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>Segundo Ibope 72,3% dos assentados pelo governo não geram renda

Posted on outubro 14, 2009. Filed under: assentamentos, CNA, IBGE, Ibope, MST, reforma agrária, TCU |

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Reuters

Pesquisa feita pelo Ibope nos maiores assentamentos de reforma agrária do país revela que 72,3% deles não geram renda.


Descobriu-se o seguinte:


1. 37% das propriedades não produzem nada;

2. 10,7% não produzem nem o suficiente para a família;

3. 24,6% produzem apenas o suficiente para o consumo da família;

4. 27,7% produzem o suficiente para a familia e excedente para a venda


A sondagem foi feita por encomenda da CNA (Confederação Nacional da Agricultura).

Os pesquisadores do Ibope bateram à porta dos assentados entre os dias 12 a 18 de setembro.

Visitaram nove dos cerca de 8 mil assentamentos implantados pelo Incra no país. Não foram escolhidos a esmo.


Todos os assentamentos incluídos na pesquisa têm mais de 15 anos de implantação. São considerados “emancipados”.


Significa dizer que os assentados já receberam todas as verbas públicas a que teriam direito. Em tese, deveriam caminhar com as próprias pernas.


A julgar pela principal revelação da pesquisa –72,3% dos assentamentos não geram renda—a pretensa emancipação é uma quimera.


Segundo o Ibope, metade da renda dos assentados (49%) vem de atividades que não estão associadas à exploração da terra.


Há mais: 37% das famílias assentadas sobrevivem com apenas um salário mínimo por mês.

Considerando-se que há uma média de 4,3 pessoas em cada casa assentada nas terras do Incra, chega-se a um flagelo:


Cada pessoa da família é condenada a viver com ¼ de salário mínimo. Ao divulgar a pesquisa, a presidente da CNA deu nome ao fenômeno:


“Quase 40% dos assentados estão vivendo em situação de extrema pobreza”, disse Kátia Abreu, senadora do DEM de Tocantins.


Apenas 26% das famílias assentadas dispõem de renda acima de dois salários mínimos. Outras 35% auferem entre um e dois salários.


Na média, a renda das residências dos assentamentos é de 1,7 salário mínimo. Como já mencionado, 49% dessa renda é obtida em atividades alheias à terra.


Segundo o Ibope, excluindo-se o dinheiro que vem de fora da propriedade, a renda médias das famílias cairia de 1,7 para 0,86% do salário mínimo.


Kátia Abreu fez questão de realçar que o flagelo não é obra da gestão Lula. É uma encrenca que vem de 15 anos. Periodo que inclui os dois mandatos de FHC.


Há na pesquisa do Ibope dados que revelam que o tamanho do êxodo nos assentamentos do Incra.


Os pesquisadores perguntaram aos entrevistados se foram eles os beneficiários originais do projeto de reforma agrária do governo.


A grossa maioria (60%) é composta de terceiros. Pessoas diferentes daquelas que se beneficiaram do programa. Estão distribuídas assim:

1. 5% disseram que receberam as terras do pai ou da mãe;

2. 3% informaram ter recebido as terras de outro parente;

3. 6% admitiram que o beneficiário era outra pessoa;

5. 46% informaram que compraram a terra de outra pessoa. Esse percentual sobre para 75% no estado do Pará.


O Ibope ouviu, em consultas domiciliares, 1.000 assentados. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais –para mais ou para menos.


Todos os entrevistados são moradores de assentamentos definidos pelo Incra como de “nível 7”, já emancipados.


A sondagem expõe um retrato dramático. Se é assim nos assentamentos mais antigos, imagine-se a situação dos mais recentes.


Há no Brasil cerca de 8 mil assentamentos do Incra. Foram à terra 870 mil famílias. Estão esparramados por 80,2 milhões de hectares.


É uma área maior do que os 60 milhões de hectares que se dedicam no Brasil à produção de grãos –milho, arroz, soja, etc.


Dos 8 mil assentamentos, apenas 240 são considerados como “emancipados”. Foi esse pedaço das terras da reforma agrária que o Ibope revolveu.


Antes que a CNA divulgasse os dados recolhidos pelo Ibope, o ministro Guilherme Cassel fizera uma exposição no Senado.


Valendo-se das informações do último censo agropecuário do IBGE, o ministro enaltecera a pujança da agricultura familiar.


Dissera que as propriedades familiares respondem pelo grosso dos alimentos que vão à mesa dos brasileiros.


É líder na produção de mandioca, feijão, leite, aves e suínos. Produz 46% do milho, 38% café e 34% do arroz consumidos no país.


O problema é que os dados do IBGE, esgrimidos pelo ministro, incluem pequenas e médias propriedades que não integram o programa de reforma agrária.


As duas bases de dados –o censo do IBGE e a pesquisa do Ibope—não são, portanto, comparáveis entre si.


Na mesma exposição, Cassel negara que o governo repasse dinheiro ao MST. Meia verdade.

A grana pública escorre para entidades ligadas ao movimento. Um pedaço é borrifado, sim, nas arcas do MST. É coisa já comprovada pelo TCU.

Fonte: Blog do Josias de Souza

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