carnal

>O orgasmo fora de alcance

Posted on abril 18, 2010. Filed under: carnal, Orgasmo, platônicos, satisfação, Seduzir, sexólogas, transa |

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Margareth Botelho

Enquanto os sábios pesquisadores, as experientes sexólogas e um montão de estudiosos da satisfação carnal plena não se cansam de ensinar homens e mulheres a ter orgasmos, múltiplos de preferência, a vida simplesmente caminha ao inverso. Pensa bem, cobranças de corpo perfeito, pontuação de 1 a 10 para uma boa transa e ainda por cima – ou por baixo, de lado, sei lá – a obrigação ter cabeça boa, leve e sem problemas. Como promover essa junção? Nessas horas, vem uma baita saudade da ilusão perdida, dos amores docemente platônicos…
Não é possível orgasmo se o clima de conquista foi deixado de lado. Não é frescura, mas a conduta animal – os irracionais, tô falando – de atrair a presa anda fazendo falta. E não só de homens para mulheres, porque acredito no inverso, ou seja, defendo que as mulheres têm o direito de também escolher os parceiros, fazer convites, etc, sem comprometimento da porção feminina. Melhor dizendo, que homem e mulher se permitam engraçar um pelo outro e vice-versa, com segundas ou até terceiras intenções.
Sem trocar essas figurinhas, lá vem o orgasmo de novo, não há prazer pleno porque o prazer une o psicológico e o fisiológico. Não, não dá para se ter orgasmo com tanta babaquice solta por aí, de homens e mulheres. Censura corporal, censura moral e falsas atitudes. Olha, a missionária Matilde diria: “nem Jesus na causa”. Voltando às figurinhas, aliás, a arte de trocar figurinhas está na lista das 5 coisas mais importantes desta vida. Seduzir corações, como, se os donos desses corações estão fechados em si? Não, não há como se chegar ao orgasmo, sem falar de nossos gostos, de cinema, de música, de literatura ou até de política!
Sussurrar palavras doces? Não, em absoluto. Isto também é inibidor de orgasmo. A sociedade já sentenciou: ternura, meiguice, carinho, atenção, jamais! Isso cheira a compromisso. Poxa então resta pouco. A não ser que… mudemos radicalmente de posição, mental, esclarecendo. Vamos ser guerreiros, parceiros, psicólogos um do outro, personal financies! Um pelo outro. O outro pelo um. Pronto. Trator de esteira. Não. O diálogo já me parece exaustivo e vai interromper o orgasmo. Estaríamos novamente sem saída e sem orgasmo.
Que tal recorrer à sacanagem explícita. Uma bandalheira só. Manual de posições sexuais em mãos, filmes pornôs, músicas sensuais, essências, bebidinhas erotizantes, calcinhas e cuecas mastigáveis, enfim o estoque de adereços quase completo de lojas de sex shop. Ah, a irmã Sofia cantaria: “o mundo está de pernas pró ar… é uma armadilha de satanás”. Pronto, novo orgasmo perdido, com toda fé e respeito à missionária africana.
Em outras palavras, na linguagem casual, o que anda unindo ou distanciando homens e mulheres? Deboche, desventura ou medo de ser burramente feliz. Extrapolo nesse momento, é verdade, mas com tamanho desencontro de gênero masculino e feminino, lavo as mãos. Ai… esqueci o tal orgasmo, mas, atingida por um clarão do céu, quem sabe de um disco voador e abduzida por ETs, me vem a mais absurda tese: será que não somos todos frutos de um orgasmo escapulido, de uma transa descuidada, sem tesão, sem coração, sem emoção, sem razão. Isso explicaria tudo.

Margareth Botelho é jornalista em Cuiabá, diretora de Redação do jornal A Gazeta  E-mail: margareth@gazetadigital.com.br  – Fonte: A Gazeta
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