Eleição

>2010: A Última eleição do século XX?

Posted on novembro 1, 2010. Filed under: Cameron, candidatos, Dilma e Serra, Eleição, Eleições Parlamentares, Medvedev, Obama, opinião pública, Plano Real, Programas Eleitorais, Reforma Política, Sarkozy, Sócrates, Zapatero |

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Observar a disputa deste ano permite ao analista discordar, ao menos pontualmente, da conclusão de Hobsbawn que “encurtou” o século XX no livro “A Era dos Extremos”, situando seu ponto final no início dos anos 90.
No Brasil, do ponto de vista político institucional, é forçoso reconhecer que, ao contrário, em boa medida ele ainda se arrasta. Destaco a seguir cinco evidências marcantes, remanescentes da moldura do século passado da qual muito provavelmente não teremos saudade.

1. A Idade dos Candidatos

Foi certamente a última eleição presidencial na qual a idade dos dois principais contendores – Dilma e Serra, ambos com mais de 60 anos – faz com que, a despeito do que a vida lhes reserve, a maior porção de sua experiência e militância política seja concentrada no século que passou. É inevitável que na próxima eleição candidatos do século 21 se façam presentes, e sigamos a trilha geracional dos Obama, Cameron, Sarkozy, Medvedev, Zapatero, Sócrates…

2. O Processo de Escolha

É muito difícil imaginar–se que em uma próxima disputa presidencial os militantes e simpatizantes dos partidos não venham a ter voz ativa na definição dos candidatos.
Primárias ou Prévias, o nome não importa, atualmente são utilizadas em países de culturas políticas tão diferentes como Estados Unidos, Inglaterra, França, Chile, Argentina, Uruguai, entre outros. Porque são instrumentos democratizantes, cuja capacidade de oxigenar o processo de seleção, de engajar a base partidária, de alavancar o grau de conhecimento dos postulantes, de pré–testar o posicionamento das candidaturas, sua utilidade, enfim, para fortalecer os postulantes é tão óbvia que com certeza os principais partidos, alguns dos quais já trazem esse dispositivo adormecido nos seus estatutos, não poderão continuar a ignorá-las como tolamente fazem hoje, substituídas pelo “dedazo” do líder ou de pequena confraria de caciques. Esse anacronismo vai ficar para trás.

3. As Eleições Parlamentares

Na campanha todos os candidatos se comprometeram com a Reforma Política. E não era sem tempo.
A Câmara Federal partidariamente fragmentada que mais uma vez emerge das urnas, independentemente do tamanho maior assumido pelo bloco do governo, traz percalços à governabilidade.
Esse fracionamento, no fundo, é a raiz de “mensalões” federais e de “mensalinhos” estaduais e tem origem em um sistema eleitoral – eleição proporcional com listas abertas e coligações – elaborado na redemocratização do pós guerra em meados do século passado.
A campanha de grande parte dos milhares de candidatos país afora agride a inteligência dos eleitores, sua propaganda polui as cidades, assim como polui a TV.
É dessa plataforma institucional obsoleta que decolaram Tiririca, hoje, como antes haviam feito Enéas, Macaco Tião, Cacareco, etc.
Um sistema imprestável e, no agregado, responsável por campanhas caríssimas.
Afora o compromisso do novo governo, a pressão da mídia, da opinião pública e dos financiadores das candidaturas virará essa página.

4. As Regras da Campanha

No bojo da Reforma Política deverão vir também mudanças substantivas nas normas que disciplinam as campanhas, e que incluem a remoção de dispositivos que promovem a hipocrisia, como a proibição de “campanhas antecipadas”, que traduz a obsessão legal por campanhas curtas, como se houvesse algum prejuízo para a democracia e para o eleitor no fato dele ter mais tempo para conhecer e avaliar os candidatos.
Nesse capítulo, será imprescindível a extinção ou redução drástica do tempo reservado aos Programas Eleitorais Gratuitos na TV e no Rádio, aquela meia hora de propaganda contínua duas vezes ao dia, concentrados em um mês e meio, típico exemplo de sobrevivência de um instrumento de comunicação do século passado, quando não havia sequer a Internet, e que foi criado bem antes da utilização entre nós das inserções ou comerciais, mais eficientes, alcançando maiores audiências, porque são distribuídas ao longo da programação.

É inconcebível que o bom senso não prevaleça uma vez já identificado o acentuado declínio da utilidade de tais programas, apesar dos seus custos astronômicos, o mais oneroso item do orçamento das campanhas.
Com essa medida, as disputas do século 21, contando com um papel maior da Internet, somado à cobertura da imprensa, aos comerciais de TV e Rádio, e com Debates, serão mais baratas e perturbarão bem menos a rotina dos eleitores.

5. A Agenda

Nos anos 90 seria finalmente equacionado um desarranjo estrutural que atormentou muitas gerações: a inflação e a instabilidade econômica foram domadas com o Plano Real e com as Reformas empreendidas durante o governo tucano.
No ciclo petista que se lhe seguiu seria acelerado o processo de distribuição de renda, pelo aumento significativo da magnitude dos programas sociais, do valor do salário mínimo e do acesso ao crédito pelos mais pobres.
Porém, ainda resta como herança do passado um contingente não desprezível de 30 milhões de miseráveis, que mereceu destaque nessa eleição. A compaixão pelos mais fracos continuou a ser uma nota marcante na sinfonia das campanhas.
Ao final do próximo governo, uma vez ampliada e consolidada a classe média, cumprida ou em andamento a promessa assumida por todos os postulantes de viabilizar o fim da miséria, estará encerrado o ciclo remanescente.
As próximas campanhas poderão, então, conferir centralidade a questões abrangentes e de grande repercussão nas próximas décadas.
Os brasileiros serão chamados a optar por diferentes visões estratégicas de desenvolvimento; a escolher entre abordagens alternativas de inserção no mundo globalizado; a definir opções de matriz energética, incluindo o papel da energia nuclear; de parcerias diplomáticas que privilegiem os hemisférios Norte ou Sul; de alternativas de sistemas de saúde e de educação, que incluam a discussão do seu financiamento; de como deve ser utilizado pelo Estado o tesouro enterrado no Pré-sal; e assim por diante. Como fazem em circunstâncias semelhantes países do Novo Mundo que de algum modo podem ser comparados ao nosso, como o Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
E desse modo, graças as nossas conquistas, daqui a quatro anos, despregados da velha moldura, experimentaremos as primeiras eleições do século 21.

Antonio Lavareda é sociólogo e cientista político. Seu livro mais recente é “Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais”, Editora Objetiva, 2009.

Fonte: Blog do Noblat

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>Pesquisa Vox Populi indica que haverá 2º turno na eleição para governador em MT

Posted on setembro 24, 2010. Filed under: Band, Eleição, eleições 2010, governador, Marcos Magno, Mato Grosso, Mauro Mendes, pesquisa, Pesquisa Vox Populi, Silval Barbosa, TV Cidade Verde, Wilson Santos |

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Os candidatos Silval, Mauro e Wilson Santos

Eleições 2010 – Pesquisa realizada no período de 17 a 20 de setembro, pelo instituto Vox Populi, divulgada nesta sexta-feira, 24 de setembro, pela Band TV Cidade Verde, canal 12,   revelou um quadro eleitoral diferente dos resultados divulgados por outros institutos na eleição para governador de Mato Grosso.

Na modalidade estimulada, apresenta o seguinte resultado:

Silval Barbosa (PMDB) – 42%
Mauro Mendes (PSB) – 20%
Wilson Santos (PSDB) – 17%
Marcos Magno (PSOL) – 1%
Ninguém/Branco/Nulo – 4%
Indecisos – 16%

Na modalidade espontânea, o levantamento aponta:

Silval Barbosa (PMDB) – 29%
Mauro Mendes (PSB) – 13%
Wilson Santos (PSDB) – 11%
Marcos Magno (PSOL) – 0%
Ninguém/Branco/Nulo – 3%
Não responderam – 44%

Rejeição

Wilson Santos (PSDB) – 25%
Marcos Magno (PSOL) – 17%
Silval Barbosa (PMDB) – 7%
Mauro Mendes (PSB) – 6%
Poderia votar em qualquer um deles – 16%
Não votaria em nenhum deles – 2%
NS/NR – 27%

A pesquisa foi registrada sob números 37.715/2010 e 31.696/2010 no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), respectivamente. Foram entrevistados 1.000 eleitores. A margem de erro da pesquisa é de 3,1%, para mais ou para menos.
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>"Vem por aqui"

Posted on setembro 20, 2010. Filed under: cafezinho, cansaços, Eleição, florestas, história, ironias, olhos, Ricardo Noblat |

>Por Ricardo Noblat
– dizem-me alguns com olhos doces,

stendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom se eu os ouvisse

Quando me dizem: “vem por aqui”!

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos…

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,

Por que me repetis: “vem por aqui”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí…

Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós

Que me dareis machados, ferramentas, e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?…

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátrias, tendes tetos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.

Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: “vem por aqui”!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou…

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou,

— Sei que não vou por aí.

(Tomado emprestado de José Maria dos Reis Pereira, José Régio, poeta português do início do século passado. O nome do poema é Cântico Negro. Eu o ouvi pela primeira vez declamado por Paulo Autran em 1965.)

Olha a soberba, Dilma! Isso é lá jeito de se tratar um senador? Álvaro Dias (PSDB-PR) sugeriu que o Congresso a convidasse para falar sobre malfeitos ocorridos na Casa Civil. A senhora poderia ter calado a respeito. Ou simplesmente ter dito que o convite não passava de uma jogada eleitoral do senador o que de fato é. Mas daí a afirmar que, partindo dele, a senhora não aceitaria nem convite para cafezinho? Como imagina governar sem tomar cafezinho com aliados e adversários?

Só uma vez na história de Pernambuco, um governador foi eleito sem eleger seus dois candidatos ao Senado. Aconteceu com Miguel Arraes em 1994. Armando Monteiro Filho (PDT), que fazia parte da chapa dele, foi derrotado por Carlos Wilson (PSDB). Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes, será reeleito governador com mais de 50 pontos de vantagem sobre Jarbas Vasconcelos (PMDB). E elegerá senador Armando Monteiro Neto (PTB). Pela primeira vez, Marco Maciel (DEM) perderá uma eleição.

E-mail para esta coluna: noblat@oglobo.com.br
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>Segundo turno?

Posted on setembro 14, 2010. Filed under: campanhas, candidatos, Datafolha, Dilma Rousseff, Eleição, eleitores, Erenice Guerra, José Serra, Marina Silva, PSDB, Revista Veja, segundo turno |

>Por Merval Pereira

A 20 dias da eleição, há tempo ainda de reverter a vantagem que a candidata oficial, Dilma Rousseff, apresenta em todas as pesquisas de opinião e impedir que ela vença no primeiro turno? As campanhas dos candidatos adversários acreditam mais do que nunca que sim, diante da onda de denúncias que a envolvem diretamente, seja com as claras vinculações de sua campanha com as quebras em série de sigilos fiscais, seja pela atuação de lobista do filho de seu braço-direito Erenice Guerra. Esta foi deixada como ministra-chefe da Casa Civil para que fosse a própria Dilma no controle das ações do governo, assim como Lula inventou Dilma para concorrer por ele como sua “laranja” eleitoral.

Erenice é Dilma assim como Dilma é Lula, e por isso chega a ser patética a explicação dada pela candidata oficial no debate da Rede TV/Folha.

“Eu tenho, até hoje, a maior e a melhor impressão da ministra Erenice. O que se tem publicado nos jornais é uma acusação contra o filho da ministra. (…) Agora, eu quero deixar claro aqui: eu não concordo, não vou aceitar, que se julgue a minha pessoa baseado com o que aconteceu com o filho de uma ex-assessora minha”.

Ora, as denúncias da revista Veja referentes ao filho não existiriam se a mãe não fosse ministra; só nesse caso há campo para o “tráfico de influência”.

No mínimo, um filho de qualquer autoridade da República não pode exercer a função de consultor para assuntos que sejam ligados ao governo. O conflito de interesses é óbvio, e não necessita ser definido por uma Comissão de Ética.

Basta que a ministra tenha bom senso para impedir o filho de negociar com qualquer órgão de governos, mesmo os estaduais e municipais.

E não há como separar Dilma de Erenice.

O caso dos sigilos quebrados é de difícil entendimento para a média do eleitorado, mas, segundo o Datafolha, afetou a intenção de votos em Dilma entre os eleitores de nível superior de escolaridade, onde a candidata petista perdeu cinco pontos em cinco dias.

Entre os que têm maior renda, a perda foi de oito pontos.

O caso de tráfico de influência na Casa Civil é mais evidente, e pega diretamente o esquema político montado por Dilma no Palácio do Planalto.

Um assessor envolvido já pediu demissão, e novos desdobramentos devem acontecer nos próximos dias, deixando sob pressão a campanha da candidata oficial.

Os dois adversários viáveis politicamente, José Serra, do PSDB, e Marina Silva, do Partido Verde, têm esperanças semelhantes nos últimos dias da disputa eleitoral.

A campanha de Serra torce para que Marina cresça nas pesquisas, para ajudar a provocar um segundo turno.

Mas para isso Marina precisaria crescer em cima dos eleitores de Dilma.

Uma análise do Datafolha mostra que isso vem acontecendo de maneira sistemática desde o início dos escândalos.

Marina recebeu a maior parte das intenções de votos perdidas por Dilma entre os mais escolarizados (ganhou quatro dos cinco pontos). Entre os de renda familiar de mais de 10 salários mínimos, ela ganhou seis dos oito pontos perdidos por Dilma.

Marina vem tirando também espaço de Serra em alguns setores, como os que ganham de 5 a 10 salários mínimos, setor onde ela cresceu oito pontos, o mesmo percentual perdido pelo candidato do PSDB.

Pelo tracking da campanha do Partido Verde, Marina aproxima-se dos 15% de intenções de voto, o que, se for confirmado nas pesquisas eleitorais que serão divulgadas ao longo da semana, pode provocar uma onda, ainda mais se o candidato Serra cair.

O Partido Verde joga ainda suas fichas nas mulheres pobres e nos evangélicos para consolidar uma “onda verde” no final da campanha.

Há uma tendência no mundo todo, analisam os estrategistas do PV, de a eleição se definir mais para o seu final. É uma tarefa difícil a de Marina, crescer a ponto de superar o candidato do PSDB, mas tirando também votos de Dilma.

Caso cresça apenas em cima de Serra, a soma de votos dos dois não se alterará substancialmente, permitindo que Dilma vença no primeiro turno.

A campanha de Serra acredita que ele tem fôlego ainda para crescer, graças a alterações que dizem registrar no voto em São Paulo.

Eles acreditam que Serra acabará superando Dilma no estado que tem o maior colégio eleitoral, provocando uma alteração na soma final de votos, o que reduzirá a dianteira de Dilma.

Mas estão preocupados mesmo com Minas Gerais, onde a candidata oficial aumenta a dianteira.

Fonte: Blog do Noblat

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>Errei. Perdão

Posted on setembro 6, 2010. Filed under: Dilma Roussef, Eleição, Polícia Federal, quebra do sigilo, Receita Federal, Ricardo Noblat, transparência |

>Por Ricardo Noblat*

Na última sexta-feira de manhã, ao gravar comentário para o site deste jornal, eu disse que o governo fora lerdo, irresponsável e incompetente no trato da violação do sigilo fiscal de Verônica Serra. Podendo, lá atrás, abortar o escândalo, não o fez. Mea culpa! O certo seria ter dito simplesmente que o governo preferiu esconder o caso.
No dia 20 de agosto último, o secretário da Receita Federal foi informado sobre a quebra do sigilo de Verônica. Perguntei no comentário: O que você teria feito no lugar dele? E disse como teria agido para evitar a eclosão de um escândalo capaz de embaraçar o governo, assustar o seu partido e manchar a provável eleição de Dilma Roussef.
Eu encomendaria de imediato uma cópia da procuração assinada por Verônica, e que permitira ao procurador dela acessar suas declarações de imposto de renda de 2007 a 2009. Consta da procuração o nome do cartório onde fora reconhecida a firma. Passo seguinte: telefona aí para o cartório e vê se Verônica tem firma por lá.
Descobriria que ela jamais teve. Logo, a procuração era falsa. Em seguida, destacaria um assessor para reunir as informações disponíveis nos arquivos do Receita sobre o falso procurador Antônio Carlos Telles. Estava lá: no passado, ele chegara a operar com cinco CPFs ao mesmo tempo. Era processado em vários Estados.
A oposição celebraria se soubesse do caso antes de o governo se mexer. Quebra de sigilo fiscal é crime. Quebra de sigilo fiscal da filha do candidato da oposição à presidência seria um crime, digamos, triplamente qualificado contra ela, o pai e o propósito do governo de eleger Dilma. Então levaria o assunto ao conhecimento do meu superior o ministro da Fazenda.
Nada mais razoável que ele conversasse com o presidente a respeito. E que o presidente, um sujeito esperto, dotado de rara sensibilidade política, reagisse assim: telefonem para Serra. Oi, Serra, acabei de saber que violaram o sigilo fiscal da Verônica. Pois é, sei… Eu lembro que você tinha me alertado para essa possibilidade. Mas já tomei providências.
E enumeraria todas: chamei o ministro da Justiça. Ele acionou a Polícia Federal, que abriu inquérito. Espero esclarecer tudo em curto prazo. O ministro da Comunicação Social dará uma entrevista coletiva daqui a pouco. E eu soltarei uma nota condenando com veemência o que ocorreu. Somos adversários, mas jamais jogaria sujo.
Concordam que agindo dessa forma o governo se sairia bem? E que a oposição talvez se visse forçada até a elogiá-lo pela rapidez e transparência? Foi o que imaginei na sexta-feira de manhã. Mas aí, à noite, o Jornal Nacional revelou que o falso procurador de Verônica fora filiado ao PT entre 2003 e 2009. E que cometera o crime ainda na condição de filiado.
Olha aí, gente, formou! O governo escolheu esconder a quebra de sigilo de Verônica. E quando para seu desgosto ela se tornou pública, escolheu mentir ao dizer que Verônica assinara uma procuração, e que era preciso investigar o caso para saber de fato o que acontecera. Se a imprensa tivesse decidido esperar, é bem possível que nada ficasse esclarecido até o dia da eleição.
Pois menos de uma hora antes de sites e de blogs divulgarem que a procuração era falsa e que Antonio Carlos era um homem de cinco CPFs e de passado obscuro, a Receita ainda teimava em vender a história de que existia uma procuração assinada por Verônica. E que o mais sensato seria transferir para a Polícia Federal a tarefa de apurar tudo com o devido rigor e cuidado.
A verdade é que o governo usou a máquina pública no caso, a Receita para proteger sua candidata, o que configura crime eleitoral. E fez uma aposta errada. Não foi lerdo. Nem mesmo incompetente porque poderia ter ganhado a aposta. Foi irresponsável. E, por omissão, palavras e obras, acabou sendo conivente com o que Dilma chamou de malfeito. Um crime malfeito, digo eu.



E-mail para esta coluna: noblat@oglobo.com.br


*BLOG DO NOBLAT: http://www.oglobo.com.br/noblat

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>Porque o ideal é a eleição de Dilma

Posted on agosto 12, 2010. Filed under: Bolsa-Família, Dilma, dinheiro, Eleição, José Serra, Lula, Orçamento, PIB, popularidade |

> Por Alfredo da Mota Menezes

Escrevi nesta coluna que seria melhor para a oposição que a Dilma Rousseff ganhasse a eleição. Ela que fizesse os complicados ajustes nas contas do governo. Se fosse alguém da oposição, seria acusado de impedir o crescimento e o governo Lula seria colocado nas nuvens. Se a Dilma ganha, ao tentar fazer os ajustes, o governo anterior seria exposto perante a opinião pública.
Citei alguns números naquele artigo, outros estão aparecendo. Pego três matérias da imprensa nacional dos últimos dias.
O jornal “O Estado de São Paulo” mostrou que o governo Lula recebeu do anterior um saldo a pagar de 22,6 bilhões de reais. Vai deixar 90 bilhões a pagar para quem for à presidência.
Maílson da Nóbrega na revista Veja mostra que a situação fiscal piorou. O “consumo do governo passou de 4,2% do PIB para 8,8%” e a carga tributária de 32% para 36% do PIB (não há mais espaço para aumento de impostos). Investimento na infra-estrutura teve 0,6% do PIB ou pouco mais de 10% das necessidades. Transporte é o grande gargalo do país.
Não se aproveitou a popularidade do presidente para se fazer reformas como previdência, trabalhista e fiscal. Acredito que o Lula não as fez com receio de perder popularidade. Deixa o problema para quem vier atrás.
A melhor análise da situação das contas do governo é a longa matéria de Gustavo Patu na Folha de S. Paulo. Quem suceder Lula “assumirá sem recursos para patrocinar um novo ciclo de expansão dos programas sociais” ou nas áreas de segurança, previdência, Bolsa Família, saúde e amparo ao trabalhador. Só na previdência, no ano passado, os gastos superaram em 34 bilhões de reais a arrecadação.
Diz que quando o petista chegou ao governo em 2003 “a seguridade social tinha um superávit modesto”. O aumento do salário mínimo, da Bolsa Família, gastos crescentes na previdência, isenções fiscais e a perda da CPMF jogaram a situação fiscal da seguridade social para algo complicadíssimo.
Diz ainda que os países da OCDE investem em saúde, em média, 6,4% do PIB. O Brasil chegou a 3,6%. Desse total o governo federal só investiu 1,76%, o resto é de prefeituras e governos estaduais.
Frente aos números nacionais é melhor a Dilma Rousseff ganhar. Se for alguém da oposição, ao pisar no breque da economia, será sacrificado. Se for a Dilma, vão apontar o dedo para o governo que a antecedeu como a fonte de problemas nas contas públicas. Atrapalharia a biografia do Lula.
O que chama a atenção é que, na campanha, a oposição não fala nada disso. Fica com um discurso chocho, como foi o do Geraldo Alckmin em 2006.
Em Mato Grosso, os candidatos ao governo, para minorar a situação na saúde e na segurança, falam que irão buscar recursos em Brasília. Os números mostram que não vão conseguir nada.
E, além disso, segundo o ex-governador Maggi, sobram somente 3% do orçamento estadual para investimento em todas as áreas. Onde os candidatos vão arrumar dinheiro para investir no patamar que estão falando?

Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com

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>Para Collor: ‘Lula melhorou o que fiz’

Posted on agosto 12, 2010. Filed under: Collor, Eleição, fora Collor, Lula, política, Senador |

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O senador Fernando Collor (PTB), candidato ao governo de Alagoas, disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua opinião, é o melhor presidente da História do país.

Em entrevista a uma rádio alagoana — durante a qual ostentava dois adesivos, um dele e outro da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff —, Collor elogiou Lula por ter seguido uma agenda que, segundo o senador, foi implantada por ele quando ocupou a Presidência, “e melhorando o que eu fiz”:

— O presidente Lula, a meu modo de ver, é o melhor presidente que o Brasil já teve.

Na entrevista, Collor disse que, se ganhar as eleições, pode não concluir o mandato, para entrar em outra disputa eleitoral em 2014.

— Não sei dizer (se deixaria o mandato antes), depende das circunstâncias políticas, depende de muitos fatores. Mas o que desejo é fazer um governo à altura das expectativas dos alagoanos — disse.

Collor pediu desculpas por ter xingado o repórter Hugo Marques, da revista “IstoÉ”, mas não ao jornalista:

— Ele cometeu má-fé (por ter divulgado um trecho da gravação de um telefonema, no qual Collor o chama de “filho de uma puta”). Já tenho apanhado tanto, sofro tanto, não perdi minha capacidade de me indignar.

Ontem, as ruas do Centro de Maceió foram palco de tensão e quase confronto durante um ato surpresa organizado pela Juventude do PTB a favor do ex-presidente e contra o protesto “Fora Collor”, de movimentos sociais e representantes da sociedade civil organizada, marcado desde semana passada.

Um dos organizadores do ato dos colloridos era o prefeito de Traipu, Marcos Santos (PTB), preso por corrupção e solto graças a uma liminar. O local e a hora dos dois atos foram os mesmos. No encontro das passeatas, cada uma com cerca de 500 pessoas, foi necessária a presença do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar.

O TRE reforçou a segurança, para evitar quebra-quebra diante de sua sede, onde os manifestantes se encontraram. Carros de som do “Fora Collor” repetiam parte da conversa gravada entre Collor e o jornalista Hugo Marques. Mas não houve confronto.

Fonte: Blog do Noblat

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>’Vamos fazer inveja no Serra’, diz Lula a Evo Morales

Posted on maio 29, 2010. Filed under: Bolívia, Eleição, Evo Morales, José Serra, Lula, nacional, política |

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Em momento de descontração logo após a foto oficial de chefes de Estado no 3.º Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, no saguão do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu abraçado ao boliviano Evo Morales e fez piada com o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que, na quarta-feira, afirmara que o governo da Bolívia “é cúmplice” do tráfico de cocaína para o Brasil. “Vamos posar aqui; vamos fazer inveja no Serra”, disse Lula ao colega, rindo bastante, em frente aos fotógrafos. De mãos dadas como presidente do Brasil, Evo também riu, mas não comentou a declaração. 
Tasso Marcelo/AE

Pouco depois, a entrevista coletiva de Morales, que estava agendada para as 16h, foi cancelada. A jornalistas, o boliviano se recusou a responder a perguntas e deu um palpite sobre a Copa do Mundo: “O Brasil será campeão.”

Antes, em discurso na reunião plenária de cúpula, no início da tarde, Morales foi muito aplaudido: “Precisamos salvar a humanidade e a natureza do capitalismo”, defendeu. Para ele, criou-se uma “anticivilização” em que tudo vira mercadoria. “Essa anticivilização está levando à destruição do planeta”, discursou. O presidente boliviano comparou a colonização da América a um 
    
Lula e Evo se cumprimentam no MAM

 

“genocídio” e afirmou que a riqueza de civilizações europeias foi construída à custa de “sangue e ouro do nosso continente”.
“Uma civilização não se faz com guerras, balas e bases militares. Não haverá paz enquanto não tiver justiça social.”  Fonte: Estadão

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>Eleições 2010: Pesquisa Datafolha aponta Dilma e Serra empatados com 37%

Posted on maio 22, 2010. Filed under: Datafolha, Dilma, Eleição, eleições 2010, eleitores, Marina Silva, pesquisa, Serra |

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Dilma Rousseff, pré-candidata pelo PT à Presidência da República chegou a seu melhor momento na campanha, conforme pesquisa divulgada neste sábado, 22 de maio, pelo Instituto Datafolha, está empatada com o também pré-candidato José Serra, PSDB, com 37%.
Marina Silva, do PV, atingiu 12%.

Os indecisos somam 9%.
Eleitores que votam nulo ou em nenhum aparece com 5%
A pesquisa foi feita nos dias 20 e 21 de maio com entrevista de 2.660 eleitores.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. 
Na comparação com a última pesquisa Datafolha, realizada em 15 e 16 de abril, Dilma teve uma alta de sete pontos percentuais -de 30% para 37%. Já Serra caiu cinco pontos, saindo de 42% para os mesmos 37%.

Essa é a primeira vez que ambos aparecem empatados no Datafolha, que traz outros números positivos para a petista.
2º turno e rejeição
Quando são colocados na lista de candidatos os concorrentes de partidos pequenos, o cenário não se altera muito. Dilma e Serra continuam empatados, cada um com 36%. Marina tem 10%.
E só dois nanicos pontuam: José Maria Eymael (PSDC) e Zé Maria (PSTU). Dilma também colheu bom resultado na rejeição: seu índice caiu de 24% para 20% enquanto o de Serra subiu de 24% para 27%.
Marina também teve um resultado positivo, pois sua rejeição caiu de 20% para 14%. 
Na projeção de segundo turno, os dois estão tecnicamente empatados: Dilama tem 46% contra 45% de Serra. 
Em abril, Serra aparecia dez pontos à frente da petista nesse quesito, com 50% a 40%. 

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>Classe média nova e eleição

Posted on março 2, 2010. Filed under: Classe média, Eleição, pesquisa, renda familiar |

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A grande pergunta da eleição para presidente é saber em quem vai votar a nova classe média que surgiu no Brasil nos últimos anos. Sua renda familiar estaria entre 1.100 e 4.800 reais. Segundo uma informação estariam nessa faixa de ganho cerca de 90 milhões de brasileiros ou quase metade da população do país. Decide qualquer eleição.

André Singer, que fez pesquisa sobre o assunto, diz que esse contingente poderia votar não com o PT, mas nessa figura nova da política nacional: no lulismo. Bolívar Lamounier, outro que fez pesquisa nesse segmento, não acha que essa classe esteja vinculada a gentes e lados políticos. O que ela quer é continuar com os benefícios que conseguiram e iria contra quem atrapalhasse isso.

Vou meter minha colher de pau nesse assunto. Singer pode estar certo para esta eleição e Lamounier para o longo prazo das eleições no Brasil ou quem mexer nos ganhos da nova classe seria fuzilado por ela.

Para esta eleição, porém, pode ser que ela vote, em sua maioria, onde o Lula pedir. Tem receio de que outro possa fazer mudanças. E o Lula vai fazer a eleição em cima disso, falando o tempo inteiro que não se pode mudar, a continuidade só virá com a sua candidata.

A pesquisa de Lamounier mostra que o grau de instrução dessa classe é ainda baixo. Não dá para ela definir rumos futuros em cima de números apresentados. Funcionaria mais, no caso, a emoção (Lula é bom nisso) e não a lógica de dados, números e história. Talvez no futuro, quando ela melhorar seus conhecimentos.

Não adianta arguir também que o que está acontecendo é fruto do trabalho de mais de um governo. Essa classe média, por agora, não vai olhar por aí. Se a melhora em sua vida ocorreu agora, o rei de plantão levaria os benefícios.

Lula está perdendo o apoio da antiga classe média urbana, aquela que votava sempre no PT. Aquela ascendeu, Lula está ganhando espaço nessa outra. É o lulismo que ganha e não o PT. É o Lula que poderia transferir esse voto a Dilma Rousseff.

Então ela já ganhou a eleição? Pode perder para ela mesma. Se pisar na bola, não se explicar direito, cometer gafes, aí pode dançar. O PSDB é bom para explorar esses detalhes. É só lembrar do caso Ciro Gomes na eleição de 2002. Já estava ameaçando o Serra ir para o segundo turno quando falou algumas coisas que não deveria falar e o PSDB pegou duro nele. Se a Dilma titubear na eleição pode receber tratamento igual.

Se, por outro lado, ela, para não errar, se calar o máximo possível, deixar o Lula falar por ela, pode ser ruim também, passaria uma imagem negativa. A oposição pode entrar por aí. É o que FHC já está fazendo ao dizer que ela é apenas reflexo de um líder. Se a tal classe média nova perceber isso, com receio de entrar alguém no governo sem capacitação adequada, poderia não aceitar o convite do Lula para votar nela.

Mas, se não ocorrer nada de anormal, é possível arguir que a maior parte dessa nova classe poderia votar na candidata indicada pelo presidente. Para o futuro a história é outra.

Autor: Alfredo da Mota Menezes -E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com
Fonte: A Gazeta
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