cientista político

>Candidatos, Fora com os ataques. Aconselha cientista político

Posted on junho 20, 2010. Filed under: Alfredo da Mota Menezes, campanha eleitoral, cientista político, Eleição 2010, opinião |

>

Reproduzimos aqui entrevista do professoar Alfredo da Mota Menezes, publicada no Jorna A Gazeta deste domingo, 20 de junho.


Cientista e analista político, participa diariamente, às 06h30min, do Programa Chamada Geral, ancorado por Lino Rossi, analisando e comentando toda a conjuntura política local e nacional, com o compromisso com a informação e formação de opinião.

Vale a pena ler sua opinião abaixo.

Cientista político diz que propostas de projetos políticos devem ser apresentadas para eleitores, em vez das tradicionais acusações durante a campanha

Alfredo Motta Menezes é muito requisitado nos meios de comunicação para dar opiniões sobre andamento da política em Mato Grosso e no Brasil

Marcos Lemos
Da Redação
Mato-grossense de Poxoréu, cientista político, professor mestre e titular da cadeira de História da Universidade Federal de Mato Grosso, Alfredo da Motta Menezes, é PHD em História da América Latina com ênfase em política e economia e tem seis livros publicados sendo alguns títulos “Do Fim do Regime Militar à Eleição de Lula”; “A Herança de Strossner (Ditador do Paraguai)” e “A Morte de Totó Paes”. O novo livre será a “Relação dos Estados Unidos com a América Latina do Século 19 aos Dias Atuais.”
Pela sua rápida e clara avaliação dos quadros políticos e as crises que volta e meia emergem, Alfredo da Motta Menezes se tornou uma espécie de “guru”, não daqueles que dão consulta, mas que expõe em artigos ou em entrevistas de rádio na qual se apresenta como um ouvinte comentarista suas impressões a respeito do momento. Ele se diz um apaixonado pelos meios de comunicação, mas confessa que exercer a política no dia a dia, sem ter que pedir voto é um dos mais importantes raciocínios que todos os cidadãos deveriam praticar para se inteirar das decisões que são tomadas por poucos, mas tem que ser cumpridas por muitos.
Um duro recado do cientista é que se faz necessário em cada eleição discutir propostas e deixar de lado as acusações, dossiês e outras parafernálias da política que somente tendem a tumultuar o processo e muitas vezes levar o eleitor a escolhas erradas.

A Gazeta – Faltando menos de 100 dias para as eleições dá para se vislumbrar um favorito? A polarização nas pesquisas vão se repetir nas urnas ou ainda pode haver mudanças?
Alfredo da Motta Menezes –Ainda aguardo a definição da candidatura de Mauro Mendes (PSB) se ela vai ou não acontecer e se acontecer como ficará a posição do PPS e do PDT que hora estão juntos, hora não. E a legenda do PSB que pelo visto está inviabilizando a eleição de representantes legislativos para a Câmara Federal, item essencial para os partidos considerados pequenos

Gazeta – Se Mauro confirmar sua candidatura?
Alfredo – Aí não tenho dúvida de termos uma eleição em segundo turno, a primeira da história política recente de Mato Grosso. Do contrário haverá uma polarização como sempre aconteceu no passado entre Silval Barbosa e Wilson Santos e não dá a está altura do campeonato para dizer quem é que vai antecipadamente vencer.

Gazeta – Mas isto, a previsão dos possíveis vitoriosos é uma coisa comum em Mato Grosso?
Alfredo – Vejamos lá trás: sabia-se três anos antes que Júlio Campos seria o governador e no decorrer do seu mandato que o então prefeito de Rondonópolis, Carlos Bezerra o sucederia. Em 1990 eu perdi uma aposta com Jaime Campos, que eu não paguei até hoje, de que ele bateria no primeiro turno qualquer adversário. Como eu estava no exterior eu não seguia a política daqui. Já em 1994 o sucessor só poderia ser Dante de Oliveira, só que em 1998 deu-se uma embaralhada no processo eleitoral com o advento da reeleição antes proibida, mas acabou se confirmando pró-Dante. Em 2002, também se acreditou numa reviravolta do costume político e da possibilidade do PSDB eleger Antero Paes de Barros, o que não aconteceu e veio uma nova forma de fazer política, a empresarial de Blairo Maggi que em 2006 foi reeleito com tranquilidade.

Gazeta – Então nesta eleição ainda não temos vencedor?
Alfredo – Mesmo as pesquisas mostrando quadros adversos a cada rodada, acredito numa disputa orelha a orelha. Não tem cavalo vencedor, pelo menos por enquanto.

Gazeta – Com a polarização, a definição pode ficar a cargo do horário eleitoral gratuito e dos milagres dos marqueteiros?
Alfredo – O horário eleitoral gratuito vai ajudar bastante. O que eu vou dizer pode parecer absurdo, mas tem acontecido muito em Mato Grosso. O horário existe para se colocar proposta e para se dizer o que vai fazer de diferente dos atuais governantes, mas pelo visto parece que as coisas de impacto têm mais importância. Em 2004, no 2º turno das eleições em Cuiabá, Alexandre César do PT estava muito na frente de Wilson Santos (PSDB) nas pesquisas. Hoje se perguntarmos o que foi discutido de proposta de governo, só sobrevem a memória das pessoas a história dos dois velhinhos que corriam o risco de perder sua casa. Então se ouvia o PSDB dizer que era preciso acabar com o sorriso do Alexandre, acabar com o seu bom mocismo e veio a porrada e a eleição acabou tendo uma reviravolta. Já no caso Mauro Mendes, ficou muito mais claro um acidente do que propriamente alguma proposta de governo para se melhorar a vida da sociedade, que assimila a critica e não discute propostas.

Gazeta – E quais seriam as discussões que faltam?
Alfredo – Nossa, são tantos os problemas. A questão da droga na fronteira seca com a Bolívia. A verdade sobre a ferrovia, se ela chega ou não. Tudo isto será falado, mas não discutido. Será que ouvir as propostas para saúde, segurança, educação e outras de vários candidatos terá diferença e a população tem interesse em discutir, isto dá voto. Eu tenho minhas dúvidas.

Gazeta – Mas e o empate tanto nas pesquisas nacionais quanto regionais?
Alfredo – Uma revista nacional trouxe essa questão. Quem em junho estava na frente se tornou um vencedor. A única exceção foi em 1994 quando da chegada do Plano Real e da nova moeda quando Lula liderava mas Fernando Henrique Cardoso foi o escolhido. Então se aposta muito no horário eleitoral e no escorregão dos adversários. O PSDB está convicto de que Dilma Roussef dará um escorregão que fará com que ela perca a disputa, como aconteceu com Ciro Gomes que já ultrapassara José Serra e com infelizes declarações na mídia acabou se condenando. O PSDB explorou muito bem o problema do Ciro e tirou ele da disputa e acredita no mesmo em relação a Dilma, mas atrás de um erro e não de uma discussão de propostas e de viabilidade de governo. Não se discute nada de proposta.

Gazeta – Qual a solução no jogo político se cada um dos candidatos a governador tem uma vertente eleitoral?
Alfredo – Será que os governadores vão contra suas bancadas federais, por minoritárias que elas sejam. Será que o governador eleito de Mato Grosso se tiver a chance de ser aliado do presidente ou presidenta da República, vai contrariar uma ordem emanada de cima? Duvido. Se tivermos uma reforma tributária e nosso Estado perder, como vamos concorrer com São Paulo que tem 70 deputados federais, e mesmo no Senado será que nossos senadores vão contra a vontade do governo de plantão?

Gazeta – Algum dos nossos candidatos ao governo, tem o perfil de confrontar o governo federal na defesa do Estado e seus direitos?
Alfredo – Não vejo. Pode ser que eu esteja errado, mas não vejo. Imagine se Mato Grosso não desse incentivos fiscais, qual grande empresa que se instalaria aqui, nenhuma. Como vamos concorrer com todos os Estados. É um absurdo que nosso Estado que é o maior produtor de grãos do país receba uma compensação menor do que muitos Estados que não tem produção.

Gazeta – Como o senhor viu a questão do pedido de intervenção em Cuiabá?
Alfredo – Aqui se presencia a política do momento, pois mesmo sem ter sido comunicado, o governador Silval Barbosa, numa decisão inteligente já se colocou pronto para ajudar Cuiabá, sem intervir e jogou no colo do ex-prefeito Wilson Santos, candidato a responsabilidade por ter deixado o pepino para seu sucessor. Para o cidadão, pouco importa se é uma divida deste ou daquele prefeito, ele á tem seus problemas e não quer se preocupar com os dos governantes, então foi ponto para Silval Barbosa dentro dos meandros da disputa eleitoral que também se vence com inteligência. Ele mostrou uma cara boa para a área em que ele precisa melhorar que é na Baixada Cuiabana.

Gazeta – Mato Grosso vive momentos de intensa crise. É por causa das eleições?
Alfredo – Olha não conheço na história do Brasil que num curto espaço de tempo, de agosto do ano passado com a Pacenas, Hygeia, aposentadoria de magistrados com participação de uma Loja Maçônica o que não é comum, a segunda crise na Justiça envolvendo casos eleitorais e por último a Jurupari. Nunca vi tanta operação, então é preciso se especular o que acontece, mas não acho ruim, acho importante, porque a população por causa de sua melhor condição financeira, de vida melhor passou a atentar para outros fatos principalmente a corrupção. Falo como historiados,Getúlio Vargas deu um tiro no peito e não foi por acaso, pois vivia-se uma crise. Seu sucessor Juscelino quase não tomou posse por causa da crise. Veio Jânio Quadros durou sete meses e renunciou. João Goulart para assumir teve que admitir um parlamentarismo de ocasião, depois veio um plebiscito se aprovou o presidencialismo e tiraram ele do governo. Nós passamos 21 anos brigando com a Ditadura pela democracia que acabou acontecendo e no meio do caminho morre Tancredo Neves e a esperança, assume uma pessoa, Sarney que era ligado as regras do passado, um choque de alguém que era do PDS e teve que ser aceito pelo PMDB e por fim Collor de Mello que acabou em impeachment. Então digo o seguinte: do governo Itamar, passando por dois mandatos de Fernando Henrique e agora dois de Lula, foram os anos em que o Brasil passou melhor, sem crises, economia estável, sem crise institucional, sem tanques nas ruas. Quando o Brasil assentou e tomou rumo passamos enquanto brasileiro a olhar para outras coisas como o umbigo do judiciário, a atuação da classe política, a ficha limpa, então como se ouve dizer estão passando o Brasil a limpo, graças a estabilidade política e econômica. Todos olhos o Brasil de outras maneiras e outros ângulos.

Anúncios
Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

>Lula, O craque de 2010

Posted on junho 6, 2010. Filed under: cientista político, Copa 2010, Dilma, Eleição 2010, Lula, Marina Silva, Pelé |

>

…pode não estar na Copa 2010. Lula alavancou a candidatura
de Dilma Rousseff à liderança. Se ele continuar jogando
assim, elegerá sua sucessora – isso se não aparecer
uma zebra até lá

Diego Escosteguy
Leo Valle/Corbis/Latinstock
MUDANÇA DEMOCRÁTICA
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, empossa
o conservador Sebastián Piñera: sem populismo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende se consagrar como o maior craque da história do Brasil. A promessa de Garanhuns estreou bem nos rachões do sindicalismo, brilhou no primeiro time do Partido dos Trabalhadores e foi vice três vezes – até que, em 2002, jogando no melhor estilo paz e amor, conseguiu mostrar a qualidade do seu futebol e se tornar presidente da República. De lá para cá, sua carreira vem subindo velozmente ao Olimpo onde pairam os mitos brasileiros. Apesar de ter sofrido uma breve má fase há cinco anos, quando flagraram metade do seu time no antidoping do mensalão, ele encontrou perseverança para ser bicampeão em 2006. Nos últimos tempos, embalado pelo relativo sucesso de programas sociais do governo e pelo bom momento da economia, Lula atingiu seu ápice: 80% dos brasileiros aprovam seu futebol. É no auge da era Lula, portanto, que se aproxima a copa da política brasileira: a eleição presidencial. Nela, como não pode concorrer, o presidente deveria atuar apenas como técnico da novata Dilma. Lula, porém, não tem nada de Dunga – e entrou em campo com tudo, dando diariamente chapéus na Justiça Eleitoral, carrinhos nos adversários e preciosos passes para a sua camisa 9.
Até o momento, o presidente, vá lá que sem muito fair play, está levando o time nas costas. Desde o fim do ano passado, quando Lula passou a jogar com afinco, Dilma vem crescendo lentamente nas pesquisas. A tal ponto que, nas últimas semanas, as sondagens mais confiáveis, como a do instituto Datafolha, indicaram um empate entre ela e o candidato tucano, José Serra. Ambos aparecem com 37% das intenções de voto – em dezembro, a petista aparecia com 26%, e o peessedebista flanava com 40%. Não há dúvida de que o crescimento da candidata petista se deve ao presidente, nem dúvida há de que ele será o dínamo político da campanha. A população gosta do presidente e está satisfeita com suas próprias condições de vida. Até março do ano passado, Dilma, apesar de ocupar o poderoso cargo de chefe da Casa Civil, era conhecida superficialmente por somente 53% dos brasileiros. À medida que foi sendo apresentada por Lula ao eleitorado, seja em discursos televisivos, seja em desavergonhados eventos eleitorais país afora, Dilma cresceu e apareceu, conquistando votos na mesma proporção em que se tornou conhecida. No jargão dos marqueteiros, isso se chama transferência de votos. Na linguagem do futebol, resume-se ao talento de Dilma para se posicionar na banheira e receber os passes de Lula. Somente no decorrer da campanha, contudo, será possível descobrir se a camisa 9 do PT sabe fazer gols, transformando intenções em votos.
 
É do resultado dessa incógnita que sairá o próximo presidente. As pesquisas e a sabedoria política sugerem o seguinte: se Dilma conseguir convencer os eleitores de que merece ser a sucessora de Lula (como tem conseguido até agora), ganhará a eleição; se falhar, a vitória provavelmente caberá a Serra. Aqui, porém, como bem sabe o presidente, vale o mais infame dos clichês futebolísticos: toda eleição é uma caixinha de surpresas. Para evitar um maracanazzo petista, Dilma segue com disciplina as orientações do professor – quer dizer, do presidente Lula e dos marqueteiros de sua campanha. A estratégia petista depende do sucesso de três táticas: Lula convencer o eleitorado de que a vitória de Serra significaria um retrocesso para o país, Lula fazer muita campanha para Dilma e, finalmente, Dilma mostrar-se autêntica e confiável para os simpatizantes do lulismo. O último item é puramente subjetivo. Subordina-se aos múltiplos aspectos da personalidade da petista, ao modo como a índole dela se comunica com o eleitorado. Da busca dessa furtiva e intangível qualidade decorre, em larga medida, o trabalho dos marqueteiros.
“Não basta o Lula dizer que a Dilma é candidata dele. O eleitor tem de ouvir isso da Dilma, e sentir que confia nela”, afirma o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília. Ou seja: o eleitor não elege postes. Na Colômbia, o presidente Álvaro Uribe deve fazer seu sucessor, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos. No Chile, entretanto, a presidente Michelle Bachelet, apesar de apresentar 80% de aprovação, não conseguiu que seu candidato lhe sucedesse – nesse caso, o candidato não era desconhecido como Dilma. A diferença entre os dois exemplos indica como o fenômeno da transferência não tem nada de cartesiano. O desafio de Dilma é paradoxal. Ela precisa ser conhecida como sucessora natural do presidente – mas deve fazer isso sem exageros, de modo a não esmaecer na sombra de Lula.
As recentes boas notícias para Dilma não espantam as preocupações dos coordenadores da campanha petista. Os principais temores deles concentram-se na possibilidade de ataques pessoais à candidata. O maior dos medos decorre da militância de Dilma durante a ditadura militar. Os petistas temem que a recorrente insinuação – sem fundamento, frise-se – de que a candidata pegou em armas possa causar danos desastrosos a ela. A preocupação resultou numa defesa preventiva, que foi ao ar no último programa televisivo do PT: a despropositada comparação de Dilma com o líder sul-africano Nelson Mandela, que ficou 27 anos preso por se opor ao regime segregacionista.
Nunca é demasiado o cuidado com esse tipo de pancada. As tão impalpáveis virtudes que os marqueteiros procuram ressaltar em Dilma podem dissolver-se com um ataque certeiro. Nas mais recentes eleições brasileiras, sobram exemplos de políticos destruídos por um deslize verbal ou um erro pregresso. Em 2002, dois candidatos ficaram pelo caminho. Roseana Sarney era favorita até a Polícia Federal descobrir um inexplicável montinho de dinheiro vivo nos escritórios da família. No auge da campanha, quando estava próximo de Lula nas pesquisas, Ciro Gomes chamou um eleitor de burro. Até mesmo a reeleição de Lula em 2006, que se mostrava tranquila, entrou em risco quando aloprados petistas em busca de dossiês foram presos com um inexplicável montão de dinheiro.
Dessa tormentosa saga de trapalhadas e baixarias que costumam acometer as campanhas no Brasil, extrai-se a lição da cautela. Como qualquer processo político, uma eleição se desloca como uma nuvem, na qual é difícil prever tempo ruim. Foram trovoadas desse tipo, aliás, que tiraram Dilma do banco de reservas – sucessores naturais de Lula, como José Dirceu e Antonio Palocci, queimaram-se em escândalos. O bom momento de Dilma se deve também à dificuldade de Serra e de Marina Silva, a candidata do Partido Verde, em encontrar um discurso que concilie a continuidade desejada pelo eleitorado com propostas que o seduzam. Ainda faltam quatro meses para as eleições. Lula, o Pelé da política, sabe que o jogo só acaba quando termina.  Fonte: Revista Veja
Fotos Mauricio Duenas/Corbis/Latinstock e Carlos Ortega/Corbis/Latinstock
SEMELHANÇAS
Na Colômbia, Juan Manuel Santos (à esq.) tem tudo para suceder a Álvaro Uribe:
          continuidade à vista    
Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...