democracia

>Droga de campanha

Posted on setembro 27, 2010. Filed under: campanha, debate, democracia, Dilma, droga, eleições 2010, Futuro, Lula, Marina, Meio Ambiente, Ricardo Noblat, Serra |

>Por Ricardo Noblat

“A democracia é exatamente isto: cada um fala o que quer, escreve o que quer, e o povo faz o grande julgamento”. (Lula)

Eleições 2010 – Droga de campanha, esta. Fora do controle do seu marqueteiro, Dilma revelou-se incapaz de dissertar sobre qualquer coisa com começo, meio e fim. A racionalidade excessiva de Serra embotou todo tipo de emoção que ele pudesse transmitir. Marina arrancou lágrimas de empresários em pequenas auditórios, mas saiu-se mal nos debates de televisão.

Alguém sabe citar de cor as principais promessas feitas pelos candidatos? Lembro das seis mil creches e das não sei quantas Unidades de Pronto Atendimento de Dilma; do salário mínimo de R$ 600,00 e do reajuste dos aposentados de Serra; e do “governar com os melhores” de Marina. Em suma: promessas pontuais ou genéricas.

Um projeto para o país? Algo ambicioso, mas necessário para quem se preocupa com o futuro? Os candidatos ficaram devendo. Ou porque não têm projeto. Ou porque acham que projeto não atrai votos. Dilma fala em dar continuidade ao governo Lula. Serra diz que o Brasil pode mais. Marina atesta: é possível crescer respeitando o meio ambiente.

Dilma mimetizou Lula de tal maneira que usou em várias ocasiões expressões que são dele. Deu com o rosto na porta quem imaginou que o governo de Lula foi de Lula. Não foi. Foi de Lula e de Dilma, a se acreditar na propaganda bem cuidada da candidata. Os dois governaram juntos o país nos últimos sete anos e poucos meses.
Serra mimetizou Serra de tal forma que deu a impressão de estar de volta a 2002 quando era ministro da Saúde. Ou quando era candidato a presidente da República recém-saído do Ministério da Saúde. Marina não mimetizou ninguém. Apenas pareceu esquecida de que trocou o PT por outro partido. Perderá feio no Acre porque lá ela ainda é PT.
E o confronto de idéias entre os candidatos? Não houve. Dilma fugiu da maioria dos debates. E as regras dos debates impediram o confronto tão desejável. Votará em Dilma quem gostaria de votar em Lula e não se incomoda em lhe passar um cheque em branco. Em Serra, quem não vota em Lula e no PT de jeito nenhum. E em Marina, os sonhadores.
Na ausência de idéias e de debates, as pesquisas de intenção de voto pautaram o comportamento dos candidatos, ocuparam generoso espaço na mídia e serviram para animar discussões exacerbadas na internet. Os responsáveis pelos institutos de pesquisas ganharam uma importância que não tiveram em eleições anteriores.
Montenegro, do Ibope, previu a eleição de Serra com mais de um ano de antecedência. Foi obrigado mais recentemente a pedir desculpas pelo seu erro. O sempre discreto Marcos Coimbra, do Vox Populi, escreveu artigos semanais para jornais, revistas e blogs explicando por que Dilma deverá se eleger no primeiro turno.
É, de fato, o que por ora está escrito nas estrelas – a eleição de Dilma no próximo domingo. José Roberto Toledo, analista de pesquisas do jornal O Estado de S. Paulo, observa que o contingente de eleitores indecisos está perto de se esgotar como fator de crescimento dos candidatos Serra e Marina.
Para que haja segundo turno, a estarem certas as pesquisas, é preciso que Serra e Marina tomem eleitores de Dilma. Não será uma tarefa fácil, adverte Toledo. Dilma tem algo como 10 milhões de votos a mais do que Serra e Marina somados. Do último sábado até o dia da eleição, Serra e Marina teriam de subtrair de Dilma 625 mil votos por dia.
Só um fato devastador para a reputação de Lula poderia provocar uma migração de votos tão grande e tão rápida. Mesmo assim, o PT receia a convergência de causas mais prosaicas – entre elas, uma abstenção elevada no Norte e Nordeste e a regra que só permite o voto dos que exibam o título de eleitor e outro documento de identificação.
É razoável a aflição do PT. Faltam apenas seis dias para que Lula consiga por meio de Dilma o que não foi possível em 2002 e 2006 – a eleição no primeiro turno. Em seis dias tudo pode acontecer – inclusive nada. O mais provável é que nada aconteça.

E-mail para esta coluna: noblat@oglobo.com.br BLOG DO NOBLAT: http://www.oglobo.com.br/noblat
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>Em editorial, o Jornal Estadão formaliza ‘apoio’ a José Serra

Posted on setembro 26, 2010. Filed under: apoio, democracia, Dilma Rousseff, EDITORIAL, Estado de S.Paulo, jornal, Jornal Estadão, José Serra, Lula |

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O jornal ‘Estado de S.Paulo’ formalizou em editorial seu apoio à candidatura presidencial de José Serra (PSDB).
“O mal a evitar”, eis o título da peça. A certa altura, anota: “O Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República”. Por que Serra?
“[…] Não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do país ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos…”
“…O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País”.
Noutro trecho, o editorial anota: “O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer…”
“…O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção”.
O editorial dedica a Lula críticas azedas. Já nas primeiras linhas, faz referência a declarações recentes do patrono da candidatura de Dilma Rousseff:   
“A acusação do presidente da República de que a imprensa ‘se comporta como um partido político’ é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado…”
“…Tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside…”
“…[…] Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre ‘se comportar como um partido político’ e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país”.
O Estadão chama Lula de “dono do PT”. Acusa-o de “investir pesado na empulhação de que a imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários”.
Para o jornal, é Lula “quem age em função de interesse partidário”, não a imprensa. É ele “quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder”.
Sem citar o nome de Dilma, o texto reponsabiliza Lula “pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial”. Anota que, “se eleita”, a pupila do presidente vai “segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada”.
O texto sustenta que, para se manter no poder, “Lula e seu entorno” recorrem a um “vale tudo” que inclui: “alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso”.
De resto, o editorial anota que Lula “despreza a liturgia” do cargo e “se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação”. Com isso, “hipnotiza os brasileiros”.
Conclui: “Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: ‘Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?’ Este é o mal a evitar”.

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>Democracia em perigo

Posted on setembro 2, 2010. Filed under: campanha, Correios, democracia, Dilma Rousseff, perigo, presidência da república, PSDB, Receita Federal |

>deu em o globo
De Merval Pereira

A face mais dura do aparelhamento do Estado brasileiro por forças políticas está sendo revelada nesse episódio da quebra do sigilo fiscal da filha do candidato do PSDB à Presidência da República. Em um país sério, o secretário da Receita já teria se demitido, envergonhado, ou estaria demitido pelo seu chefe, o ministro da Fazenda Guido Mantega. E alguém acabaria na cadeia.
Ao contrário, o secretário Otacílio Cartaxo tentou até onde pôde minimizar a situação, preferindo despolitizar o caso e desmoralizar sua repartição.
Ao mesmo tempo surgem de vários lados do governo tentativas de contornar o problema, ora atribuindo à própria vítima a culpa da quebra de seu sigilo fiscal, ora sugerindo que uma disputa política dentro do próprio PSDB poderia ter gerado a quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra.
Uma análise muito encontradiça entre os políticos governistas é de que as denúncias, tendo aparecido em período eleitoral, perdem muito de sua credibilidade e de seu poder de influenciar o voto do eleitor, ficam com sabor “eleitoreiro”.
Como se essa fosse a questão central. Pensamentos e atos de quem não tem espírito público.
O aparelhamento político da máquina pública não ocasiona apenas a ineficiência dos serviços, o que fica patente em casos como o dos Correios, outrora uma empresa exemplar e que se transformou em um cabide de empregos que gera mais escândalos de corrupção do que seria possível supor.
Dessa vez a revelação de que a Receita Federal transformou-se em um balcão de negócios onde o sigilo fiscal dos cidadãos brasileiros está à venda, seja por motivos meramente pecuniários, seja por razões políticas, coloca em xeque uma instituição que, até bem pouco tempo, era respeitada por sua eficiência e pelo absoluto respeito aos direitos dos cidadãos.
O episódio da quebra do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB Eduardo Jorge Caldas Pereira, de três pessoas ligadas de alguma maneira ao partido ou ao candidato oposicionista e, mais grave, da sua filha, mostra que diversas agências da Receita Federal são utilizadas para práticas criminosas, não apenas a de Mauá, que se transformou em um local onde se compra e se vende o sigilo de qualquer um.
O sigilo de Verônica Serra foi quebrado na agência de Santo André, numa demonstração de que se vulgarizou a privacidade dos contribuintes brasileiros.
Não terá sido coincidência que, além de Verônica, os nomes ligados ao PSDB que tiveram seu sigilo fiscal quebrado — Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado — sejam personagens de um suposto livro que o jornalista Amaury Ribeiro Junior estaria escrevendo com denúncias sobre o processo de privatizações ocorrido no país durante o governo de Fernando Henrique.
O jornalista fazia parte do grupo de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, subordinado a Luiz Lanzetta, e os dois tiveram encontro com um notório araponga tentando contratá-lo para serviços de espionagem que incluíam grampear o próprio candidato tucano à Presidência.
Além da denúncia do araponga, delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo de Souza, feita no Congresso, outro ator do submundo petista surgiu nos últimos dias denunciando manobras criminosas nas campanhas eleitorais.
Wagner Cinchetto, conhecido sindicalista, afirmou ao “Estado de S. Paulo” e à revista “Veja” que o núcleo envolvido com a violação de sigilo fiscal de tucanos na ação da Receita é uma extensão do grupo de inteligência criado em 2002 por lideranças do PT.
Ele diz ter certeza de que os mesmos personagens atuam nos dois episódios. Revelou que o escândalo que levou ao fim a candidatura de Roseana Sarney em 2002 foi montado por esse grupo petista para incriminar o então candidato tucano à Presidência, José Serra, que foi considerado responsável pela denúncia pela família Sarney.
Até mesmo um fax teria sido enviado ao Palácio do Planalto para dar a impressão de que a Polícia Federal havia trabalhado sob a orientação do governo de Fernando Henrique.
No caso atual, os diversos órgãos do governo envolvidos na apuração — Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Fazenda — tiveram atuação leniente, e foram os jornais que descobriram rapidamente que a procuração era completamente falsa, desde a assinatura de Verônica Serra até o carimbo do Cartório do 16 Tabelião de Notas de São Paulo, onde aliás Verônica nunca teve firma.
Não basta a Receita dizer que por causa de uma procuração está tudo legal. Não faz sentido que qualquer pessoa que apareça em qualquer agência da Receita Federal com uma procuração possa ter acesso a dados sigilosos.
Aliás, o pedido em si não faz o menor sentido. Então o contribuinte que declara seu imposto de renda não tem uma cópia?
Agora, que quase todo mundo declara pela internet, como não ter uma gravação da declaração?
A funcionária da Receita que achou normal a apresentação da procuração deveria ter desconfiado de alguma coisa, pelo menos do fato de uma pessoa que declara seu imposto de renda na capital de São Paulo mandar um procurador a uma agência de Santo André para ter acesso a uma cópia.
O contador Antônio Carlos Atella Ferreira admitiu que foi ele quem retirou cópias das declarações de IR de Verônica Serra na agência da Receita Federal em Santo André, mas alega que fez isso por encomenda de uma pessoa que “queria prejudicar Serra”.
Mais uma história mal contada. E tudo leva ao que aconteceu em 2006, quando um grupo de petistas ligados diretamente à campanha de Aloizio Mercadante e à direção nacional do PT foi preso em flagrante tentando comprar um dossiê, com uma montanha de dinheiro vivo, contra Serra, candidato ao governo de São Paulo, e Alckmin, o candidato tucano à Presidência.
O presidente chamou-os de “aloprados”, indignado nem tanto com o episódio em si, mas com a burrice de seus correligionários que acabaram impedindo que ganhasse a eleição no primeiro turno.
Hoje o caso é mais grave, pois envolve um órgão do Estado que deveria proteger o sigilo de seus cidadãos.
O que menos importa é se a repercussão do caso influenciará o resultado da eleição. O grave é a ameaça ao estado de direito embutida nesse uso da máquina pública para chantagem eleitoral.
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>A falta que ele nos faz

Posted on julho 7, 2010. Filed under: Amigo, Blairo Maggi, Dante, Dante de Oliveira, democracia, Mato Grosso, Wilson Santos |

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Wilson Santos
Dante faz muita falta.
Como líder que agregava sensibilidade intuitiva e lógica elaborada, para formular juízos políticos e prospecções eleitorais que tinham sempre o interesse coletivo como matriz.
Como amigo desprendido, capaz de dissimular os muitos gestos pessoais de grandeza com um calculado toque de humor com que buscava ‘aliviar’ a importância de sua solidariedade incondicional.
Dante faz muita falta.
Aos amigos, às centenas de milhares de eleitores e aos incontáveis admiradores que fez em todo o Brasil. 
Como autor da emenda das ‘Diretas Já’, como ministro da Reforma e do Desenvolvimento Agrário e, claro, como prefeito de Cuiabá e como governador de Mato Grosso, que transformou em referência nacional.
Dante faz muita falta.
Contudo, o sentimento de perda irreversível que nos comove e abate, aos quatro anos de seu desaparecimento absurdamente precoce, nos leva a reverenciar os valores éticos que condicionavam sua enorme inteligência política a se mover sempre em favor das causas maiores.
Sobre Dante de Oliveira, a designação de estadista não cai forçada, mas natural e apropriada. De deputado estadual a governador de Mato Grosso, de prefeito de Cuiabá a inspirado líder do maior movimento cívico que mobilizou a nação brasileira em defesa da restauração democrática, Dante de Oliveira construiu uma trajetória política ímpar. Tanto em significação político-institucional quanto em relação à rapidez com que se consolidou. Como se, por amarga premonição, a História tivesse pressa.
Ainda que a história recente do Brasil, especialmente o capítulo fundamental da reconstrução da democracia, tenha em Dante de Oliveira uma de suas mais notáveis referências, somos nós, seus irmãos mato-grossenses, que sabemos mais da falta que ele nos faz. Porque tivemos privilégio de merecer os melhores frutos de seu desvelo, de seus sonhos e angústias de governante criativo e corajoso.
A gênese, a matriz fecunda do Mato Grosso que hoje registra números exponenciais de crescimento econômico, foi forjada com a têmpera e o discernimento do governador Dante de Oliveira.
Dessa gênese fazem parte a solução da grave questão energética, com a construção da termelétrica, do gasoduto, e a implantação da hidroelétrica de Manso, os investimentos em rodovias – com a supressão de ‘gargalos’ que comprometiam a logística e anulavam Mato Grosso como opção de investimento no agronegócio – e, especialmente, a extraordinária mobilização para ligar Mato Grosso ao sistema ferroviário nacional, através da Ferronorte. Que, deixou em Alto Araguai, de onde, infelizmente, não avançou um metro até hoje.
Com o Fethab, Dante de Oliveira estabeleceu um programa definitivo de financiamento de infraestrutura econômica e social que, mesmo sofrendo alterações em governos seguintes, tem ainda agora o DNA de um instrumento de modernização a ser mobilizado para o verdadeiro desenvolvimento. Que Dante sempre imaginou como sendo a forma de gerar oportunidades para todos, de fazer da riqueza um bem social, coletivo.
Programas de incentivos fiscais foram, em mãos de Dante de Oliveira, instrumentos usados com grande eficácia. Sem alardes nem favorecimentos. Foi o caso do Proalmat, de incentivo à lavoura algodoeira, que projetou Mato Grosso de produtor insignificante a líder nacional na cultura dessa oleaginosa.
Se a Democracia – para cuja reconquista Dante sonhou o sonho ‘ensandecido’ de esperança – está hoje consolidada, o Mato Grosso que o nosso maior estadista sonhou para todos nós ainda está sendo plasmado em processo lento e difícil.
No sonho generoso de Dante de Oliveira, a verdadeira Democracia pressupunha justiça social, oportunidades para todos, enfim, liberdade como sinônimo de igualdade. A participação de todos na divisão dos frutos do progresso, não como concessão, mas como direito sagrado.
É para construir em Mato Grosso essa sociedade, mais justa e igualitária, mais próspera e solidária, que temos de nos empenhar. Não só como merecida homenagem à sensibilidade social e humana de Dante de Oliveira, mas, sobretudo, para responder concretamente aos ideais de desenvolvimento e prosperidade que fecundou neste Estado.
Por ter saído demasiado cedo da cena que certamente o projetaria muito mais como estadista, Dante faz muita falta.
Ainda há pouco, o ex-governador Blairo Maggi me dizia, em conversa informal, que fosse vivo Dante de Oliveira seria hoje candidato imbatível ao governo de Mato Grosso.
Ainda que a opinião do ex-governador seja uma quase unanimidade, essa constatação não pode preencher a enorme falta que Dante nos faz.
E a única forma de compensar esse vazio que o passar dos anos não anula, é mobilizar corações e mentes em favor da concretização dos ideais que Dante de Oliveira soube plantar em nossas consciências.

Wilson Santos é candidato a governador de Mato Grosso
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>Buraco negro entre governo e sociedade

Posted on maio 20, 2010. Filed under: Arnaldo Jabor, botox, democracia, Ficha Limpa, oligárquicas, política |

>por Arnaldo Jabor

Diante do pedido de urgência para se votar o projeto da “ficha limpa”, irritado com a pressa de mais de 1 milhão e 800 mil assinantes pedindo aprovação, o senador Romero Juca produziu uma frase definitiva que ilumina o país :

“Este projeto “Ficha Limpa” não é um projeto do Governo; é da sociedade…”

Com raro e inspirado brilho, o senador, líder do governo Lula, o homem das sete fazendas imaginarias, deu-nos um show de ciência política.

A frase é uma síntese do Brasil. É como se o inefável Jucá dissesse: “O tempo do governo é diferente do vosso. O problema é de vocês -apressadinhos comem cru”.

Sergio Buarque de Holanda teria aplaudido este belo resumo de nossa organização política e poderia completar, como em seu livro seminal “Raízes do Brasil”: “…para o funcionário patrimonial a própria gestão política se apresenta como assunto de seu interesse particular; as funções, os empregos e os benefícios que deles aufere, relacionam-se a direitos pessoais do funcionário e não a interesses em que prevaleçam a especialização das funções e o esforço para se assegurarem garantias jurídicas aos cidadãos” (…)

“a democracia no Brasil sempre foi um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e semi-feudal importou-a e tratou de acomodá-la a seus direitos e privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido no Velho Mundo o alvo da luta da burguesia contra os aristocratas. E assim puderam incorporar à situação colonial, ao menos como fachada ou decoração, alguns lemas que pareciam os mais acertados para a época, exaltados nos livros e discursos…”

Para políticos como Jucá a única “democracia” é um vago amor pelos amigos, uma poética queda para a camaradagem, a troca de favores, sempre com gestos e abraços risonhos, na doce pederastia de uma sociedade secreta. Somos tecnicamente uma “democracia”, que é vivida por eles como porta aberta para oportunismos, pois a “cana” é menos dura…

A frase iluminada de Jucá mostra-nos que há uma fenda secular, um abismo entre sociedade e governo, que há uma inversão de valores – o governo tem vida própria e a sociedade existe apenas para legitimá-lo. O Estado é uma ilha de interesses políticos habitado por uma “sociedade” feita de 513 deputados, 82 senadores, funcionários públicos etc…A frase de Jucá pode ser montada com o belo chiste do Tuma Jr., com seu corpanzil de leão marinho barbudo: “Tirem o cavalo da chuva…Não vou sair!” Sair por quê? Sair de sua “casa”, de sua “propriedade”, logo ele que sabe dos segredos de alcova de seus colegas, ele, que administrou ate o caso de Celso Daniel como delegado? “Não vou cair calado!.”, berrou. Não é sublime tudo isso? Nunca antes em nossa historia, alianças tão espúrias tiveram o condão maravilhoso de nos ensinar tanto sobre o Brasil. A cada dia, nos tornamos mais sábios, mais cultos sobre esta grande chácara de oligarquias.

Lula teve a esperteza política de usar essa anomalia secular em proveito de seu governo. Todos os presidentes têm de fazer isso, senão não governam, sabemos. Mas, Lula protegeu demais as mentiras para que a falsa verdade do país permaneça. Viciou malandros com uma dieta gorda, cevou-os com uma fé na impunidade sem limites que abriu um caminho difícil de fechar. Alias, esta foi a realização mais profunda do governo Lula: o escancaramento didático do patrimonialismo burguês e o desenho de um nascente patrimonialismo de Estado.

Sinto nesses sintomas parlamentares a volúpia de ir contra o senso comum, contra o que a maioria pensa; há uma postura sádica de contrariar a população, de proteger uma obscuridade secreta, de defender o direito à mentira como um bem precioso, um direito natural. Eles se banham na beleza de um “baixo maquiavelismo”, no cinismo dos conchavos, atribuem uma destreza de esgrima às chantagens e manipulações. “Esperteza” é um elogio muito mais doce do que “dignidade”. Lembram da resistência espantosa de Renan para não sair da presidência da Câmara.? Isso parece até um “heroísmo” em prol do personalismo colonial atávico, contra esta “violência” que cidadão “menores” chamam de “interesse público”.

Precisamos entender que o Atraso é um desejo, uma ideologia. Eles são fabricados entre angus e feijoadas do interior, em favores de prefeituras, em pequenos furtos municipais, em conluios perdidos nos grandes sertões. O atraso dá lucro.

Se o desejo da sociedade se impuser, se a transparência prevalecer , como viverão felizes as famílias oligárquicas? Como vão vicejar as fazendas imaginarias, as certidões falsificadas, os rituais das defraudações, as escrituras e contratos superfaturados? Que será da indústria da seca, não só da seca do solo, mas a seca mental, onde a estupidez e a miséria são cultivadas para criar bons serviçais para a burguesia semi-feudal? Como ficarão as doces camaradagens corruptas em halls de hotel, os almoços gordurosos, as cervejadas de bermudão, as gargalhadas, as “carteiradas” autoritárias, os subornos e as chaves de galão? Como serão os jantares domingueiros, como manter a humilhação e a fidelidade consentida das esposas de botox, o respeito cretino dos filhos psicopatas? Como se manterá a obediência dos peões, dos capatazes analfabetos? Que será do “sistema” cafajeste e careta que rege o país?

Os congressistas talvez acolham o projeto “ficha limpa” pela pressão popular e pela proximidade das eleições; mas, tudo a contragosto, com medo de que sejam desarmados os curraizinhos onde paparicam seus eleitores, com medo de perder o frisson dos jaquetões lustrosos , dos bigodes pintados, das amantes nos contracheques, das imunidades para humilhar garçons e policiais.

Eles formam um país isolado. Eles detestam tudo que os obrigue a “governar” o outro país, a chamada “sociedade”.

Estão no congresso para se proteger de fichas sujas, para levar “vantagem em tudo, certo”? Se não, qual a vantagem da política?

Fonte: A Gazeta

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>Os escândalos parecem acontecimentos

Posted on março 25, 2010. Filed under: acontecimentos, Arnaldo Jabor, democracia, escândalos |

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Arnaldo Jabor
Quando comecei a escrever , jurei que jamais abriria um artigo com a velha técnica: “Estou diante da pagina branca…mas falta-me um assunto” ou “a tela vazia do computador brilha pedindo um tema nada me ocorre.” Jamais usei esta desculpa de articulista sem inspiração. E mantenho a promessa. Só que hoje não sou eu que estou sem assunto – é o Brasil. O governo nos surripiou, entre outras coisas, o “assunto”. Lula repete o ” espetáculo permanente” inventado por Jânio Quadros. E seus atos e fatos pautam o país.
É uma forma sutil de controlar a imprensa , obrigando-a a discutir ou refutar “factóides” que nos lançam o tempo todo. Somos obrigados a discutir falsas verdades, denúncias vazias, em meio ao delírio narcisista de que o Brasil é Lula, de que existimos para celebrá-lo ou odiá-lo.
Este primitivismo paralisa os acontecimentos nacionais. Ou pior, parece acontecer muita coisa no país, mas nada de real está se concretizando, alem do obvio previsto: estouro das contas publicas, obras de pacotilha, empreguismo, ideologismo ridículo e terceiro-mundista. Os escândalos “parecem” acontecimentos.
O PT encobre falcatruas em nome do poder, que eles chamam de “ideal socialista” ou algo assim. Tudo que acontece se coagula, coalha como uma pasta, uma “geleca”, um brejo de não-acontecimentos onde tudo bóia sem rumo. Ou então são eventos disparatados: um dia Lula está com o Collor; no outro, com o Hamas.
Uma visão critica e racional sobre o Brasil ficou inútil. A maior realização deste governo foi a desmontagem da Razão. Podemos decifrar, analisar, comprovar crimes ou roubos, mas nada acontece. Fica tudo boiando como rolhas na água. A sinistra política de alianças que topa tudo pelo poder planeja com descaro transformar-se numa espécie do PRI mexicano. 
Desmoralizaram o escândalo, as indignações, a ética (esta palavra burguesa e antiga para eles)… Esses pelegos usurparam os melhores conceitos de uma verdadeira esquerda que pensa o Brasil dentro do mundo atual, uma esquerda que se reformou pelas crises do tempo, antes e depois da queda do Muro de Berlim. Eles se obstinam em usurpar o melhor pensamento de uma genuína “esquerda” contemporânea, em nome de uma “verdade” deformada que instituíram.
Sinto-me um idiota (mais do que já sou, ai de mim…) e parece que ouço as gargalhadas barbudas de velhos sindicalistas como Vaccari, Vaccareza, Vanucci: “Ahh pode criticar…estamos blindados, tanto quanto os companheiros Sarney ou Renan…
As velhas categorias para explicar o Brasil morreram. Já há uma pós-corrupção, uma pós-direita (disfarçada de “esquerda”).
Somos uma sopa onde flutuam as eternas colunas sociais, com os sorrisos e as bundas nuas, as velhas madames e as novas peruas , os crimes, as balas perdidas, as revoltas nas prisões.
Já vivi épocas de cores mais vivas. O pré-64 era vermelho, não só pelas bandeiras do socialismo, mas pelo sangue vivo que nos animava a construir um pais, romanticamente. Era ilusão? Era. Mas tinha gosto de vida. A minha esquerda já foi sincera. Hoje é esta trama-pelega. E a ditadura de 64, aquele verde-oliva que nos cercou como uma epidemia de vil patriotismo? Era terrível? Sim. Mas, nos dava o “frisson” de lutar contra o autoritarismo ou de sermos “vitimas” das porradas da Historia. Já passei pelas drogas e desbundes da contra-cultura, pelos depressivos anos cinzentos post-mortem de Tancredo, passei pelos rostos amarelos e verdes do “impeachment”, pelo azul da esperança do Plano Real. E hoje? Qual é a cor de nosso tempo? Somos uma pasta cor de burro quando foge, uma cobra mordendo o próprio rabo, um beco sem saída disfarçado de progresso, graças à vitalidade da economia que o plano Real permitiu.
Somos tecnicamente uma “democracia”, que é vivida como porta aberta para oportunismos, pois a “cana” é menos dura… Democracia no Brasil é uma ditadura de picaretas. O povão prefere um autoritarismo populista e os intelectuais sonham com um socialismo imaginário que resolva nosso bode “capitalista”, quando justamente o injusto capitalismo seria a única bomba capaz arrebentar nosso estamento patrimonialista de pedra. Quem quiser alguma positividade é “traidor”. A miséria tem de ser mantida “in vitro” para justificar teorias velhas e absolver incompetência. A Academia cultiva a “desigualdade” como uma flor. .Utopia de um lado e burrice do outro impedem a agenda de nossas reformas urgentes, essenciais para nossa modernização, que grossos barbudos chamam de “neoliberalismo”.
Nos USA, tempo é dinheiro; no Brasil, a lentidão é a mola mestra do atraso. O Brasil gira em volta de si mesmo.
Somo feitos de sobras do ferro-velho mental do país, de oligarquias felizes e impunes, de um Judiciário caquético, das caras deformadas de políticos, das barrigas, das gravatas escrotas, da gomalina dos cabelos, das notas frias, da boçalidade dos discursos, dos superfaturamentos, tudo compondo uma torta escultura, um estafermo fabricado com detritos de vergonhas passadas, togas de desembargadores, bicheiros, cérebros encolhidos, olhos baços, depressões burguesas, hiper-sexualidade rasteira, doenças tropicais voltando, dengue, barriga d´agua, barbeiros e chagas, cheiros de pântano, ovos gorados, irresponsabilidades fiscais, assassinos protegidos no Congresso, furtos em prefeituras, municípios apodrecidos, decapitações, pneus queimados, ônibus em fogo.
No caos não há eventos. Para haver acontecimentos, tem de haver uma normalidade a ser rompida. Mas, nada acontece, pois a anormalidade ficou “normal”.
Tenho a sensação de que uma coisa espantosamente óbvia e sinistra está em gestação.
Por isso, gosto de citar a frase da bruxa do “Macbeth”: “Something wicked this way comes” (Shakespeare). Tradução: “Vem merda por ai!…”
Nossa chance única de modernização pode virar um “chavismo cordial”. 
Fonte: A Gazeta
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>Brasil, uma pátria de meias e patacas

Posted on dezembro 5, 2009. Filed under: Brasília, Brasil, democracia, eleições, escândalos, greves, mágoas, militância, pátria, UNE |

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O Brasil é mesmo a pátria do panetone. Tudo aqui é festivo, ocasional, furtivo. Nossos protestos menores, nossas mágoas maiores. Tudo dura até o próximo verão, a próxima semana. Nunca mais que a próxima eleição. Para conferir isso, basta lembrar que depois de renunciar ao mandato de senador, por ter violado o painel eletrônico do Senado, o intrépido José Roberto Arruda foi promovido – talvez pela evidência do pequeno delito – a governador de Brasília.

Na época de violador da democracia, ele foi achincalhado. Algumas eleições depois, condecorado, promovido, absolvido pelo próprio povo. Como no célebre poema de Augusto dos Anjos, “a mão que afaga, é a mesma que apedreja”. Isso é o Brasil, esta é a nossa tosca democracia, sustentada por um provincianismo primário, filha bastarda de nossa servil consciência cívica.


República de meias e patacas, de cuecões e gravatas, não vimos o amadurecimento dos Caras Pintadas, que guardaram suas fantasias após o primeiro carnaval. Tudo aqui é assim, teatral, banal, nunca original, como se o país fosse um eterno baile de carnaval. Para o movimento estudantil e os congressos universitários, os eternos piqueniques ideológicos, exercendo sua cota de democracia com a eleição desse ou daquele presidente da UNE, tão comprometido quanto alienado. Os protestos não são para mudar o país, para mudar nossa sociedade, mas sim para mudar a visão e o conceito que as pessoas têm sobre cada um de nós. Como somos desprovidos de civismo. Como pagamos caro por nossa tola e inocente consciência política.


Isso justifica nossa representação popular, desfilando seus fantasmas em plena luz do dia. Como podemos pensar em um novo país, em um Brasil melhor, tendo um congresso composto por homens do quilate de Paulo Maluf, de José Genoino, Jader Barbalho, Antônio Palocci, Fernando Collor, entre tantos outros, durante tantos anos de desmandos e prevaricações. Essa é a pátria dos mensalões e dos mensalinhos, uma nação bem mensalina, bem sem vergonha, que troca seu futuro, o seu voto, por uma cesta básica, por uma ajudinha. É o corrompido corrompendo o corruptor, coisas do nosso amado Brasil!


Sabendo bem como se faz greves e como se organiza protestos, o Brasil de Lula é um Brasil silenciado, domesticado, docilizado: dos movimentos sindicais à militância partidária; dos movimentos estudantis às organizações não-governamentais. Todos, por certo, registrando seu mensalão ideológico, sua verbinha providencial. É no Brasil da impunidade que a corrupção viceja, é no Brasil da passividade que os escândalos se repetem. Lamentavelmente!


A nossa democracia, o nosso parlamento, é mesmo uma festa à fantasia… Cada um interpretando um personagem, cada um nos aplicando uma trágica peça. Tem o que ama, o que protesta, o que ri. Tem também o mau e o cara de pau. E, no final, todos se banqueteiam e se coçam, em uma mesma festa.

Autor:Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. http://www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com
Fonte: A Gazeta

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>"Tá na palma da mão"

Posted on novembro 6, 2009. Filed under: democracia, Habitação, Legislativo, Ministério Público, Palácio Paiaguás |

>Os governantes devem estar expostos à luz pública. Exigência primeira da vida democrática. Até mesmo para efeito da avaliação de suas administrações. Contudo, esse preceito da democracia nunca foi respeitado no país, particularmente no Estado de Mato Grosso. O pior é que ninguém cobra o seu cumprimento. A população, talvez, por desconhecê-lo, e o Legislativo, pasmem, por ignorá-lo. Imitado que é pelo Ministério Público.

Silêncio que traz enormes prejuízos. Não só do ponto de vista financeira, como também no que diz respeito à transparência. Uma vez mais, desrespeitam-se a legislação vigente. Nada, entretanto, acontece. Pois os parlamentares estaduais procuram não incomodar o ocupante da cadeira central do Palácio Paiaguás, e este, pelo seu turno, substitui o “aproximar-se do cidadão” com o “apresentar-se em público”. Daí o uso, exaustivo, do marketing, como instrumento de persuasão.

Por viverem livremente, as pessoas têm a opção de rejeitar as peças publicitárias e o próprio discurso do governo. Mas, como rejeitá-los se há ausência de dados necessários? Falta, por exemplo, o relatório da recente viagem de Sua Excelência à África do Sul, cujos gastos não se sabem ao certo. Da mesma forma se pode dizer a respeito das empresas premiadas com incentivos fiscais, bem como os critérios utilizados para selecioná-las.

Essa lista é grande. Tamanho que não impressiona os deputados estaduais. Tampouco provoca os membros do Ministério Público. Seria, portanto, querer demais desses senhores que investiguem o porquê ainda não entrou em funcionamento pelo menos um dos hospitais comprados pelo Estado. Parece que nenhum desses senhores querem tocar nos assuntos desagradáveis para o governo, que, entre os seus desacertos, encontram-se igualmente o fechamento de escolas e demissões de professores e funcionários interinos antes do término do ano letivo.

Assuntos que não se veem na mídia regional. Talvez porque para ela, a mídia, a “notícia de ontem” já se “tornou velha”, e, por conta disso, saiu de pauta. O que é uma pena! Pois, diante da miopia dos poderes constituídos, a população não tem mais a quem recorrer. Tende, portanto, a acreditar naquilo que é “vendido” pela propaganda oficial, cujo pano de fundo é o de que o Estado “está sendo conduzido da melhor maneira possível”. A despeito dos números negativos da saúde, educação e da segurança públicas. Setores que sempre foram jogados para um plano secundário pela atual gestão estadual.

A mesma gestão que se iniciou, lá em 2003, propagandeando ter descoberto a “caixa-preta” da administração anterior. Já se passaram quase sete anos, porém a tal “caixa-preta” sequer foi aberta. Talvez porque a “dita caixa” jamais tenha existido, ou se a existisse, de fato, foi esquecida em uma das muitíssimas gavetas da burocracia governamental. Igualmente o destino que deram a dezenas de promessas feitas durante as campanhas eleitorais de 2002 e 2006, a exemplo da diminuição dos impostos da energia elétrica e da telefonia, bem como o da divisão dos recursos do Fundo Estadual de transporte e Habitação, ou o próprio fim desse fundo.

Percebe-se, entretanto, que a transparência está longe de ser uma realidade no Estado. Isso, porém, não significa que a população regional seja impedida de sonhar. Até porque nem todos os sonhos são irrealizáveis. Um ou outro pode se tornar viável. Não por alguém apresentado como diferente, embora na realidade não passe de “político tradicional”, tendo ao fundo o quadro “tá na palma da mão”.

Autor: Lourembergue Alves é professor uiniversitário. Fonte: A Gazeta, E-mail: lou.alves@uol.com.br

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>Eleição, internet e borboletas

Posted on setembro 14, 2009. Filed under: borboletas, democracia, Eleição, emenda, internet |

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  • MARINA SILVA

ELEIÇÃO É sempre uma grande oportunidade de reafirmar a democracia. E as regras eleitorais são o primeiro passo para garantir que os processos democráticos sejam transparentes, precisos, confiáveis, informados e coerentes com a vontade popular. Alterá-las deveria significar, sempre, torná-las mais modernas, inteligentes e aptas a realizar o objetivo de chegar a uma sociedade democrática avançada, regida por regras universais e avessa ao patrimonialismo.

O Congresso brasileiro está hoje às voltas com a apressada análise -em consequência dos prazos constitucionais- de uma reforma na legislação eleitoral que poderá valer já em 2010. O texto básico foi aprovado, mas o Senado terá que votar nesta semana as emendas para depois remetê-lo de volta à Câmara dos Deputados, que o enviará à sanção do presidente Lula. Tudo até o dia 3 de outubro.

São muitos os pontos polêmicos. Além de não exigir divulgação dos nomes de todos os doadores e valores doados, a reforma, até agora, mantém a “doação oculta”, em que recursos vão para os partidos, que os repassam a candidatos sem a necessária identificação do vínculo entre doador e beneficiário.

Ainda é possível aprovar a emenda do senador Aloizio Mercadante que garante internet totalmente livre, antes, durante e depois das eleições. Nada de amarras, de tentativas de tolher a revolução na comunicação que a internet representa, com ampla liberdade e espaço para a conscientização, a mobilização e a pressão da sociedade.

Restringir a internet, como se fosse só mais um canal de comunicação nas relações entre mídia e sistema político, é desconsiderar que ela é estruturalmente diferente. É a maior ferramenta daquilo que o sociólogo espanhol Manuel Castells chamou de sociedade em rede, tornada possível pela expansão das tecnologias de informação.

Essa estrutura de redes tem sido decisiva para potencializar ações coletivas, que podem ganhar maior espaço nas eleições, interferindo diretamente na qualidade das escolhas políticas, por meio de iniciativas autônomas da sociedade.

Na internet, o fazer político é multicêntrico, não há senhores. Nela, a expansão política se dá no sentido oposto ao de um modelo autoritário ou dirigido, pois fica longe de controles, monopólios e centralização.

Uma reforma política democrática não pode, sob nenhum pretexto, tentar tolher essa livre manifestação. Insistir nisso é retrocesso grave -além de ser, provavelmente, tarefa impossível. Como tentar capturar num único puçá uma revoada de milhões de borboletas.
Fonte: Folha de S. Paulo
contatomarinasilva@uol.com.br

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