chantagem

>Aloprados O retorno

Posted on junho 8, 2010. Filed under: Aloprados, candidato, chantagem, dossiê, Ricardo Noblat |

>Por Ricardo Noblat

Que diferença faz um dossiê a mais ou a menos? Nada é mais comum, aqui e em toda parte, do que candidato estocar munição para disparar contra adversários. É o jogo sujo da política. Às vezes nem dispara. Em certas ocasiões, representantes dos candidatos se reúnem em local seguro e neutro e firmam um acordo: tiro só da cintura para cima.
Dossiês, quase sempre, são confeccionados para uso clandestino ou divulgação pela mídia. Servem para detonar escândalos. Quem se envolve com a tarefa trabalha no limite da irresponsabilidade. Uma coisa é juntar informações verdadeiras. O eleitor tem direito a conhecê-las. Outra é misturá-las com informações falsas captadas por meios criminosos – grampos, subornos e chantagem.
No segundo debate de televisão do segundo turno da eleição de 1989, Fernando Collor encarou Lula sobraçando pastas recheadas de documentos. Amigos de Lula temeram que ele pudesse exibir fotos do candidato do PT na companhia de uma amiga psicóloga. Quem supostamente presenteou Collor com as fotos foi o então deputado Bernardo Cabral (PMDB-AM). As fotos não saíram das pastas.
O ensaio de candidatura de Roseana Sarney a presidente no início de 2002 foi fulminado por uma operação de agentes da Polícia Federal e procuradores da República. Achou-se R$ 1,3 milhão no cofre da empresa do marido dela. Roseana enrolou-se para explicar o que não passava de Caixa 2. Sarney, o pai, atribuiu a culpa pelo sucedido a José Serra, também candidato a presidente.
Às vésperas do segundo turno da eleição daquele ano, o comando da campanha de Lula foi informado de que o programa de televisão de Serra exploraria imagens de uma antiga noitada alegre em Manaus do candidato do PT. Baixou o desespero. José Dirceu, presidente do PT, falou a respeito com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Prometeu retaliar desovando o que armazenara contra o governo e Serra.
Amigo de Lula e de Serra com igual intensidade, o deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF) voou às pressas para São Paulo a pedido de Dirceu. Conversou com Serra tarde da noite. Ouviu que não havia as tais imagens e que ele seria incapaz de apelar para recurso tão degradante. Na dúvida, Dirceu passou o resto da campanha sem tirar o dedo do gatilho.
Serra tinha razões de sobra para se vingar. Pouco antes, aqueles chamados por Lula de “aloprados”, funcionários do seu comitê de campanha, haviam forjado um falso dossiê contra Serra, candidato ao governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin, candidato do PSDB a presidente. O dossiê explodiu no colo de Lula. E acabou com suas chances de se eleger no primeiro turno.
Agradeça a Deus, Dilma, o fato de a nova geração de aloprados do PT ter sido logo flagrada em ação. Imagina se estivessem no ar os programas de propaganda eleitoral dos partidos no rádio e na televisão. E se só então pipocasse a história do dossiê contra Serra e do almoço do assessor de campanha com o delegado especialista em escutas telefônicas clandestinas.
Empenha-se o PT em vender algumas versões do episódio que não resistem a um sopro de criança. Dossiê? “Não havia dossiê”. Ora, há dossiê, sim, e ele segue sendo encorpado. Como o PSDB tem o dele contra Dilma, o PT e o governo. O PT informa que o dossiê não passa de um livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, a ser postado em breve na internet. Menos!
Há 15 dias, Amaury não tinha um livro. Tinha documentos e a idéia de publicar um livro. Por que participou do almoço onde seu amigo Luiz Lanzetta, assessor de comunicação da campanha de Dilma, disse ao delegado-araponga Onésimo de Souza que precisava saber tudo que Serra fizesse ou falasse? Antes que o espaço acabe, digo que Dilma só agiu contra os aloprados depois de ter sido procurada pela imprensa.
Em telefonema para a direção da revista VEJA, jurou inocência, pediu um voto de confiança e garantiu punir com rigor quem ferisse a lei. A conferir.
E-mail para esta coluna: noblat@oglobo.com.br

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>Ações criminosas do MST são pagas pelo governo federal

Posted on agosto 29, 2009. Filed under: camponeses, chantagem, Governo Federal, militantes, MST, Sem Terra, Trabalhadores |

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Assertivos do ponto de vista ideológico, os líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra são evasivos quando perguntados de onde vêm os recursos que sustentam as invasões de fazendas e manifestações que o MST promove em todo o Brasil. Em geral, respondem que o dinheiro é proveniente de doações de simpatizantes, da colaboração voluntária dos camponeses e da ajuda de organismos humanitários. Mentira.

O cofre da organização começa a ser aberto e, dentro dele, encontram-se as primeiras provas concretas daquilo que sempre se desconfiou e que sempre foi negado: o MST é movido por dinheiro, muito dinheiro, captado basicamente nos cofres públicos e junto a entidades internacionais. Em outras palavras, ao ocupar um ministério, invadir uma fazenda, patrocinar um confronto com a polícia, o MST faz isso com dinheiro de impostos pagos pelos brasileiros e com o auxílio de estrangeiros que não deveriam imiscuir-se em assuntos do país.

VEJA teve acesso às informações bancárias de quatro Organizações Não-Governamentais (ONGs) apontadas como as principais caixas-fortes do MST. A análise dos dados financeiros da Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca), da Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab), do Centro de Formação e Pesquisas Contestado (Cepatec) e do Instituto Técnico de Estudos Agrários e Cooperativismo (Itac) revelam que o MST montou, controla e tem a seu dispor uma gigantesca e intrincada rede de abastecimento e distribuição de recursos, públicos e privados, que transitam por dezenas de ONGs espalhadas pelo Brasil:

– As quatro entidades-cofre receberam 20 milhões de reais em doações do exterior entre 2003 e 2007. A contabilização desses recursos não foi devidamente informada à Receita Federal.

– As quatro entidades-cofre repassaram uma parte considerável do dinheiro a empresas de transporte, gráficas e editoras vinculadas a partidos políticos e ao MST. Há coincidências entre as datas de transferência do dinheiro ao Brasil e as campanhas eleitorais de 2004 e 2006.

– As quatro entidades-cofre receberam 44 milhões de reais em convênios com o governo federal de 2003 a 2007. Há uma grande concentração de gastos às vésperas de manifestações estridentes do MST.

– As quatro entidades-cofre promovem uma recorrente interação financeira com associações e cooperativas de trabalhadores cujos dirigentes são ligados ao MST.

– As quatro entidades-cofre registram movimentações bancárias estranhas, com vultosos saques de dinheiro na boca do caixa, indício de tentativa de ocultar desvios de dinheiro.

Há muito o que desvendar a respeito do verdadeiro uso pelo MST do dinheiro público e das verbas provenientes do exterior. A Anca, por exemplo, é investigada desde 2005 por suas ligações com o movimento. A quebra do sigilo mostra que funcionários da entidade realizaram saques milionários em dinheiro em datas que coincidem com manifestações promovidas pelo MST e também com períodos eleitorais. Outra coincidência: tabulando os gastos das entidades resta evidente que parte expressiva dos recursos é destinada a pessoas físicas ou jurídicas vinculadas ao MST. Há também transferências bancárias suspeitíssimas. Em agosto de 2007, 153 000 reais da Cepatec foram parar na conta de Márcia Carvalho Sales, uma vendedora de cosméticos residente na periferia de Brasília. “Não sei do que se trata, não sei o que é Cepatec e não movimento a conta no banco há mais de três anos”, diz a comerciária. A Cepatec também não quis se pronunciar.

Para fugir a responsabilidades legais, o MST, embora seja onipresente, não existe juridicamente. Não tem cadastro na Receita Federal, e, portanto, não pode receber verbas oficiais. “Por isso, eles usam estas entidades como fachada”, diz o senador Álvaro Dias, do PSDB do Paraná, que presidiu a CPI das Terras há dois anos, e, apesar de quebrar o sigilo das ONGs suspeitas, nunca conseguiu ter acesso aos dados bancários. Aliados históricos do PT, os sem-terra encontraram no governo Lula uma fonte inesgotável de recursos para subsidiar suas atividades. Uma parcela grande dos convênios com as entidades ligadas ao MST destina-se, no papel, à qualificação de mão-de-obra. Mas é quase impossível averiguar se esse é mesmo o fim da dinheirama. “Hoje o MST só sobrevive para parasitar o estado e conseguir meios para se sustentar”, diz o historiador Marco Antonio Villa.

As ONGs ligadas ao MST chegaram a receber quase 70 milhões de reais em um único ano. No início do governo Lula, em 2003, esses repasses não chegavam a 15 milhões de reais. No ano seguinte, mais do que dobraram, ultrapassando os 32 milhões de reais. Em 2005, o valor novamente dobrou, atingindo os 64 milhões de reais. No segundo mandato, as denúncias de irregularidades envolvendo entidades ligadas aos sem terra ganharam força. E o dinheiro federal para elas foi minguando. Em 2007, ano de abertura da CPI, os repasses às ONGs ficaram em 56 milhões de reais. No ano passado, as entidades receberam 46 milhões. E nos oito primeiros meses deste ano, os cofres das ONGs do MST receberam menos de 20 milhões de reais em convênios com o governo federal. Como reação, a trégua com o governo também minguou.

No início de agosto, 3 000 militantes invadiram a sede do Ministério da Fazenda. A ação em Brasília foi comandada pela nova coordenadora nacional do MST, Marina dos Santos, vinculada a setores mais radicais do movimento. No protesto, o MST exigiu o assentamento imediato de famílias que estão acampadas. Nos bastidores, negociam a retomada dos repasses para as ONGs e a recuperação do comando das unidades do Incra. Em conversas reservadas, ameaçam até criar problemas para a candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff. O governo Lula agora experimenta o gosto da chantagem de uma organização bandida que cresceu sob seus auspícios.

Fonte: Revista Veja

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