esperança

>A felicidade é uma obrigação de mercado

Posted on agosto 4, 2010. Filed under: Arnaldo Jabor, esperança, Felicidade, galáxias, Mercado, obrigação, pessimista |

>Por Arnaldo Jabor

Desculpem a autorreferência, que é vitupério – mas, estou terminando meu filme “A Suprema Felicidade”, que me tomou três anos, entre roteiro, preparação e filmagem. Agora, sairá a primeira copia.
Amigos me perguntam: “Que é essa tal de “A Suprema Felicidade”? Onde está a felicidade?” Eu penso: que felicidade? A de ontem ou a de hoje?
Antigamente, a felicidade era uma missão a ser cumprida, a conquista de algo maior que nos coroasse de louros; a felicidade demandava “sacrifício”. Olhando os retratos antigos, vemos que a felicidade masculina estava ligada a idéia de “dignidade”, vitória de um projeto de poder. Vemos os barbudos do século 19 de nariz empinado, perfis de medalha, tirânicos sobre a mulher e os filhos, ocupados em realizar a “felicidade” da família. Mas, quando eu era criança, via em meus parentes, em minha casa, que a tal felicidade era cortada por uma certa tristeza , quase desejada. Já tinha começado o desgaste das famílias nucleares pelo ritmo da modernidade.
Hoje, a felicidade é uma obrigação de mercado. Ser deprimido não é mais “comercial”. A infelicidade de hoje é dissimulada pela alegria obrigatória. É impossível ser feliz como nos anúncios de margarina, é impossível ser sexy como nos comerciais de cerveja. Esta “felicidade” infantil da mídia se dá num mundo cheio de tragédias sem solução , como uma “Disneylândia” cercada de homens-bomba.
A felicidade hoje é “não” ver. Felicidade é uma lista de negações. Não ter câncer, não ler jornal, não sofrer pelas desgraças, não olhar os meninhos-malabaristas no sinal, não ter coração. O mundo esta tão sujo e terrível que a proposta que se esconde sob a idéia de felicidade é ser um clone de si mesmo, um andróide sem sentimentos.
O mercado demanda uma felicidade dinâmica e incessante, cada vez mais confundida com consumo, como uma “fast food” da alma . O mundo veloz da internet, do celular, do mercado financeiro nos obriga a uma gincana contra a morte ou velhice, melhor dizendo, contra a obsolescência do produto ou a corrosão dos materiais.
A felicidade é ter bom funcionamento. Há décadas, o precursor McLuhan falou que os meios de comunicação são extensões de nossos braços, olhos e ouvidos. Hoje, nós é que somos extensões das coisas. Fulano é a extensão de um banco, sicrano comporta-se como um celular, beltrana rebola feito um liquidificador. Assim como a mulher deseja ser um objeto de consumo, como um “avião”, uma maquina peituda, bunduda, o homem também quer ser uma metralhadora, uma Ferrari, um torpedo inteligente, e mais que tudo, um grande pênis voador.
A idéia de felicidade é ser desejado. Felicidade é ser consumido, é entrar num circuito comercial de sorrisos e festas e virar um objeto de consumo. Não consigo me enquadrar nos rituais de prazer que vejo nas revistas. Posso ter uma crise de depressão em meio a uma orgia, não tenho o dom da gargalhada infinita, posso broxar no auge de uma bacanal. Fui educado por jesuítas, para quem o sorriso era quase um pecado, a gargalhada um insulto.
Bem – dirão vocês – resta-nos o amor…Mas, onde anda hoje em dia, esta pulsão chamada “amor”?
O amor não tem mais porto, não tem onde ancorar , não tem mais a família nuclear para se abrigar. O amor ficou pelas ruas, em busca de objeto, esfarrapado, sem rumo. Não temos mais musicas românticas, nem o lento perder-se dentro de “olhos de ressaca”, nem o formicida com guaraná. Mas, mesmo assim, continuamos ansiando por uma felicidade impalpável.
Uma das marcas do século 21 é o fim da crença na plenitude, seja no sexo, no amor e na política.
Se isso é um bem ou um mal, não sei. Mas é inevitável. Temos de parar de sofrer romanticamente porque definhou o antigo amor…. No entanto, continuamos – amantes ou filósofos – a sonhar como uma volta ao passado que julgávamos que seria harmônico. Temos a nostalgia lírica por alguma coisa que pode voltar atrás. Não volta. Nada volta atrás.
Sem a promessa de eternidade, tudo vira uma aventura. Em vez da felicidade, temos o gozo rápido do sexo ou o longo sofrimento gozoso do amor; só restaram as fortes emoções, a deliciosa dor, as lagrimas, motéis, perdas, retornos, desertos, luzes brilhantes ou mortiças, a chuva, o sol, o nada. O amor hoje é o cultivo da “intensidade” contra a “eternidade”. O amor , para ser eterno hoje em dia, paga o preço de ficar irrealizado. A droga não pode parar de fazer efeito e , para isso, a “prise” não pode passar. Aí, a dor vem como prazer, a saudade como excitação, a parte como o todo, o instante como eterno. E, atenção, não falo de “masoquismo”; falo do espírito do tempo.
Há que perder esperanças antigas e talvez celebrar um sonho mais efêmero. É o fim do “happy end”, pois na verdade tudo acaba mal na vida. Estamos diante do fim da insuportável felicidade obrigatória. Em tudo.
Não adianta lamentar a impossibilidade do amor. Cada vez mais o parcial, o fortuito é gozoso. Só o parcial nos excita. Temos de parar de sofrer por uma plenitude que nunca alcançamos.
Hoje, há que assumir a incompletude como única possibilidade humana. E achar isso bom. E gozar com isso.
Não há mais “todo”; só partes. O verdadeiro amor total está ficando impossível, como as narrativas romanescas. Não se chega a lugar nenhum porque não há onde chegar. A felicidade não é sair do mundo, como privilegiados seres, como estrelas de cinema, mas é entrar em contato com a trágica substância de tudo, com o não-sentido, das galáxias até o orgasmo. Usamos uma mascara sorridente, um disfarce para nos proteger desse abismo. Mas, esse abismo é também nossa salvação. A aceitação do incompleto é um chamado à vida
Temos de ser felizes sem esperança. E este artigo não é pessimista…
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>Dez coisas que você talvez não saiba sobre o ano de 2010.

Posted on janeiro 2, 2010. Filed under: esperança, ONU, réveillon, renovação, ressaca |

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Apesar da maioria das pessoas entrar em um novo ano acabada, de ressaca e com sono graças aos abusos da festa de réveillon, ainda é a única celebração que restou que traz a idéia de renovação e esperança, já que durante os séculos, eliminamos todas as festas dos solstícios das estações do ano (celebrações que louvavam o fim de uma e o começo de outra).


Outra coisa que sumiu da vida dos brasileiros foram os almanaques anuais (os mais famosos antigamente eram o do Biotônico Fontoura e o Bertrand), que traziam dados sobre o ano. Sendo assim, na esteira das comemorações e seguindo a tradição dos antigos livros, trazemos 10 fatos interessantes sobre o ano que está nascendo:


1) Para a ONU é o ano internacional da biodiversidade. No Brasil é ao nacional de Joaquim Nabuco (comemora-se o centenário de seu nascimento).


2) Teremos quatro eclipses: uma solar em 15 de janeiro (a de maior duração no século 21), uma lunar parcial em 26 de junho, uma solar total em 11 de julho (só no hemisfério sul) e uma lunar total em 21 de dezembro.


3) É um ano considerado comum, já que fevereiro só terá 28 dias.


4) No Brasil teremos um novo censo.


5) Para aqueles que adoram um feriado (período onde as pessoas levam quatro horas para fazer um percurso de uma nas estradas), teremos alguns que poderão ser emendados: Corpus Christi em uma quinta, 3/6; três caindo em uma terça-feira: independência em 7/9, Nossa Senhora em 12/10 e finados em 2/11. A Paixão de Cristo em 2/4 cai em uma sexta, Tiradentes (21/4) numa quarta e proclamação da república (15/11) em uma segunda-feira. O dia do trabalho e o Natal cairão em um sábado.


6) Maitê Proença, Aécio Neves, Felipe Camargo, Antonio Banderas, Sean Penn, Gilberto Kassab, Hugh Grant, Carla Camurati, Jean-Claude Van Damme e Tato Gabus Mendes completarão 50 anos de idade.


7) Já o Corinthians comemora seu centenário em 1º de setembro.


8) O Brasil chorará os 40 anos da perda de Oscarito, um dos maiores comediantes que atuaram no cinema nacional; a França lembrará os 40 anos da morte de Charles De Gaulle, o presidente que tirou o país de uma guerra nos anos 40 e colocou em outra nos anos 60 e o mundo lembrará os 40 anos do passamento de Jimmy Hendrix, o maior guitarrista de rock de todos os tempos.


9) No ano de 2010 nós saberíamos para que serviam os monolitos surgidos em 2001 na obra de Arthur C. Clarke, 2010 – o ano que faremos contato. Já no filme Absolom, 2010 é o ano em que um poderoso vírus se alastra matando metade da população mundial e é quando acontece a migração dos alienígenas que vivem no Distrito 9.


10) Se tudo der certo, tanto São Paulo quanto oganharão novas linhas de metrô, João Pessoa anunciará a construção de um arranha-céus de 52 andares e ainda na terra da garoa o trecho sul do rodoanel estará pronto. Fonte: Olhar Direto

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>Bem vinda segunda-feira sob as Audácias da esperança

Posted on setembro 27, 2009. Filed under: Afeganistão, Audácia, Barack Obama, engajamento, esperança |

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Ao anunciar uma “nova era de engajamento” dos Estados Unidos no cenário global, o discurso de estreia de Barack Obama na Assembleia Geral das Nações Unidas formalizou uma nítida mudança de perspectivas diante da inflexibilidade que caracterizou a Era Bush.


A virada na política externa de Washington não se resume a lances de retórica, ainda que seja este um campo que Barack Obama domina com particular facilidade. Para citar um exemplo comezinho, mas sem dúvida expressivo, observe-se que as desconfianças do governo Bush com relação à ONU levaram os Estados Unidos ao ponto de nem mesmo honrar seus compromissos com a manutenção financeira da entidade. Saldou-se, com Obama, a dívida material -e o passivo político, por sua vez, parece aos poucos reequilibrar-se também.


Por mais necessário que seja afastar expectativas irrealistas quanto ao papel das Nações Unidas, o governo Barack Obama sem dúvida está correto em investir nas capacidades de influência e de negociação dos Estados Unidos sobre a entidade, em vez de contar exclusivamente com as primazias de sua posição como superpotência militar.


Outro sinal importante no rumo das iniciativas multilaterais foi a presença pessoal de Obama na reunião do Conselho de Segurança da ONU, onde nesta quinta-feira aprovou-se por unanimidade uma resolução histórica contra a proliferação das armas nucleares. O clima para esse compromisso foi sem dúvida facilitado por um gesto concreto de distensão com a Rússia: o recuo americano no projeto de instalar mísseis no Leste Europeu.


Não são poucos, todavia, os obstáculos à relativa abertura proposta pela gestão democrata na política externa. Dificilmente os Estados Unidos poderão contribuir para a definição de metas específicas na questão do aquecimento global, objeto de conferência a ser realizada em Copenhague (Dinamarca) no próximo mês de dezembro. Obama depende, para qualquer proposta concreta nesse sentido, do beneplácito do Congresso.


Como ocorre com outras iniciativas no plano interno -vale citar a polêmica, que polariza as forças políticas do país, em torno de seu projeto de assistência à saúde-, tudo depende da capacidade de Obama para manter o elã renovador que acompanhou sua vitória eleitoral. Esvaiu-se nitidamente, contudo, o capital político do novo presidente. Desde o início do ano, subiram de 20% para 40% os seus índices de reprovação.


Dos dilemas no Afeganistão ao encaminhamento da recuperação econômica, o cerco da realidade concreta vai estreitando a margem de atuação do presidente americano -e seu desempenho internacional, embora lhe renda dividendos no curto prazo, depende de uma sustentação interna que parece bastante insatisfatória no momento.

Fonte: Folha de S. Paulo

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>Professor, profeta da esperança

Posted on setembro 22, 2009. Filed under: analfabetos, escolas públicas, esperança, Professor, profeta |

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Lenildo Santana

Milhões de jovens estão matriculados nas escolas públicas. Isso seria positivo, se o sistema educacional não estivesse em crise. Os alunos são vítimas de uma pedagogia que finge que ensina…, e o pior, os educandos pensam que aprendem. São inúmeros estudantes que concluem o ensino médio, mas são incapazes de ler ou interpretar um texto. São analfabetos funcionais…

Os discentes são os alicerces do Brasil. Portanto, o futuro do país depende da educação. Os alunos de hoje serão os futuros médicos, os advogados, os políticos, os empresários e demais profissionais da nação. Isso se eles tiverem um ensino de qualidade. Só teremos êxito educacional quando repensarmos a metodologia de ensino. O conteúdo pode ser bom, mas, se o método é falho, a aprendizagem torna-se ineficaz.

O primeiro passo seria valorizar os profissionais da área da educação. Salários dignos, ambientes de trabalho adequado, capacitação contínua; disponibilizar para os educadores cursos de graduação e pós-graduação: Lato Sensu e Stricto Sensu.

Infelizmente, essa categoria tão nobre e necessária é maciçamente desprestigiada. É importante frisar que eles precisam ser valorizados e remunerados a exemplo de juízes, médicos… Por quê? Pelo fato que a função e o trabalho desenvolvido pelos educadores ser tão relevante quanto a desses profissionais.

Ninguém se torna médico, advogado, juiz, sem antes ter estudado desde o primário até a pós-graduação com os professores. Os docentes são a argamassa da construção intelectual, o alicerce da vida profissional.

Quanto à valorização dos professores, é perceptível que até na forma de tratamento eles são menosprezados. Quando um acadêmico de direito ou medicina conclui a faculdade, geralmente são cumprimentados como doutor…, e só tem graduação. Enquanto os professores que fizeram doutorado dificilmente são saudados como doutor; no entanto, o são de fato e de direito porque defenderam uma tese de doutorado. Nem assim são reconhecidos…, pobres coitados…, pura frustração…

O segundo passo seria enxergar o aluno não como um estojo vazio que precisa ser preenchido, mas, como um ser pensante fruto do meio onde está inserido… O aluno não é uma tábua rasa, mas um pouco de tudo que ele viveu, da família onde nasceu e foi criado, do carinho e atenção que recebeu dos pais, de um filme ou novela que assistiu… Por mais desinteressado que seja um jovem, ele tem algo positivo que precisa ser valorizado pelo docente.

Quem é mais importante: aquele que previne as doenças ou aquele que as trata? Certamente a medicina preventiva é mais relevante do que a curativa. Portanto, os educadores são indispensáveis, porque ensinam os jovens a serem honestos, justos, éticos; previnem e conscientizam para não roubar, não corromper, não matar; instruem para não punir; educam para que eles não sentem no banco dos réus. Oxalá um dia o governo reconheça o professor como a pedra angular que falta na edificação de uma sociedade justa, ética…

Fonte: A Gazeta

Lenildo Santana é padre da diocese de Juína, licenciado em Filosofia; bacharel em Teologia e pós-graduado em Comunicação Social. E-mail: lenildosantana@yahoo.com.br

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