envelhecer

>Amor rapadura ou amor doce de leite?

Posted on fevereiro 21, 2010. Filed under: AMOR, doce de leite, envelhecer, juventude, maturidade, namoro, paixão, rapadura |

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Margareth Botelho

Uma das vantagens de envelhecer, tanto em corpo como em alma, é a facilidade como passamos a enxergar a vida. O que antes era impossível de se resolver ou exigia manobras mil para se chegar a um bom termo, na maturidade basta um estalo de dedos. Vejo isso com meus filhos adolescentes. Que fase mais sofrida essa! Por exemplo, um namoro mal resolvido derruba o jovem na mesma proporção de uma perda mais real, mas que somente com o tempo ele dará conta disso. A paixão é avassaladora na juventude e as cobranças dos amigos, da galerinha, não permitem que a vítima desse amor viva o relacionamento da forma como deseja.
Talvez sempre tenha sido assim. Aliás, acho mesmo que foi. Tenho lembranças da minha juventude e, confesso, a palavra da amiga ou amigo valiam muito mais que os “sábios” conselhos da minha mãe. O romance que todos desejamos – muitos têm vergonha de admitir – tem começo, meio e fim. E ainda que estejamos no século 21, com um índice altíssimo de divórcios, é muito comum a pretensão de namorar, casar e ter filhos. Enfim, constituir uma família e ponto.
Acredito que o amor romântico, apaixonado não esteja se esvaindo e sim as relações homens e mulheres que não andam boas, saudáveis, eu diria. Os casamentos são desfeitos pelo simples fato de que homens e mulheres mudaram totalmente a forma de encarar o mundo e essa nova família. Um dos desafios é superar sentimentos de posse. O amor companheiro, menos emocional, porém mais leal e compartilhado surge como uma saída para as uniões infelizes e que muitos forçosamente as mantêm por comodismo.
O ledo engano é a tal da eternidade que leva a maioria dos casais acharem que o amor aumenta com o passar dos anos. Acredito que pode até aumentar para alguns. Afinal, há aqueles que conseguem encontrar um meio termo e viverem juntos, comprometidos um com o outro. Seria uma fórmula mágica de relacionamento sólido? Não sei realmente responder… 
Voltando lá nos meus filhos adolescentes, sinto neles essa busca permeada pela frase repetitiva “e foram felizes para sempre” tal qual em contos de fada. Isso me preocupa.
Afinal, divorciada há anos, classifico a nova relação homem e mulher como uma viagem desafiadora, onde uma boa dose de humor fará toda a diferença. Detalhes, espaços livres, rotina quebrada, são temperos que mudam uma trajetória que caminha para um final infeliz. É óbvio que o sexo tem uma importantíssima responsabilidade e completa a história. A química do corpo em compasso com a química do coração… Sim, porque se as histórias não batem, mais cedo ou mais tarde, as pessoas se descobrem angustiadas.
Outro dia conversando com um amigo, falamos sobre uma fórmula – nada inédita – que pode dar certo entre homens e mulheres que já experimentaram o casamento tradicional e hoje têm um grande medo de se envolverem emocionalmente, sexualmente e por aí vai. Seria o amor dividido em casas separadas… Afinal, preservar as nossas chatices, as nossas manias, fechá-las em quatro paredes pode ser a saída. O tempo a dois, marcado pelo imprevisível, é muito estimulante. Deixar que o olhar atento de um para o outro faça com que os corpos se entendam… hummm… tem sabor e parece perfeito! É escolher: amor rapadura ou doce de leite?
Margareth Botelho é jornalista em Cuiabá, diretora de Redação/Fonte:A Gazeta. E-mail: margareth@gazetadigital.com.br
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