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>A falência da elite

Posted on fevereiro 1, 2011. Filed under: elite |

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Por Dora Kramer 
Nunca foi tão verdadeiro o bordão da ex-senadora Heloisa Helena sobre o “balcão de negócios” que se instalara na Praça dos Três Poderes e comandava as relações políticas no Brasil.
O que há algum tempo era denúncia de uma personalidade rebelde hoje é voz corrente entre os parlamentares. Amanhã poderá – não se duvide disso – vir a ser prática reconhecida oficialmente, tal a rapidez com que se deteriora o Poder Legislativo.
Há cinco anos a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara foi um ponto fora da curva. Hoje, a escolha de deputado inexpressivo junto ao público para dirigir a Casa é fato aceito, padrão incorporado. Amanhã poderá vir a representar o curso natural das coisas.
Há dois anos causou espanto a quantidade de irregularidades reveladas a partir da eclosão do escândalo dos “atos secretos”, mediante os quais a diretoria do Senado fazia e desfazia ao arrepio da lei, do regimento e da transparência.
Hoje ainda não se reduziram os funcionários de confiança, afilhados políticos seguem em seus empregos, não houve punições significativas. Da reforma administrativa prometida só se conhecem os R$ 500 mil pagos à Fundação Getúlio Vargas por um projeto que deu em nada e aumento de salários.
Hoje será eleito pela quarta vez o presidente que, ao assumir o posto pela terceira vez, em 2009, passou um ano como protagonista de uma crise que revelou desvios de conduta em série e só não resultou em renúncia por interferência do então presidente da República.
Sob incrédulo desdém geral e a tolerância desarticulada de suas excelências, José Sarney (PMDB-AP) consagra-se como o mais qualificado entre os 81 senadores. Mal visto pela opinião pública, mas, no dizer dos nobres colegas, o melhor e mais indicado para presidi-los.
Aqui merecem destaque os parlamentares de oposição. Muitos, não todos, clamaram pela regeneração da Casa. Quando viram que não daria resultado, dobraram-se docemente às conveniências corporativas. E isso sem o pretexto do dever de ofício frente às exigências de uma estratégia governista.
Um exemplo: nem um pio sobre a condução da Comissão de Orçamento. É possível que tenha a ver com acerto feito com o então relator Gim Argello (antes da apressada e conveniente renúncia) para o aumento das verbas do fundo partidário? Muito provável.
Amanhã, quando surgirem novas denúncias nenhum senador poderá dizer que a cigana os enganou. Mesmo entre os que chegam agora raros são os neófitos, todos sabem muito bem por onde andam as cobras e, ainda assim, aceitam as regras tais como elas são.
O PSDB reivindica a primeira-secretaria, foco das irregularidades administrativas. É de se observar qual o objetivo do partido ao reivindicar o lugar. Irá enfrentar a corporação? Vai mudar os meios e os modos ou vai compor em troca do posto? Ali, basta não fazer coisa alguma para compactuar.
Argumenta-se que Sarney representa a estabilidade e Marco Maia, na Câmara, o respeito aos interesses da maior bancada, o PT.
Pois é de se registrar que quando a solidez de uma instituição é garantida de um lado pela figura de um político eivado de denúncias, alvo da desconfiança do público e, de outro, pelos arranjos internos de um partido, significa que foram perdidas as melhores referências.
Estaria nas mãos do Congresso recuperá-las, mas, pelo que se vê, não há o menor interesse em se desmentir o velho vaticínio segundo o qual a conformação do novo Parlamento será sempre pior que a do anterior.
Haveria tempo e sustentação na sociedade para a execução de um plano de regeneração, se houvesse vontade. Não havendo, prossegue a democracia brasileira fazendo de conta que é representativa depreciando a si ao considerar que se vê no Parlamento é o chamado “retrato da sociedade”, deixando passar mais uma oportunidade de sair da trilha da ladeira abaixo.
Isso sob o olhar algo indignado, mas complacente da elite na melhor acepção do termo: da inteligência aliada ao espírito público, que fenece, mas por incrível que pareça, dela ainda há resíduo no Congresso. Fonte: Estadão
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>PT, oposição e Marina

Posted on julho 29, 2010. Filed under: Colégio Eleitoral, Dilma, elite, Lula, Marina, Oposição, Plano Real, Proer, PT, Responsabilidade Fiscal, Tancredo Neves |

>Por Alfredo da Mota Menezes

A oposição ao Lula e ao PT passou anos sem saber como fazer oposição. Agora resolveu bater e gente do partido e da campanha logo falou em golpismo, preconceito, udenismo, conspiração da elite.
Estranha reação. O PT e o Lula se fizeram politicamente batendo para valer em quem estivesse pela frente. Agora, quando a oposição usa, ainda que timidamente, o mesmo recurso, parece que o mundo vai acabar.
Só para refrescar a memória. O PT e o Lula foram contra o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Proer ou programa de recuperação dos bancos, a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral que empurrou a ditadura para a história, contra o programa econômico do Malan (depois adotado), contra as privatizações e a renegociação das dívidas de estados e municípios e não assinou a Constituição de 1988.
Nem estou falando dos casos de se bater em gentes e partidos, só em algumas ações que mudaram o Brasil. Batendo em tudo e em todos, o grupo chegou ao poder. A oposição, somente agora na campanha, tenta usar o que o PT usou e é acusada de baixar o nível ou de mentir para a população.
Acho que mais que bater a oposição teria que decifrar o enigma Dilma para a sociedade. Ela, escreveu alguém, é ainda uma embalagem. Produzida para a campanha, não mostrou ainda o que é. Ela não pode se esconder o tempo todo no Lula. O Brasil já teria que conhecê-la por inteiro, como conhece o Serra e a Marina. A oposição não está sabendo como tirá-la do casulo.
Outro fato do momento chama atenção. A esquerda no Brasil sempre disse que a elite abusava da lei, que era feita somente para os mais pobres ou contra os partidos menores. Hoje a candidatura do PT abusa da Lei Eleitoral e até desqualifica quem quer aplicá-la. Se comporta da mesma forma que a tal da elite antes criticada.
A maioria das pessoas egressas da esquerda política acha que nunca erra. O erro é sempre dos outros. É uma distorção que vem da história.
Os que defendiam o socialismo acreditavam que estavam ao lado da verdade. Que, acontecesse o que fosse, lá na frente, sem nenhuma dúvida, suas teses seriam vencedoras no mundo. O Muro de Berlim caiu, a esquerda se esfarelou e ainda tem gente com a boca torta pelo cachimbo histórico.
Um comentário sobre uma antiga petista. Assisti longa entrevista da Marina Silva por um canal de televisão. Bem vestida e produzida, tendo à frente bons debatedores, ela é articulada nas respostas.
Até acho que a Dilma Rousseff não quer participar de debates não é com receio do Serra. É da Marina. A comparação entre as duas favoreceria à antiga petista. Confirmaremos isso no momento apropriado.
Se ela fosse candidata do Lula no lugar da Dilma, o Serra já estaria na poeira há muito tempo. Cara do Brasil, articulada, com uma história de vida interessante e com apoio do Lula seria uma parada indigesta para a oposição.



Alfredo da Mota Menezes. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com

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