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>Segundo turno?

Posted on setembro 14, 2010. Filed under: campanhas, candidatos, Datafolha, Dilma Rousseff, Eleição, eleitores, Erenice Guerra, José Serra, Marina Silva, PSDB, Revista Veja, segundo turno |

>Por Merval Pereira

A 20 dias da eleição, há tempo ainda de reverter a vantagem que a candidata oficial, Dilma Rousseff, apresenta em todas as pesquisas de opinião e impedir que ela vença no primeiro turno? As campanhas dos candidatos adversários acreditam mais do que nunca que sim, diante da onda de denúncias que a envolvem diretamente, seja com as claras vinculações de sua campanha com as quebras em série de sigilos fiscais, seja pela atuação de lobista do filho de seu braço-direito Erenice Guerra. Esta foi deixada como ministra-chefe da Casa Civil para que fosse a própria Dilma no controle das ações do governo, assim como Lula inventou Dilma para concorrer por ele como sua “laranja” eleitoral.

Erenice é Dilma assim como Dilma é Lula, e por isso chega a ser patética a explicação dada pela candidata oficial no debate da Rede TV/Folha.

“Eu tenho, até hoje, a maior e a melhor impressão da ministra Erenice. O que se tem publicado nos jornais é uma acusação contra o filho da ministra. (…) Agora, eu quero deixar claro aqui: eu não concordo, não vou aceitar, que se julgue a minha pessoa baseado com o que aconteceu com o filho de uma ex-assessora minha”.

Ora, as denúncias da revista Veja referentes ao filho não existiriam se a mãe não fosse ministra; só nesse caso há campo para o “tráfico de influência”.

No mínimo, um filho de qualquer autoridade da República não pode exercer a função de consultor para assuntos que sejam ligados ao governo. O conflito de interesses é óbvio, e não necessita ser definido por uma Comissão de Ética.

Basta que a ministra tenha bom senso para impedir o filho de negociar com qualquer órgão de governos, mesmo os estaduais e municipais.

E não há como separar Dilma de Erenice.

O caso dos sigilos quebrados é de difícil entendimento para a média do eleitorado, mas, segundo o Datafolha, afetou a intenção de votos em Dilma entre os eleitores de nível superior de escolaridade, onde a candidata petista perdeu cinco pontos em cinco dias.

Entre os que têm maior renda, a perda foi de oito pontos.

O caso de tráfico de influência na Casa Civil é mais evidente, e pega diretamente o esquema político montado por Dilma no Palácio do Planalto.

Um assessor envolvido já pediu demissão, e novos desdobramentos devem acontecer nos próximos dias, deixando sob pressão a campanha da candidata oficial.

Os dois adversários viáveis politicamente, José Serra, do PSDB, e Marina Silva, do Partido Verde, têm esperanças semelhantes nos últimos dias da disputa eleitoral.

A campanha de Serra torce para que Marina cresça nas pesquisas, para ajudar a provocar um segundo turno.

Mas para isso Marina precisaria crescer em cima dos eleitores de Dilma.

Uma análise do Datafolha mostra que isso vem acontecendo de maneira sistemática desde o início dos escândalos.

Marina recebeu a maior parte das intenções de votos perdidas por Dilma entre os mais escolarizados (ganhou quatro dos cinco pontos). Entre os de renda familiar de mais de 10 salários mínimos, ela ganhou seis dos oito pontos perdidos por Dilma.

Marina vem tirando também espaço de Serra em alguns setores, como os que ganham de 5 a 10 salários mínimos, setor onde ela cresceu oito pontos, o mesmo percentual perdido pelo candidato do PSDB.

Pelo tracking da campanha do Partido Verde, Marina aproxima-se dos 15% de intenções de voto, o que, se for confirmado nas pesquisas eleitorais que serão divulgadas ao longo da semana, pode provocar uma onda, ainda mais se o candidato Serra cair.

O Partido Verde joga ainda suas fichas nas mulheres pobres e nos evangélicos para consolidar uma “onda verde” no final da campanha.

Há uma tendência no mundo todo, analisam os estrategistas do PV, de a eleição se definir mais para o seu final. É uma tarefa difícil a de Marina, crescer a ponto de superar o candidato do PSDB, mas tirando também votos de Dilma.

Caso cresça apenas em cima de Serra, a soma de votos dos dois não se alterará substancialmente, permitindo que Dilma vença no primeiro turno.

A campanha de Serra acredita que ele tem fôlego ainda para crescer, graças a alterações que dizem registrar no voto em São Paulo.

Eles acreditam que Serra acabará superando Dilma no estado que tem o maior colégio eleitoral, provocando uma alteração na soma final de votos, o que reduzirá a dianteira de Dilma.

Mas estão preocupados mesmo com Minas Gerais, onde a candidata oficial aumenta a dianteira.

Fonte: Blog do Noblat

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>Entre os erros, o crescimento

Posted on março 9, 2010. Filed under: cabo eleitoral, campanhas, crescimento, Data-Folha, presidente Lula |

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Em meio às campanhas extemporâneas, prossegue a polarização na disputa entre a petista e o peessedebista. Tudo que o presidente Lula mais queria, com o intuito de comparar o seu governo com o de seu antecessor, e, desse modo, fortalecer sua candidata. Fortalecimento registrado, sobretudo, na última pesquisa do Data-Folha. Pois a diferença que a separa do governador paulista de 14% caiu para 4%.

Queda que se deve, também, aos erros de estratégia do PSDB. Partido que jamais soube ser oposição, tampouco mostra habilidade para propagandear os feitos da administração Fernando Henrique. Se não bastasse isso, José Serra, igualmente, se apresenta inabilitado para promover a união no ninho tucano. Foi assim em 2002, quando se desentendeu com Tasso Jereissati (PSDB/CE). A ponto de esse senador apoiar, não oficialmente, a candidatura Ciro Gomes (PSB). Episódio que se repetiu em 2006, desta feita com Geraldo Alckmin, então candidato da sigla à Presidência da República, e, agora, com Aécio Neves (PSDB/MG), o qual se recusa a compor a chapa “puro sangue”.

Diferentemente do presidente do país. Líder que mantém em torno de si a quase totalidade dos filiados do PT, ainda que através de colocação no serviço público ou por meio de distribuição de verbas federais a ONGs. Tanto que ninguém se opôs a sua escolhida para concorrer à chefia do governo federal. Dilma Rousseff foi recebida com entusiasmo por dezenas de petistas durante a cerimônia de aniversário da agremiação. Comemoração que se transformou em ato de apoio, de comprometimento com a candidata que, ao discursar, supervalorizou as ações do governo, especialmente o PAC e o Bolsa Família, no mesmo instante em que atacou a oposição, capitaneada pelo partido peessedebista, cujo papel, segundo ela, será o de “destruir” o que se tem.

A “continuidade” norteia a pregação petista rumo às eleições de 2010. Mote de campanha interessante, também adotado pelo PSDB, uma vez que grande parte do que se vê hoje, sendo desenvolvido por Lula da Silva, teve início lá atrás, entre 1994 e 2002.

Acontece, porém, que os tucanos são ruins de discurso, de propaganda. O que facilita todo o trabalho da petista-candidata. “Vendida” como competente. Nada se diz mais a respeito dela, a não ser vez ou outra a sua passagem pela “esquerda revolucionária”, no período burocrático-militar. Passagem divulgada pela metade. Talvez para esconder o que não soaria bem aos ouvidos da população. Em compensação foi publicado, sem o menor receio, um currículo fajuto, no qual constavam mestrado e doutorado da ministra-chefe da Casa Civil. Cursos não realizados. O tal currículo foi retirado da Internet, sob a alegação de que a divulgação do mesmo não tinha sido autorizada. A ministra-candidata se explicou, porém não convenceu. Resultado, igualmente, repetido no episódio da secretária de Receita, bem como no caso do dossiê sobre os gastos da administração passada. Até uma cobaia foi inventada.

Episódios que não atrapalham os planos da ala governista. Sua candidata cresce nas pesquisas. Graças à máquina do Estado brasileiro, bem como a participação diária do seu maior cabo eleitoral, o presidente Lula; ao passo que a oposição se vê ainda à mercê das divergências no seio do tucanato. Divergências que o seu candidato é incapaz de resolver. Se continuar assim, a tendência é “a vaca ir para brejo”.

Autor:Lourembergue Alves é professor universitário e articulista. Fonte: A Gazeta.E-mail: lou.alves@uol.com.br
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