Congresso

>O que esperar dos deputados e senadores que assumem hoje?

Posted on fevereiro 1, 2011. Filed under: Congresso |

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Nesta terça-feira 513 deputados federais e 54 senadores eleitos em outubro de 2010 assumem seus postos no Congresso Nacional em Brasília. A cerimônia certamente será cercada por toda pompa e circunstância, mas, para o brasileiro comum, é principalmente a oportunidade de acompanhar, desde o início, o desempenho daquele que mereceu o seu voto de confiança nas últimas eleições.
Congresso Nacional
Os bastidores da Câmara Federal e do Senado são incompreensíveis para a maioria dos brasileiros. São muitos os acordos e divisões de cargos, responsabilidades e atribuições. Tudo depende de contas matemáticas sobre partidos, legendas e coligações para acomodar interesses e pontos de vista diversos. O fato é que, acima de tudo, os parlamentares façam por onde cumprir, com o exemplo do próprio trabalho, o juramento ao qual se submeterão na solenidade de posse e no qual prometerão “manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro e sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”.
Segundo especialistas, mais que uma simbologia, o juramento é um compromisso do parlamentar para ser cumprido ao longo do exercício do mandato e para nortear a sua conduta fazendo jus à confiança que nele foi depositada por milhares de eleitores. Muitos, infelizmente, se esquecem dele logo no início da caminhada. Deixam valores morais serem suplantados por interesses maiores e não hesitam em fazer acordos estranhos e parcerias inusitadas em nome de “novos ideais” que não raro atropelam a ética.
Se há muitos nomes novos que, a princípio, podem representar uma “renovação de ares” no Congresso Nacional, há também situações que se repetem de maneira desanimadora. No Senado José Sarney está prestes a assumir a presidência da casa pela quarta vez depois de ter saído ileso de uma série de denúncias de irregularidades em 2009. Salvo pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sarney hoje garante que todas estas questões foram corrigidas. Resta saber se, passado o período de turbulência, ele terá pulso firme o suficiente para tocar a tão prometida reforma administrativa, que anda a passos lentos.
O exemplo de Sarney pode ser bastante oportuno para que o eleitor abra os olhos e, apesar da descrença e desconfiança que sempre pairam sobre a classe política, se esforce em acompanhar de perto os trabalhos desta nova legislatura com atenção e interesse. Se necessário for, que encha a caixa de e-mail do seu candidato com dicas, sugestões, reclamações e cobranças.
O brasileiro ainda é muito tímido em cobrar do seu representante que cumpra o que foi prometido em campanha, que lute pelo seu Estado e, principalmente, que se paute pela ética, valor que ultimamente anda em falta, não apenas na política, mas principalmente nela. Supostas boas intenções não faltarão nas propostas legislativas. Ao eleitor cabe estar presente, como um patrão que cobra do seu empregado desempenho exemplar e produtividade máxima. O Brasil está precisando de uma boa dose de seriedade da classe política e, mais uma vez, cabe à população depositar a esperança neste novo mandato que se inicia, mas sem a condescendência de sempre com escândalos, corrupções, roubalheiras e afins. Editorial de A Gazeta
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>Congresso acerta votar aumento de 7,7% para aposentados

Posted on abril 15, 2010. Filed under: Aposentados, Congresso, votar |

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Sérgio Lima/Folha Imagem

  O presidente da Câmara, Michel Temer (esq.), conversa com o líder do governo na Casa, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP)

Oposição e base aliada desafiam Planalto e fecham acordo que prevê reajuste maior aos que ganham acima de um salário mínimo

Medida provisória enviada pelo Executivo estabelece aumento de 6,14%, mas governo cedeu e aceitou mudar o índice para 7%

  À revelia do governo, líderes da base aliada e da oposição no Congresso fecharam acordo ontem para conceder um aumento de 7,7% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo.

O impasse em torno do índice do reajuste já dura quase um mês. A medida provisória enviada pelo Executivo concedeu o aumento de 6,14%, mas, pressionado por partidos aliados e com medo de uma derrota ainda maior, o governo cedeu e aceitou mudar o índice para 7%, o que corresponde à inflação de 2009 mais dois terços da alta do PIB de 2008.
Os senadores não ficaram satisfeitos, propondo o índice de 7,7% e levando os deputados a também optarem pelo mesmo valor -correspondente à inflação do ano passado mais 80% do crescimento do PIB.

“Não podemos ficar com a imagem de que aqui [Câmara] é a maldade e lá [no Senado] é a bondade”, disse o líder do PMDB, Henrique Alves (RN).

Sabendo que tem grandes chances de ser derrotado, Cândido Vaccarezza (PT-SP), relator da proposta e líder do governo, manteve o seu relatório com o reajuste de 7%. “É tudo o que o presidente da República me autorizou a dar”, disse.

Ontem pela manhã, antes da reunião entre deputados e senadores que fechou o acordo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou que indicará ao presidente para vetar um reajuste acima de 6,14%.

À noite, após participar de um evento em São Paulo, o presidente Lula afirmou que só vai analisar a questão quando o projeto chegar à sua mesa.

“Vou esperar votar e tomarei uma decisão. Não posso dizer que vou manter ou não porque preciso saber as condições políticas em que foi votado e as da Previdência para suportar isso”, disse. “Não quero fazer injustiça com o aposentado, mas preciso levar em conta a disponibilidade do dinheiro”, disse o presidente.

Viabilidade
Mantega foi o terceiro ministro a apontar o patamar de 7,7% como inviável. Alexandre Padilha (Relações Institucionais) rejeitou aumentos acima de 7% e Paulo Bernardo (Planejamento) reiterou que o governo havia fechado acordo com as centrais para reajuste de 6,14%. Já o ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, disse que não seria possível garantir nem o reajuste de 7%.

Apesar das diversas afirmações do governo, congressistas disseram duvidar da possibilidade de o presidente Lula vetar o reajuste em ano eleitoral. Deputados e senadores também rejeitam a tese de deixar a MP vencer, para forçar o governo a editar uma nova, com um índice diferente.

A ideia, levantada pelo líder do PTB, Jovair Arantes (GO), seria deixar para votar o assunto depois das eleições. “Essa possibilidade não existe. Demos nossa palavra, na Câmara e no Senado, que vamos votar o reajuste de 7,7% o mais rápido possível”, disse o senador Paulo Paim (PT-RS).

Em todos os índices que estão sendo discutidos, o benefício seria retroativo a janeiro deste ano e 2011 ficaria desvinculado da discussão atual.

A MP começou a ser discutida ontem no plenário, mas sua votação deve ser concluída apenas no dia 27. Líderes da base disseram ainda ter esperança de convencer o governo a conceder o aumento maior. “Não queremos derrotar o nosso governo, ainda temos esperança”, disse Alves.

De acordo com eles, a diferença no impacto nos cofres da Previdência é de cerca de R$ 800 milhões. Com 7%, o impacto a mais seria de R$ 1,1 bilhão e com 7,7%, R$ 1,9 bilhão.

Fonte: Folha de S. Paulo

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>Intervenção, já

Posted on março 22, 2010. Filed under: Congresso, DEM, Distrito Federal, Intervenção, Ministério Público, TRE, Tribunal Superior Eleitoral |

> Ricardo Noblat

“Quem se empenha em fazer o sucessor (…) pensa em se tornar ele mesmo o sucessor de seu sucessor”. (Carlos Ayres Britto)


Bizarra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de cassar José Roberto Arruda, eleito governador do Distrito Federal pelo DEM e preso há quase 50 dias pela Polícia Federal, acusado de desvio de dinheiro público. Por quatro votos a três, o tribunal aceitou a tese do Ministério Público de que Arruda foi infiel ao DEM quando o abandonou.

No país onde Paulo Maluf tem livre trânsito, bate ponto no Congresso e confraterniza com o presidente da República embora seja procurado pela Interpol e possa ser preso em 181 países, louve-se o rigor do tratamento dispensado pela Justiça à Arruda. Tem sido exemplar. E educativo, espero.

Nunca um governador fora preso no exercício do cargo. Arruda foi porque tentou subornar uma testemunha do escândalo do mensalão do DEM. Nada a ver com o vídeo onde aparece recebendo dinheiro. Se não tivesse atrapalhado as investigações cumpriria seu mandato até o fim. A Justiça é lenta para condenar.

A defesa de Arruda impetrou hábeas corpus para soltá-lo logo. O pedido de liminar foi negado. Depois o Supremo Tribunal Federal examinou o mérito do hábeas corpus e o indeferiu por nove votos contra um. Como Arruda enfrenta problemas de saúde, a defesa pediu para que ele ficasse preso em um hospital. Pedido negado.

A decisão da Justiça Eleitoral de Brasília de cassar o mandato de Arruda por infidelidade partidária está alinhada com a severidade das decisões tomadas pelas instâncias superiores da Justiça – mas nem por isso está certa, segundo advogados, ex-ministros e até um ministro do Supremo consultados por mim.

Por que Arruda desligou-se do DEM? Porque a direção nacional do DEM exigiu que o fizesse. O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do partido, admitiu em entrevista à imprensa que Arruda seria expulso caso não se desfiliasse. E adiantou que ele fora informado a respeito em tempo hábil.

Arruda obedeceu ao DEM até quando o largou. O Ministério Público, no entanto, desprezou os fatos, preferiu entender que ele fora infiel e pediu seu mandato de volta. De volta para quem, cara pálida? De volta só pode ser para o DEM, que nada havia pedido à Justiça porque sabe muito bem como agiu.

Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral diz que o mandato pertence ao partido e não a quem o exerce. Um político só pode preservar o mandato depois de se afastar do partido pelo qual se elegeu se provar que foi vítima de perseguição. Ou que o partido mudou de ideologia. Arruda foi ou não perseguido? Foi. E por razões de sobra.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal está pronta para eleger um governador-tampão daqui a pouco mais de 20 dias. Ele deverá completar o mandato de Arruda que termina em 31 de dezembro próximo. Se Arruda foi infiel e se o mandato é do DEM, a Câmara só poderá eleger algum filiado do DEM. Não parece lógico e elementar?

Mas vem cá: essa Câmara não é aquela contaminada pelo pagamento de propina a deputados? Aquela cujo presidente escondeu dinheiro dentro das meias? São 24 deputados. O Ministério Público acusou de corrupção 26 parlamentares, entre titulares e suplentes. E pediu à Justiça que os impedisse de votar o impeachment de Arruda.

Como imaginar que uma Câmara podre será capaz de produzir algo sadio? A pressa dos deputados para escolher o sucessor de Arruda decorre do medo de que a Justiça acate o pedido de intervenção federal em Brasília formulado pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel. A intervenção alcançaria também a Câmara.

Gurgel acumula provas para convencer o Supremo de que a intervenção é a única saída possível diante da metástase dos poderes Executivo e Legislativo do Distrito Federal. Os ministros do Supremo estão divididos a respeito do assunto. Lula é contra a intervenção. Seu ministro da Justiça é a favor.

Jamais houve intervenção em qualquer Estado. Mas jamais um caso de corrupção em larga escala foi tão bem documentado.

E-mail para esta coluna: noblat@oglobo.com.br BLOG DO NOBLAT: http://www.oglobo.com.br/noblat

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>Lista de compra do Senado: 5 toneladas de carne, frango, frutos do mar e linguiça

Posted on janeiro 8, 2010. Filed under: Congresso, José Sarney, Lago Sul, residência oficial, Senado |

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O Senado prevê neste ano a compra de 5 toneladas de carne, frango, frutos do mar e linguiça para o consumo da residência oficial da presidência da Casa, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Nessa cesta, entram 360 quilos de filé mignon, 540 de picanha e 240 de camarão. Os cinco mil quilos são suficientes para um churrasco com 12,5 mil pessoas. Detalhe: o presidente José Sarney (PMDB-AP) não mora na casa. Ele vive em sua residência particular, na mesma região.

No dia 17 de dezembro, o Senado fez uma licitação para selecionar as empresas que fornecerão alimentos e materiais de limpeza para a residência oficial. O elevado quantitativo será comprado durante esse ano eleitoral em que, no segundo semestre, o Congresso fica praticamente vazio. A Casa escolheu as empresas que ofereceram os melhores preços. A concorrência foi feita em cima da estimativa do consumo para 2010, segundo e último ano de Sarney como presidente.


Como ele não mora nela, essa compra será feita, segundo o próprio edital, para “realização de reuniões, almoços e jantares para convidados da Presidência”. Na relação de alimentos estão, entre outras coisas, 360 quilos de pão francês – o que dá uma média de um quilo por dia, além de 120 quilos de “linguiça para churrasco”, 480 de frango, e 120 quilos de bisteca. Fonte: A Gazeta

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>Vingança ou maluquice?

Posted on janeiro 5, 2010. Filed under: anistia, China, Congresso, Cuba, Geisel, Golbery, militares, União Soviética |

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Os militares não queriam o poder. Pressionados pelas ruas, pelos meios de informação, derrubaram Goulart e acabaram ficando 30 anos. Quando derrubaram o presidente, já havia grupos treinados em Cuba, na China e União Soviética para começar por aqui uma revolução socialista. Com a contra-revolução liderada pelos militares, esses grupos se reorganizaram para a resistência armada. E o governo se organizou para combatê-los. Houve uma guerra interna de que os brasileiros, em geral, não tomaram conhecimento porque enquanto durou, quase 20 anos, houve um total de 500 mortos – número que o trâsito, hoje, ultrapassa em menos de uma semana.

Numa estratégia elaborada pela dupla Geisel-Golbery, planejou-se então devolver o poder aos civis de forma “lenta, gradual e segura”. E, como coroamento do processo, o governo fez aprovar no Congresso, em 1979, a Lei da Anistia, bem mais abrangente que a defendida pela oposição. Uma lei que pacificasse o país, no novo tempo de democracia que se iniciava. Uma anistia “ampla, geral e irrestrita”. Que institucionalizasse o esquecimento, a pá-de-cal, pelos crimes cometidos por ambos os contendores, na suja guerra interna. Incluíam-se os que mataram, assaltaram, jogaram bombas, roubaram – de um lado – e os que mataram e tor turaram do outro. A Nação inteira respirou aliviada quando o Congresso aprovou o projeto do governo e os banidos e asilados começaram a voltar, entre eles o mais famoso de todos, Fernando Gabeira, que havia sequestrado, junto com Franklin Martins, o embaixador americano.


E o país viveu em paz por 30 anos, elegendo presidentes, descobrindo escândalos de corrupção, ganhando copas do mundo. Até que a dupla Tarso Genro, ministro da Justiça, e seu secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, resolvem desenterrar o passado para se vingar de supostos algozes de seus companheiros de esquerda revolucionária. Criaram um órgão para isso. Puseram tudo num decreto, e passaram para o Gabinete Civil, da Ministra Dilma. De lá, o calhamaço foi para a assinatura do presidente Lula, envolvido, na Dinamarca, com a empulhação do “aquecimento global”. Lula alega que assinou sem ver. E eu fico curioso por saber se a assinatura tem valor, porque aqui no Brasil havia um presidente em exercício, José Alencar.


O ministro Nélson Jobim, surpreendido com a unilateralidade do decreto, pediu demissão. E os três comandantes militares se solidarizaram com o ministro. Até que se revolva o impasse, está no ar a primeira crise militar do governo Lula. O decreto cria um órgão para estudar a revogação da pacificadora Lei de Anistia. Orienta a punição dos torturadores mas não dos sequestradores, assassinos e terroristas. Preserva, assim, soldados da guerra revolucionária como os ministros Dilma, Franklin e Minc. E vai atrás de coronéis da reserva. Baseia-se na Constituição, que considera tortura crime imprescritível; omite que terrorismo também é imprescritível, pela Constituição. E esquece o princípio de Direito pelo qual a lei só retroage para beneficiar o réu, não para condená-lo. A Lei de Anistia é de 1979 e a Constituição de 1988. Por que agitar um país pacificado? Vingança ou maluquice mesmo?

Autor: Alexandre Garcia é jornalista em Brasília. E-mail alexgar@terra.com.br – Fonte: A Gazeta


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>Vou ter saudades de tudo

Posted on dezembro 16, 2009. Filed under: Arnaldo Jabor, Congresso, escândalos, galáxia, jogo do Brasil, Nabokov, Nelson Rodrigues, Orgasmo, saudade, Tijuca |

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Eu andava pela rua S.Francisco Xavier. Eram os anos 30. Tudo em preto e branco, como num filme mudo. Nas calçadas, passavam homens de chapéu, mulheres de luvas e saias compridas. Nas ruas, carros “ford-bigode buzinavam. Eu ia em direção a casa de minha avó, lá na Tijuca.

Toquei a sineta da porta e ela surgiu, no alto da escada de pedra. Cabeça toda branca, minha avó desceu até o portão: “Que o senhor deseja?” -perguntou, sorrindo, mas desconfiada.


“Bem, d. Lucilia, é o seguinte: a senhora não me conhece, mas eu sou seu neto. Só que eu ainda não nasci, mas resolvi passar por aqui e pedir sua benção…” Minha avó me olhou com medo, a sineta disparou a tocar sozinha como um alarme, e eu acordei, sentindo uma infinita saudade dessa época em que eu não existia.


Acho que foi um típico sonho de fim de ano, que é festejado para esquecermos o tempo. A solidariedade natalina, as castanhas e panetones, os brindes felizes, tudo serve para banir a morte de nossas cabeças. “Como morrer num dia assim, com um sol assim?” – cantou Olavo Bilac.


Uma vez, li um texto do Nabokov, em que ele conta que vira umas fotografias de família, tiradas antes de seu nascimento. Sentiu-se, numa pré-morte, abandonado antes de viver, traído por seus parentes, rindo, felizes sem ele. É impossível entender a não existência. Daí o terror como pensar o impensável? Não adianta: tudo que se disser sobre a morte é lugar-comum – inclusive este.


Li um texto incrível do Martis Amis sobre os últimos momentos do Muhamad Atta, o comandante do ataque as torres do WTC, no 11 de setembro. Ele afirma que Atta não era religioso, nem político, nem revolucionário. Não acreditava em Alá; apenas queria conhecer o inominável, o segundo em que a vida acaba contra a muralha, aquele centímetro entre o ser e o nada.


O grande terror é sabermos que, mortos, ficaremos desatualizados logo, logo. As notícias vão rolar e eu de nada saberei. Como ficar por fora das artes, da política, até dos escândalos do Congresso? Haverá crises mundiais, filmes que estréiam, musicas lindas, e eu lá embaixo, sem saber das novidades? Quem ganhou a Copa? É insuportável a desinformação dos falecidos. Nelson Rodrigues dizia que em jogo do Brasil , até os esqueletos ouvem os lances num radinho de pilha, no fundo da cova. Não estar é terrível.


Meu avô disse uma vez: “Acho triste morrer, seu Arnaldinho, porque nunca mais vou ver a Av. Rio Branco…” Isso me emocionou, pois ele ia diariamente ao centro da cidade, onde tomava um refresco de coco na Casa Simpatia, passava na Colombo, comprava goiabada “cascão”, queijo de Minas e voltava para casa, de terno branco e sapato bicolor.


Há um menu de mortes, vividas de mil maneiras, ou melhor, não se vive a morte, óbvio, pois estamos no furo da tragédia, no olho do fim. A morte não entra em cena; no “Ivan Iliitch” do Tolstoi, quando ela chega, acaba o conto. Só assim se pode falar da morte: pela ausência. A morte não está nem aí para nós; ela tem “vida própria”.


A morte ignora nossos méritos, nossas obras. Ela é uma simples mutação da matéria que se cansa de resistir à vida. Freud: “a vida é o conjunto de forças que resiste à pulsão de morte”. A matéria quer sossego. Às vezes, quando tenho vontade de morrer, imagino, por exemplo, o mar da Bahia: vou deixar esse céu azul colado no grande oceano que bate em pedras negras com o sol afogado no horizonte? Vou sair daqui para ir aonde? Ao encontro de Deus? Mas, já estamos na eternidade, o universo é a eternidade. Não é que Deus esteja em tudo; tudo é Deus, como o grande gênio Espinosa sacou. Viver é ver Deus, ali, na galáxia e no orgasmo, no buraco negro e no coração batendo tudo a mesma coisa. Perdemos a paz dos pássaros e macacos, mas esse exílio nos deu a maravilhosa anomalia da linguagem. Vemos o universo de fora, estando dentro. Parafraseando Cézanne, “somos a consciência do universo que se pensa em nós”.


Desculpem o papo “cabeça”, mas final de ano me faz “filosófico”…


Por isso, quando penso que não irei ao meu enterro, tremo de pena de mim mesmo. Vou ter saudades de tudo. Acho triste a Lagoa azul e roxa no fim da tarde do Rio e eu sem ver nada. O jazz tocando num piano bar e eu ausente. Não terei saudades de grandes amores, nem do mundo de hoje, excessivo e incessante. Não. Debaixo da terra, terei saudades apenas de irrelevâncias: algumas tardes nubladas de domingo , quando o ar fica parado, com urubus dormindo na perna do vento, terei saudades do cafezinho, de beiras de botequins, do uisquinho ao cair da tarde em Ipanema – minha morte é carioca. Não terei saudades deste mundo febril; só de quietudes. Terei saudades de alguns raros instantes sem medo ou culpa, de momentos de felicidade sem motivo ao ouvir, digamos, “Sophisticated Lady”, no sax de Ben Webster e Billy Holliday, Erik Satie, João Gilberto, Matisse, Rimbaud, João Cabral, “Cantando na Chuva”, terei saudades de Fred Astaire dançando “Begin the Beguine” com Eleanor Powell felizes por toda a eternidade.


Nada de grandes prazeres globais, só calmarias: o silencio entre amigos na paz de um bar, papos de cinéfilos, risos e camaradagem de subúrbio, Lapa, o samba com o clima de amor que nos envolve nas rodas pobres, Noel Rosa, pernas cruzadas de mulheres lindas e inatingíveis, terrenos baldios, Paris (claro), o tremor de medo e desejo da mulher na hora do amor, a timidez, a delicadeza, a compaixão, a súbita alegria de uma vitória, o prazer da arte, Fellini, Chaplin, Shakespeare e Tintoretto em Veneza para sempre, terei saudades do Desejo e, claro, do meu Brasil.


Há mortes súbitas e lentas. Você, frágil leitor, qual delas prefere? O rápido apagar do “abajur lilás” num ataque cardíaco ou o lento esvair da vida, sumindo com morfina? Eu queria morrer como o velho Zorba, o grego, em pé, na janela, olhando a paisagem iluminada. E, como ele, dando um berro de despedida. Mas, não tenho sua grandeza épica.

Autor: Arnaldo Jabor – Fonte: A Gazeta


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>A perereca paralisa o Rio de Janeiro

Posted on setembro 28, 2009. Filed under: Amazônia, Câmara, Congresso, paralisa, perereca, Rio de Janeiro, Senado |

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Por Carlos Chagas

Deve ser preso, não mais como doido, mas como criminoso, todo aquele que se insurgir contra medidas destinadas a defender o meio ambiente. Sustentar a queima indiscriminada da Amazônia, por exemplo. Ou a transformação de florestas em pastos para produzir capim para as vacas comerem. A poluição dos rios com mercúrio e com esgotos sem tratamento. O uso abusivo do carvão e até a ampliação das frotas automotivas movidas a derivados do petróleo. Se quiserem, mesmo a distribuição de saquinhos de plástico nos supermercados, para transportar compras.


Tudo, no entanto, tem limite. A ecologia não pode atropelar o bom senso. Muito menos o desenvolvimento e a conquista de melhores condições de vida para o ser humano.


No fim de semana que passou fomos surpreendidos com a notícia da interrupção das obras de construção do Arco Rodoviário do Rio, em 77 quilômetros de pistas de circulação de veículos até o porto de Itaguaí, solução capaz de duplicar sua capacidade de exportação. Obras incluídas no PAC, já em andamento, no valor de um bilhão de reais.


O motivo? O perigo de perturbação da reprodução de uma espécie rara de perereca de dois centímetros, única no mundo, que se reproduz no trecho da floresta por onde passaria a nova rodovia. A physalaemus soaresi levou o ministério do Meio Ambiente, através do Instituto Chico Mendes, a revogar a licença ambiental para a obra prevista para conclusão em fevereiro. Já não vai mais, paralisados que estão tratores, escavadeiras e caminhões empenhados em implantar o Arco Rodoviário fluminense.


Convenhamos, parece piada. Será que as pererecas estabelecidas no meio do caminho não encontrariam condições para adaptar-se a viver alguns metros à direita ou à esquerda das pistas, onde o pântano, a vegetação e a floresta estarão conservados?


Os exageros ecológicos parece não terem limite, movidos pela ingenuidade de uns e a malandragem de outros. Porque tem gente interessada em impedir o crescimento do porto de Itaguaí. Os mesmos que pretendem manter a Amazônia como um imenso jardim botânico posto à margem da civilização. Aqueles que ainda no governo Fernando Henrique interromperam as obras de implantação da hidrovia Cáceres-Bacia do Prata, essencial ao escoamento da soja e demais produtos do Centro-Oeste a custos muito menores do que exporta-los por rodovia até Santos e Paranaguá. A razão? O mal-estar que causaria ao peixinho dourado de um igarapé perdido entre as barrancas do rio Paraná. O que dizer da proibição do asfaltamento da estrada Manaus-Porto Velho? Dos empecilhos às hidrelétricas de Mato Grosso e Amazonas? E tantas barbaridades ambientais a mais, que nada tem a ver com o aquecimento global.


Com todo o respeito, a perereca tem gerado incontáveis conflitos na história da Humanidade, desde a guerra de Tróia. Mas que viesse a prejudicar o desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro, só mesmo com a colaboração do governador Sérgio Cabral.

O FANTASMA DO VELHO

Revelou o senador Pedro Simon, dias atrás, que alta madrugada, em certas praias isoladas do litoral de São Paulo, os pescadores costumam ver passar um vulto alto, careca e descalço, acenando para eles. Não duvidam ser o dr. Ulysses, até hoje perdido no mar.


O senador pelo Rio Grande do Sul prevê mudanças na visão dos pescadores. Logo o vulto, em vez de acenar amigavelmente, mostrará um chicote numa das mãos, anunciando utilizá-lo em breve. Onde? Na direção nacional do PMDB, expulsando de lá os vendilhões do partido.


Simon não se conforma com o fato de o PMDB não lançar candidato próprio à presidência da República e, mais ainda, de estar em andamento a operação para fazer de Michel Temer candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff. Para ele, não demora muito para o presidente licenciado do partido defrontar-se com o dr. Ulysses, prestes a trocar por um momento o litoral paulista pela capital federal…

FUROU O SACO DE MALDADES

Política é a arte de esconder o pensamento, já escreveu alguém. Mesmo assim, parece difícil aceitar como falsa e enganosa a afirmação da imensa maioria das bancadas governistas na Câmara e no Senado, de que novos impostos não serão aprovados no Congresso. A gente sempre desconfia de que nomeações, benesses, liberação de verbas e sucedâneos podem mudar férreas opiniões, mas às vésperas das eleições gerais do ano que vem, parece impossível acreditar na aprovação do novo imposto sobre o cheque e na taxação das cadernetas de poupança pelo imposto de renda. Seria um desatino, em especial quando o governo não se cansa de apregoar havermos saído da crise, estando o Brasil em excepcional patamar de desenvolvimento social e econômico.


A criação desses novos impostos, anunciados pela equipe econômica, contraria de alto a baixo a propaganda oficial. Arrisca o sucesso das próximas etapas do governo Lula, a começar pela tentativa de eleição de Dilma Rousseff. Não haverá um candidato sequer, entre os demais, que não venha a servir esse prato indigesto em sua campanha.


Pelo jeito, o saco de maldades de Mantega, Meirelles e companhia está furado. Mas garantir, ninguém garante…

QUASE IMBATÍVEL

Gerou preocupação no PT e no PMDB o rescaldo da reunião do fim de semana entre José Serra e Aécio Neves, em Natal, Rio Grande do Norte. Porque os dois candidatos tucanos, mesmo negando de pés juntos, estão mais próximos do que nunca da formação de uma chapa única no PSDB para disputar a sucessão do ano que vem. O DEM já deu sinal de que não se oporá, mesmo abrindo mão da tradicional compensação de indicar o candidato a vice.


Minas tem hoje 22 milhões de eleitores. De barato, 20 milhões estão com Aécio e não abrem,mesmo se o governador vier a ser o companheiro de chapa de Serra. De São Paulo, o governador não sairá com menos de 15 milhões de votos. Basta projetar esse volume para se ter a noção de que a dobradinha, salvo engano, deixa bem para trás a concorrência.


É cedo para conclusões, mas de cada líder de partido que recebe a hipótese ouve-se a mesma resposta: “uma chapa quase imbatível…”

Fonte: Claudiohumberto

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