Chutar o pau da barraca

>Chutar o pau da barraca

Posted on novembro 5, 2010. Filed under: cartaz, Casa Civil, Chutar o pau da barraca, embaixador, Lula da Silva, ONU, presidência da república, PSDB, vice |

>

O Brasil já tem um novo presidente. Trata-se da primeira mulher a presidir o país. Lula da Silva vê a si próprio como “rei morto”. Embora não negaria dar “um conselho” à eleita, “se procurado”, e a sucessora, por sua vez, confessou “bater-lhe a porta” quantas vezes forem preciso. Estão, portanto, combinados: um chama e o outro atende. Pelo menos até o momento em que a presidente achar de “chutar o pau da barraca”. Possibilidade nada remota. Filme antigo, que a oposição torce para vê-lo novamente em cartaz.

Aliás, a própria oposição “foi pego de calça curta”. Oportunidade em que se encontrava na situação. O PSDB tinha o leme do Estado nacional. Tentava mantê-lo nos trilhos, como de fato o manteve, pois adotou medidas certas na hora certa. A imensa maioria delas serviu de argamassa para o atual crescimento do país. Isso é fato. Mas como o óbvio nem sempre é tido como tal, o ex-metalúrgico – na presidência da República – tratou logo de escamotear os feitos anteriores. Pior ainda, os adotou como seus, e saiu a dizer que recebeu “uma herança maldita”(balela que pegou). Herança, que de “maldita” não tem nada. Pois se assim o fosse, Sua Excelência estaria hoje, e, quando assumiu o posto, em “maus lençóis”.

Urge, portanto, a necessidade de se voltar ao início do segundo parágrafo deste texto. Até mesmo por necessidade de se retomar o tema proposto. Pois bem, a maior liderança tucana governava o Brasil, e, logo de imediato, deparou-se com o primeiro problema, a saber: “”dar emprego ao seu antecessor””. Uma figura ímpar na política, sem patrimônio algum – ao contrário de muitos que, da noite para o dia, se transformam em milionários. O vice que virou titular foi, então, guindado a “embaixador”. Esteve em Roma e em Lisboa. Reclamava a todo instante do cabide que lhe fora dado. Talvez porque achava ser merecedor de “”coisa melhor””. O peessedebista, no entanto, procurava agradá-lo. Era uma espécie de pagamento da gratidão recebida. Porém, o mineiro esperneava e brigava; enquanto o presidente tentava amenizar as rusgas criadas. No segundo mandato, sentiu-se livre da obrigatoriedade de garantir emprego ao antigo chefe.

Este cenário tem a ver com o que se desenha hoje, com a ex-ministra chefe da Casa Civil devendo sua eleição a presidente ao seu antigo patrão. É natural que este um dia venha a lhe cobrar a fatura. Tal dia pode ser antes do dia 1º. de janeiro de 2011. O ex-metalúrgico, no entanto, não precisará de emprego. Embora exerça pressão para que muitos de seus amigos continuem “”a mamar nas tetas do Estado””, sobretudo quem lhe é mais próximo; somado a situação permanente da presidente lembrar sempre de seus feitos.

Lembranças necessárias e importantes. Sobretudo para lhe evitar o ostracismo, o esquecimento. Afinal, o presidente – o atual – almeja alcançar um posto internacional, de preferência na ONU. Daí a relevância de sempre ser lembrado. Sem ser, evidentemente, uma “sombra”. O instituto, que ele quer criar, tem um pouco disso – mostrar e supervalorizar “suas realizações”.

Quadro interessante. Merecedor, realmente, do olhar de todos. Não apenas do estudioso da política. Mas de cada cidadão. Atentos, inclusive, no dia em que a presidente resolver “chutar o pau da barraca”.

Autor: Lourembergue Alves é professor universitário e articulista. E-mail: lou.alves@uol.com.br

Anúncios
Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...