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>Violência no Rio de Janeiro: A batalha agora é no Morro do Alemão, com ao menos 900 bandidos

Posted on novembro 26, 2010. Filed under: bandidos |

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As imagens da fuga de traficantes da Vila Cruzeiro em direção ao Complexo do Alemão são ricas em informação para a polícia. Quem garante é o capitão reformado do Bope Paulo Storani, hoje consultor de segurança. Como avalia o policial, a romaria de bandidos pela mata mostra que estavam certas – e talvez até subestimadas – as suposições de quantidade de homens e armas em poder dos bandidos naquela área da cidade.

Guerra no Rio de Janeiro, a polícia não pode recuar

O que se viu na TV, graças às sofisticadas câmeras do helicóptero da TV Globo, dá uma ideia do cenário que aguarda a polícia no Alemão. “Historicamente, o Alemão, bem maior, sempre teve o dobro de traficantes da Vila Cruzeiro. Se hoje assistimos à fuga de cerca de 300 homens do Cruzeiro, podemos supor que há pelo menos 900 bandidos entrincheirados no momento no Alemão”, avalia Storani, que, como ‘caveira’ – denominação dos policiais do Bope – aprendeu a conhecer e respeitar a geografia e o poder de fogo das duas favelas.
“Uma das características do Alemão é a grande quantidade de vias de acesso. A polícia vai precisar de um efetivo muito grande para conseguir encurralar os criminosos naquele local”, alerta. A estratégia dos bandidos, que também enfrentam problemas com essa diversidade de opções de acesso, deve ser a de bloquear ruas, criar armadilhas para os veículos blindados e concentrar homens armados em poucos pontos estratégicos.
Policiais do Bope durante operação nesta quinta-feira (25)
Fuzis – Storani usa a experiência que teve no Batalhão de Operações Policiais Especiais para estimar também o armamento em poder dos traficantes. “Pelas imagens da Globo, vimos que a proporção é de quase um fuzil por homem. Se temos quase mil homens concentrados na favela, e considerarmos que 80% a 90% deles têm fuzis, é um arsenal como a polícia nunca enfrentou”, acredita o policial, que prevê um confronto difícil para a polícia: “A população pode se preparar para assistir a um dos confrontos mais duros da história do Rio.”
A possibilidade de uma incursão entre a noite de hoje e a madrugada de sexta-feira é remota. Atuar em becos, em áreas repletas de casas, com pouca luminosidade, seria expor a um risco excessivo os policiais e, principalmente, os moradores.
Ocupação permanente – A polícia não anunciou oficialmente a criação de uma UPP na Penha, mas a ocupação da Vila Cruzeiro – anunciada pela Polícia Civil no início da noite de hoje – será permanente. “Recuar, neste momento, seria colocar todo um trabalho a perder e abrir possibilidade para um retorno daqueles traficantes”, explica Storani.
O Complexo do Alemão viveu, há quatro anos, uma das batalhas mais sangrentas da história do combate ao tráfico. No início do governo Sérgio Cabral, uma ação da Polícia Civil, com 300 homens, terminou com um saldo oficial de 19 mortos – com suspeita de mais óbitos, sem registro oficial. A favela é também uma das áreas mais pobres e abandonadas da cidade.
Fonte: Veja
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>Quem se importa?

Posted on outubro 26, 2009. Filed under: bandidos, Jardim Botânico, Mercedes-Benz, polícia, Polícia Federal, violência |

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“Eu queria é que entendêssemos a queda do helicóptero como sendo o nosso 11/9”. (José Beltrame, secretário de Segurança)

“Que semana infernal, não?” perguntei por telefone a uma amiga que mora no Jardim Botânico, no Rio. “Exagero. Circulei livremente e não ouvi um tiro”, respondeu. De Vila Isabel, outro amigo me disse: “Fora a queda do helicóptero da polícia não aconteceu nada de extraordinário”. E a morte do cara do Afro Reggae? “Todo dia morre gente”.


Eu estava no Rio quando foi assassinada em 22 de novembro de 2006 a socialite Ana Cristina Giannini Johannpeter. Ela dirigia sua caminhonete blindada Mercedes-Benz e parou diante do sinal fechado na esquina da Rua General San Martin com Avenida Afrânio de Melo Franco, no Leblon, a cerca de 150 metros da 14ª Delegacia de Polícia. Cristina baixou o vidro para fumar.


Dois bandidos, que estavam em uma bicicleta, encostaram-se ao carro e um deles apontou para Cristina um revólver calibre 38, ameaçando-a: “Eu não quero o carro. Só as suas coisas”. Cristina entregou a bolsa, o celular e ao se preparar para tirar o relógio do pulso, tirou sem querer o pé do freio. Como o carro era hidramático, movimentou-se sozinho. O bandido atirou na cabeça de Cristina.


Fiz uma ronda por bares e restaurantes do Leblon na noite do dia seguinte. O assassinato de Cristina era o assunto na maioria deles. Mas para meu espanto, ouvi repetidas censuras ao comportamento da morta. Como uma milionária dirigia o próprio carro? Como não havia seguranças ao seu lado? Por que baixou o vidro? Como pôde ser tão descuidada a ponto de tirar o pé do freio?


A sociedade carioca está sedada pela violência que fez 46 mortos em apenas uma semana. O número de favelas cresceu de 750, em 2004, para 1.020 neste ano. Cerca de 500 são controladas pelo tráfico. Quem o sustenta é quem tem dinheiro. E quem tem dinheiro mora no asfalto. A violência é o pedágio que os cariocas pagam aparentemente conformados para que uma parte deles possa continuar se drogando.


O noticiário costuma informar: “A polícia invadiu o morro tal”. Como se os morros fossem territórios independentes da cidade, dotados de governos próprios que mantêm relações econômicas com outros países do continente, a exemplo da Bolívia, Paraguai e Colômbia. E de certa forma é o que eles são. Nessas áreas de escandalosa exclusão social, a presença do Estado é rarefeita ou inexistente.


Compete à Polícia Federal combater o narcotráfico. Quantas vezes ela foi vista escalando morros? Compete ao governo federal vigiar as fronteiras do país. É ridículo o número de policiais ocupados com a tarefa. Faltam equipamentos e gente para fiscalizar o desembarque de cargas nos portos. Até agosto, para modernizar sua polícia, o Rio só havia recebido R$ 12 milhões dos quase R$ 100 milhões prometidos pelo governo federal.


Adiantaria ter recebido mais? Em 2009, estão previstos investimentos de R$ 421 milhões na segurança pública do Rio. Só foram liquidados R$ 102 milhões até agora 24,2% do total. Em três anos de governo Sérgio Cabral, o total de investimentos em segurança deverá ser de R$ 804.818,00. De fato, não mais do que 40% dessa grana já foram aplicadas. O governo se cala a respeito.


Vez por outra, sob o impacto de algum episódio mais brutal, contingentes cada vez menores de cariocas vão às ruas pedir paz. O poder público responde com invasões temporárias de morros, a morte de bandidos ou de meros suspeitos, a apreensão de armas e o afastamento de policiais corruptos. Quando um capitão libera um assassino em troca de uma jaqueta e de um par de tênis é porque a instituição à qual pertence apodreceu.


O problema do Rio não é de paz é de enfrentamento. A situação de insurgência só se agravou com o descaso dos governos e a arraigada cultura local de tolerância com a malandragem e o banditismo. O Estado brasileiro carece de um plano consistente, amplo e ambicioso para salvar o Rio. E o que é pior: os cariocas parecem não se importar muito com isso.

Autor: Ricardo Noblat – E-mail para esta coluna: noblat@oglobo.com.br Blog do Noblat: www.oglobo.com.br/noblat

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