aptidão

>A Astúcia da Confusão

Posted on janeiro 10, 2010. Filed under: aptidão, Astúcia, confusão, dinheiro, franquia, pobres, telefone fixo |

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Certo dia, um homem aflito pelos problemas financeiros prometeu que, se ganhasse dinheiro suficiente para resolver suas dificuldades, venderia sua casa e doaria o dinheiro aos pobres. Esse dia finalmente chegou e ele, então, teve de cumprir sua promessa. A dificuldade é que já não estava mais disposto a se desfazer de tanto dinheiro. Então bolou uma estratégia desonesta. Colocou a casa a venda por um real e quem a comprasse teria de levar junto o gato, por duzentos mil reais. Assim foi que vendendo a casa deu um real para um pobre mendigo.


A astúcia recebe vários nomes, esperteza, olho vivo, competência, inteligência. Não importa qual nome se dê, ela será sempre uma atitude desonesta. Você já se sentiu na pele do gato? Ou do mendigo? Hoje em dia várias decisões que devemos tomar passa pela confusão do excesso de informações. Vai se comprar um carro ou um celular e as opções são tantas que no fim deixamos a decisão para o vendedor. É como pedir ao lobo para ir ao galinheiro tomar conta das galinhas.


Há poucos dias eu vi em uma vitrine a possibilidade de ter em um só telefone fixo e celular. Então entrei, sinalizei para uma atendente que logo veio ao meu encontro. Ela com toda aptidão me descreveu com domínio do assunto. O que vocês vão ver agora é a descrição de uma viajem fantástica ao mundo da confusão por excesso de opções:


– O senhor poderá ter aquele telefone e optar na hora de ligar se quer o fixo ou o móvel. Disse-me ela. – Então posso usar o meu celular atual? Respondi. – Não somente um novo específico para isso. – Então comprando um celular novo estou apto para o uso? – Não! É preciso comprar o ponto. Eu: – Preciso pagar pelo ponto? Ela: – Sim, mas estamos com promoção, se o senhor tiver em casa o identificador de chamada. Eu: – Não tenho. Ela: – O senhor pode fazer agora e ficar fidelizado – quase disse “preso” – a ele por doze meses.


Eu: – Humm… Certo, assim estou habilitado? Ela: – O senhor pode escolher se quer 300 minutos e ganhar o aparelho. Eu: – Ganho o aparelho e tenho 300 minutos? Ela: – Não, tem de pagar todo mês uma mensalidade, e pode usar 300 minutos. Eu: – Puxa que bom, 300 minutos lá em casa dá. Ela: – Mas são 300 minutos somente para nossa operadora. Eu: – Mas e para as outras? Tem de pagar? Ela: – Sim, e o preço é o triplo. Eu: – Mas é caro… Ela: – O senhor pode ganhar até mais 300 minutos na recepção de ligações de outra operadora. Eu: – Ganho de graça? Ela: – Sim, desde que seja no DDD 65. Eu:- Ótimo! Ela: – Mas, tem um detalhe, o senhor ficará fidelizado por 18 meses. Eu: – Humm… Entendido. Terminou? Agora posso fechar negocio. Ela: – Não, o senhor precisa de um plano para o fixo. Eu: – Como assim? Ela: – Um plano para o telefone fixo. Pode ser o completo, o tal, o x ou o y.


Eu: – Meu Deus!!! Agora estou começando a ficar confuso. Ela: – É simples, senhor, basta escolher o que paga na ligação e mais pelos minutos. Ou aquele que paga minutos, sem o inicial. Bem tem também aquele que ganha internet de graça no fim de semana, e aquele que tem telefonemas no fim de semana de graça. Eu: – Sem pagar?- Ela: Não senhor, custa x por mês. Eu: – Estou ficando confuso… Ela:- Calma, senhor, é simples, e o senhor ainda poderá contar com 14 amigos para ligar toda hora. Eu: – Nossa que bom! Ela: – E se ligar para outra cidade, tem o tempo de volta. Eu: – Nossa! Meu tempo ou o do telefone? Ela: – Do telefone, mas somente poderá usar após a franquia. Eu: – O que é franquia? – Ela: É o tempo de seu plano, pago ao mês. Eu: – O que faço? Ela:- O senhor terá de exceder as ligações mais que a franquia para fazer jus. Eu: – Vou ter de ligar bastante? Ela: – Sim.


– Há! Bom.

Negociar é essencial. Saí. Fui embora, desisti do jogo e não a deixei decidir por mim. Criei coragem, fui firme, e entrei noutra loja. Começou tudo de novo. Você conhece a prece da serenidade? É assim: “Peço a serenidade para aceitar as coisas que não podem ser mudadas, a coragem para mudar as coisas que posso. E a sabedoria para saber a diferença entre as duas”. Pense nisso, mas pense agora!

Autor: Saulo Gouveia Carvalho (saulo@saulogouveia.net) – Fonte: A Gazeta

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