filme

>O espectador é a personagem principal

Posted on setembro 15, 2010. Filed under: A Suprema Felicidade, armadilha, Arte, cinema, espectador, estúdio, Fellini, filme, Idade Media, O Circo, personagem, Shakespeare, Teatro |

>Por Arnaldo Jabor

Cinema – Como evitar? Tenho de falar de meu filme “A Suprema Felicidade”, que será lançado em outubro. Só penso no filme há três anos e seria hipocrisia calar sobre o medo e a alegria de tê-lo feito. Nas matérias de jornal dizem que é um “Amarcord” carioca. Não é. A influencia de Fellini sobre mim não é temática; vem pela narrativa libertada da prisão em um só enredo linear. Tentei fazer, como ele, seqüências que valem por si mesmas e que, ao final, somam-se num sentido além delas.

Eu me alimentava de Fellini; meu primeiro filme se chamava “O Circo”, onde fui atrás das gordas rumbeiras do suburbio carioca, dos vagabundos da arena, dos palhaços sem graça e dos “bacalhaus” maltratados, fui em busca desse grotesco brasileiro, pois ali estava nossa fragilidade. Nunca mostrei o povo como “brava gente” ou como “explorados”, num lamento impotente; nunca gostei de heróicas personagens populares, com a chatíssima “nobreza rude”. Muito mais pungente era a fragilidade dos pobres desejos herdados do “neo-realismo” que Fellini poetizou para além do realismo duro. Claro que os companheiros do Partidão me rosnavam: “Esse cara é um pequeno burguês!..”. Odiavam sua doçura e seu repertorio de singelas realidades: “Muito personalista…Fellini só fala de si mesmo.” É o que tentei fazer neste filme, agora.

Felllini estava acima de esquemas : não era comunista, nem fascista, nem cristão, nem ateu, mas tinha uma coisa preciosa para um artista – o que Shakespeare chamou de “o leite da bondade humana”. Os idiotas criticavam-no chamando-o de grande “mistificador” e ele disse: “Pode ser que eu seja mesmo, pois minha adesão à realidade é sempre subjetiva, emocional”. Mesmo a mais grotesca de suas personagens era vista com compaixão. O canalha tinha razões tristes para ser o canalha que rouba a prostituta, o playboy egoísta era um babaca solitário, o mais ridículo burguês chorava de solidão. Ele me ensinou uma das poucas certezas que tenho sobre cinema:

O espectador tem de ser personagem do filme. Tem de identificar sintomas seus e participar até do ritmo da obra. Cinema é uma arte interativa.

Eu já fui um dos “Vitelloni”, eu me senti Alberto Sordi no “Xeique Branco”, eu fui depois Mastroiani tremulo, em crise, no “Oito e Meio” e no genial “A Doce Vida”, de 61, que podia ter sido filmado semana passada.

Assim como Antonioni partiu para a angustia desértica e metafísica depois do neo realismo, Fellini revelou suas raízes na literatura picaresca, desde Rabelais, Cervantes, autos de teatro da Idade Media.

Fellini é pré-figurado até por Flaubert em “A Tentação de Santo Antão” (um “roteiro” genial, quarenta anos antes do cinema). Fellini retomou a tradição pictórica da Renascença. Vemos Fellini no “Paraíso” de Tintoretto ou na “Crucificação de Cristo”, tudo misturado com historias em quadrinhos que desenhou na juventude. E como filmava bem… Filmava sem a lógica obrigatória da narrativa americana (“plot-driven”), filmava como quem pintava, e quando queria dar show de bola em montagem , fazia-o melhor que todos – lembrem da cena do bordel fascista em “Roma” ou do grande engarrafamento no mesmo filme, pensem nos bois caramelados dos banquetes romanos do “Satyricon”, dos padres de patins, dos cardeais “top model” na passarela do Vaticano, das santas prostitutas, dos almoços de macarrão em Roma. Nunca fez musicais , mas seus filmes levitavam nesse grande momento do cinema.

Fellini espantou a industria cultural americana com a vingança maior: o sucesso. Às vezes, quando não durmo, com aquela angustiante “mão preta” no peito, eu penso nas cenas de Fellini guardadas em minha cabeça e uso-as como remédio: como esquecer do “pavão da senhora Condessa”, abrindo sua cauda azul-prata sob a neve em Rimini? Como esquecer do concerto dos músicos velhinhos nos copos de cristal de “La nave va”, como esquecer das lagrimas negras de Cabiria, do grande navio de papelão sobre o mar de plástico em “Amarcord”? Como? E Nino Rota? Quem dá mais vontade de chorar que ele? Nasceram juntos, êle e esse Erik Satie misturado com “fox-trot”. E a maravilhosa fotografia de Di Venanzo, Otello Martelli ou Giuseppe Rotuno? Quem fez cenários como Dante Ferretti ou Danilo Donnatti? Quem?

Ele disse uma vez: “O único e verdadeiro realista é o visionário.” Na mosca.

Seus filmes nos tomavam por inteiro, como se víssemos a vida e as pessoas pela primeira vez, pois ele tinha a imensa capacidade de criar tipos instantaneamente legíveis. No entanto, não eram “tipos” ou superficiais caricaturas, como muitos pensam – eram personagens complexas em sua “fisicalidade”, onde cada ruga, cada barriga, cada careta grotesca tinha um sentido profundo.

Parece que estou ouvindo Fellini falar para os homens de hoje:

“Eu atravessei a arte moderna e nunca caí na armadilha da melancolia. Eu não proponho ideologias, soluções. Eu creio na luz. Minha luz é fabricada em estúdio, onde fiz até o mar. Para mim, a ficção é realidade. Eu atravessei o século 20 com personagens da minha infância. Eu fui comunicativo e fácil, quando o correto era o hermetismo intelectual”.

E Fellini podia acrescentar: “Minhas mentiras subjetivas estão aí. Onde estão as verdades do século 20? Naufragaram todas. Mas, eu gosto disso. Os naufrágios são bons. Nossa época é importante porque é um naufrágio de ideologias, de conceitos, de verdades convencionais. Não vejo nisso o fim da civilização; acho que é um sinal de vida.”

Por isso, digo que o ensinamento de Fellini que usei em meu filme “A Suprema Felicidade” foi justamente buscar delicadeza, compaixão e gargalhadas diante do eterno e ridículo drama humano.

Há 17 anos, Fellini morreu. Tudo isso? Sim. 17 anos. Nunca mais vamos esperar seu próximo filme…Que saudades…

Fonte: A Gazeta

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>"A Origem" continua na liderança das bilheterias nos EUA

Posted on agosto 2, 2010. Filed under: A Origem, cinema, Dinner for Schmucks, filme, Leonardo DiCaprio |

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“A Origem” lidera as bilheterias norte-americanas pelo terceiro fim de semana consecutivo. O longa dirigido por Christopher Nohlan (Batman – O Cavaleiro das Trevas) arrecadou estimados US$27.5 milhões em 3.545 salas de projeção, segundo o site da revista de entretenimento norte-americana Variety.

Leonardo DiCaprio em uma das cenas de “A Origem”, que
lidera pela 3ª semana o Top 10 EUA

A trama protagonizada por Leonardo Di Caprio alcançou, em três semanas de exibição, a cifra de US$193.3 milhões nos EUA. No Brasil, o filme tem estreia prevista para o próximo dia 6.

Em segundo, com um faturamento de US$23.3 milhões, “Dinner for Schmucks”, com Steve Carell e Paul Rudd. A comédia havia assumido a liderança do Top 10 de acordo com estimativas divulgadas no sábado (31), mas perdeu a briga para “A Origem”.

“Como Cães e Gatos 2”, a sequência em 3D da Warner ficou em quinto, com uma arrecadação de US$ 12,5 milhões. À frente dos “pets”, “Salt”, com Angelina Jolie, em terceiro (US$ 19,2 milhões) e a animação “Meu Malvado Favorito” (US$ 15,5 milhões), em quarto.
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>Tom Cruise quer entrar em forma para fazer ‘Missão Impossível 4’

Posted on maio 11, 2010. Filed under: filme, Missão Impossível 4, Tom Cruise |

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Tom Cruise está correndo para entrar em forma. O ator, de 47 anos, quer estar preparado para viver novamente o agente Ethan Hunt, em Missão Impossível 4.

Segundo um amigo do ator, Tom Cruise está disposto a provar que não é velho demais para fazer cenas de ação. “Ele já está em treinamento intenso, está trabalhando mais do que nunca. Ele quer estar em forma para este filme”, revelou a fonte.

O amigo ainda contou que Katie Holmes está ajudando o marido na preparação para o papel e que ela chegou a fazer alguns exercícios com ele.

Filme – Missão Impossível 4 deve chegar aos cinemas americanos em maio de 2011. O longa é produzido pelo próprio Tom Cruise, com JJ Abrams e Bad Robot, e tem a direção de Brad Bird – das animações Os Incríveis e Ratatouille. Fonte: Veja

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>Um filme imperdível

Posted on janeiro 22, 2010. Filed under: cinema, filme, herói, imortalizar, manifestações, personagem, surrealista, telespectador, Trabalhadores |

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Não é a primeira vez que um político tem sua trajetória transformada em filme. Nem será a única. Pois o cinema pode ajudar a fortalecer o mito e consolidar o herói. A despeito das críticas que, de certo modo, foram bastante condescendentes. Não foram duras quanto deveriam ser, pois o dito filme extrapola o seu limite de entretenimento para imortalizar o personagem-político, em pleno final de mandato presidencial.

Foi feito por Lula da Silva exatamente aquilo que Fernando Henrique Cardoso quis fazer por ele próprio em “A arte da política”. As duas obras supervalorizam as ações de cada um deles. Bem mais feliz, no entanto, foi o primeiro. Isso porque o cinema atinge um público maior que o do livro, sobretudo em um país como o Brasil, onde a leitura da palavra escrita continua sendo tarefa de uma parcela pequenina da população.

Baseado em uma tese de doutorado, também transformada em livro, o filme conta a vida do ex-metalúrgico, desde o seu nascimento até a sua ascensão à presidência do sindicato. Vista de um ângulo onde a fantasia se mistura com a utopia. Pior ainda, subestima-se a capacidade de reflexão do telespectador, quando procura vender a imagem de alguém dotado de extrema sensibilidade, comprometido e muito com que faz e dono de uma inteligência rara. Três cenas resumem, e bem, isso, a saber: a da menina morta durante a viagem de “pau-de-arara”, somada a de um trabalhador assassinado por ocasião de uma greve, a que retrata a perda de um dos dedos da mão esquerda do herói e a conversa sobre o garoto prodígio entre a mãe e a professora. Até mesmo o “tu vai se chamar Inácio Luiz da Silva”, em situação anterior, dito pela mãe ao segurá-lo ainda bebê deixa transparecer algo sobrenatural, encantador, surrealista. Talvez, por isso, o filme trata de desaparecer com os seus irmãos, deixando-os a um plano além do secundário. A ponto, por exemplo, de todas as atenções maternas se voltarem tão somente para o filho especial que, com menos de oito anos, se postara a sua frente, a defendê-la contra as ameaças do pai, completamente embriagado e dominado pela ira.

Cada cenário mostrado é de uma grandeza extraordinária. Razão, certamente, pela qual as filmagens tenham custado tão caro. Acima dos padrões do cinema da terra. Por isso contou com a ajuda financeira de um grupo de empresas bastante ligadas ao governo, e que ganham muitíssimo com tamanha ligação.

Uma pena, no entanto, que os atores principais, os que fizeram os papéis da mãe e o do próprio Lula adulto tenham tido desempenhos pífios, que são uma constante quase permanente nas carreiras desses artistas. O filme só não foi um desastre total porque contou com passagens das manifestações dos trabalhadores, que fazem parte do passado do atual presidente. Porém, tais passagens surgem desconectadas, fora dos momentos ideais. Falhou, portanto, o seu diretor. Assim como também pecou quando trocou a bebida preferida do “biografado”, a cachaça, pela cerveja.

Apesar disso, valeu à pena ter assistido a esse filme em função da casa de espetáculo. Cine Odeon, erguido no coração na Cinelândia, no Rio. Diante de tantos cinemas desaparecidos, essa casa continua ali, firme, a desafiar os obstáculos, oriundos de uma modernidade que tenta enjaular um montão de coisas em um único local.

No mais, é preciso dizer, o referido filme se encontra entre os piores já produzidos no país. Muitíssimo distante de O Quatrilho, também dirigido por Fábio Barreto, e igualando-se a 2 Filhos de Francisco, dirigido por Breno Silveira. Isso em termos de qualidade, se é que se pode encontrar qualidade alguma nesses dois filmes.

Autor:Lourembergue Alves é professor universitário. Fonte: A Gazeta E-mail: lou.alves@uol.com.br

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