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>Depois de 6 meses, ministério de Lula não envia ajuda prometida a SC, e estado fica sem radar antidesastre

Posted on maio 3, 2010. Filed under: chuva, Desastres, estado de Santa Catarina, Ministério |

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As chuvas causaram diversos alagamentos em Blumenau (SC) e outras cidades da região
  • As chuvas causaram diversos alagamentos em Blumenau (SC) e outras cidades da região

O Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) não enviou R$ 15 milhões ao Estado de Santa Catarina para a instalação de um radar meteorológico capaz de prevenir com antecedência a ocorrência de desastres naturais. O anúncio do repasse foi feito pelo ministro Sérgio Rezende em outubro de 2009, que na época prometeu que os recursos chegariam ao Estado até o final do ano passado, o que até agora não ocorreu.

Os radares são capazes de detectar com precisão a ocorrência de chuvas intensas, tempestades, tornados e ciclones em um raio de até 200 km, entre uma e três horas antes de sua ocorrência. Esse tempo permite às defesas civis alertarem as populações que vivem em áreas de risco e prestarem a devida assistência.

O radar seria operado pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de SC (Ciram), que ficaria responsável pela distribuição dos dados meteorológicos para outros centros de pesquisa. “Houve um comprometimento do ministério, mas até agora nenhum recurso chegou a nós”, diz Hugo Braga, pesquisador do Ciram e coordenador do Grupo Técnico Científico de Prevenção a Desastres (GTC), criado pelo então governador Luiz Henrique (PMDB) após as chuvas de 2008.

O MCT foi procurado diversas vezes pela reportagem do UOL Notícias, mas não informou o motivo pelo qual os recursos não foram direcionados ao Estado.

Estado crítico
Por conta de sua posição geográfica, relevo e outras características naturais, Santa Catarina é, historicamente, um dos Estados mais atingidos no Brasil por intempéries. Nos últimos 35 anos, mais de 600 pessoas morreram em decorrência de inundações, deslizamentos, desmoronamentos e tornados em Santa Catarina, segundo dados do Atlas de Desastres Naturais em SC e da Defesa Civil Estadual.

O desastre mais marcante na memória recente dos catarinenses aconteceu em novembro de 2008, quando 135 pessoas morreram e mais de 78 mil ficaram desalojadas ou desabrigadas por conta de deslizamentos de terra e inundações causadas por chuvas intensas e prolongadas. A região mais afetada pelo desastre foi o litoral e o Vale do Itajaí.

De lá para cá, o Estado passou por dois períodos críticos de chuvas ou tornados: o primeiro ocorreu em setembro de 2009, quando oito pessoas morreram em enxurradas nos municípios de Mafra, Augusto Vitória e Blumenau, e outras quatro morreram na passagem de um tornado em Guaraciaba.

O segundo período crítico aconteceu entre os dias 21 e 25 de abril deste ano: apesar de não causarem mortes, as enxurradas deixaram quase 50 cidades em situação de emergência e desabrigaram ou desalojaram mais de 10 mil pessoas.

Atualmente, o único radar que Santa Catarina dispõe é de propriedade da Aeronáutica e fica em Urubici, na região serrana (sudeste do Estado). O equipamento, contudo, não permanece operante o tempo todo e necessita de reparos constantes. “Estamos tentando com um instituto russo a restauração de outro radar, instalado por produtores rurais em Lebon Régis. Com ele, teríamos uma boa cobertura do planalto central e do litoral”, diz Hugo Braga, pesquisador do Ciram.

Apesar de ainda não ter radares meteorológicos suficientes, Santa Catarina está mais bem preparada para enfrentar fenômenos naturais intensos, na avaliação do pesquisador. “Há poucos anos a maioria da população de SC morava em áreas rurais. Atualmente, a ocupação desenfreada dos centros urbanos fez com que houvesse a priorização na aplicação dos recursos na prevenção de desastres. Hoje temos informações mais consistentes acerca do tempo e da ocupação humana. Estamos correndo atrás”.

União envia R$ 800 mi a SC após desastre

Após o desastre de novembro de 2008, o Estado recebeu 800 milhões do governo federal para a reconstrução e a preparação para possíveis catástrofes. Só em gastos com infraestrutura foram destinados R$ 290 milhões, aplicados, por meio do governo do Estado, em 84 municípios. Os recursos foram utilizados na recuperação de rodovias, escolas, hospitais, entre outros.

A Prefeitura de Itajaí recebeu, da Secretaria de Portos da Presidência da República, R$ 378 milhões para recuperar o Porto de Itajaí, duramente castigado pelas enchentes de 2008. Para o custeio na área de saúde, o Estado recebeu do Ministério da Saúde R$ 70 milhões. Somados, os gastos com assistência social, manutenção de pessoas em abrigos, construção de moradias e defesa civil chegam a R$ 60 milhões.

Completam os gastos para reparar as consequências do desastre R$ 49 milhões do orçamento estadual, R$ 29 milhões da Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina), R$ 2 milhões da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), além de R$ 20 milhões provenientes de doações de pessoas físicas e jurídicas.

O levantamento não contabilizou outros repasses feitos pela União diretamente aos municípios.  Fonte: UOL Notícias

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