Fernando Henrique Cardoso

>Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que não endossará um PSDB que não defenda a sua história

Posted on novembro 2, 2010. Filed under: Fernando Henrique Cardoso, história, José Serra, Lula, metamorfose, PSDB |

> Em entrevista ao Jornal Folha de S. Paulo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,  declarou: “Não estou mais disposto a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história”,  ontem, no instituto que leva seu nome, no centro de SP.

Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique defende que o partido anuncie dois anos antes das eleições presidenciais seu candidato. “O PSDB não pode ficar enrolando até o final para saber se é A, B, C ou D.”

O ex-presidente diz que Lula “desrespeitou a lei abundantemente” na campanha e que promove “um complexo sindical-burocrático-industrial, que escolhe vencedores, o que leva ao protecionismo”.

Para FHC, a tradição brasileira de “corporativismo estatizante está voltando”. Lula é uma “metamorfose ambulante que faz a mediação de tudo com tudo”.

 Fernando Henrique Cardoso

 
Folha – José Serra aproveitou a oportunidade do segundo turno como deveria?
Fernando Henrique Cardoso – Cada um tem um estilo e Serra foi fiel ao estilo dele. Tomou as decisões dele na campanha, com o [marqueteiro Luiz] Gonzalez. Não fez diferente do que se esperaria de Serra como um candidato persistente, que define uma linha e, aconteça o que acontecer, vai em frente.

O PSDB, e não o Serra, tem outros problemas mais complicados. Não é falta de bons candidatos. O problema é ter uma noção do coletivo, uma linguagem que expresse o coletivo, que não pode ser fechado no partido. Numa sociedade de 130 milhões de eleitores, a mensagem conta muito –no conteúdo e no modo que se transmite.

Como o Lula ficou muito fixado numa comparação para trás, os candidatos esqueceram a campanha e não definiram o futuro. Esse é o desafio –para o PSDB também.

O nosso futuro vai ser, outra vez, fornecer produtos primários? Ou vamos desenvolver inovação, modificar a educação, continuar a industrialização. Isso não foi posto [na campanha]. Qual será nossa matriz energética. Preocupa-me muito a discussão do petróleo.
 
Nesse campo, o seu governo quebrou o monopólio da Petrobras e implantou o modelo de concessão. A fórmula proposta por Lula, de partilha, para o pré-sal, que traz novos privilégios à Petrobras, é melhor?
Não posso responder, porque não vi a discussão. Preocupa-me esse modelo porque força uma supercapitalização [da Petrobras] sem que se saiba bem qual será o modelo de venda desse petróleo. Essa forma de partilha proposta é uma estatização do risco. O risco quem corre é o Estado, ao contrário do modelo de concessão.

O que estamos fazendo é uma dívida. Isso obriga a sobrecapitalizar a Petrobras. Parece que não temos mais problemas de poupança no Brasil. Entramos numa ilusão tremenda nessa matéria. O Tesouro faz a dívida com o mercado e empresta para o BNDES ou para a Petrobras. É como se não precisássemos mais poupar. Mas a dívida está aí. Essa questão o PSDB não politizou.
 
O governo Lula mobiliza fundos públicos e paraestatais e patrocina a formação de grandes empresas no país, uma espécie de complexo “industrial-burocrático”, parodiando o “industrial-militar” do Eisenhower [em 1961, ao deixar o governo, o então presidente dos EUA Dwight Eisenhower alertou para os riscos de uma influência excessiva do complexo industrial-militar para o processo democrático]. Há mais ruptura ou continuidade em relação ao processo que se iniciou no seu governo, quando o BNDES e os fundos de pensão das estatais viabilizaram as privatizações?
Tudo é uma questão de medida. Os fundos [de pensão] entraram na privatização porque já tinham ações nas teles e participar do grupo de controle lhes dava vantagem. Fizeram um bom negócios Mas tive sempre o cuidado da diversificação. No mundo integrado de hoje, convém que a economia tenha um setor público eficiente e que tenha um setor privado, nacional e estrangeiro. Tentamos equilibrar isso.

O problema agora é de tendência, de gigantismo de uns poucos grupos, nesse complexo, que na verdade é sindical-burocrático-industrial, com forte orientação de escolher os vencedores. Isso é arriscado do ponto de vista político e leva ao protecionismo.
 
A máxima “política tem fila” foi usada para defender a precedência de Serra sobre Aécio na eleição de 2010. A fila andou ontem? Chegou a vez de Aécio Neves no PSDB?
Eu não posso dizer que passou a primeiro lugar, mas que o Aécio se saiu bem nessa campanha, se saiu. Não posso dizer que passou a primeiro lugar porque o Serra mostrou persistência e teve um desempenho razoável.

Não diria que existe um candidato que diga: “Eu naturalmente serei”. Mas o PSDB também não pode ficar enrolando até o final para saber se é A, B, C ou D. Dentro de dois anos temos de decidir quem é e esse é tem de ser de todo mundo, tem de ser coletivo.

Não estou disposto mais a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história. Tem limites para isso, porque não dá certo. Tem de defender o que nós fizemos. A privatização das teles foi bom para o povo, para o Tesouro e para o país. A privatização da Vale foi um gol importante, porque, além do mais, a Vale é uma empresa nacional. A privatização da Embraer foi ótima.

Então por que não dizer isso? Por que não defender? Privatizar não é entregar o país ao adversário, pegar o dinheiro do povo e jogar fora. Não. É valorizar o dinheiro do país. Tudo isso criou mais emprego, deu mais renda para o Estado.

Do ponto de vista econômico, as questões estão bem encaminhados. Os motores da economia são fortes. Os problemas maiores são em outras áreas: educação, segurança, democracia, igualdade perante a lei, droga. Não é para saber se a economia vai crescer, é se a sociedade vai ser melhor.
 
Sobre a democracia no Brasil, o sr. escreveu, recentemente, que é uma maquinaria institucional em andamento, mas que lhe falta o “espírito”: “a convicção na igualdade perante a lei, a busca do interesse público e de um caminho para maior igualdade social”. Sinais desse espírito no processo eleitoral que se encerrou?
Francamente não vejo. O presidente Lula desrespeitou a lei abundantemente. Do ponto de vista da cultura política, nós regredimos. Não digo do lado da mecânica institucional –a eleição foi limpa, livre. Mas na cultura política, demos um passo para trás, no caso do comportamento [de Lula] e da aceitação da transgressão, como se fosse banal.

Houve abuso do poder político, que tem sempre um componente de poder econômico. Quantos prefeitos foram cassados aqui em São Paulo, por exemplo em Mauá, por abuso do poder econômico? Por nada, comparado com esse abuso a que assistimos agora. Não posso dizer que houve progresso da cultura democrática brasileira.

Aqui está havendo outra confusão. Pensar que a democracia é simplesmente fazer com que as condições de vida melhorem. Ela é também, mas não se esqueça que as ditaduras fazem isso mais depressa.
 
Como o sr. vê a volta de temas como religião na campanha?
Com preocupação. O Estado é laico, e trazer a questão religiosa para primeiro plano de uma discussão política não ajuda. Todas as religiões têm o direito de pensar o que queiram e de pregar até o comportamento eleitoral de seus fieis. Mas trazer a questão como se fosse um debate importante, não acho que ajude.
 
A dose dos chamados marqueteiros nas campanhas tucanas está exagerada?
Sim, em todas as campanhas. Nós entramos num marquetismo perigoso, que despolitiza. Hoje a campanha faz pesquisas e vê o que a população quer naquele momento. A população sempre quer educação, saúde e segurança, e então você organiza tudo em termos de educação, saúde e segurança.

Sem perceber que a verdadeira questão é como você transforma em problema uma coisa que a população não percebeu ainda como problema. Liderar é isso. Aí você abre um caminho. A pesquisa é útil não para você repetir o que ela disse, mas para você tentar influenciar no comportamento, a partir de seus valores.

Suponha uma pesquisa sobre privatização em que a maioria é contra. A posição do líder político é tentar convencer a população [do contrário]. O que nós temos na campanha é a reafirmação dos clichês colhidos nas pesquisas. Onde é que está a liderança política, que é justamente você propor valor novo. O líder muda, não segue.
 
Como mostrar as diferenças entre PT e PSDB? As ideias tucanas não são difíceis de assimilar?
Você se lembra de quando fui presidente? A ambição de todo mundo era cortar a burocracia. Por quê? Porque foi politizado.

É preciso politizar, e não é na hora da campanha.O PSDB, quando digo que tem que ter por referência o coletivo e ter um projeto, é agora. Não é para daqui a quatro anos. Daqui a quatro anos é tarde. Ou durante quatro anos você martela os seus valores e transforma os seus valores em algo que é compartilhado por mais gente, ou chega lá e não consegue. É tarde.
 
Mas o PSDB deixou o Lula falando sozinho um bom tempo.
Não foi só o PSDB. Foi todo mundo. Quando o nosso sistema presidencialista é exercido a partir de uma pessoa carismática como o Lula e que tem por trás um partido organizado, ele quase se torna um pensamento único.

Aqui, fora da campanha, só o governo fala. Quando fala sem parar, o caso atual, e sob forma de propaganda, fica difícil de controlar. No meu tempo, também era o governo que falava. Como não tenho o mesmo estilo e não usava uma visão eleitoreira o tempo todo, não aparecia tanto. Mas isso é da cultura brasileira.

Jornal dá o “outro lado”, mas a TV não dá –só dá na campanha. O que a mídia em geral transmitiu ao longo desses oito anos? Lula, violência e futebol.
 
A oposição, liderada pelo PSDB, ficou mais forte nos Estados e mais fraca no Congresso. Como fará para resistir à força gravitacional do Planalto?
Não é fácil, porque os Estados têm interesses administrativos. Mas um pouco mais de consistência oposicionista pode. No regime militar, Montoro e Tancredo eram governadores e se opunham. É preciso recuperar um pouco essa dimensão política.

Mas o carro chefe para puxar [a oposição] não pode ser o governador. Tem de ser o partido. E não é o PSDB só. Esses 44 milhões [votação de Serra no domingo] não são do PSDB. É uma parte da sociedade brasileira que pensa de outra maneira. E não se pode aceitar a ideia de que são os mais pobres contra os mais ricos. Nunca vi uma elite tão grande: 44 milhões de pessoas.
 
A polarização nacional entre PT e PSDB completou 16 anos. Tem feito mais bem ou mais mal ao Brasil?
O que o Chile fez na forma da Concertação [a aliança entre o Partido Socialista e a Democracia Cristã que governou o Chile de 1990 a 2010], fizemos aqui sob a forma de oposição. Há muito mais uma linha de continuidade que de quebra. Queira ou não queira, o pessoal do PT aderiu, grosso modo, ao caminho aberto por nós. Isso é que deu crescimento ao Brasil. A briga, na verdade, é pelo poder, não é tanto pelo conteúdo que se faz. No tempo que cheguei lá, eu escrevi o que ia fazer e fiz. Nunca mudei o rumo. O Lula mudou o rumo. Agora acho que tem aí o começo de um rumo que não é o mesmo meu, que é esse mais burocrático-sindical-industrial. E tem uma diferença na concepção da democracia, e o PSDB tem de acentuar essa diferença.
 
Mas o que seria essa social-democracia?
Social-democracia, vamos devagar com o ardor. O sujeito da social-democracia europeia eram a classe trabalhadora e os sindicatos. Aqui são os pobres. O Lula deixou de falar em trabalhador para falar em pobre. Mudou. Nós descobrimos uma tecnologia de lidar com a pobreza, mas estamos por enquanto mitigando a pobreza.

Tem de transformar o pré-sal em neurônio. Esse é o saldo para uma sociedade desenvolvida. Social-democracia hoje é isso. É inclusão social, respeitando o mercado, sabendo que o Estado terá um papel importante, mas não é tudo, e que o mercado tem de ser regulado de olho numa inclusão que não seja só de mitigação. Não pode ter predomínio do olhar do Estado. Está se perfilando, no PT e adjacências, uma predominância do olhar do Estado, como se o Estado fosse a solução das coisas. Continuo achando que o Estado é indispensável, mas a sociedade deve ter uma participação mais ativa. Os movimentos sociais estão todos cooptados.
 
Então a diferença entre PT e PSDB, para o sr., se dá em relação ao papel do Estado.
Mas não no sentido de não ter papel para o Estado. No sentido de que esse papel tenha de ser de um Estado que se abra para a sociedade. Não de um Estado burocrático, que se imponha à sociedade.

A nossa tradição é de corporativismo estatizante, e isso está voltando. É uma mistura fina, uma mistura de Getúlio, Geisel e Lula. O Lula é mais complicado que isso, porque é isso e o contrário disso. Como é a metamorfose ambulante, faz a mediação de tudo com tudo.

Lula sempre faz a mediação para que o setor privado não seja sufocado completamente. Não sei como Dilma vai proceder.
 
O sr. sente que isso tende a se aprofundar nesse novo governo?
Sim, a segunda parte do segundo mandato de Lula foi assim. A crise global deu a desculpa para o Estado gastar mais. E o pobre do Keynes pagou o preço. Tudo é Keynes [O economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) defendeu, em sua obra “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, a intervenção do Estado na economia para controlar as crises econômicas]. Investimento não cresceu, gasto público se expandiu, foi Keynes.

Não acho que o Brasil vá no sentido da Venezuela porque a sociedade nossa é mais forte. Aqui há empresas, imprensa, universidades, igrejas, uma sociedade civil maior, mais forte. Isso leva o governo a também ter cautela. Veja o discurso da Dilma de ontem [domingo]. Ela beijou a cruz.

Como todo mundo percebia uma tendência nesse sentido, ela disse: “Olha aqui, vou respeitar a democracia, vou dar a mão a todos”. Ela tem que dizer isso, porque senão ela não governa.
 
O que esperar de Dilma Rousseff, que estreia num cargo eletivo logo na Presidência, no dia 1º de janeiro?
Nós não sabemos não só o que ela pensa, mas como é que ela faz. O Brasil deu um cheque em branco para a Dilma. Vamos ver o que vai acontecer com a conjuntura econômica, mundial e aqui. Há um problema complicado na balança de pagamentos, um deficit crescente, uma taxa de juros elevada e uma taxa de câmbio cruel.

Fonte: Folha.com

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>Produção de petróleo cresceu mais no governo de FHC

Posted on outubro 29, 2010. Filed under: Fernando Henrique Cardoso, governo Lula, Oren Investimentos, Petrobras, Produção de petróleo, Valor Data, Valor Econômico |

>Por Henrique Gomes Batista, O Globo

Um dos principais temas da reta final da campanha presidencial no segundo turno, a Petrobras apresentou um crescimento na produção de petróleo maior no governo tucano que na atual gestão petista.
Segundo dados do “Valor Data” – segmento de pesquisa do jornal “Valor Econômico” -, nos oito anos sob a gestão de Fernando Henrique Cardoso, a estatal passou de uma produção diária de 716 mil barris, em 1995, para 1,5 milhão de barris/dia, em 2002, ou seja, um crescimento de 109%.
Já no governo Lula, a produção passou de 1,540 milhão de barris/dia, em 2003, para 2,002 milhões de barris/dia em 2010, segundo dados até agosto, o que representa um crescimento de 30%.
Especialistas apontam diversos motivos para a redução do crescimento da produção: ao estar em um patamar mais elevado, fica mais difícil manter uma expansão em ritmo acelerado. Outra razão para esta situação é e mudança de estratégia, com a estatal priorizando a atividade de refino em detrimento da alta na extração de óleo.
Mas, segundo alguns analistas, também pode ter contribuído para o avanço menor o aumento da ingerência política na Petrobras, que reduziu a eficiência da empresa.
– Isso demonstra a atual situação da empresa, de maior ingerência política sobre suas decisões. Em parte, esse crescimento menor ocorreu porque a empresa preferiu investir em refinaria, mas a maior parte dos analistas não vê a necessidade de tantas refinarias nem ganhos muito relevantes para os acionistas. Ou seja, talvez, se a decisão fosse só econômica, faria mais sentido continuar aumentando a produção – afirmou Daniella Marques, analista da Oren Investimentos, referindo-se à decisão da estatal de aumentar o processamento do óleo no país, o que contribui para a industrialização do setor, embora possa não ter sido a melhor opção econômica em determinado momento.

Leia mais em Produção de petróleo cresceu 109% nos oito anos do governo tucano, contra alta de 30% na atual gestão de Lula

Fonte: Blog do Noblat

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>Difícil, não impossível

Posted on outubro 10, 2010. Filed under: Dilma Rousseff, eleições, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Luiz Inácio Lula da Silva, Serra |

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Eleições – Desde 1989, quando as eleições passaram a ser realizadas em dois turnos, esta será a quarta vez que o eleitor leva para a segunda etapa a decisão sobre quem deve presidir o país. E até agora sempre quem venceu no primeiro round arrebatou com folga o segundo. Collor de Mello derrotou o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva nos dois turnos. Depois de perder duas seguidas para Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno, Lula venceu as duas fases da disputa com José Serra, em 2002, e com Geraldo Alckmin, em 2006. Portanto, o queijo e a faca estão nas mãos de Dilma Rousseff.
Viradas são raras e sempre surpreendentes. Dificílimas? Sim. Impossíveis? Não. Prova disso é que se repetem a cada eleição nas disputas estaduais.

Em 1994, ninguém imaginava a possibilidade de Eduardo Azeredo tornar-se governador de Minas depois de amargar uma derrota fragorosa no primeiro turno. Hélio Costa fechou a etapa inicial com 48,3% contra 27,2% do tucano, que, menos de 30 dias mais tarde, se elegeu para o Palácio da Liberdade com 17 pontos de frente. Essa é, possivelmente, a origem da comparação que fazem do ex-ministro peemedebista com um cavalo paraguaio, “bom de largada e ruim de chegada”. Dito que Costa voltou a comprovar agora. Largou disparado e terminou sem qualquer chance de alcançar o tucano Antônio Anastasia.

No mesmo ano, Cristovam Buarque também virou para cima de Antônio Bezerra no Distrito Federal. Perdeu no primeiro e levou no segundo turno.

Mas foi em 1998 que o país viu uma das mais vigorosas viradas. O governador Mario Covas, com 22,9%, quase foi derrotado no primeiro turno pela petista Marta Suplicy – ela com 22,5%. Passou raspando para disputar com Paulo Maluf, que vencera a primeira etapa com 32,2%. No final de outubro, Covas foi reeleito com 55,8% dos votos válidos. A façanha deveu-se a uma guinada total na campanha que induziu o eleitor a confrontar valores como seriedade, ética, honestidade, já identificados com o tucano, e a ausência deles em seu opositor, Paulo Maluf, uma reedição menos charmosa do “rouba mas faz” de Adhemar de Barros.

No mesmo ano, o petista Olívio Dutra, que ficara cabeça a cabeça na primeira etapa, ultrapassou Antônio Britto na segunda, elegendo-se governador do Rio Grande do Sul.
Em 2002, a virada espetacular coube ao peemebista Luiz Henrique, que avançou 11 pontos entre os turnos e se impôs sobre Esperidião Amin, até então tido como imbatível.
Quatro anos mais tarde, Roseana Sarney, que obtivera 47,2% na primeira rodada contra 34,3% de Jackson Lago, amargou a dor da virada. Com a posterior cassação de Lago, regressou ao governo do Maranhão e ficou perto de ver a história se repetir neste ano. Com uma das campanhas mais caras do país e apoio integral do presidente Lula, Roseana foi reeleita por um triz, com 50,08%.

Mas quem roubou a cena em 2006 foi Eduardo Campos (PSB). Nem deu bola para os reveses do primeiro turno quando foi derrotado por Bezerra Filho por mais de 6 pontos de diferença. Deu a volta por cima e venceu com 30 pontos de frente, algo inédito no país. Reeleito governador de Pernambuco no primeiro turno com mais de 80%, Campos realizou outra façanha: é o campeão absoluto de 2010.

Ainda baqueada e envolta pela areia dos castelos construídos por seu padrinho e por seu partido, que lhe garantiam vitória certa no último domingo, Dilma largou para o segundo turno com uma vantagem imensa. Com mais de 14 pontos percentuais de vantagem sobre o adversário, ela só não pode errar feio. Já José Serra, mesmo que consiga acertar tudo o tempo todo, depende não só de si, mas de eventuais tropeços da oponente.
Dilma e Serra ainda tateiam nas estratégias, não tiram os olhos das pesquisas diárias que recebem, assopram e mordem.

Mas, a medir pela primeira semana de campanha e pela estréia do programa eleitoral gratuito na última sexta-feira, tudo pode acontecer. Avessamente do que era de se esperar, o lado Dilma, vitorioso e favorito, se mostrou mais tenso, meio burocrático, um tanto parecido com o que os tucanos fizeram no primeiro turno. No campo oposto, Serra esbanjou entusiasmo, algo que não costuma ter com freqüência. Estava mais disposto, mais leve, como se o a faca e o queijo pudessem mudar de mãos.

Difícil? Sim. Impossível? Não.

Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência ‘Lu Fernandes Comunicação e Imprensa

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>Entre a obrigação e a devoção

Posted on outubro 1, 2010. Filed under: celulares, devoção, Fernando Henrique Cardoso, Getúlio Vargas, Lula, moeda, obrigação, PSDB, telefones |

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por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
Sou grata ao presidente Fernando Henrique Cardoso por ele ter sabido escolher um time de primeira linha para dar ao Brasil o que nunca tivemos: o real, enfim uma moeda.

Acabar com a inflação indecente e cruel de tantos anos foi, depois das leis sociais de Getúlio Vargas, o melhor que nos aconteceu.

Sou grata a ele por ter escolhido um excelente ministério, formado por pessoas de qualidade.

Sou grata a ele pelos celulares e telefones que hoje são arroz de festa na casa dos brasileiros.

Sou grata a ele pela demonstração que deu ao passar a faixa ao Lula e pelo respeito ao processo democrático, coisa ainda rara entre nós. Pena que o PSDB não lhe tenha sido grato.

Assim como não posso deixar de ser grata aos militares por terem nos proporcionado a possibilidade de falar ao telefone entre os estados sem ter que marcar dia e hora… pegar o telefone e discar do Rio para São Paulo ou Recife assim como quem ligava do Centro para Copacabana, só quem experimentou o drama que eram as comunicações nas décadas anteriores, pode compreender.

Ou como deixar de ser grata ao governador Carlos Lacerda por ter resolvido o gravíssimo problema da falta d’ água no Rio? Ou por ter ligado a Zona Norte à Zona Sul? Só quem viveu no Rio onde de dia faltava água e de noite luz e onde, para ir do Maracanã ao Leblon, era uma longa excursão, se solidarizará comigo.

Todos esses foram perfeitos governantes? Não, longe disso. Alguns até pelo contrário, como os militares ou Lacerda, francamente, que Deus os tenha em sua santa misericórdia.
Como em tudo mais, no comando da nação nem todos foram inteiramente maus, nem inteiramente bons. Todos fizeram algum bem e algum mal ao Brasil. Houve erros e acertos.

Outro exemplo: a um grande democrata que nos governou, Juscelino, devemos Brasília. Pois é.

O presidente Lula, por sua vez, acertou ao manter a política econômica do governo anterior. Foi bem sucedido ao adotar os programas sociais que encontrou e vitaminá-los. Foi parte do que prometeu, e cumpriu. Mas, e as outras promessas? O tal país do futuro? Cadê?

Em seu governo camadas inteiras da sociedade brasileira, antes excluídas do mercado consumidor, passaram a ter acesso a bens de consumo como equipamentos eletrônicos, TVs de alta tecnologia, carros, viagens, etc.

Através da concessão de linhas de crédito e de programas sociais que ele só fez ampliar, mas não controlou, o governo Lula criou também uma ilusão coletiva de falsa prosperidade.

Com isso, a nova classe média, a quem falta o principal, educação, passou a acreditar que ascendeu socialmente. A casa pode não ter esgoto, a rua estar um caco, a escola não ensinar, o hospital, quando existe, não ter médicos, “mas eu posso entrar nas Casas Trololó e comprar uma TV de 42 polegadas e por isso amo o Lula!”…

O mais grave é que a nenhuma dessas pessoas, nessas condições, ocorre que, de uma maneira geral, sem saneamento básico, saúde e educação, sua vida não melhorou de forma substantiva.

A ninguém parece ocorrer, também, que um dia a conta disso tudo vai chegar. A verdadeira herança maldita que o Brasil vai receber é essa: o simulacro de prosperidade, sem lastro em um verdadeiro progresso.

Acresce que outro mal maior nos sucedeu: o presidente Lula está convencido que fez o Brasil. Ele se acha a oitava maravilha do mundo, acima do bem e do mal e portanto no direito de nos impingir o que quer. O país é dele e ele nomeia quem quer para tomar conta de seu feudo por breves instantes.

“Eu, ao eleger a presidenta Dilma”! Essa frase diz tudo. É quase um tratado do que é o Lula.
Não vai ser você, nem o Joaquim, nem o João. Quem vai eleger a Dilma vai ser ele. Melhor assim. Quando a conta chegar, e vai chegar, quem vai pagar é ele.

A foto do fim de festa, na Passarela Adoniran Barbosa, em São Paulo, no comício de domingo passado, mostra bem a nossa situação: os olhares, as poses, os pares a bailar e o povaréu lá em baixo, hipnotizado, encantado.

Primeiro a devoção, depois a obrigação, parece ser o lema dos três governos Lula. E que Deus proteja Michel Temer, são meus votos.

Fonte: Blog do Noblat

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>Opinião: Dilma, a aposta perigosa de Lula

Posted on fevereiro 20, 2010. Filed under: Aécio, Ciro, Dilma, Dilma Rousseff, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Marina, Serra |

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado no Estado de São Paulo, ao dizer que a Dilma é um espelho de líder, mas não é líder, botou ordem na casa. Lula desfruta de uma popularidade altíssima e, a julgar pelos programas eleitorais do PT, vai fazer de tudo para transferir parte de seu capital eleitoral para sua candidata Dilma. Bater de frente contra o muro da popularidade do Lula é antecipar o resultado das eleições: Dilma na cabeça.

O que FHC fez foi colocar no debate a seguinte pergunta: Quem é Dilma Rousseff? Em outras palavras: como pode uma pessoa que nunca teve um voto sequer na vida se julgar credenciada para ocupar o cargo mais importante do País?

O passado de Dilma é uma incógnita. O que se conhece dela, não a credencia. Sabe-se, que quando era ainda bastante jovem, naquela idade em que são movidos mais pelo gosto de aventura, pela adrenalina, do que por idealismo, entrou na luta armada. Participou do assalto de alguns bancos no Brasil. Diz-se que era para financiar a luta armada pela resistência contra a ditadura militar instalada no Brasil. Quem vai saber as causas que a levaram a participar de uma quadrilha de assaltantes de bancos? Na ignorância dos fatos prevalece a versão: a de que Dilma lutou por idealismo. Mesmo prevalecendo essa versão dos fatos, ainda, assim isso não credencia ninguém a ser Presidente da República.

Todos os demais candidatos, Serra, Aécio, Ciro e Marina, entre outros, já passaram pelo teste das urnas e têm experiência administrativa. Serra foi senador por São Paulo, prefeito e governador, secretário de Planejamento e ministro da mesma pasta, além da de Saúde. Aécio, herdeiro político de Tancredo Neves, de quem era neto e assessor, foi deputado Federal, presidente da Câmara dos Deputados, governador de Minas Gerais, reeleito com 78% dos votos mineiros e considerado o melhor governador do Brasil. Ciro Gomes foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e atualmente é deputado Federal eleito com a maior votação proporcional do Brasil, além de ter sido ministro duas vezes: da Fazenda no governo Itamar Franco e da Integração no governo Lula. Marina Silva é senadora pelo Acre e foi ministra do Meio Ambiente, no governo Lula. Todos têm experiência administrativa e já passaram pelo teste das urnas. Mesmo Lula, somente chegou a presidente na quinta eleição que disputou e depois de ter corrido o Brasil de ponta a ponta, na sua caravana da cidadania. Além de ter sido deputado Federal constituinte por São Paulo.

E Dilma? Nunca foi sequer vereadora do menor município do Brasil. Nada se sabe de Dilma. Não se conhece um livro que ela tenha escrito, um artigo, nada que tenha comprometido seu pensamento. Nada se conhece de Dilma antes do governo Lula. É uma incógnita.

Tenho para mim que Dilma não passa da manifestação do superego do Lula. Dentre tantas opções, mais credenciadas para o posto, Lula resolveu demonstrar sua força. Quer mostrar para o Brasil e para o mundo que consegue eleger até um poste. E o poste é Dilma.

Dilma não passa de uma aposta de Lula. Mas uma aposta perigosa, pois tem chances reais de vencer as eleições. Mas e depois? Terá Dilma condições de governar o Brasil? Não administrativamente, pois para isso basta nomear uma boa equipe de ministros, que o corpo técnico e a burocracia cuidarão de fazer a máquina caminhar. A preocupação é com relação à área política. Pois, o jogo político, o chamado sistema, é bruto.

O arco de alianças políticas que se está formando em torno da candidatura Dilma vai cobrar um preço alto. Somente uma forte liderança para controlar e amainar os apetites fisiológicos desses partidos políticos. O jogo político não respeita regras. Quem não tiver liderança para se impor na negociação será triturado pela máquina.

Num passado recente tivemos uma experiência sintomática com Collor de Mello, mesmo tendo muito mais credenciais políticas do que Dilma, se apequenou frente o poder e foi defenestrado do posto. Enganam-se os que pensam que Collor foi tirado do poder por corrupção. Foi também, mas isso foi apenas o argumento utilizado pela máquina para atrair apoio popular para a causa: sua retirada da cadeira. Collor caiu porque não teve liderança para domar o sistema. Teve para vencer as eleições, mas não a teve para governar.

Nem mesmo um partido forte terá a Dilma para lhe dar sustentação. O PT, depois do mensalão e outros escândalos diminuiu e hoje é apenas um espectro do partido que foi no passado. No primeiro mandato de Lula, o PT era um partido no poder. Hoje é apenas mais um partido na coligação do governo. Dilma ficará nas mãos de partidos como o PMDB, com sua reconhecida voracidade.

Concluo, então, que até hoje Dilma tem se valido da liderança do Lula. Mas e depois da posse? Dilma vai permitir que Lula lhe faça sombra? Será que Lula será um Putin brasileiro: o poder atrás do poder, como na Rússia? Dilma, sabidamente, tem um gênio forte. É muito difícil imaginar que ela aceite governar na sombra de Lula.

É melhor não pagar para ver.

Autor: Waldir Serafim é economista em Mato Grosso.- Fonte: Olhar Direto

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