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>Diversificação agrícola em Mato Grosso

Posted on agosto 25, 2010. Filed under: agricultura, cerrados, fibras, grãos, Mato Grosso, MT Regional, produtividade, produtor, Teles Pires |

> Por Amado de Oliveira Filho

Mato Grosso é conhecido como campeão de produção e de produtividade de grãos e fibras, sua agricultura praticada em escala comercial hoje, seria inimaginável nas décadas de 60/70. 
Muitos pensadores de outrora, sucumbiram sem que pudessem conhecer, por exemplo, a agropecuária praticada em nossas áreas de cerrados.
Porém vem surgindo com muita qualidade, mas ainda de forma recôndita outras culturas com potencialidade, produtividade e rentabilidade financeira, como é o caso da olericultura. 
Recentemente percorri diversos municípios que fazem parte do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental Alto do Teles Pires – CIDESA, onde constatei iniciativas extremamente importantes para a diversificação da produção rural.
Antes, porém, devo registrar que em 2007 quando foi implantado o MT Regional que trouxe dentre outros, o objetivo de fomentar todas as cadeias produtivas com algum potencial na região. Fui cético quanto à eficácia dos seus resultados e ainda da sua necessidade, em função de que as ações para a qual foi criada, estão também pulverizadas em outras áreas do Governo Estadual.
O MT Regional mapeou estrategicamente 15 regiões e criou superintendências regionais, que representam o elo entre o Governo Estadual e os empreendedores rurais e urbanos. Através de constantes articulações os produtos são identificados e estimulados sua produção, e tem possibilitado às empresas e produtores a formação de diferentes tipos de arranjos produtivos, como criação de redes, incluindo novas formas de relações interempresariais na busca de sustentabilidade e maior competitividade nos mercados onde atuam com as oportunidades que despontam através das cadeias produtivas
Em suas ações o MT Regional não objetiva tão somente alavancar o setor primário, busca implementar ações que envolvam também os setores secundários e terciários cujas estratégias são voltadas para desobstruir os gargalos e, dar celeridade na entabulação das negociações empresariais.
Na região do Alto Teles Pires, vimos um rol de produtos que são comercializados no nosso estado e/ou exportado para outros estados e países e que possuem grande potencial de demanda, já são negociados produtos da agricultura familiar e cadeias da fruticultura, olericultura, suinocultura, alimentos derivados da soja e ainda da cadeia láctea.
Um caso de grande sucesso merece registro. Trata-se do produtor rural Sr. Osnir que produz 50 ha de batata doce e exporta para Portugal e Inglaterra e já tem registro de demandas de outros países. Este produtor ainda planta 30 ha de abóbora kabutiã e também 30 ha de melância.
Nos municípios de Vera, União do Sul e Sorriso se verifica a produção de cebola que não deixa nada a desejar da importada da Argentina, é uma cultura que vem tendo destaque com o seu plantio em alguns municípios.
Visitei uma plantação de cebola no município de Itanhangá que não pertence ao Consórcio do Vale do Teles Pires. O produtor que já experimentou várias outras culturas, está muito feliz com sua produção. Ele fez todo tipo de conta e concluiu que com um hectare de cebola é possível obter a mesma renda de 55 hectares de soja. “Isto faz a diferença” diz ele.
O lado nebuloso de tudo isto é que os Prefeitos praticamente não conseguem estimular a produção de forma a gerar escala que atenda aos mercados. É necessário pouco recurso para isto. Porém, os efeitos serão extremamente positivos para o Estado que hoje ainda importa hortifrutigranjeiros de Goiás, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Esta importação é extremamente organizada por um grupo empresarial com grande freqüência nas páginas policiais.
São diversas as demonstrações oferecidas pelos municípios da possibilidade de se produzir aqui mesmo o alimento importado que é caro e que perde a qualidade em seu transporte. Assim é hora de no orçamento de 2011 inserirmos recursos para fomentar este segmento que as duras penas insiste em mostrar que Mato Grosso não produz apenas soja e boi.

Amado de Oliveira Filho é produtor rural, economista, pós-graduado em mercados de commodities agropecuárias e direito ambiental – amadoofilho@ig.com.br

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