candidatos

>2010: A Última eleição do século XX?

Posted on novembro 1, 2010. Filed under: Cameron, candidatos, Dilma e Serra, Eleição, Eleições Parlamentares, Medvedev, Obama, opinião pública, Plano Real, Programas Eleitorais, Reforma Política, Sarkozy, Sócrates, Zapatero |

>

 

Observar a disputa deste ano permite ao analista discordar, ao menos pontualmente, da conclusão de Hobsbawn que “encurtou” o século XX no livro “A Era dos Extremos”, situando seu ponto final no início dos anos 90.
No Brasil, do ponto de vista político institucional, é forçoso reconhecer que, ao contrário, em boa medida ele ainda se arrasta. Destaco a seguir cinco evidências marcantes, remanescentes da moldura do século passado da qual muito provavelmente não teremos saudade.

1. A Idade dos Candidatos

Foi certamente a última eleição presidencial na qual a idade dos dois principais contendores – Dilma e Serra, ambos com mais de 60 anos – faz com que, a despeito do que a vida lhes reserve, a maior porção de sua experiência e militância política seja concentrada no século que passou. É inevitável que na próxima eleição candidatos do século 21 se façam presentes, e sigamos a trilha geracional dos Obama, Cameron, Sarkozy, Medvedev, Zapatero, Sócrates…

2. O Processo de Escolha

É muito difícil imaginar–se que em uma próxima disputa presidencial os militantes e simpatizantes dos partidos não venham a ter voz ativa na definição dos candidatos.
Primárias ou Prévias, o nome não importa, atualmente são utilizadas em países de culturas políticas tão diferentes como Estados Unidos, Inglaterra, França, Chile, Argentina, Uruguai, entre outros. Porque são instrumentos democratizantes, cuja capacidade de oxigenar o processo de seleção, de engajar a base partidária, de alavancar o grau de conhecimento dos postulantes, de pré–testar o posicionamento das candidaturas, sua utilidade, enfim, para fortalecer os postulantes é tão óbvia que com certeza os principais partidos, alguns dos quais já trazem esse dispositivo adormecido nos seus estatutos, não poderão continuar a ignorá-las como tolamente fazem hoje, substituídas pelo “dedazo” do líder ou de pequena confraria de caciques. Esse anacronismo vai ficar para trás.

3. As Eleições Parlamentares

Na campanha todos os candidatos se comprometeram com a Reforma Política. E não era sem tempo.
A Câmara Federal partidariamente fragmentada que mais uma vez emerge das urnas, independentemente do tamanho maior assumido pelo bloco do governo, traz percalços à governabilidade.
Esse fracionamento, no fundo, é a raiz de “mensalões” federais e de “mensalinhos” estaduais e tem origem em um sistema eleitoral – eleição proporcional com listas abertas e coligações – elaborado na redemocratização do pós guerra em meados do século passado.
A campanha de grande parte dos milhares de candidatos país afora agride a inteligência dos eleitores, sua propaganda polui as cidades, assim como polui a TV.
É dessa plataforma institucional obsoleta que decolaram Tiririca, hoje, como antes haviam feito Enéas, Macaco Tião, Cacareco, etc.
Um sistema imprestável e, no agregado, responsável por campanhas caríssimas.
Afora o compromisso do novo governo, a pressão da mídia, da opinião pública e dos financiadores das candidaturas virará essa página.

4. As Regras da Campanha

No bojo da Reforma Política deverão vir também mudanças substantivas nas normas que disciplinam as campanhas, e que incluem a remoção de dispositivos que promovem a hipocrisia, como a proibição de “campanhas antecipadas”, que traduz a obsessão legal por campanhas curtas, como se houvesse algum prejuízo para a democracia e para o eleitor no fato dele ter mais tempo para conhecer e avaliar os candidatos.
Nesse capítulo, será imprescindível a extinção ou redução drástica do tempo reservado aos Programas Eleitorais Gratuitos na TV e no Rádio, aquela meia hora de propaganda contínua duas vezes ao dia, concentrados em um mês e meio, típico exemplo de sobrevivência de um instrumento de comunicação do século passado, quando não havia sequer a Internet, e que foi criado bem antes da utilização entre nós das inserções ou comerciais, mais eficientes, alcançando maiores audiências, porque são distribuídas ao longo da programação.

É inconcebível que o bom senso não prevaleça uma vez já identificado o acentuado declínio da utilidade de tais programas, apesar dos seus custos astronômicos, o mais oneroso item do orçamento das campanhas.
Com essa medida, as disputas do século 21, contando com um papel maior da Internet, somado à cobertura da imprensa, aos comerciais de TV e Rádio, e com Debates, serão mais baratas e perturbarão bem menos a rotina dos eleitores.

5. A Agenda

Nos anos 90 seria finalmente equacionado um desarranjo estrutural que atormentou muitas gerações: a inflação e a instabilidade econômica foram domadas com o Plano Real e com as Reformas empreendidas durante o governo tucano.
No ciclo petista que se lhe seguiu seria acelerado o processo de distribuição de renda, pelo aumento significativo da magnitude dos programas sociais, do valor do salário mínimo e do acesso ao crédito pelos mais pobres.
Porém, ainda resta como herança do passado um contingente não desprezível de 30 milhões de miseráveis, que mereceu destaque nessa eleição. A compaixão pelos mais fracos continuou a ser uma nota marcante na sinfonia das campanhas.
Ao final do próximo governo, uma vez ampliada e consolidada a classe média, cumprida ou em andamento a promessa assumida por todos os postulantes de viabilizar o fim da miséria, estará encerrado o ciclo remanescente.
As próximas campanhas poderão, então, conferir centralidade a questões abrangentes e de grande repercussão nas próximas décadas.
Os brasileiros serão chamados a optar por diferentes visões estratégicas de desenvolvimento; a escolher entre abordagens alternativas de inserção no mundo globalizado; a definir opções de matriz energética, incluindo o papel da energia nuclear; de parcerias diplomáticas que privilegiem os hemisférios Norte ou Sul; de alternativas de sistemas de saúde e de educação, que incluam a discussão do seu financiamento; de como deve ser utilizado pelo Estado o tesouro enterrado no Pré-sal; e assim por diante. Como fazem em circunstâncias semelhantes países do Novo Mundo que de algum modo podem ser comparados ao nosso, como o Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
E desse modo, graças as nossas conquistas, daqui a quatro anos, despregados da velha moldura, experimentaremos as primeiras eleições do século 21.

Antonio Lavareda é sociólogo e cientista político. Seu livro mais recente é “Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais”, Editora Objetiva, 2009.

Fonte: Blog do Noblat

Anúncios
Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

>Dilma Vana Rousseff é a primeira mulher eleita a presidente do Brasil

Posted on outubro 31, 2010. Filed under: candidatos, Dilma Rousseff, eleições 2010, José Serra, Lula, Palácio do Planalto, PSDB, PT |

>

Pela primeira vez na história política do país, o Brasil será presidido por uma mulher. A mineira Dilma Vana Rousseff, 62, foi eleita presidente da República neste domingo. A vitória foi constatada por volta das 20h, quando, com 89,42% dos votos apurados, a candidata ungida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 55,07% dos votos e o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, José Serra, estava com 44,93% dos votos ( 40,1 milhões).
Dilma Vana Rousseff é eleita presidente do Brasil em 31 de outubro de 2010
Na primeira vez que disputou uma eleição, a ex-ministra da Casa Civil obteve a preferência de 49,2 milhões de eleitores, tornando-se a mulher mais votada em todas as eleições já realizadas no país. Apesar da façanha nas urnas, a petista não conseguiu bater o seu padrinho político. Em 2006, Lula foi reeleito com mais de 58 milhões de votos (60,8%) contra mais de 37 milhões de Geraldo Alckmin (39,1%).
Ao lado do governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), a ex-ministra votou em um colégio de Porto Alegre (RS) pela manhã. Depois seguiu para Brasília. Acompanha a apuração e a divulgação oficial do resultado ao lado de Lula no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente.
Congresso e oposição – Ao assumir a presidência, em 1º de janeiro de 2011, Dilma terá o conforto de ter a seu favor um Congresso Nacional com ampla maioria. Na Câmara, obteve vantagem ainda maior do que a de Lula. Vai contar com mais de 350 dos 513 parlamentares. O PT tornou-se a maior bancada da Casa. O Senado, que tinha um equilíbrio maior de forças, também sucumbiu à onda vermelha. Um crescimento expressivo do PT e a maior bancada nas mãos do PMDB devem dar tranquilidade à nova presidente.
Os governistas somam ao menos 50 cadeiras (número ainda em aberto por causa da Lei da Ficha Limpa). Dilma terá o que Lula não teve: uma maioria qualificada, com mais de 3/5, não só na Câmara, mas também no Senado. Com essa sustentação, o governo tem uma base suficientemente grande até mesmo para aprovar mudanças na Constituição – que exigem o consentimento de 49 senadores e 308 deputados.
Por outro lado, a petista terá de lidar com uma oposição forte nos estados. O PSDB de Serra garantiu os governos de quatro estados já no primeiro turno – entre eles São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país. No segundo turno, os tucanos brigam por mais quatro estados – Alagoas, Goiás, Pará e Piauí. Até 20h, os tucanos já haviam conquistado o governo de Goiás. O DEM levou Santa Catarina e Rio Grande do Norte já no primeiro turno.
Pouco conhecida da população até o momento em que Lula entrou em campo para apadrinhar sua candidatura, nunca havia disputado uma eleição. Era uma figura dos bastidores: foi secretária de governo no Rio Grande do Sul, ministra de Minas e Energia e da Casa Civil antes de subir ao palanque em 2010. Agora, se depara com o desafio de suceder o presidente mais popular da história política brasileira. E sair da sombra dele para alçar voo próprio.

Fonte: Veja

Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

>Segundo turno?

Posted on setembro 14, 2010. Filed under: campanhas, candidatos, Datafolha, Dilma Rousseff, Eleição, eleitores, Erenice Guerra, José Serra, Marina Silva, PSDB, Revista Veja, segundo turno |

>Por Merval Pereira

A 20 dias da eleição, há tempo ainda de reverter a vantagem que a candidata oficial, Dilma Rousseff, apresenta em todas as pesquisas de opinião e impedir que ela vença no primeiro turno? As campanhas dos candidatos adversários acreditam mais do que nunca que sim, diante da onda de denúncias que a envolvem diretamente, seja com as claras vinculações de sua campanha com as quebras em série de sigilos fiscais, seja pela atuação de lobista do filho de seu braço-direito Erenice Guerra. Esta foi deixada como ministra-chefe da Casa Civil para que fosse a própria Dilma no controle das ações do governo, assim como Lula inventou Dilma para concorrer por ele como sua “laranja” eleitoral.

Erenice é Dilma assim como Dilma é Lula, e por isso chega a ser patética a explicação dada pela candidata oficial no debate da Rede TV/Folha.

“Eu tenho, até hoje, a maior e a melhor impressão da ministra Erenice. O que se tem publicado nos jornais é uma acusação contra o filho da ministra. (…) Agora, eu quero deixar claro aqui: eu não concordo, não vou aceitar, que se julgue a minha pessoa baseado com o que aconteceu com o filho de uma ex-assessora minha”.

Ora, as denúncias da revista Veja referentes ao filho não existiriam se a mãe não fosse ministra; só nesse caso há campo para o “tráfico de influência”.

No mínimo, um filho de qualquer autoridade da República não pode exercer a função de consultor para assuntos que sejam ligados ao governo. O conflito de interesses é óbvio, e não necessita ser definido por uma Comissão de Ética.

Basta que a ministra tenha bom senso para impedir o filho de negociar com qualquer órgão de governos, mesmo os estaduais e municipais.

E não há como separar Dilma de Erenice.

O caso dos sigilos quebrados é de difícil entendimento para a média do eleitorado, mas, segundo o Datafolha, afetou a intenção de votos em Dilma entre os eleitores de nível superior de escolaridade, onde a candidata petista perdeu cinco pontos em cinco dias.

Entre os que têm maior renda, a perda foi de oito pontos.

O caso de tráfico de influência na Casa Civil é mais evidente, e pega diretamente o esquema político montado por Dilma no Palácio do Planalto.

Um assessor envolvido já pediu demissão, e novos desdobramentos devem acontecer nos próximos dias, deixando sob pressão a campanha da candidata oficial.

Os dois adversários viáveis politicamente, José Serra, do PSDB, e Marina Silva, do Partido Verde, têm esperanças semelhantes nos últimos dias da disputa eleitoral.

A campanha de Serra torce para que Marina cresça nas pesquisas, para ajudar a provocar um segundo turno.

Mas para isso Marina precisaria crescer em cima dos eleitores de Dilma.

Uma análise do Datafolha mostra que isso vem acontecendo de maneira sistemática desde o início dos escândalos.

Marina recebeu a maior parte das intenções de votos perdidas por Dilma entre os mais escolarizados (ganhou quatro dos cinco pontos). Entre os de renda familiar de mais de 10 salários mínimos, ela ganhou seis dos oito pontos perdidos por Dilma.

Marina vem tirando também espaço de Serra em alguns setores, como os que ganham de 5 a 10 salários mínimos, setor onde ela cresceu oito pontos, o mesmo percentual perdido pelo candidato do PSDB.

Pelo tracking da campanha do Partido Verde, Marina aproxima-se dos 15% de intenções de voto, o que, se for confirmado nas pesquisas eleitorais que serão divulgadas ao longo da semana, pode provocar uma onda, ainda mais se o candidato Serra cair.

O Partido Verde joga ainda suas fichas nas mulheres pobres e nos evangélicos para consolidar uma “onda verde” no final da campanha.

Há uma tendência no mundo todo, analisam os estrategistas do PV, de a eleição se definir mais para o seu final. É uma tarefa difícil a de Marina, crescer a ponto de superar o candidato do PSDB, mas tirando também votos de Dilma.

Caso cresça apenas em cima de Serra, a soma de votos dos dois não se alterará substancialmente, permitindo que Dilma vença no primeiro turno.

A campanha de Serra acredita que ele tem fôlego ainda para crescer, graças a alterações que dizem registrar no voto em São Paulo.

Eles acreditam que Serra acabará superando Dilma no estado que tem o maior colégio eleitoral, provocando uma alteração na soma final de votos, o que reduzirá a dianteira de Dilma.

Mas estão preocupados mesmo com Minas Gerais, onde a candidata oficial aumenta a dianteira.

Fonte: Blog do Noblat

Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

>Os grandes arrepios

Posted on agosto 18, 2010. Filed under: Arnaldo Jabor, arrepios, bicheiros, candidatos, cerveja, Dilma e Serra, FHC, operários, Petrobras, PSDB, Repórter Esso, UNE |

>Por Arnaldo Jabor

Começou o circo da propaganda eleitoral , o desfile de horrores da política brasileira. Os dois carros-chefes do desfile, Dilma e Serra, correram na frente de um trem fantasma de caras e bocas e bochechas que traçam um quadro sinistro do Brasil, fragmentado em mil pedaços o despreparo, a comedia das frases, dos gestos, da juras de amor ao povo, da ostentação de dignidades mancas.
Os candidatos equilibram bolas no nariz como focas amestradas, dão “puns” de talco, dão cambalhotas no ar como babuínos de bunda vermelha, voando em trapézios para a macacada se impressionar e votar neles. Os candidatos têm de comer pasteis-de-vento, de carne, de palmito, buchada de bode e dizer que gostou, têm de beber cerveja com bicheiros e vagabundos, têm de abraçar gordos fedorentos e agüentar velhinhas sem dente, beijar criancinhas mijadas, têm de ostentar atenção forçada aos papos com idiotas, têm de gargalhar e dar passinhos de “rebolation” quando gostariam de chorar no meio-fio -palhaços de um teatrinho absurdo num país virtual, num grande pagode onde a verdade é mentira e vice versa.
Ninguém quer o candidato real; querem o que ele não é. A política virou um parafuso espanado que não rola mais na porca da vida social, mas todos fingem que só pensam no povo e não em futuras maracutaias.
Arrepios voltaram. Ninguém sabe o que vai acontecer. Só nos resta o mau ou bom agouro, o palpite, a orelha coçando, o cara ou coroa. Meu primeiro arrepio foi em 54. Estou do lado do radio e ouço o “Repórter Esso”: “O presidente Vargas acaba de se suicidar com um tiro no peito!”. O mundo quebrou com o peito de Getulio sangrando, as empregadas correndo e chorando.
Estou no estribo de um bonde, em 61. “O Janio Quadros renunciou!”, grita um sujeito. Gelou-me a alma. Afinal, eu votara pela primeira vez naquele caspento louco ( o avô “midiático” do Lula) , mais carismático que o careca do general Lott. Eu já sentira arrepios quando ele proibiu biquinis nas praias. Tìnhamos elegido um louco -não seria o único…
Em 64, dias antes do golpe militar – o comício da Central do Brasil. Serra também estava, falando, de presidente da UNE. Clima de vitória do “socialismo” que Jango nos daria (até para fazer “revolução” precisamos do Governo…). Tochas dos bravos operários da Petrobras, hinos, Jango discursando, êxtase político: seríamos a pátria do socialismo carnavalesco. Volto para casa, eufórico mas, já no ônibus passando no Flamengo, vejo uma vela acesa em cada janela da classe media, em sinal de luto pelo comício de “esquerda”. Na noite “socialista”, cada janela era uma estrelinha de direita. “Não vai dar certo essa porra…” pensei, arrepiado. Não deu.
Ainda em 64, festa do “socialismo” no teatro da UNE. 31 de março, onze da noite. Elza Soares, Nora Ney, Grande Otelo comemoram o show da vitória. No dia seguinte, a UNE pegava fogo, apedrejada por meus coleguinhas fascistas da PUC. Na capa da revista “O Cruzeiro”, um baixinho feio, vestido de verde-oliva me olha. Quem é? E´o novo presidente, Castelo Branco. Corre-me o arrepio na alma: minha vida adulta foi determinada por aquele dia. O sonho virou um pesadelo de 20 anos.
Depois, vem o Costa e Silva, outro arrepio, sua cara de burro triste e, pior, sua mulher perua-brega no poder. Aí, começaram as passeatas, assembléias contra a ditadura. Costa e Silva tinha alguns traços populistas e resolveu dialogar com os lideres do movimento democrático. Uma comissão vai conversar com o presidente. Aí, outro absurdo – os membros da comissão se recusam a vestir paletó e gravata na entrada do palácio: “Não usamos gravatas burguesas!” e o encontro fracassa. Ninguém lembra disso; só eu, que sou maluco e olho os detalhes.
Tancredo entrou no hospital e arrepiou-me o sorriso deslumbrado dos médicos de Brasília no “Fantastico”, amparando o presidente como um boneco de ventríloquo; tremeu-me o corpo quando vi que nossa historia fora mudada por um micróbio em seu intestino.
Arrepiou-me ver o Sarney, homem da ditadura, posando de “oligarca esclarecido” na transição democrática, com seu jaquetão de “teflon”, até hoje intocado. Assustei-me com a moratória de 87, aterrorizou-me a inflação de 80% ao mês. E, depois, vejo a foto do Collor na capa da “Veja” -com todo mundo dizendo: “Ele é jovem, bonito, macho…”, revirando os olhos numa veadagem ideológica. Foi um período tragicômico, com a nação olhando pela fechadura da “Casa da Dinda” para saber do seu destino. Depois o período do “impeachment”, dos caras-pintadas, num breve refresco dos arrepios. Durante Itamar, a letargia jeca-tatu, só quebrada pela mudança na economia com o plano Real que FHC fez ( que depois foi roubado pelo Lula, claro…) Aí, 1994, o ano da esperança, Brasil tetra na Copa e um grande intelectual de esquerda subindo ao poder. Mas, meu arrepio histórico logo voltou, quando vi que a Academia em pêso odiava FHC por inveja e rancor, criando chavões como “neoliberalismo”, “alianças espúrias” ( infantis, comparadas com a era Lula). Os radicais de cervejaria ou de estrebaria não deram um escasso crédito de confiança a FHC que veio com uma nova agenda, para reformar o Estado patrimonialista.
Durante o mandato, o próprio governo FHC cometeu seu erro máximo que até hoje repercute – não explicou didaticamente para a população a revolução estrutural que realizava: estabilização da economia, lei de responsabilidade fiscal, privatizações essenciais, consolidação da divida interna, saneamento bancário que nos salvou da crise de hoje, telefonia, tudo aquilo de que, depois, Lula desapropriou como obra sua. É arrepiante ver a mentira com 80 por cento de Ibope.
Arrepiou-me a morte de Sergio Motta, Mario Covas e Luis Eduardo Magalhaes, levando para o tumulo a auto-estima do PSDB, o partido que se esvai e apanha calado.
Hoje estamos diante do mistério: Dilma ou Serra? Teremos a sabotagem radical de tropas pelegas impedindo Serra de governar ou a “revival” do arremedo de socialismo que já era ridículo em 63? Arrepio-me.
Fonte: A Gazeta
Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

>Dilma critica Serra por por declarar que governo da Bolívia é cúmplice na exportação de cocaína para o Brasil

Posted on maio 29, 2010. Filed under: campanha, candidata, candidatos, candidatura, Dilma Roussef, Dilma Rousseff, Discurso, droga, drogas, eleições, eleições 2010, José Serra, Presidência, PSDB, PT, sc, tráfico |

>

Pela primeira vez desde que se tornou pré-candidata do PT à Presidência, a ex-ministra Dilma Rousseff cumpriu agenda em Santa Catarina. Durante o Encontro de Habitação da Agricultura Familiar, em Chapecó, nesta sexta-feira, a petista aproveitou para criticar duramente as declarações de José Serra (PSDB) sobre o tráfico de cocaína no Brasil. “Isso não é papel de estadista”, afirmou ela.

Durante visita ao Rio de Janeiro na última quarta-feira, o tucano disse que a droga vem de “80% a 90% da Bolívia, que é um governo amigo. Você acha que a Bolívia iria exportar 90% da cocaína consumida no Brasil sem que o governo de lá fosse cúmplice? Impossível”, declarou Serra.
De acordo com a petista, porém, não é atitude de nenhum estadista atribuir responsabilidade ao governo boliviano pelo tráfico de drogas no Brasil. “Incriminar um governo é diferente de dizer que da Bolívia vem droga”, explicou a ex-ministra que ainda afirmou que a Polícia Federal (PF) e o Ministério da Justiça estão colaborando “intensamente” em ações conjuntas com o país vizinho para o combate ao tráfico. Dilma não perdeu a oportunidade de alfinetar Serra. “É prudente não atribuir, sem informações e provas, responsabilidades ao governo boliviano. Não é papel de um estadista fazer isso”.
Depois do evento da agricultura, a petista concedeu entrevista à TV RSB local, filiada à Rede Globo, e à RIC Record. Entre os temas discutidos em Chapecó, a energia ganhou destaque, quando a ex-ministra afirmou que não há viabilidade econômica no Brasil para investimentos em energia solar, apontando para a eólica como a melhor alternativa.
De Chapecó, Dilma Rousseff segue para Belo Horizonte (MG), para a abertura do Congresso das Mulheres do PDT-MG, às 19 horas desta sexta. Fonte: Veja
Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

>O que se disputará em 2010

Posted on janeiro 6, 2010. Filed under: ambiental, candidatos, econômica, eleições de 2010, Fiemt, humana, IBGE, Mato Grosso, O que se disputará em 2010, social, sustentabilidade |

>

O ano de 2009 terminou com intensas articulações políticas visando a disputa das várias faixas do poder político em Mato Grosso: o governo estadual, a vaga de vice, duas vagas de senador, oito de deputados federais e 24 de deputados estaduais. Somam 36 vagas em disputa. A cada quatro anos se renova o Senado e neste ano serão duas vagas. O conjunto desse quadro de disputas arma, de imediato, um tabuleiro de interesses absolutamente inimaginável.

As arrumações partidárias, os acertos de interesses bons e ruins entre partidos, coligações e candidatos, vão se sucedendo pelo afunilamento de conversas e de arranjos eleitorais e pós-eleitorais. Do conjunto, não se pode dizer que se trata de uma arrumação necessariamente digna e honesta. Num grande número de casos, os “acertos” dispensam a ética e o mínimo de dignidade. Mas é assim que se joga enquanto não houver uma reforma política que mexa na estruturação de partidos, de coligações, de mandatos e de ética. Isso é coisa para os próximos dez anos, no mínimo.

Trouxe este prêambulo para lançar um comparativo entre o que a sociedade mato-grossense pensa e faz, e o senso de política que se pratica. Neste ano que passou, o IBGE divulgou que Mato Grosso cresceu o Produto Interno Bruto de 2007 em 111,2% em relação a 1995. Foi como se nascesse outro Mato Grosso dentro do mesmo Mato Grosso. O poder de consumo da população subiu da 15ª. para a 7ª. posição no Brasil. A renda per capita é de R$ 14.954,00, e R$ 500,00 acima da renda média brasileira. Ou seja, na visão do economista Carlos Vítor Timo, consultor econômico da Federação das Indústrias de Mato Grosso, “se fosse um país, Mato Grosso seria um tigre asiático”. E seria mesmo, porque a China, o maior gigante do mundo em crescimento, cresceu no mesmo período 111,9%, e nós aqui com 111,2%.

O nosso ambiente em Mato Grosso é o de atração de investimentos internacionais para as áreas de biocombustíveis, de alimentos e de agregação de valor nas cadeias de alimentos. A estimativa de crescimento industrial para os próximos anos é de 13,6% (dados da FIEMT). É um salto de momento com enormes desdobramentos sobre toda a economia estadual e nacional. Aliás, Mato Grosso já responde por 36% do superávit da balança comercial brasileira. Não é pouco. É muito, num universo de U$ 150 bilhões das exportações nacionais. O saldo entre exportações e importações foi de U$ 25 bilhões, sendo que as exportações de nosso estado foram de U$ 6,345 milhões.

É nesse ambiente de profundas transformações econômicas, com poderosas transformações sucessivas nas áreas social, ambiental, da sustentabilidade econômica e humana, que as eleições de 2010 se darão.

No ar, fica a pergunta: os pretendentes aos 36 cargos apontados no começo deste artigo estariam sintonizados entre as suas razões, os seus interesses, os dos partidos, da coligações e a realidade que se avizinha para Mato Grosso nesse futuro inevitável? O desafio real de todos os candidatos será o de sair dos palanques dos discursos gritados para o de assegurar aos eleitores que sabem para onde pretendem ir, se eleitos.

Autor: Onofre Ribeiro é jornalista em Cuiabá

onofreribeiro@terra.com.br

Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

>Eleição 2010: Mauro Mendes e Ciro Gomes serão candidatos a majoritárias

Posted on outubro 20, 2009. Filed under: candidatos, Ciro Gomes, Eleição 2010, majoritárias, Mauro Mendes |

>

“Em março deveremos confirmar Ciro Gomes para presidente da República e, em abril, Mauro Mendes para o governo de Mato Grosso”. Foi o que afirmou o diretor regional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), deputado federal Valtenir Pereira, em entrevista ao PnB online sobre as ações do partido para as eleições de 2010.

De acordo com Valtenir, “desde que Mauro Mendes ingressou ao partido (em 02 de outubro) já foram realizadas oito reuniões com a base do governo no interior e todos têm mostrado bastante ‘simpatia’ com a candidatura do presidente da FIEMT para o governo do Estado”.

“Novas reuniões ainda vão acontecer a partir do mês de novembro e, até abril do ano que vem, o PSB deverá confirmar se Mauro Mendes é ou não o candidato para o governo de Mato Grosso”, afirmou Valtenir.

Questionado sobre o posicionamento de Mendes em relação à candidatura, o deputado federal disse que, por enquanto, “não há nenhum compromisso de que ele seja candidato, mas também não há nada que o impeça de ser. A militância do partido tem a ideia de que seja um grande nome para estar à frente do projeto de candidatura ao governo pelo PSB”.

Presidência da República

O PT e o presidente Luis Inácio Lula da Silva têm tentado “borrar” a candidatura do atual deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) para a presidência da República. Porém, de acordo com o diretor regional do partido, Valtenir Pereira, “as conversações da base do PSB são para que Ciro seja candidato a presidente do Brasil”.

“Nós vamos trabalhar a construção da candidatura de Ciro a presidente da República. Esse é o sentimento do partido não só em Mato Grosso , mas em todo o país. Ciro está à disposição do partido para qualquer cargo, mas ele deixou claro que tem como prioridade pessoal disputar as eleições para a República”, disse Valtenir.

Em entrevista à Folha de São Paulo no último dia 10, Ciro Gomes respondeu às interferências em seus planos. “O PSB não é sublegenda do PT”, afirmou. Segundo a matéria, no PT de São Paulo há grupos que não querem ver Ciro candidato ao governo de jeito nenhum. “O deputado do PSB começa a se sentir desconfortável neste sanduíche petista. Quem conhece o deputado sabe que ele vai subir o tom do discurso se continuar a ser pressionado”, afirma a reportagem do jornal.

Segundo Valtenir Pereira, as conversações sobre a candidatura de Ciro à presidência deverão terminar em março de 2010 e, somente nesse período, será divulgada a confirmação. Fonte: PnB Online

Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...