antipática

>O trapalhão

Posted on setembro 14, 2009. Filed under: antipática, dossiê, Lula e Dilma, mensalão, pré-sal |

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Ricardo Noblat

Lula e Dilma têm muitas coisas em comum, mas falta uma capaz de fazer toda a diferença: nada pega em Lula. Tudo pega em Dilma. Mensalão? Lula jura que não sabia. Compra de dossiê contra adversários nas eleições de 2006? Ignorava. A ex-secretária da Receita Federal diz, mas não prova que se reuniu com Dilma. Pois as pessoas acreditam nela.

Dilma angariou justa fama de autoritária. Lula é um autoritário sem fama. Dilma trata mal até ministros de Estado. Lula está cansado de fazer o mesmo, mas ninguém em torno dele sai espalhando. Dilma detesta ser contrariada. Lula é capaz de pular no pescoço de quem o contrarie. De cara feia, Lula assusta os que o cercam tanto quanto Dilma assusta os seus. Mas a antipática é ela. Lula é um doce.

Imagine só se coubesse a Dilma decidir se os projetos do Pré-sal deveriam ou não ser votados em regime de urgência no Congresso. E que ela decidisse que deveriam, sim. E depois recuasse. E em seguida mantivesse a urgência. Para finalmente revogá-la. Do que a chamariam? De política hábil, conciliadora, esperta, realista? Ou de fraca, confusa, indecisa e permeável a todo tipo de pressão?

E se Dilma na presidência tivesse tomado algumas doses a mais de caipirinha e, ao lado do presidente da França, anunciasse o desfecho de uma concorrência bilionária que ainda não esgotou seus trâmites? O mundo desabaria na cabeça dela. A Aeronáutica entraria de prontidão (claro que exagero). E o ministro da Defesa teria a desculpa que procura para deixar o governo e apoiar a candidatura de José Serra.

Lula é um trapalhão. Por despreparo, presunção ou falta de cuidado, fabrica trapalhadas desnecessárias. É dele a decisão final sobre a compra de aviões militares. Lula não está obrigado a levar em conta apenas aspectos técnicos das propostas. De fato são relevantes razões de ordem estratégica. Mas precisava se precipitar? Por pouco não enfrentou uma crise com a demissão do Comandante da Aeronáutica.

Em 2007, quando os controladores de vôo entraram em greve, Lula mandou o ministro do Planejamento negociar com eles – e o Comandante da Aeronáutica ameaçou ir embora. Três anos antes, afrontado pelo Comandante do Exército, o ministro da Defesa José Viegas quis demiti-lo, mas Lula não deixou. Viegas foi embora.

O céu de Pagot

O Senado é melhor do que o céu, segundo Darcy Ribeiro. E o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) melhor do que o Senado – segundo seu diretor Luiz Antonio Pagot. Primeiro suplente de senador pelo Mato Grosso, Pagot teve a chance de substituir Jayme Campos (DEM) durante 100 dias. E depois por quatro anos caso Jayme se eleja governador. Renunciou à suplência para ficar no DNIT até o fim do governo. Na carteira, ganha R$ 10 mil mensais. Administra um orçamento de quase R$ 18 bilhões. O serviço público tem lá seus encantos.

O inferno de Arruda

O governador José Roberto Arruda (DEM) viajou aos Estados Unidos atrás de dinheiro para investir em Brasília. O presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), viajou a Portugal de férias. Então o Cabo Patrício (PT), substituto de Prudente, conseguiu aprovar em menos de uma semana a instalação de duas CPIs. Uma vai investigar irregularidades descobertas na contratação pelo governo de empresas terceirizadas. A segunda passará a limpo a situação da saúde pública. Candidato à sucessão de Arruda, Joaquim Roriz deu a maior força a Patrício.

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