Embrapa

>Embrapa vai desenvolver variedade de soja tolerante à seca

Posted on setembro 4, 2009. Filed under: CTNBio, Embrapa, Jica, Pesquisa Agropecuária, soja |

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deve oficializar até o fim do ano uma parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica, na sigla em inglês) com o objetivo de desenvolver variedades transgênicas de soja tolerantes à seca. As bases do acordo foram acertadas nos últimos dias, durante visita de uma comissão técnica japonesa ao Brasil. A perspectiva é de que o governo japonês invista pelo menos US$ 3 milhões na compra de equipamentos e reagentes, além de treinamento e contratação de pesquisadores brasileiros.

O projeto deve durar cinco anos e será executado nos dois países, em parceria com o Centro Internacional de Pesquisa em Ciências Agrícolas do Japão (Jircas) e a Corporação Japonesa de Ciência e Tecnologia (JST). Embrapa e Jircas possuem um acordo de cooperação técnica desde 1995 e, há seis anos, trabalham em um projeto para desenvolver linhagens de soja resistentes à estiagem. O Jircas detém a patente do gene Dreb (sigla em inglês para Proteína de Resposta à Desidratação Celular), que confere às plantas maior tolerância a situações de estresse climático. Um acordo assinado em 2003 liberou o gene para a Embrapa, que começou a pesquisá-lo em linhagens de soja.

Com a nova parceria, outros genes devem ser disponibilizados para a empresa brasileira. “Já geramos várias plantas que, aparentemente, têm tolerância à seca. Obtivemos liberação da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), e as primeiras variedades serão testadas em campo a partir de novembro”, disse Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Embrapa Soja que coordena a equipe brasileira no projeto. A assinatura do convênio vai ampliar o leque de instituições envolvidas no projeto e abrir novas linhas de pesquisa para tolerância de plantas à seca, avalia.

Gerson Freitas Jr.

São Paulo/AE – Fonte: A Gazeta

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>A importância da biotecnologia para produção de carne bovina

Posted on agosto 8, 2009. Filed under: biotecnologia, bovinocultura, carne bovina, Embrapa, febre aftosa |

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A notícia sobre os focos de febre aftosa nos Estados do Mato Grosso do Sul e do Paraná, responsável pela queda nos preços da arroba do boi e nas exportações de carne bovina levou por água as expectativas dos exportadores que almejavam melhorar a remuneração da carne bovina brasileira, a qual vinha liderando os embarques mundiais. As estimativas preliminares do setor privado apontam para perdas de US$ 1,7 bilhão em exportações de carne com os embargos impostos por 49 países aos produtos brasileiros por causa da febre aftosa.

As especulações sobre as causas do reaparecimento da febre aftosa no Brasil reacenderam as discussões sobre a eficácia dos programas de imunização. A falta de eficiência das vacinas utilizadas atualmente baseia-se no fato das mesmas apresentarem janela imunológica longa (período em que o animal vacinado permanece desprotegido) ou ainda por apresentarem problemas de biossegurança na sua produção e na estocagem. As vacinas produzidas a partir das técnicas disponíveis nos laboratórios de biotecnologia, as quais permitem alterar as moléculas (ácido dexorribonucléico ou DNA e ácido ribonucléico ou RNA) que contém todas as informações genéticas de um indivíduo, podem substituir com vantagem as vacinas tradicionais, já havendo diversos exemplos em desenvolvimento ou comerciais. Essas vacinas são conhecidas como vacinas recombinantes. Existe ainda a possibilidade de produção de vacina contra aftosa em plantas geneticamente modificadas (transgênicas). Ao se alimentar com a planta modificada os animais podem produzir anticorpos contra a aftosa que os deixarão “protegidos”, o que significa que ao entrarem em contato com o vírus não irão manifestar os sintomas da doença. Dentre as vantagens dessas vacinas pode-se citar a não necessidade de refrigeração ou armazenamento em baixas temperaturas, a estabilidade e sua aplicabilidade para uso em países subdesenvolvidos.

Além disso, o uso da biotecnologia pode fornecer subsídios para o desenvolvimento de testes laboratoriais para o diagnóstico mais preciso, barato e precoce da febre aftosa. Novos métodos de diagnósticos mais rápidos e seguros podem ser realizados utilizando a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), uma das ferramentas mais utilizadas nos laboratórios de biotecnologia para sintetizar e multiplicar in vitro regiões específicas do DNA ou RNA de qualquer organismo.

Outro problema que afeta diretamente a rentabilidade da produção de carne bovina é a infestação com carrapatos e bernes, também conhecidos como ectoparasitos, que causam reduções drásticas na produção de carne bovina. Estima-se que o Brasil deixa de produzir em torno de 26 milhões de arrobas de carne bovina por ano levando a um prejuízo próximo a 2 bilhões de reais por causa das infestações com o carrapato do boi (Boophilus microplus). Atualmente, o controle desse carrapato pode ser realizado com a utilização de produtos químicos (acaricidas), vacinas e animais de raças resistentes. O controle baseado no uso exclusivo de acaricidas enfrenta os problemas da resistência adquirida pelos carrapatos num curto espaço de tempo, ao elevado custo econômico e ao impacto ambiental negativo. Por isso, muita importância está sendo dada às novas alternativas, como o uso de vacinas recombinantes e de animais geneticamente resistentes. E, nesses casos, as ferramentas de biologia molecular auxiliam nas buscas por antígenos (matéria prima das vacinas) e por animais que apresentem genes ou conjunto de genes que estejam relacionados com a resistência aos carrapatos. As técnicas de clonagem (reprodução de indivíduos geneticamente idênticos) auxiliam na produção em escala comercial dessas vacinas.

Mas, os ganhos que podem ser alcançados com o uso da biotecnologia vão além da sanidade do rebanho. O manejo reprodutivo e, conseqüentemente, o melhoramento genético do rebanho ganharam grandes aliados a partir do surgimento da inseminação artificial na década de 50 e com o advento do congelamento do sêmen que propiciou a rápida multiplicação do número de descendentes geneticamente superiores. Na década de 70 surgiu a transferência de embriões, a qual tornou possível escolher também a melhor fêmea a ser fecundada. O avanço seguinte veio com a fecundação in vitro, no laboratório, que acelerou o aproveitamento dos muitos “óvulos” (oócitos) da fêmea doadora e colocou muito mais vacas para multiplicar descendentes. No final do século 20, a engenharia genética na área animal surpreendeu o mundo através do desenvolvimento de técnicas de clonagem de animais adultos, trazendo à tona a possibilidade de se multiplicar em laboratório animais de elevado valor genético e econômico. Através das técnicas de manipulação do DNA pode-se vislumbrar a possibilidade de produção de animais com maior velocidade de ganho de peso e capacidade de produção de carne mais saborosa e com menos gordura.

Nos últimos 30 anos através dos conceitos da genética de populações, várias metas foram alcançadas em relação às várias características de interesse econômico, como crescimento mais rápido, reprodução e carne de melhor qualidade. Apesar de todo esse ganho, a pecuária nacional ainda está em busca de melhores índices em termos de precocidade sexual e de terminação de carcaça. Enquanto nos Estados Unidos e na Europa o gado de corte está pronto para o abate com menos de dois anos de idade, no Brasil a média ainda é de 3,5 anos para que os animais atinjam o peso vivo ideal para abate, entre 240 e 330 kg. Isto porque 80% do rebanho brasileiro é composto por animais zebuínos, notavelmente menos precoces que os de origem européia. As fêmeas das raças zebu, em média, entram em reprodução em torno de 24 meses de idade enquanto as de origem européia o fazem com idade em torno de 14 meses. A oportunidade de utilização de fêmeas sexualmente mais precoces tem reflexo direto na eficiência, rentabilidade e competitividade da pecuária bovina nacional. Rebanhos detentores de elevada precocidade sexual e fertilidade possuem maior disponibilidade de animais, tanto para venda como para seleção, o que permite progressos genéticos mais elevados, maior quantidade de carne produzida e, conseqüentemente, maior lucratividade. No entanto, a redução da idade ao primeiro parto, resultante do aumento da precocidade sexual das fêmeas, parece ser o maior desafio para os criadores de gado zebu brasileiro. A grande esperança para o melhoramento mais eficaz e mais rápido das raças zebuínas, em especial a Nelore, está aliada aos resultados obtidos com a genética molecular, a qual vem se tornando cada vez mais comum nos centros de pesquisas.

Apesar de toda a polêmica envolvendo as técnicas de clonagem e de transferência de genes para a produção de indivíduos transgênicos, não devemos deixar de considerar todos os ganhos que já foram alcançados e, principalmente, aqueles que ainda podem ser alcançados com uso da biotecnologia na produção animal. A Embrapa, maior empresa de pesquisa agropecuária no Brasil, é pioneira nas pesquisas com plantas transgênicas e foi a primeira a lançar através da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em 1986, uma planta modificada geneticamente. A Embrapa Gado de Corte está testando uma vacina recombinante contra o carrapato Boophilus microplus e na Embrapa Pecuária Sudeste estão sendo desenvolvidos inúmeros projetos com marcadores moleculares associados com características de interesse econômico para a bovinocultura de corte. Na região norte, a Embrapa Rondônia está montando um laboratório de biotecnologia onde serão desenvolvidos estudo com diagnóstico molecular da tristeza parasitária bovina (TBP), principal doença transmitida pelo carrapato do boi, e também sobre marcadores moleculares em raças zebuínas. Logo, o Brasil já possui recursos humanos e tecnológicos suficientes para melhorar os seus índices de produção de carne bovina, bem como resolver problemas graves de sanidade do rebanho e as ferramentas da biotecnologia podem ser grandes aliados para que esse objetivo seja alcançado o mais breve possível.

Fonte: Agronline

Autor: Ana Karina Dias SalmanEnvie um email!

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>Corredores ecológicos e ecoturismo no Pantanal

Posted on agosto 3, 2009. Filed under: cerrado, ecológico, ecoturismo, Embrapa, pantanal |

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Os corredores ecológicos, conectando as diferentes áreas de conservação, têm sido apontados como uma estratégia adequada para minimizar as perdas de espécies e de variabilidade genética associadas com o isolamento das áreas protegidas. No workshop “Ações Prioritárias para a Conservação do Cerrado e do Pantanal”, realizado em março/98, em Brasília, pesquisadores e conservacionistas ali reunidos propuseram o estabelecimento de corredores ecológicos, ligando o Cerrado e o Pantanal, em especial, sugeriram três eixos se estendendo no sentido leste-oeste: o eixo superior, ao longo dos rios Cuiabá, São Lourenço e Piquiri; o eixo médio, ao longo do Rio Taquari, e o eixo inferior, ao longo dos rios Negro e Miranda .

O Governo de MS adotou o conceito de corredores em sua estratégia de conservação, incorporando-o em sua legislação e criando o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro e o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari, além das três Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), totalizando 133 mil ha de áreas protegidas, em locais estratégicos ao longo destes corredores. O investimento na criação e implantação dessas áreas pode chegar à ordem de 10 a 15 milhões de reais. Entretanto, desde que os Estados de MS e AM estão sendo pioneiros na adoção desta estratégia de conservação, a eficácia do estabelecimento de fluxo gênico e movimento da biota ao longo dos corredores ainda não foi devidamente demonstrada.

Paralelamente à criação de unidades de conservação, a adoção de um modelo de desenvolvimento sustentado econômica e ecologicamente tem sido buscada pelos governos dos Estados de MS e MT. Na região do Pantanal a atividade de ecoturismo tem sido apontada como uma alternativa econômica de baixo impacto ambiental e vem se estabelecendo tendo na contemplação da fauna silvestre sua principal atração. Esta atividade agrega valor aos recursos naturais e gera empregos. Embora o turismo pesqueiro esteja consolidado no Pantanal e já represente a segunda atividade econômica da região, só recentemente as empresas do setor turístico despertaram para a potencialidade do ecoturismo. Mesmo assim, municípios como Corumbá já contam com pelo menos oito hotéis-fazendas e quatro operadoras oferecendo “safaris fotográficos”, além de grupos independentes que oferecem uma espécie de “turismo selvagem” a jovens vindos principalmente da Europa.

Na atualidade, os passeios e “safaris fotográficos” vendidos aos turistas são, em geral, deficientes em qualidade, principalmente por causa do baixo nível de informação sobre a biologia e ecologia das espécies pantaneiras passados pelos guias turísticos. Esta deficiência deve-se não somente ao despreparo desses guias, mas também à pouca informação científica disponível sobre a maioria das espécies do Pantanal. O crescimento desse tipo de atividade não será sustentável, se não for adequadamente exercida, com base em informações fornecidas pela pesquisa científica e decodificada para os guias turísticos e público geral.

E o que a Embrapa tem a ver com isso? Até pouco tempo nada. Entretanto, recentemente, a Embrapa, em seu terceiro Plano Diretor (III PDE – 1999-2003), deu um enfoque mais amplo à sua definição de “agronegócio” e incorporou definitivamente o termo “desenvolvimento sustentável”. Para que a política de conservação baseada nos “corredores ecológicos” tenha êxito em MS, será preciso que a iniciativa privada participe do processo. Em alguns casos, isto implicará em redefinições do uso do espaço dentro das propriedades rurais. Por exemplo, alguns fazendeiros podem ser convidados a realocarem suas reservas legais, de modo a redesenhar a paisagem ao integrá-las em “corredores”. Se a estratégia de conservação, baseada em corredores, for uma opção tão forte, que implique no rearranjo do uso do espaço dentro das fazendas, então a Embrapa vai querer participar deste processo.

Os avanços consolidados no III-PDE levaram a Embrapa Pantanal a incluir em seu documento programático (Plano Diretor da Unidade – PDU), demandas até então impensáveis para uma unidade da Embrapa, como “inventário e zoneamento dos recursos naturais de interesse para o turismo”, “informações sobre biologia e ecologia de espécies de interesse turístico” ou determinação do “valor econômico de grandes vertebrados para as atividades ecoturísticas”.

Atender a estas demandas vai representar um desafio, sobretudo porque, neste novo contexto, informações biológicas básicas passam a ter aplicação imediata. Por exemplo, em setembro de 1999, durante um curso oferecido a um grupo de guias de turismo que operam no município de Corumbá, pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo (SEMATUR), eu perguntei aos alunos se pequenos anuros ou se flores de certas plantas aquáticas (Nymphaea spp.) eram de interesse para os turistas, e a resposta foi um sonoro “não”. Na opinião deles, os turistas só se interessariam por espécies “carismáticas”, como tamanduá-bandeira, onça pintada ou ariranha. Entretanto, quando repliquei que se eles contassem aos turistas a história de vida destas espécies, talvez isto os agradasse. A pequena espécie de anuro, uma rã (Physalaemus nattereri) se protege dos predadores enterrando-se na areia. A flor de Nymphaea exala um odor que atrai um besouro e depois fecha-se, prendendo-o durante o dia. Esta flor só se abrirá quando anoitecer, libertando o besouro, absolutamente carregado de pólen e pronto para polinizar uma outra flor.

Os guias, então, foram unânimes em concordar que coisas como estas interessariam aos turistas, ou seja, a informação biológica é o produto. Isto vai demandar uma nova abordagem de pesquisa, porque, de um lado, o tipo de informação de que se está tratando é muito diferente do tipo de informação “aplicada”, com a qual os pesquisadores da Embrapa estavam acostumados a lidar.

Uma alternativa será o estabelecimento de parcerias com pesquisadores oriundos das universidades, praticantes de uma ciência “mais pura”. Por outro lado, vai demandar também uma horizontalização do conhecimento gerado, para que este chegue ao público-alvo de operadores de turismo e turistas, com a qual os pesquisadores de “ciência pura” não estão acostumados. Será a etapa de desenvolvimento dos produtos, tão pouco praticada e compreendida no Brasil. Que meios serão usados neste “desenvolvimento” ainda são um desafio para minha imaginação, mas posso prever que “produtos” como “manuais de identificação de espécies”, “guias de campo”, e a oferta de cursos de extensão para operadores de turismo prometem ser um bom início.

Adicionalmente, estes novos desafios de desenvolvimento e conservação vão exigir que os pesquisadores, tanto da Embrapa quanto das universidades, participem mais ativamente na formulação das políticas públicas, para o bem da sociedade.

Fonte: Agroline

Autor:Guilherme de Miranda Mourão
Pesquisador – EMBRAPA/CPAP

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