cinema

>Eu nasci dentro de uma camera

Posted on outubro 27, 2010. Filed under: A Suprema Felicidade, Arnaldo Jabor, cinema, Cinema Novo, filmes, líder |

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Por Arnaldo Jabor
Eu era cineasta e virei jornalista. Fiz nove filmes e parei, há dezessete anos. Continuo jornalista, que adoro como profissão mas, de três anos para cá, resolvi filmar de novo. Alguns artigos que escrevi sobre meu passado juvenil foram a base do argumento: meu pai, meu avô, minha mãe, as primeiras buscas de amor e sexo, o Rio da bossa nova que nascia, da copa de 58, o Rio que na época era um paraíso de liberdade, até a chegada do golpe de 64. Um ano escrevendo, um ano atrás do dinheiro com meu sócio Francisco Ramalho Jr, um ano e meio para filmar, montar e agora exibir.
Cartaz do filme A Suprema Felicidade, de Arnaldo Jabor
Fiquei besta como tudo mudou. O cinema no Brasil está um show tecnológico. Antes, as condições eram terríveis, as equipes despreparadas, a fome rondava o espetáculo e variávamos entre dois sentimentos básicos: ansiedade e frustração “será que vai sair o dinheiro?” ou “os exibidores acham que o filme é um “abacaxi”.
Em 1943, meu pai foi aos Estados Unidos e comprou uma maquina de filmar, de 8 mm Kodak.
Guardo essa câmera até hoje, fico olhando o buraco da objetiva e penso que ali, naquela lente, passou minha vida inteira. Meu pai fez um verdadeiro longa-metragem de nossa familia, entre 43 e 62. Minhas primeiras imagens são de fraldas e as ultimas mostram-me com 20 anos, recebendo a espada de aspirante a oficial da reserva, perfilado no quartel do Exercito- mais de três horas de minha infância profunda em tremulas imagens riscadas. Este filme “A Suprema Felicidade” é uma volta ao passado, onde devolvo minha vida a meus pais e ao Rio que me viu crescer. Esta pequena câmera aparece no inicio do filme, nas mãos de Mariana Lima. Entrei nesta câmera e virei cineasta.
Quando comecei a filmar, em 65, as câmeras eram pobres, nossos filmes, preto-e-branco, nosso som, precário e, no entanto, a fome de mostrar o olho do boi morto, o mandacaru pobre, as mãos brutas dos camponeses, a cara boçal da classe média, fazia-nos desprezar até o aperfeiçoamento técnico, numa espécie de mímica do cotidiano proletário. Racionalizávamos nossa miséria em teoria, numa espécie de arte povera: a precariedade seria mais profunda que um “reacionário” progresso audiovisual.
Estava surgindo o Cinema Novo que, alias, nasceu num botequim.
Isso mesmo. Lá no bar do laboratório Líder, em Botafogo, foram sonhados dezenas de filmes. Hoje o bar já virou uma “acrílica” lanchonete. Mas, desse tempo mágico, ficaram as lembranças: as moscas no bico dos açucareiros, os chopes, os sanduíches de pernil, os ovos cozidos cor-de-rosa, a lingüiça frita, o cafezinho em pé. E era ali, no meio de insignificantes objetos brasileiros, era ali que traçávamos os planos para conquistar o mundo. Conspirávamos contra o “campo e contracampo”, contra os travellings desnecessários, contra o happy end, contra a fórmula narrativa do cinema americano e acreditávamos que éramos parte da salvação política do país – nossa câmera era um fuzil que, em vez de mandar balas, recolhia imagens do país para “libertar” os espectadores.
E nisto havia até uma ingênua verdade, pois o cinema moderno perdeu a magia crítica de antes, porque, quanto mais se aperfeiçoam as maneiras de devassar a “realidade”, mais distante ela fica.
Hoje, são infinitas as imagens que invadem nossas mentes e olhos. O vídeoclip, a metralhadora da publicidade, a velocidade do ritmo criaram um excesso de informações que se anulam. Tanta é a exposição da realidade do mundo, que não vemos nada. Quanto mais se fazem descobertas, mais fundo é o túnel do mistério; a máquina do mundo, quanto mais aberta mais fica vazia. O desejo dos produtores (de Hollywood, principalmente) é justamente apagar o drama humano dentro de nossas cabeças. A ação na tela é incessante, de modo a nos paralisar na vida; o conflito é permanente, de modo a impedir o espectador de ver seus conflitos internos. O Brasil está tonto, perdido entre tecnologias novas cercadas de miséria e estupidez por todos os lados. Temos uma imensa e riquíssima quantidade de formas técnicas e quase nenhum conteúdo. Antes, tínhamos fins, mas não tínhamos meios. Hoje, temos todos os meios, sem um fim claro. A tecnologia nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas, fábricas vivas. Somos carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa. Assistimos às chacinas diarias entre chips e websites.
Por isso, tentei fazer um filme que seja visto sem a pressa angustiada do rococó eletrônico que nos assola. Já que a vida está tão fragmentada do lado de fora dos cinemas, tenho a esperança de que uma vida mais clara apareça na sala escura.
Minha “suprema felicidade” é que o filme parece que tocou em emoções que ficaram impalpáveis nos últimos anos, pois quem muda não são apenas as produções, mas a cabeça dos espectadores. Ficamos desacostumados de cenas puras, sem manipulações e efeitos, que subtraem do público a liberdade de observar as ações das personagens, esquecemos que as ações humanas vão muito alem das corridas vertiginosas de carros ou de metralhas arrebentando corpos, esquecemos de uma dramaturgia que exponha ações complexas do drama humano.
Meu Deus, que saudade do cinema classico! Que saudade do sonho, da utopia filmica dos anos 50 e 60, alimentada pelo “Cahiers du Cinema” e pelos circulos de fumaça dos “Gitanes” sem filtro. Hoje o cinema é nu. Esta exposto nas lojas, feiras e bancas de jornais , está nos hotéis, na ponta dos dedos dos insones, está rodando bolsinha nas ruas.
Tenho saudades da sala escura, do cinema segredo, o cinema tesouro , o cinema dos pobres tímidos, o cinema como uma ilusão que nos levava ao êxtase (“ia-se ao cinema como ao bordel em busca de ilusões” (cf. Paulo Emilio Salles Gomes) , o cinema como realidade alternativa, que analisávamos noite a dentro nos bares. Ahh… como era bom esperar um filme do Fellini, a cada ano…Quando vem o novo Antonioni, o novo Bergman?
Mal me comparando a esses grandes homens, estréia no Brasil, dia 29, um “novo Jabor”.
Não me percam…num cinema perto de vocês. 
Fonte: A Gazeta
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>O espectador é a personagem principal

Posted on setembro 15, 2010. Filed under: A Suprema Felicidade, armadilha, Arte, cinema, espectador, estúdio, Fellini, filme, Idade Media, O Circo, personagem, Shakespeare, Teatro |

>Por Arnaldo Jabor

Cinema – Como evitar? Tenho de falar de meu filme “A Suprema Felicidade”, que será lançado em outubro. Só penso no filme há três anos e seria hipocrisia calar sobre o medo e a alegria de tê-lo feito. Nas matérias de jornal dizem que é um “Amarcord” carioca. Não é. A influencia de Fellini sobre mim não é temática; vem pela narrativa libertada da prisão em um só enredo linear. Tentei fazer, como ele, seqüências que valem por si mesmas e que, ao final, somam-se num sentido além delas.

Eu me alimentava de Fellini; meu primeiro filme se chamava “O Circo”, onde fui atrás das gordas rumbeiras do suburbio carioca, dos vagabundos da arena, dos palhaços sem graça e dos “bacalhaus” maltratados, fui em busca desse grotesco brasileiro, pois ali estava nossa fragilidade. Nunca mostrei o povo como “brava gente” ou como “explorados”, num lamento impotente; nunca gostei de heróicas personagens populares, com a chatíssima “nobreza rude”. Muito mais pungente era a fragilidade dos pobres desejos herdados do “neo-realismo” que Fellini poetizou para além do realismo duro. Claro que os companheiros do Partidão me rosnavam: “Esse cara é um pequeno burguês!..”. Odiavam sua doçura e seu repertorio de singelas realidades: “Muito personalista…Fellini só fala de si mesmo.” É o que tentei fazer neste filme, agora.

Felllini estava acima de esquemas : não era comunista, nem fascista, nem cristão, nem ateu, mas tinha uma coisa preciosa para um artista – o que Shakespeare chamou de “o leite da bondade humana”. Os idiotas criticavam-no chamando-o de grande “mistificador” e ele disse: “Pode ser que eu seja mesmo, pois minha adesão à realidade é sempre subjetiva, emocional”. Mesmo a mais grotesca de suas personagens era vista com compaixão. O canalha tinha razões tristes para ser o canalha que rouba a prostituta, o playboy egoísta era um babaca solitário, o mais ridículo burguês chorava de solidão. Ele me ensinou uma das poucas certezas que tenho sobre cinema:

O espectador tem de ser personagem do filme. Tem de identificar sintomas seus e participar até do ritmo da obra. Cinema é uma arte interativa.

Eu já fui um dos “Vitelloni”, eu me senti Alberto Sordi no “Xeique Branco”, eu fui depois Mastroiani tremulo, em crise, no “Oito e Meio” e no genial “A Doce Vida”, de 61, que podia ter sido filmado semana passada.

Assim como Antonioni partiu para a angustia desértica e metafísica depois do neo realismo, Fellini revelou suas raízes na literatura picaresca, desde Rabelais, Cervantes, autos de teatro da Idade Media.

Fellini é pré-figurado até por Flaubert em “A Tentação de Santo Antão” (um “roteiro” genial, quarenta anos antes do cinema). Fellini retomou a tradição pictórica da Renascença. Vemos Fellini no “Paraíso” de Tintoretto ou na “Crucificação de Cristo”, tudo misturado com historias em quadrinhos que desenhou na juventude. E como filmava bem… Filmava sem a lógica obrigatória da narrativa americana (“plot-driven”), filmava como quem pintava, e quando queria dar show de bola em montagem , fazia-o melhor que todos – lembrem da cena do bordel fascista em “Roma” ou do grande engarrafamento no mesmo filme, pensem nos bois caramelados dos banquetes romanos do “Satyricon”, dos padres de patins, dos cardeais “top model” na passarela do Vaticano, das santas prostitutas, dos almoços de macarrão em Roma. Nunca fez musicais , mas seus filmes levitavam nesse grande momento do cinema.

Fellini espantou a industria cultural americana com a vingança maior: o sucesso. Às vezes, quando não durmo, com aquela angustiante “mão preta” no peito, eu penso nas cenas de Fellini guardadas em minha cabeça e uso-as como remédio: como esquecer do “pavão da senhora Condessa”, abrindo sua cauda azul-prata sob a neve em Rimini? Como esquecer do concerto dos músicos velhinhos nos copos de cristal de “La nave va”, como esquecer das lagrimas negras de Cabiria, do grande navio de papelão sobre o mar de plástico em “Amarcord”? Como? E Nino Rota? Quem dá mais vontade de chorar que ele? Nasceram juntos, êle e esse Erik Satie misturado com “fox-trot”. E a maravilhosa fotografia de Di Venanzo, Otello Martelli ou Giuseppe Rotuno? Quem fez cenários como Dante Ferretti ou Danilo Donnatti? Quem?

Ele disse uma vez: “O único e verdadeiro realista é o visionário.” Na mosca.

Seus filmes nos tomavam por inteiro, como se víssemos a vida e as pessoas pela primeira vez, pois ele tinha a imensa capacidade de criar tipos instantaneamente legíveis. No entanto, não eram “tipos” ou superficiais caricaturas, como muitos pensam – eram personagens complexas em sua “fisicalidade”, onde cada ruga, cada barriga, cada careta grotesca tinha um sentido profundo.

Parece que estou ouvindo Fellini falar para os homens de hoje:

“Eu atravessei a arte moderna e nunca caí na armadilha da melancolia. Eu não proponho ideologias, soluções. Eu creio na luz. Minha luz é fabricada em estúdio, onde fiz até o mar. Para mim, a ficção é realidade. Eu atravessei o século 20 com personagens da minha infância. Eu fui comunicativo e fácil, quando o correto era o hermetismo intelectual”.

E Fellini podia acrescentar: “Minhas mentiras subjetivas estão aí. Onde estão as verdades do século 20? Naufragaram todas. Mas, eu gosto disso. Os naufrágios são bons. Nossa época é importante porque é um naufrágio de ideologias, de conceitos, de verdades convencionais. Não vejo nisso o fim da civilização; acho que é um sinal de vida.”

Por isso, digo que o ensinamento de Fellini que usei em meu filme “A Suprema Felicidade” foi justamente buscar delicadeza, compaixão e gargalhadas diante do eterno e ridículo drama humano.

Há 17 anos, Fellini morreu. Tudo isso? Sim. 17 anos. Nunca mais vamos esperar seu próximo filme…Que saudades…

Fonte: A Gazeta

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>"A Origem" continua na liderança das bilheterias nos EUA

Posted on agosto 2, 2010. Filed under: A Origem, cinema, Dinner for Schmucks, filme, Leonardo DiCaprio |

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“A Origem” lidera as bilheterias norte-americanas pelo terceiro fim de semana consecutivo. O longa dirigido por Christopher Nohlan (Batman – O Cavaleiro das Trevas) arrecadou estimados US$27.5 milhões em 3.545 salas de projeção, segundo o site da revista de entretenimento norte-americana Variety.

Leonardo DiCaprio em uma das cenas de “A Origem”, que
lidera pela 3ª semana o Top 10 EUA

A trama protagonizada por Leonardo Di Caprio alcançou, em três semanas de exibição, a cifra de US$193.3 milhões nos EUA. No Brasil, o filme tem estreia prevista para o próximo dia 6.

Em segundo, com um faturamento de US$23.3 milhões, “Dinner for Schmucks”, com Steve Carell e Paul Rudd. A comédia havia assumido a liderança do Top 10 de acordo com estimativas divulgadas no sábado (31), mas perdeu a briga para “A Origem”.

“Como Cães e Gatos 2”, a sequência em 3D da Warner ficou em quinto, com uma arrecadação de US$ 12,5 milhões. À frente dos “pets”, “Salt”, com Angelina Jolie, em terceiro (US$ 19,2 milhões) e a animação “Meu Malvado Favorito” (US$ 15,5 milhões), em quarto.
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>Um filme imperdível

Posted on janeiro 22, 2010. Filed under: cinema, filme, herói, imortalizar, manifestações, personagem, surrealista, telespectador, Trabalhadores |

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Não é a primeira vez que um político tem sua trajetória transformada em filme. Nem será a única. Pois o cinema pode ajudar a fortalecer o mito e consolidar o herói. A despeito das críticas que, de certo modo, foram bastante condescendentes. Não foram duras quanto deveriam ser, pois o dito filme extrapola o seu limite de entretenimento para imortalizar o personagem-político, em pleno final de mandato presidencial.

Foi feito por Lula da Silva exatamente aquilo que Fernando Henrique Cardoso quis fazer por ele próprio em “A arte da política”. As duas obras supervalorizam as ações de cada um deles. Bem mais feliz, no entanto, foi o primeiro. Isso porque o cinema atinge um público maior que o do livro, sobretudo em um país como o Brasil, onde a leitura da palavra escrita continua sendo tarefa de uma parcela pequenina da população.

Baseado em uma tese de doutorado, também transformada em livro, o filme conta a vida do ex-metalúrgico, desde o seu nascimento até a sua ascensão à presidência do sindicato. Vista de um ângulo onde a fantasia se mistura com a utopia. Pior ainda, subestima-se a capacidade de reflexão do telespectador, quando procura vender a imagem de alguém dotado de extrema sensibilidade, comprometido e muito com que faz e dono de uma inteligência rara. Três cenas resumem, e bem, isso, a saber: a da menina morta durante a viagem de “pau-de-arara”, somada a de um trabalhador assassinado por ocasião de uma greve, a que retrata a perda de um dos dedos da mão esquerda do herói e a conversa sobre o garoto prodígio entre a mãe e a professora. Até mesmo o “tu vai se chamar Inácio Luiz da Silva”, em situação anterior, dito pela mãe ao segurá-lo ainda bebê deixa transparecer algo sobrenatural, encantador, surrealista. Talvez, por isso, o filme trata de desaparecer com os seus irmãos, deixando-os a um plano além do secundário. A ponto, por exemplo, de todas as atenções maternas se voltarem tão somente para o filho especial que, com menos de oito anos, se postara a sua frente, a defendê-la contra as ameaças do pai, completamente embriagado e dominado pela ira.

Cada cenário mostrado é de uma grandeza extraordinária. Razão, certamente, pela qual as filmagens tenham custado tão caro. Acima dos padrões do cinema da terra. Por isso contou com a ajuda financeira de um grupo de empresas bastante ligadas ao governo, e que ganham muitíssimo com tamanha ligação.

Uma pena, no entanto, que os atores principais, os que fizeram os papéis da mãe e o do próprio Lula adulto tenham tido desempenhos pífios, que são uma constante quase permanente nas carreiras desses artistas. O filme só não foi um desastre total porque contou com passagens das manifestações dos trabalhadores, que fazem parte do passado do atual presidente. Porém, tais passagens surgem desconectadas, fora dos momentos ideais. Falhou, portanto, o seu diretor. Assim como também pecou quando trocou a bebida preferida do “biografado”, a cachaça, pela cerveja.

Apesar disso, valeu à pena ter assistido a esse filme em função da casa de espetáculo. Cine Odeon, erguido no coração na Cinelândia, no Rio. Diante de tantos cinemas desaparecidos, essa casa continua ali, firme, a desafiar os obstáculos, oriundos de uma modernidade que tenta enjaular um montão de coisas em um único local.

No mais, é preciso dizer, o referido filme se encontra entre os piores já produzidos no país. Muitíssimo distante de O Quatrilho, também dirigido por Fábio Barreto, e igualando-se a 2 Filhos de Francisco, dirigido por Breno Silveira. Isso em termos de qualidade, se é que se pode encontrar qualidade alguma nesses dois filmes.

Autor:Lourembergue Alves é professor universitário. Fonte: A Gazeta E-mail: lou.alves@uol.com.br

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>Lula assistirá “Filho do Brasil” dia 28.Será?

Posted on novembro 26, 2009. Filed under: Banco Central, cinema, CMN, IBGE, IPCA-15, Lula, o Filho do Brasi, TCU, Zelaya |

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Foto
PRESIDENTE LULA

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O presidente Lula vai assistir ao filme “Lula, o Filho do Brasil” no dia 28, quando a produção será exibida em São Bernardo, cidade onde iniciou sua carreira política e sindical. A primeira exibição pública do filme foi realizada no dia 17 de novembro e marcou a abertura do 42º Festival de Cinema de Brasília. Ao todo, o Palácio do Planalto reservou 740 das 1.320 cadeiras, e estiveram presentes ministros, ex-ministros e parlamentares da base aliada. Questionado se o ator Ruy Ricardo Dias seria mais bonito do que ele, o presidente respondeu: “É porque vocês não me conheceram quando eu tinha 30 anos”.

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BC divulga resultado do
setor público consolidado em outubro

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O Banco Central divulga nesta quinta (26) o resultado do setor público consolidado (governo federal, Estados, municípios e empresas estatais) em outubro. Em setembro, o setor registrou um déficit primário de R$ 5,763 bilhões. O maior déficit da série, iniciada em 1991, registrado em meses de setembro. No acumulado de 2009 até setembro, o esforço fiscal do setor público consolidado soma R$ 37,714 bilhões, o equivalente a 1,70% do PIB. Em igual período de 2008, antes do agravamento da crise financeira internacional, o primário somava R$ 109,472 bilhões, ou 5,11% do PIB.

IBGE divulga IPCA-15 de novembro

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga nesta quinta (26) o resultado da inflação medida pelo índice de Preços aos Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) em novembro. No mês passado, o IPCA-15 foi de 0,18%, ante a taxa de 0,19% em setembro. Com este resultado, até este mês, a inflação acumulada no ano é de 3,34% e, no período de 12 meses, de 4,14%. O IPCA-15 é apurado com base na variação dos preços entre a segunda quinzena do mês anterior e a primeira quinzena do mês corrente.

CMN realiza penúltima reunião de 2009

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O Conselho Monetário Nacional (CMN) realiza nesta quinta (26) a penúltima reunião de 2009. Na semana passada, o conselho decidiu que os bancos que realizam financiamento imobiliário só poderão conceder empréstimos para a compra da casa própria pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) , mesmo no programa Minha Casa, Minha Vida, com a oferta de dois seguros diferentes para o mutuário, que poderá escolher a opção mais barata. Na reunião desta quinta, o CMN deverá analisar as medidas em prol dos agricultores de café. O encontro está marcado para as 15 horas, no Ministério da Fazenda.

Afeganistão: EUA têm nova estratégia

Foto
PRES. BARACK OBAMA

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciará na próxima terça (1º) a nova estratégia do país para a guerra no Afeganistão. A expectativa é a de que Obama anuncie um aumento inicial no número de tropas americanas no país e uma retirada posterior. O assunto está em debate em Washington há dois meses, desde que o comandante dos EUA no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, disse que seriam necessários ao menos 40 mil soldados para evitar um fracasso da missão. Os altos comandantes militares apresentaram ao presidente planos alternativos que incluem a adição de entre 10 mil até 45 mil soldados.


Fotografia é história
Desconhecida famosa
Foto

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Você sabe quem é Rosemary Silva? Ela é a loirinha que, vinte anos atrás, ficou conhecida como a “Fogueteira do Morumbi”. Ganhou esse título depois da confusão que criou ao lançar de sua cadeira na arquibancada do estádio um rojão luminoso para comemorar a vitória da Seleção sobre o Chile nas eliminatórias para a Copa de 1990. O foguete atingiu o goleiro adversário – Rojas –, que caiu no chão. Deu o maior quiprocó no Brasil e mundo a fora.

Como foiMeses depois comprovou-se que o ferimento do atleta chileno tinha sido uma encenação. Ele foi punido. Ela inocentada, mas teve momentos de fama. Posou para a Playboy. Virou celebridade com direito a entrevistas para rádios, revistas, tevês e jornais. Separou-se. Mudou-se para Brasília. Casou-se novamente. Voltou para o Rio. Hoje vive discretamente. Tem uma pequena rede de lanchonetes ambulantes. Eu mesmo a fotografei para a Veja quando ela esteve em Brasília para participar de um evento esportivo. Orlando Brito.

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Dutra: PT vai vencer sem sapato alto

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JOSÉ EDUARDO DUTRA

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“O PT vai vencer as eleições presidenciais de 2010 sem sapato alto”. A afirmação foi feita nesta quarta (25) pelo ex-senador José Eduardo Dutra, matematicamente eleito para a presidência nacional do partido. Segundo ele, o partido tem agora uma proposta concreta de governo para apresentar aos eleitores, após quase oito anos de governo Lula. Dutra disse que o PT vai continuar as negociações para manter todos os partidos da base aliada do governo Lula juntos em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). O ex-senador venceu as eleições do partido embora a apuração não tenha ainda terminado. Na última parcial divulgada, Dutra tinha mais de 236 mil votos, o que representava 57,9% de todos os votos já apurados. O ex-senador só deve assumir o cargo oficialmente em fevereiro de 2010, durante o congresso nacional do partido.

MP de Honduras conclui caso Zelaya

Foto
MANUEL ZELAYA

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O Ministério Público de Honduras entregou nesta quarta (25) ao Congresso Nacional a sua opinião legal sobre a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya ao poder. O assessor jurídico do Ministério Público, Nick Atala, ressaltou que “é um relatório completo” de toda a atuação do Ministério Público em relação aos processos abertos contra Zelaya por crimes políticos e comuns. O Comissário Nacional dos Direitos Humanos, Ramón Custódio, e a Procuradoria Geral da República também já entregaram seus relatórios. O Parlamento decidirá sobre a restituição de Zelaya em cumprimento do acordo assinado pelas comissões do presidente deposto e do presidente interino, Roberto Micheletti, no último dia 30 com o objetivo de resolver a crise política causada pelo golpe de Estado de 28 de junho.

Movimento estudantil italiano
apoia extradição de Battisti

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O movimento estudantil italiano Ação Universitária e o partido conservador Liga Norte, aderiram nesta quarta (25) ao abaixo-assinado que pede a extradição do terrorista Cesare Battisti. O objetivo é pressionar o presidente brasileiro a acatar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que há uma semana votou pela extradição do italiano. O presidente da Ação Universitária, Giovanni Donzelli, pediu a Lula que “demonstre governar um país civil e democrático e dê continuidade à decisão da Suprema Corte”. Na visão dos senadores da Liga Norte, uma decisão rápida de Lula em favor da extradição de Battisti “é um ato de respeito em relação aos familiares das vítimas deste sanguinário pseudo-escritor terrorista e aos nossos honestos emigrantes no Brasil”. As informações são da Agência Ansa.

Associação critica proposta
que limita atuação do TCU

Foto
VICTOR FACCIONI

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O presidente da Associação Nacional dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, Victor Faccioni, criticou nesta quarta (25) o anteprojeto de mudanças na administração pública que impede o Tribunal de Contas da União (TCU) de atuar antes de algum fato ocorrer. Em discurso durante o Congresso Brasileiro de Controle Público, que acontece até sexta (27) em Salvador, Faccioni afirmou que a proposta preocupa porque limita os trabalhos do TCU, que possui obrigações constitucionais que não podem ser alteradas por lei ordinária ou complementar. Para ele, o Brasil não pode limitar seu sistema de auditoria porque “é direito de todo cidadão saber como está sendo gasto o seu dinheiro”.

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>Tarantino é nosso vingador

Posted on outubro 20, 2009. Filed under: Arnaldo Jabor, cinema, Hollywood, Super-Homem, Tarantino, vingador |

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  • Arnaldo Jabor

Finalmente um filme de cinema. Finalmente um filme que nos prende na cadeira, eletrizados, não por fogos de artifício, mas pelo roteiro, pela “suspensão da descrença”, como dizem os dramaturgos americanos, pela “paixão, emoção e ação” como sentenciou Samuel Fuller, um dos pais de Tarantino. Para mim, ele é o cineasta mais interessante do mundo. É corrosivo e contra o mal (exibindo-o) e vai muito alem dos filmes “engajados” que mostram que a justiça é injusta ou que a miséria é miserável.

Ali, na ponta da língua, no “bate-pronto”, no drible ao obvio e no uso do obvio, nos gols de placa da “mise-en-scene” é que Tarantino critica (se é que esta palavra antiga serve) o tempo atual: pela “forma”, pelo estilo.

Seu alvo é a estupidez do cinema hipócrita e careta, falsamente “correto”. Em “Kill Bill 2” ( o “Kill Bill 1” é uma porcaria, bem como os filmes que ele produziu para o oportunista mexicano Roberto Rodriguez) Tarantino põe na boca de David Carradine (que morreu se masturbando em Hong Kong, como numa cena de Tarantino) a sentença: “O Clark Kent é a idéia que o Super-Homem faz da humanidade”…

Tarantino não perde tempo em condenar mais nada. Sabe que não adianta. Ele filma dramas com a lente do cinismo, faz parodias sem finalidades didáticas, sem esperança de melhorar nada. Seu tema principal é a “vingança”. Desde “Cães de Aluguel”, ele trabalha com este “plot” primitivo e eterno. Desde os gregos, a vingança é o tema maior de tragédias e epopéias.

Em “Bastardos Inglórios” ele nos serve a “vingança” como um copo de fogo, um “drinque no inferno”, que aqui é bem mais ampla do que Uma Thurman querendo se vingar de Bill. Em “Bastardos” temos a vingança dos judeus humilhados, a vingança dos homens delicados contra os boçais e brutos, a vingança dos inteligentes contra os estúpidos que hoje dominam o mundo. Um planeta onde há ditadores como Chavez ( que a mula do Oliver Stone idolatra) ou como aquele rato do Irã, não há lugar para criticas em nome da “razão”, essa pobre mendiga francesa do Iluminismo. No entanto, ele nos vinga. Ele avacalha o que não pode resolver, como uma vez falou o “Bandido da Luz Vermelha”. Tarantino não se preocupa com realismo histórico, com regras narrativas “progressistas”; neste filme, ele tranca o Hitler, o Goering, o Borman e o Goebells, dentro de uma sala de cinema em Paris, (o poético ninho da esperança com que os diretores/autores sonharam nos anos 60) e muda o fim da Segunda Guerra. Sua violência é cômica.

Para Tarantino a realidade é sua cabeça de cinéfilo. Tarantino brilha e traz de volta às telas a grande tradição do melhor que o cinema americano já fez. Ele escreve bobagens, diálogos vazios , reações absurdas de personagens, citações de cinema (“Dirty Dozen” de Aldrich é uma das sementes de “Bastardos” ), e assim enfrenta o drama atual da arte: retratar o quê? Com que fim? Para o bem? Para a moral, para a política? Como fazer um cinema bondoso num mundo mau? Como construir esperança num mundo ridículo?

Para isso, transforma as personagens em “coisas”. Acaba com a “psicologia” naturalista e assume uma aparente “superficialidade”, que nos traz saudades de uma seriedade perdida.

O cinema comercial de Hollywood transforma a vida humana em “clichês” e Tarantino usa os “clichês” para falar da vida humana. Ele mostra que somos todos “clichês”.

Ao ser absolutamente desumano, cínico e violento, ele expõe a decadência da compaixão e do humanismo. Ao adotar o debochado cinismo diante de qualquer romantismo, ele nos lembra uma delicadeza que se perdeu. Ao usar uma linguagem solta e louca, ele nos dá uma “pala” de um cinema livre da mediocridade de Hollywood. Ao não dizer nada, ele diz tudo.

Alem das revistas de crimes, e dos gibis “noir”, a grande influência sobre Tarantino, (como a de Jarmusch, Hal Hartley, Van Sant) foi Jean-Luc Godard. Ali está a raiz de sua liberdade. É curioso que os talentos americanos comam do pão que Godard amassou nos anos 60.

Jean-Luc ficou no limbo do cinema há anos, transformado pela caretice internacional em caso “excêntrico”, em um dinossauro estruturalista. A liberdade que esse Picasso do cinema nos deu foi batizado de “chatura”, de “complicação”, um passado incômodo a ser esquecido para que o cinema careta voltasse a fluir. Assim, alem da publicidade e videoclips, Godard acabou diluído pelo baixo anarquismo de imitadores baratos tipo Leos Carax ou Luc Besson.

Mas, como o tempo não pára, Hollywood teve de dar comida para a fome contemporânea de mutações incessantes e passou a produzir filmes que são o simulacro de um tempo “descontrolado”. A “loucura do mundo” virou tema de grandes produções – nuvens de fumaça para disfarçar a estupidez do óbvio, como os “Matrix”, “Clube da Luta” e tantos outros. Esses filmes são delírios de imaginação, com fotografias extraordinárias, montagem frenética e sincopada, contraluzes infernais, tudo eficientíssimo, mas , por baixo do pano, não passam de abacaxis lineares. A falsa “novidade” desses filmes vem somente para deixar tudo exatamente como sempre foi.

Daí a importância de Tarantino. Ele rompe com o segredo mais bem-guardado do cinema americano: o realismo burguês. Hollywood aceita tudo: comédia, pastelão, menos a paródia; aceitam tudo, desde que dentro da moldura frouxa da “verossimilhança” americana.

Aí, Tarantino chega e polui a limpeza do “mainstream” com sua linguagem cínica e, ainda por cima, faz imenso sucesso comercial sua vingança.

Por trás da paródia de Tarantino não há o louvor de uma “outra realidade” melhor. Ela já esta condenada quando o filme começa.

Tarantino ri da superficialidade da violência e, assim, expõe em carne viva o problema maior do mundo atual: a violência da superficialidade. Fonte: A Gazeta

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