Cinquentinha

>Cinquentinhas. Décadas loucas! Mulheres incríveis!

Posted on dezembro 22, 2009. Filed under: A Grande Família, Angela Vieira, Betty Faria, Cinquentinha, Cinquentinhas, Dá Cá, Madonna, Marília Gabriela, Tina Turner, Toma Lá, Vera Fischer |

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Quando a gente tem 10, quer ter 18. Quando tem 20, quer parar por aí, mas não consegue. Nos 30, 40, 50, teme o 60, o 70, o 80… Mulheres independentes estão mudando isso, e de forma mais rápida que os homens, se falarmos em termos de idade. Décadas loucas! Mulheres incríveis!


Posso falar porque já cheguei. Tem um monte de gente que chegou também, mas não admite nem no pau-de-arara. Morro de rir ao encontrar algumas destas pessoas que conheço nas páginas daquelas revistas. Agora a nova moda é ter – repara só – 38 anos. Uma espécie de mentira branda – deve parecer – como se o número abrandasse a terrível curiosidade alheia (mais de 30, menos de 40). Se alguém faz as contas ficará pasmo de ver que a pessoinha teve filho com uns 11, 12 anos… Outro dia fiquei pensando nisso por causa da Leila Lopes. Teria ela se suicidado, mesmo se soubesse que iam escarafunchar as coisas dela e descobrir que tinha 50 anos?A coitada se mata, deixa carta mostrando agruras e amarguras e ainda descobrem que mentiu a vida toda. E isso vira manchete.


Qual o problema, gente? Mulheres incríveis como Madonna, Marília Gabriela, Tina Turner, Angela Vieira, Vera Fischer, Betty Faria, só para citar algumas, são tudo do bom e do melhor. Acabo de decretar, antes de todos, frise-se bem: esta década será a das mulheres, mas só das incríveis. Teve anos 50, anos 60, anos 70… Lembro que os 80 foram os anos da individualidade. Os 90, marcados pela tecnologia, pela virtualidade, inclusive na área plástica do photoshop. Daqui a um ano você vai ouvir sobre a década que começou no bug chabu e que espero que não acabe em rimas.


Quando a gente escreve, acontece de uma coisa levar a outras, do pensamento sair andando em muitas direções. O meu foi em busca do que eu própria pensava da vida, de como pensava que seria chegar a 2010, como seria, quando estivesse então com os 52 anos que completarei em junho. A gente sempre pensa em números redondos nessa hora. Onde estarei em 2020?


Recordo que a idéia me apavorava um pouco. Quando a gente é jovem vê 50 anos como fim de linha. Mas eu pensava se estaria bem, viva, e com a vida resolvida. Nunca pensei em filhos porque decidi não tê-los aos 18. Hoje ainda não entendo por que, no otimismo, a gente sempre acredita que não vai precisar trabalhar e pastar a vida inteira, a verdade (ou mentira) que aprendi logo, logo. O que faz até com que não tenha me decepcionado tanto assim. Na minha cabeça, a esta altura estaria viajando o mundo. E não é bem assim.


Frustro-me sim com o que, para mim, seria A Grande Liberdade que estaria desfrutando hoje. Meus amigos viraram pais, avós, e viajam para baixo e para cima. Outros e outras casaram, têm pensões, heranças, propriedade. Eu tô grudada aqui, igual ilha, terra de vontades, cercada de dívidas.


Mas me contento em ter conseguido pelo menos chegar até 2010 mantendo um prumo mínimo, de coerência de vida. As condições físicas não são as melhores e nem as medidas as mais enxutas, mas estou com a cabeça viva, pensante, querendo mais e mais de tudo, incluindo tudo nisso.


E aí vejo que já cheguei até muito mais longe do que sonhava, ainda menina. Tenho muito que contar desta vida de emoções, aventuras, amores, peripécias, cambalhotas e saltos. Mais de sete vidas. Tudo com gosto de quero mais. E experiências que, tenho certeza, ajudariam muita gente a ir em frente, e sem mentir a idade. Grandes amigos, grandes perdas, boas histórias assistidas. Grandes amores de homens e mulheres que ainda hoje mudam o mundo, pintando, bordando, musicando, escrevendo, fotografando, politicando.


Quando soube do mini-seriado de tevê Cinquentinha fiquei entusiasmada pensando que talvez o super e vivido Aguinaldo Silva conseguisse ao menos resvalar na essência das grandes histórias femininas. Ele até conseguiu, mas é apenas uma comédia. Uma comédia com tudo muito real e possível, mas uma comédia. Uma espécie de Sai de Baixo, Toma Lá, Dá Cá, A Grande Família dos Jardins ou da orla carioca. Veja só que maluco: a vida real das três atrizes principais é muito mais interessante do que a dos personagens que acabaram “caricaturizando”, essas nossas modernas e reais Chiquinhas da Silva, Maysas, Pagus.


Pena. Mas vou acreditar que ainda verei nas telas ou telinhas esse Sex and the City, As Anormais, As Filhas do Brasil. Mulheres bem reais, que estão aí por todo o lado, embora algumas hoje tentem se esconder. E esconder suas rugas e seus destinos.

Autora: Marli Gonçalves

Fonte: www.claudiohumberto.com.br

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>Cinquentinha num piscar de olhos

Posted on dezembro 20, 2009. Filed under: Ano Novo, Cinquentinha, Natal, olhos, pensamento, piscar, sexo frágil |

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Ano novo chegando, clima de Natal, nada melhor para se fazer um balanço da vida. Até parece ser uma obrigação, da mesma forma como achamos que esse é o tempo de refletir sobre o que ainda podemos realizar nos próximos 12 meses. Considerando tudo isso e no ritmo do seriado Cinquentinhas, me lembrei que no nobre ano de 2010 estarei completando os meus 50 anos. Não tenho problema com idade, mas o cinco ponto zero certamente me remeterá a muitos questionamentos.

Incrível chegar aos 50 anos. Há pouco tempo parecia tão longe. Quando a gente tem 10 quer logo alcançar os 15 e daí 18, 20. A partir dos 30, tenho a impressão que o calendário acelera e tome 40, 50, 60. Epa vamo parando!… A modernidade deu a mulher a independência financeira, mas sobrecarregou o antigo sexo frágil. Mas ainda assim – não é por nada não, tá! – nos dias atuais ter 50 anos não significa o mesmo que em décadas passadas.

As rugas cravadas no meu rosto fazem parte da minha história. Aliás, há bem pouco tempo que me dei conta do quanto estou envelhecida, não sei exatamente definir se de alma ou de corpo, ou quem sabe os dois de uma só vez. O que eu posso dizer às vésperas dos cinquentinha? Sobretudo que, mesmo diante de tantos percalços, viver intensamente é o único modismo que o ser humano não deveria deixar de lado. A visão de mundo da gente vai se alterando com o passar do tempo e, muito raramente, não muda para melhor.

Creio que posso falar sobre isso com certa tranquilidade e satisfação. Sim, fui feliz e quero ser mais ainda! A rebeldinha caçula do seo João e da dona Nair que militava escondido no movimento estudantil nas décadas de 70 e 80 virou jornalista aos 22 como sempre desejou. Casou como quis. Teve filhos. E trabalha desde os 15. Para os 50 anos, planejo ser bem moleca de novo. Afinal, uma pitada de rebeldia em plena maturidade deve ser um tempero interessante.

Desculpe aí, tá. Mas quando a gente escreve o pensamento vai fluindo livre e às vezes sai andando em variadas direções. O meu me fez voltar à infância. Aquela inocência toda e menor ideia do que significava o tempo e o calendário mudando com uma velocidade quase cibernética. Dos anos 60 para 2010. Meus Deus! A menina do velocípede azul – era assim que se chamavam as motocas – que se sentia livre ao dar uma escapadinha do olhar atento da mãe, à cinquentinha que, pelo menos em tese, pode ir onde desejar sem falar nada a ninguém. É… crescer, envelhecer tem essas coisas.

Brindo os meus cinquentinhas que serão consagrados em maio com todas as cinquentinhas espalhadas por aí, minhas colegas de década. E sugiro: gente, que tal o exercício do perdão, o exercício da sofreguidão, o exercício do simples exercício… Na verdade, gastamos muito a vida em divergências, no confronto, quando o legal é conseguir atingir um estágio de equilíbrio em que a sensatez prevaleça sobre tudo. Eu digo sinceramente que estou nessa busca. Muitas vezes, admito, dou um passo à frente e dois para trás. Este ano que se vai não foi lá essas coisas. Mas como a eternidade se encarrega de tudo, tenho esperança.


Autora: Margareth Botelho é jornalista em Cuiabá, diretora de Redação de A Gazeta
e-mail: margareth@gazetadigital.com.br – Fonte: A Gazeta

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