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>O Sr. Blairo Maggi não disputará nenhum cargo em 2010

Posted on maio 3, 2009. Filed under: Blairo Maggi, carreira política, eleições 2010, político de carreira, rei da soja |

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“O Sr. Blairo Maggi não disputará nenhum cargo em 2010”. Tal notícia se repetiu em todos os veículos de comunicação do Estado. Foi divulgada com certo realismo. A ponto de escamotear o próprio sentido emocional do discurso, claramente exposto com a “possibilidade de abandono da carreira política”, cujo lastro se dava por interesses inteiramente familiares. O desprendimento aparecia como quebra de paradigma. Quadro perfeito. Ainda que erguido sob a alegação do “não ser político de carreira”, nem vê a si próprio como “escravo da política”, até porque não alimenta pretensão de candidatar-se “a algum cargo de quatro em quatro anos”.

Desse modo, a suposta desistência de uma disputa por parte do antigo rei da soja dominou o cenário jornalístico regional. Tanto que ocupou os espaços noticiosos do rádio e da TV, assim como o fez com a Internet. Ganhou aplausos de uma porção de gente. Tanto quando se fez candidato pela primeira vez, ao se apresentar com a mão estendida, sob o batuque do “estar na palma da mão”. Embora na dita cuja nada pudesse ser visto, em matéria de projeto e de programa, a não ser meia dúzia de promessas, do tipo diminuição do imposto sobre a energia e a telefonia.


De lá para cá, o empresário tomou gosto pela política. Acomodou cada integrante da turma da botina nas tetas do governo, ao mesmo tempo em que cooptava os de outras “tribos”. A ala governista engrossou, enquanto a oposição se definhava no Legislativo, ou fora dele. Mostrou-se, portanto, bem mais “matreiro” que muitos dos caciques veteranos. Mas “pisou na bola” ao tentar impor a candidatura do seu apadrinhado político. Ao perceber a bobagem, retirou o dito afilhado de cena, amaciando os brios de quem ameaçava deixar as fileiras situacionistas. A sua própria desistência faz parte desse jogo. Um jogo marcado pela encenação. A ponto de brecar a discussão sobre a disputa de 2010. É como se todos os possíveis postulantes à majoritária estivessem em uma sinuca de bico. Sem saída, estariam agora à espera da grande jogada. Proeza que pode trazer dividendos políticos consideráveis ao cacique-mor do PR. Apesar do enfraquecimento dos demais atores. Ainda que entre estes encontrem-se os que continuam em apoio ao governo, a exemplo do PP, PT e o PMDB. O caso do vice-governador talvez seja o mais complicado, pois pode ter um antigo trato desfeito, o qual contava sobremaneira, inclusive para massificar o seu nome no interior do Estado.


Percebe-se, então, que a disputa eleitoral se faz também com encenação. Aliás, o horário político-eleitoral é rico nesse sentido. Na verdade toda a política, que não é tocada por amadores e muito menos por ingênuos. O parigatos requer habilidades, inclusive para representar. Nem que seja quando se tem a melhor peça propagandística. Repetida em várias datas, as quais em 2004, quando se ouviu pela vez primeira o atual governador dizer que não se candidataria novamente. O ano de 2006 chegou, e lá estava Sua Excelência, envolvido de corpo e alma na briga.

  • Autor:Lourembergue Alves é professor universitário – Fonte: A Gazeta, E-mail: lou.alves@uol.com.br
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