para ligar Mato Grosso ao sistema ferroviário nacional, através da Ferronorte. Que, deixou em Alto Araguai, de onde, infelizmente, não avançou um metro até hoje.
Com o Fethab, Dante de Oliveira estabeleceu um programa definitivo de financiamento de infraestrutura econômica e social que, mesmo sofrendo alterações em governos seguintes, tem ainda agora o DNA de um instrumento de modernização a ser mobilizado para o verdadeiro desenvolvimento. Que Dante sempre imaginou como sendo a forma de gerar oportunidades para todos, de fazer da riqueza um bem social, coletivo.
Programas de incentivos fiscais foram, em mãos de Dante de Oliveira, instrumentos usados com grande eficácia. Sem alardes nem favorecimentos. Foi o caso do Proalmat, de incentivo à lavoura algodoeira, que projetou Mato Grosso de produtor insignificante a líder nacional na cultura dessa oleaginosa.
Se a Democracia – para cuja reconquista Dante sonhou o sonho ‘ensandecido’ de esperança – está hoje consolidada, o Mato Grosso que o nosso maior estadista sonhou para todos nós ainda está sendo plasmado em processo lento e difícil.
No sonho generoso de Dante de Oliveira, a verdadeira Democracia pressupunha justiça social, oportunidades para todos, enfim, liberdade como sinônimo de igualdade. A participação de todos na divisão dos frutos do progresso, não como concessão, mas como direito sagrado.
É para construir em Mato Grosso essa sociedade, mais justa e igualitária, mais próspera e solidária, que temos de nos empenhar. Não só como merecida homenagem à sensibilidade social e humana de Dante de Oliveira, mas, sobretudo, para responder concretamente aos ideais de desenvolvimento e prosperidade que fecundou neste Estado.
Por ter saído demasiado cedo da cena que certamente o projetaria muito mais como estadista, Dante faz muita falta.
Ainda há pouco, o ex-governador Blairo Maggi me dizia, em conversa informal, que fosse vivo Dante de Oliveira seria hoje candidato imbatível ao governo de Mato Grosso.
Ainda que a opinião do ex-governador seja uma quase unanimidade, essa constatação não pode preencher a enorme falta que Dante nos faz.
E a única forma de compensar esse vazio que o passar dos anos não anula, é mobilizar corações e mentes em favor da concretização dos ideais que Dante de Oliveira soube plantar em nossas consciências.

Wilson Santos é candidato a governador de Mato Grosso
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>A infidelidade do amigo

Posted on abril 5, 2010. Filed under: Amigo, Detran, infidelidade, investigação, paixão |

>Teobaldo Witter

Na sexta-feira da Paixão lembramos, profundamente, a morte de Jesus Cristo na Cruz, no lugar chamado Gólgota, ou seja, no lugar da caveira. Além da inveja dos seus adversários, que tramaram sua morte, Jesus sofreu as consequências da infidelidade dos amigos, sendo Judas o bode expiatório da traição de todos e todas.


Jesus sofreu com os infiéis da sua causa de vida e salvação. A humanidade sofre com a infidelidade nos relacionamentos e nos trabalhos em equipe. Num assalto, onde houve morte, o gerente disse: o problema são os infiéis. Ele suspeitou que alguém muito próximo dele articulou a ação. O fato se comprovou, na investigação.


Um dos grandes problemas da humanidade é a infidelidade. As infidelidades no negócio, nas mentiras, na família, na corrupção, nos partidos políticos, no trabalho em equipe trazem consequências trágicas para a qualidade de vida. Mas tem aquela infidelidade que a gente quase não percebe. O jogador que joga, sua a camisa, mas não colabora com a equipe. Os colegas que têm inveja um do outro e se boicotam no jogo, não passando a bola no lugar e momento certo. A maioria dos jogadores da equipe que quer se livrar do técnico e só sapateia no campo, como mosca tonta, sem rumo. O colega de trabalho que não passa a informação adequada, que faz corpo mole. São traições, parecem pequenas, mas as suas consequências são horríveis. Sobrecarregam colegas. E impõem serviço de má qualidade. A má qualidade no serviço público tem na infidelidade uma de suas principais causas.


A fidelidade é um dom precioso. É um princípio fundamental de Deus. A experiência mais importante da humanidade, em seus relacionamentos de fé, esperança e confiança, é a fidelidade dele. Há vida e salvação, porque Deus prometeu. Ele é fiel. Ele não abandona, nem negligencia um só momento seus cuidados conosco, apesar de nossas infidelidades.


Recebi um texto que foi repassado pelo colega P. Geraldo Graf. Conta uma lenda que certo homem cometeu um crime e foi condenado à morte. O juiz marcou a data da execução e concedeu um último pedido ao condenado. Este suplicou: “Permita-me ir despedir-me da minha mãezinha. Ela mora longe, é idosa e está muito doente. Há muito tempo, ela espera minha visita”. O juiz respondeu: “Seu pedido é justo e permitirei que vá se despedir de sua mãe. Porém, você só poderá se ausentar se outra pessoa ficar em seu lugar na prisão. Caso você não retornar, ela será executada”. Desconfiados, os amigos se recusaram a ficar na prisão em lugar do condenado. Todos deixaram, de mansinho, o local. Apenas um deles, ao sair, olhou no rosto do condenado e, com compaixão, decidiu acreditar no amigo preso. E se ofereceu para ficar na cadeia, no lugar do condenado, enquanto este visitava a mãe.


Chegou o dia da execução. O condenado não retornou. O povo fez chacota. Chamou de tolo o amigo que confiara no criminoso. Na hora marcada, o amigo foi conduzido ao cadafalso para ser enforcado. Já estava com a corda no pescoço, quando, subitamente, o condenado veio correndo ofegante para fazer a “destroca”. Explicou que se atrasou, porque tivera que sepultar primeiro sua mãe, que morrera feliz com o reencontro. Ela disse que estava esperando se encontrar com o filho para partir em paz.


Todos ficaram muito impressionados com a amizade e a fidelidade desses dois amigos. O juiz decidiu perdoar o condenado e lhe concedeu a chance de recomeçar sua vida. “Eu gostaria de ter amigos tão fiéis e cumpridores da palavra como vocês dois são!”, concluiu o juiz.


Esta é uma história com final feliz. Mas nós conhecemos uma outra história que está repleta de inveja e infidelidade. O amigo que ficou no lugar dos condenados e foi executado em lugar destes numa cruz. Jesus foi traído, primeiramente, por um amigo, Judas. Depois foi traído por todos os apóstolos e, finalmente, por todos os seres humanos. Apesar disso, a fidelidade de Deus venceu nossa infidelidade.


Autor: Teobaldo Witter é pastor luterano, ouvidor do Detran e professor universitário. E-mail: twitter@terra.com.br – Fonte: A Gazeta
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