escândalos

>Mato Grosso exige ética

Posted on maio 30, 2010. Filed under: associações, ética, cidadãos, corrupção, escândalos, Mato Grosso, Paradigmas, rei da soja, Silval Barbosa, sindicatos, transparência |

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Autor: Aladir Leite Albuquerque
O rei da soja foi eleito com muita esperança, com promessas de mudanças prometidas e repetidas em campanha política.


Mudanças no sistema tributário que ele definiu, como abaixar o imposto da cesta básica, baixar o ICMS da energia, e de lambuja abrir a caixa preta do governo anterior.


Mudanças políticas, definidas por ele. como a única forma de moralizar Mato Grosso.


Mudanças éticas em todo o aparato administrativo, pois ele definiu em campanha, que a transparência na administração publica, seria uma de suas metas se fosse eleito governador.


E ele foi eleito governador, e de acordo com seu mandato, ficou conhecido como “Quebra de Paradigmas” no curso de seu governo, aconteceu muitas coisas, menos as mudanças prometidas em palanque.


As mudanças éticas e a transparência foram por água abaixo, diante da bomba que foi armada com efeito retardado e, dada como presente de grego para o atual governador Silval Barbosa.


E hoje a definição de ética em Mato Grosso, está totalmente desvirtuada em favor da falta de pudor e de respeito com os Mato-grossenses, que na verdade foram surpreendidos com propagação de mentiras e escândalos a nível Nacional.


O termo corrupção que tanto está presente na mídia por conta da prática de atos ilícitos, imorais e. inconstitucionais contra as leis por parte de várias pessoas que ocupam cargo no poder público.


O que esses exemplos mostram na verdade é que o governo não consegue e não devem tratar da corrupção apenas por conta própria.


A sociedade civil em todas as esferas organizacional e as entidades não – governamentais, grupos de cidadãos, sindicatos, associações. Fonte: Olhar Direto

Autor: Aladir Leite Albuquerque

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>Justiça, advogados e políticos de Mato Grosso estão ‘sitiados’ pela Polícia Federal

Posted on maio 18, 2010. Filed under: Asafe, escândalos, Justiça, Mato Grosso, nepotismo, operação Asafe, Polícia Federal |

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A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje a operação “Asafe”. Desde a madrugada, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de advogados e ex-juízes. As primeiras informações são de que o alvo são 10 a 11 pessoas.

 
O nome da operação é referente ao Salmo 82, o Salmo de Asafe, que fala que Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses e faz uma reflexão sobre julgamento injusto. “Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios?”, diz parte do salmo. Mais informações a qualquer instante

 
Uma mega-operação está sendo desencadeada pela Polícia Federal nesta terça-feira, em Cuiabá. Agentes estão no Tribunal de Justiça fazendo o cumprimento de mandado de busca e apreensão. As primeiras informações indicam que há pelo mandados de busca e apreensão em 14 escritórios de advogados. Uma esposa de ex-desembargador aposentado e mais quatro advogados tiveram prisões decretas, segundo as primeiras informações. Casas de juizes e desembargadores também estão sendo ocupadas por policiais federais. Na Polícia Federal não há informações disponíveis ainda sobre a operação.

Há meses o Tribunal de Justiça de Mato Grosso está mergulhado em escândalos, que envolvem desde malversação do dinheiro público, casos de nepotismo e também suspeita de venda de sentenças. Por conta desses casos, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a aposentadoria de quatro desembargadores e sete juizes.

 
Foram aposentados compulsoriamente José Ferreira Leite, José Tadeu Cury e Mariano Alonso Travassos, e os juízes Marcelo Souza Barros, Antonio Horácio da Silva Neto, Irênio Lima Fernandes, Marco Aurélio dos Reis Ferreira, Juanita Clait Duarte, Graciema Ribeiro Caravellas e Maria Cristina Oliveira Simões, acusados de esquema de desvio de dinheiro. O desembargador José Jurandir de Lima também foi afastado por prática de nepotismo.

 
Por conta dos escândalos, o desembargador Paulo Lessa também entrou e teve aprovado seu pedido de aposentadoria, mas segue sendo investigado por irregularidades. Ferreira Leite, José Jurandir de Lima e Lessa foram recentes ex-presidente. Mariano Travassos ocupava a presidência do TJ quando foi aposentado. Fontes: Gazeta Digital e 24 hs News

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>Os escândalos parecem acontecimentos

Posted on março 25, 2010. Filed under: acontecimentos, Arnaldo Jabor, democracia, escândalos |

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Arnaldo Jabor
Quando comecei a escrever , jurei que jamais abriria um artigo com a velha técnica: “Estou diante da pagina branca…mas falta-me um assunto” ou “a tela vazia do computador brilha pedindo um tema nada me ocorre.” Jamais usei esta desculpa de articulista sem inspiração. E mantenho a promessa. Só que hoje não sou eu que estou sem assunto – é o Brasil. O governo nos surripiou, entre outras coisas, o “assunto”. Lula repete o ” espetáculo permanente” inventado por Jânio Quadros. E seus atos e fatos pautam o país.
É uma forma sutil de controlar a imprensa , obrigando-a a discutir ou refutar “factóides” que nos lançam o tempo todo. Somos obrigados a discutir falsas verdades, denúncias vazias, em meio ao delírio narcisista de que o Brasil é Lula, de que existimos para celebrá-lo ou odiá-lo.
Este primitivismo paralisa os acontecimentos nacionais. Ou pior, parece acontecer muita coisa no país, mas nada de real está se concretizando, alem do obvio previsto: estouro das contas publicas, obras de pacotilha, empreguismo, ideologismo ridículo e terceiro-mundista. Os escândalos “parecem” acontecimentos.
O PT encobre falcatruas em nome do poder, que eles chamam de “ideal socialista” ou algo assim. Tudo que acontece se coagula, coalha como uma pasta, uma “geleca”, um brejo de não-acontecimentos onde tudo bóia sem rumo. Ou então são eventos disparatados: um dia Lula está com o Collor; no outro, com o Hamas.
Uma visão critica e racional sobre o Brasil ficou inútil. A maior realização deste governo foi a desmontagem da Razão. Podemos decifrar, analisar, comprovar crimes ou roubos, mas nada acontece. Fica tudo boiando como rolhas na água. A sinistra política de alianças que topa tudo pelo poder planeja com descaro transformar-se numa espécie do PRI mexicano. 
Desmoralizaram o escândalo, as indignações, a ética (esta palavra burguesa e antiga para eles)… Esses pelegos usurparam os melhores conceitos de uma verdadeira esquerda que pensa o Brasil dentro do mundo atual, uma esquerda que se reformou pelas crises do tempo, antes e depois da queda do Muro de Berlim. Eles se obstinam em usurpar o melhor pensamento de uma genuína “esquerda” contemporânea, em nome de uma “verdade” deformada que instituíram.
Sinto-me um idiota (mais do que já sou, ai de mim…) e parece que ouço as gargalhadas barbudas de velhos sindicalistas como Vaccari, Vaccareza, Vanucci: “Ahh pode criticar…estamos blindados, tanto quanto os companheiros Sarney ou Renan…
As velhas categorias para explicar o Brasil morreram. Já há uma pós-corrupção, uma pós-direita (disfarçada de “esquerda”).
Somos uma sopa onde flutuam as eternas colunas sociais, com os sorrisos e as bundas nuas, as velhas madames e as novas peruas , os crimes, as balas perdidas, as revoltas nas prisões.
Já vivi épocas de cores mais vivas. O pré-64 era vermelho, não só pelas bandeiras do socialismo, mas pelo sangue vivo que nos animava a construir um pais, romanticamente. Era ilusão? Era. Mas tinha gosto de vida. A minha esquerda já foi sincera. Hoje é esta trama-pelega. E a ditadura de 64, aquele verde-oliva que nos cercou como uma epidemia de vil patriotismo? Era terrível? Sim. Mas, nos dava o “frisson” de lutar contra o autoritarismo ou de sermos “vitimas” das porradas da Historia. Já passei pelas drogas e desbundes da contra-cultura, pelos depressivos anos cinzentos post-mortem de Tancredo, passei pelos rostos amarelos e verdes do “impeachment”, pelo azul da esperança do Plano Real. E hoje? Qual é a cor de nosso tempo? Somos uma pasta cor de burro quando foge, uma cobra mordendo o próprio rabo, um beco sem saída disfarçado de progresso, graças à vitalidade da economia que o plano Real permitiu.
Somos tecnicamente uma “democracia”, que é vivida como porta aberta para oportunismos, pois a “cana” é menos dura… Democracia no Brasil é uma ditadura de picaretas. O povão prefere um autoritarismo populista e os intelectuais sonham com um socialismo imaginário que resolva nosso bode “capitalista”, quando justamente o injusto capitalismo seria a única bomba capaz arrebentar nosso estamento patrimonialista de pedra. Quem quiser alguma positividade é “traidor”. A miséria tem de ser mantida “in vitro” para justificar teorias velhas e absolver incompetência. A Academia cultiva a “desigualdade” como uma flor. .Utopia de um lado e burrice do outro impedem a agenda de nossas reformas urgentes, essenciais para nossa modernização, que grossos barbudos chamam de “neoliberalismo”.
Nos USA, tempo é dinheiro; no Brasil, a lentidão é a mola mestra do atraso. O Brasil gira em volta de si mesmo.
Somo feitos de sobras do ferro-velho mental do país, de oligarquias felizes e impunes, de um Judiciário caquético, das caras deformadas de políticos, das barrigas, das gravatas escrotas, da gomalina dos cabelos, das notas frias, da boçalidade dos discursos, dos superfaturamentos, tudo compondo uma torta escultura, um estafermo fabricado com detritos de vergonhas passadas, togas de desembargadores, bicheiros, cérebros encolhidos, olhos baços, depressões burguesas, hiper-sexualidade rasteira, doenças tropicais voltando, dengue, barriga d´agua, barbeiros e chagas, cheiros de pântano, ovos gorados, irresponsabilidades fiscais, assassinos protegidos no Congresso, furtos em prefeituras, municípios apodrecidos, decapitações, pneus queimados, ônibus em fogo.
No caos não há eventos. Para haver acontecimentos, tem de haver uma normalidade a ser rompida. Mas, nada acontece, pois a anormalidade ficou “normal”.
Tenho a sensação de que uma coisa espantosamente óbvia e sinistra está em gestação.
Por isso, gosto de citar a frase da bruxa do “Macbeth”: “Something wicked this way comes” (Shakespeare). Tradução: “Vem merda por ai!…”
Nossa chance única de modernização pode virar um “chavismo cordial”. 
Fonte: A Gazeta
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>Os graves problemas do Brasil

Posted on fevereiro 2, 2010. Filed under: Congresso Nacional, corrupção, criminalidade, escândalos, graves problemas do Brasil, pesquisa CNT-Sensus, preocupações, saúde pública, violência |

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Resultados da pesquisa CNT-Sensus revelam que a saúde pública, transporte e educação deixaram de ser as maiores preocupações dos brasileiros. A situação está mudando e preocupa. A pesquisa aponta que a corrupção, violência e a criminalidade são os maiores problemas enfrentados atualmente, revelando que, cada vez mais, o crescimento da criminalidade reflete no cotidiano das pessoas.

A pesquisa CNT-Sensus aponta que 69,4% dos brasileiros acreditam que a corrupção está aumentando no Brasil. O aumento da preocupação fica claro se comparado com os números da mesma pesquisa, que foi feita em setembro de 1998, apontando que 56% dos entrevistados achavam que a corrupção estava aumentando.


A violência é o problema que mais incomoda os brasileiros (22,9%). Na sequência vem outro motivo, mas igualmente ligado à criminalidade, ou seja, as drogas (21,2%). A saúde pública, apesar de todo caos vivido na maioria das cidades brasileiras, é apontada por apenas 6,7% dos brasileiros como o maior problema enfrentado.


Essa mudança na opinião dos brasileiros não chega a surpreender, muito pelo contrário. Trata-se sim do puro reflexo do que vem ocorrendo nas grandes cidades brasileiras, onde os índices de criminalidade aumentam cada vez mais. No Rio de Janeiro o tráfico de drogas dá as ordens. Em Cuiabá a violência também aumenta e na vizinha Várzea Grande os índices de assassinatos assustam. Chegam a atingir a média de um morto por dia, ou até mais.


Não é nenhuma novidade dizer que o combate à violência é um dos maiores desafios do governo brasileiro e que a corrupção precisa ser encarada com mais seriedade, em especial no âmbito do Congresso Nacional, onde sucessivos escândalos vêm sendo descobertos. Não se pode deixar de reconhecer que já houve muitos avanços, indo para a cadeia homens que até pouco tempo eram considerados intocáveis. Porém, todos sabem que ainda existe muita coisa para aparecer.


De um modo geral tudo isso acaba desgastando os Poderes e fazendo com que estes fiquem desacreditados. A violência é um dos piores males e a corrupção não fica para traz. A pesquisa CNT-Sensus revela essa realidade brasileira e deve servir para que, em todos os âmbitos – municipal, estadual e federal – sejam tomadas medidas no sentido de reverter essa lamentável situação. Fonte: A Gazeta

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>As seis faces da corrupção

Posted on janeiro 29, 2010. Filed under: agilidade, corrupção, corrupto, eleitores, escândalos, imprensa, severidade |

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Sem dúvida, a corrupção na esfera pública é algo que revolta e envergonha a grande maioria dos brasileiros. O fenômeno não é de hoje. Há registros de escândalos e propinas nas obras de fortificação do Rio de Janeiro em pleno Brasil-Colônia, no século XVIII. De igual modo, no Império e na República, nos períodos ditatoriais e democráticos. O fato é que ainda não se descobriu uma vacina totalmente eficaz contra esse mal.

No entanto, devemos combatê-lo. E para melhor combatê-lo, devemos conhecê-lo. Tenho observado que o debate público acerca da corrupção em nosso país muitas vezes não é esclarecedor, pois, de forma distorcida, é apresentada a ideia de que a corrupção se resume no personagem do “político corrupto” ou do ” funcionário corrupto”. Nada mais ilusório.

Para vencer a corrupção, temos que encarar o problema sob todos os seus ângulos. Visualizo a corrupção como um cubo, a exemplo de um dado, com seis faces, em que apenas uma é visível de cima, mas que só se sustenta pela presença das demais.

A face mais visível da corrupção é evidentemente a dos políticos – parlamentares ou não – e dos funcionários de todos os Poderes e esferas da Administração Pública. Só que não existe corrupto sem corruptor. Se alguém recebeu propina, é porque alguém, igualmente criminoso, lhe pagou. Essa é a segunda face da corrupção, a dos empresários e corruptores.

Uma terceira face, igualmente importante, é a dos órgãos judiciais e de controle. Se atuassem com a agilidade e a severidade necessárias, a corrupção seria reduzida.

A quarta face é a da imprensa. Ainda que muitas vezes seja ela quem denuncia os escândalos, em outras tantas ela silencia, mercê de interesses comerciais ou políticos.

A quinta e a sexta faces são as nossas, dos cidadãos brasileiros. Como eleitores, somos co-responsáveis pela qualidade dos dirigentes que escolhemos. Se insistimos em reeleger candidatos de probidade duvidosa ou de desonestidade comprovada, tornamo-nos cúmplices das irregularidades que vierem a ser praticadas. O eleitor alienado é a quinta face do dado.

Finalmente, a sexta face tem por nome a omissão. Para muitos de nós, a cidadania resume-se ao ato de votar e, eventualmente, resmungar contra os eleitos nos salões de barbearia ou nas filas de caixa eletrônico. Se tivéssemos maior participação, mobilização e organização, mesmo fora dos períodos eleitorais, os índices de corrupção cairiam bastante.

Para vencer essa luta, todas as seis faces da corrupção devem ser denunciadas e combatidas.

Autor: Luiz Henrique Lima é conselheiro-substituto do TCE-MT e doutor em Planejamento Energético. E-mail: luizhlima@tce.mt.gov.br – Fonte: A Gazeta

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>Vou ter saudades de tudo

Posted on dezembro 16, 2009. Filed under: Arnaldo Jabor, Congresso, escândalos, galáxia, jogo do Brasil, Nabokov, Nelson Rodrigues, Orgasmo, saudade, Tijuca |

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Eu andava pela rua S.Francisco Xavier. Eram os anos 30. Tudo em preto e branco, como num filme mudo. Nas calçadas, passavam homens de chapéu, mulheres de luvas e saias compridas. Nas ruas, carros “ford-bigode buzinavam. Eu ia em direção a casa de minha avó, lá na Tijuca.

Toquei a sineta da porta e ela surgiu, no alto da escada de pedra. Cabeça toda branca, minha avó desceu até o portão: “Que o senhor deseja?” -perguntou, sorrindo, mas desconfiada.


“Bem, d. Lucilia, é o seguinte: a senhora não me conhece, mas eu sou seu neto. Só que eu ainda não nasci, mas resolvi passar por aqui e pedir sua benção…” Minha avó me olhou com medo, a sineta disparou a tocar sozinha como um alarme, e eu acordei, sentindo uma infinita saudade dessa época em que eu não existia.


Acho que foi um típico sonho de fim de ano, que é festejado para esquecermos o tempo. A solidariedade natalina, as castanhas e panetones, os brindes felizes, tudo serve para banir a morte de nossas cabeças. “Como morrer num dia assim, com um sol assim?” – cantou Olavo Bilac.


Uma vez, li um texto do Nabokov, em que ele conta que vira umas fotografias de família, tiradas antes de seu nascimento. Sentiu-se, numa pré-morte, abandonado antes de viver, traído por seus parentes, rindo, felizes sem ele. É impossível entender a não existência. Daí o terror como pensar o impensável? Não adianta: tudo que se disser sobre a morte é lugar-comum – inclusive este.


Li um texto incrível do Martis Amis sobre os últimos momentos do Muhamad Atta, o comandante do ataque as torres do WTC, no 11 de setembro. Ele afirma que Atta não era religioso, nem político, nem revolucionário. Não acreditava em Alá; apenas queria conhecer o inominável, o segundo em que a vida acaba contra a muralha, aquele centímetro entre o ser e o nada.


O grande terror é sabermos que, mortos, ficaremos desatualizados logo, logo. As notícias vão rolar e eu de nada saberei. Como ficar por fora das artes, da política, até dos escândalos do Congresso? Haverá crises mundiais, filmes que estréiam, musicas lindas, e eu lá embaixo, sem saber das novidades? Quem ganhou a Copa? É insuportável a desinformação dos falecidos. Nelson Rodrigues dizia que em jogo do Brasil , até os esqueletos ouvem os lances num radinho de pilha, no fundo da cova. Não estar é terrível.


Meu avô disse uma vez: “Acho triste morrer, seu Arnaldinho, porque nunca mais vou ver a Av. Rio Branco…” Isso me emocionou, pois ele ia diariamente ao centro da cidade, onde tomava um refresco de coco na Casa Simpatia, passava na Colombo, comprava goiabada “cascão”, queijo de Minas e voltava para casa, de terno branco e sapato bicolor.


Há um menu de mortes, vividas de mil maneiras, ou melhor, não se vive a morte, óbvio, pois estamos no furo da tragédia, no olho do fim. A morte não entra em cena; no “Ivan Iliitch” do Tolstoi, quando ela chega, acaba o conto. Só assim se pode falar da morte: pela ausência. A morte não está nem aí para nós; ela tem “vida própria”.


A morte ignora nossos méritos, nossas obras. Ela é uma simples mutação da matéria que se cansa de resistir à vida. Freud: “a vida é o conjunto de forças que resiste à pulsão de morte”. A matéria quer sossego. Às vezes, quando tenho vontade de morrer, imagino, por exemplo, o mar da Bahia: vou deixar esse céu azul colado no grande oceano que bate em pedras negras com o sol afogado no horizonte? Vou sair daqui para ir aonde? Ao encontro de Deus? Mas, já estamos na eternidade, o universo é a eternidade. Não é que Deus esteja em tudo; tudo é Deus, como o grande gênio Espinosa sacou. Viver é ver Deus, ali, na galáxia e no orgasmo, no buraco negro e no coração batendo tudo a mesma coisa. Perdemos a paz dos pássaros e macacos, mas esse exílio nos deu a maravilhosa anomalia da linguagem. Vemos o universo de fora, estando dentro. Parafraseando Cézanne, “somos a consciência do universo que se pensa em nós”.


Desculpem o papo “cabeça”, mas final de ano me faz “filosófico”…


Por isso, quando penso que não irei ao meu enterro, tremo de pena de mim mesmo. Vou ter saudades de tudo. Acho triste a Lagoa azul e roxa no fim da tarde do Rio e eu sem ver nada. O jazz tocando num piano bar e eu ausente. Não terei saudades de grandes amores, nem do mundo de hoje, excessivo e incessante. Não. Debaixo da terra, terei saudades apenas de irrelevâncias: algumas tardes nubladas de domingo , quando o ar fica parado, com urubus dormindo na perna do vento, terei saudades do cafezinho, de beiras de botequins, do uisquinho ao cair da tarde em Ipanema – minha morte é carioca. Não terei saudades deste mundo febril; só de quietudes. Terei saudades de alguns raros instantes sem medo ou culpa, de momentos de felicidade sem motivo ao ouvir, digamos, “Sophisticated Lady”, no sax de Ben Webster e Billy Holliday, Erik Satie, João Gilberto, Matisse, Rimbaud, João Cabral, “Cantando na Chuva”, terei saudades de Fred Astaire dançando “Begin the Beguine” com Eleanor Powell felizes por toda a eternidade.


Nada de grandes prazeres globais, só calmarias: o silencio entre amigos na paz de um bar, papos de cinéfilos, risos e camaradagem de subúrbio, Lapa, o samba com o clima de amor que nos envolve nas rodas pobres, Noel Rosa, pernas cruzadas de mulheres lindas e inatingíveis, terrenos baldios, Paris (claro), o tremor de medo e desejo da mulher na hora do amor, a timidez, a delicadeza, a compaixão, a súbita alegria de uma vitória, o prazer da arte, Fellini, Chaplin, Shakespeare e Tintoretto em Veneza para sempre, terei saudades do Desejo e, claro, do meu Brasil.


Há mortes súbitas e lentas. Você, frágil leitor, qual delas prefere? O rápido apagar do “abajur lilás” num ataque cardíaco ou o lento esvair da vida, sumindo com morfina? Eu queria morrer como o velho Zorba, o grego, em pé, na janela, olhando a paisagem iluminada. E, como ele, dando um berro de despedida. Mas, não tenho sua grandeza épica.

Autor: Arnaldo Jabor – Fonte: A Gazeta


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>Brasil, uma pátria de meias e patacas

Posted on dezembro 5, 2009. Filed under: Brasília, Brasil, democracia, eleições, escândalos, greves, mágoas, militância, pátria, UNE |

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O Brasil é mesmo a pátria do panetone. Tudo aqui é festivo, ocasional, furtivo. Nossos protestos menores, nossas mágoas maiores. Tudo dura até o próximo verão, a próxima semana. Nunca mais que a próxima eleição. Para conferir isso, basta lembrar que depois de renunciar ao mandato de senador, por ter violado o painel eletrônico do Senado, o intrépido José Roberto Arruda foi promovido – talvez pela evidência do pequeno delito – a governador de Brasília.

Na época de violador da democracia, ele foi achincalhado. Algumas eleições depois, condecorado, promovido, absolvido pelo próprio povo. Como no célebre poema de Augusto dos Anjos, “a mão que afaga, é a mesma que apedreja”. Isso é o Brasil, esta é a nossa tosca democracia, sustentada por um provincianismo primário, filha bastarda de nossa servil consciência cívica.


República de meias e patacas, de cuecões e gravatas, não vimos o amadurecimento dos Caras Pintadas, que guardaram suas fantasias após o primeiro carnaval. Tudo aqui é assim, teatral, banal, nunca original, como se o país fosse um eterno baile de carnaval. Para o movimento estudantil e os congressos universitários, os eternos piqueniques ideológicos, exercendo sua cota de democracia com a eleição desse ou daquele presidente da UNE, tão comprometido quanto alienado. Os protestos não são para mudar o país, para mudar nossa sociedade, mas sim para mudar a visão e o conceito que as pessoas têm sobre cada um de nós. Como somos desprovidos de civismo. Como pagamos caro por nossa tola e inocente consciência política.


Isso justifica nossa representação popular, desfilando seus fantasmas em plena luz do dia. Como podemos pensar em um novo país, em um Brasil melhor, tendo um congresso composto por homens do quilate de Paulo Maluf, de José Genoino, Jader Barbalho, Antônio Palocci, Fernando Collor, entre tantos outros, durante tantos anos de desmandos e prevaricações. Essa é a pátria dos mensalões e dos mensalinhos, uma nação bem mensalina, bem sem vergonha, que troca seu futuro, o seu voto, por uma cesta básica, por uma ajudinha. É o corrompido corrompendo o corruptor, coisas do nosso amado Brasil!


Sabendo bem como se faz greves e como se organiza protestos, o Brasil de Lula é um Brasil silenciado, domesticado, docilizado: dos movimentos sindicais à militância partidária; dos movimentos estudantis às organizações não-governamentais. Todos, por certo, registrando seu mensalão ideológico, sua verbinha providencial. É no Brasil da impunidade que a corrupção viceja, é no Brasil da passividade que os escândalos se repetem. Lamentavelmente!


A nossa democracia, o nosso parlamento, é mesmo uma festa à fantasia… Cada um interpretando um personagem, cada um nos aplicando uma trágica peça. Tem o que ama, o que protesta, o que ri. Tem também o mau e o cara de pau. E, no final, todos se banqueteiam e se coçam, em uma mesma festa.

Autor:Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. http://www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com
Fonte: A Gazeta

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