Geisel

>A melhor Seleção do Brasil

Posted on julho 13, 2010. Filed under: Banco do Brasil, Che Guevara, Dom Hélder, Geisel, General Euler, João Figueiredo, Luther King, Médici, militar, Oposição, Seleção do Brasil, Ulysses Guimarães, Viamão |

>Alexandre Garcia

O jornalista gaúcho Luiz Carlos Prates, mostrando as razões pelas quais a Seleção de 1970 é considerada a melhor de todas, explicou que foi por causa do governo Médici: o chefe da delegação era um brigadeiro, o preparador físico um capitão (Cláudio Coutinho) e imperava a disciplina militar – até o Jairzinho cortou a cabeleira. Com organização e disciplina, a seleção ganhou o tri com futebol bonito, brasileiro no estilo e na raça. Foi, realmente, a melhor de todas.
 Mas não foi por causa do Médici. Foi por causa do clima que envolvia o país em tempos de “Ame-o ou Deixe-o” – adesivo que todos carregávamos no para-brisa de nossos carros, mensagem destinada aos terroristas que atrapalhavam a paz para prosperar. Por causa do espírito do “Pra Frente Brasil”, um entusiasmo que fez o Brasil crescer à média de 11,2% por três anos consecutivos, o que ficou conhecido como “o milagre brasileiro”. Era um país organizado, cidades limpas, depois da campanha contra o “Sujismundo”, segurança nas ruas e emprego.
Um jovem jornalista meu admirador mandou-me o mais recente artigo dele, em que falava no “sanguinário Médici”. Expliquei a ele que havia uma guerra interna, de gente que havia pegado em armas para derrubar o governo e o governo se defendia. Que de 1964 a 1984 – período em que durou o regime militar – morreram nessa luta menos de 500 pessoas, de ambos os lados. Dá quatro dias de homicídios no Brasil de hoje. O jovem colega reconheceu que não vivera aquela época, que o “sanguinário” era por conta do professor da faculdade de jornalismo, que assim se referia a Médici. O professor, pelo jeito, tampouco vivera aquela época. Apenas destilava raiva por não terem conseguido implantar no Brasil uma ditadura como a que perdura há 51 anos em Cuba.
Pois eu vivi aquele período. Tinha 23 anos em 31 de março de 1964 quando Goulart foi derrubado depois de grandes passeatas nas capitais pedindo o fim de seu governo. Um “Grupo dos Onze”, uma organização criada por Brizola para chegar ao poder, em geral armada, iria tomar a prefeitura da cidade onde eu trabalhava – Encantado, RS – e o prefeito pediu minha ajuda para defender a prefeitura. Anos depois, fui assaltado por um grupo chamado VAR-Palmares, com vivas a Che Guevara, no Banco do Brasil Viamão. 
No auge do governo militar, em 1968, eu fui presidente do Diretório Acadêmico do jornalismo da PUC/RS. Depois fui repórter do Jornal do Brasil. Ouvia músicas de protesto, vibrava com peças teatrais críticas, como “Liberdade, Liberdade”, fazia poemas em honra de Dom Hélder, Luther King e Che Guevara. E nunca senti a tal censura de que tanto falam.
Lembrei-me disso porque leio nos jornais que o grupo Dzi Croquetes desafiava o governo militar; que o Chico fazia letras ironizando Médici e Geisel; que Augusto Boal e outros teatrólogos caiam de pau no governo; que o Pasquim satirizava os militares. Paradoxal. Aliás, é bom lembrar que a ditadura manteve eleições para tudo. Presidentes eram eleitos como foi Tancredo: pelo Congresso. Ulysses perdeu para Geisel; o General Euler, da oposição, perdeu para Figueiredo. Houve restrições: um terço dos senadores eram nomeados; em cidade de fronteira e capitais, os prefeitos eram eleitos de forma indireta, assim como os governadores. E um dia terminou. Tal como planejara Geisel, que extinguiu o AI-5, a censura, e deixou para Figueiredo abrir a camisa de força do bipartidarismo, promover a anistia e a volta dos exilados e entregar tudo para os civis.
Alexandre Garcia é jornalista em Brasília. E-mail: alexgar@terra.com.br
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>Vingança ou maluquice?

Posted on janeiro 5, 2010. Filed under: anistia, China, Congresso, Cuba, Geisel, Golbery, militares, União Soviética |

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Os militares não queriam o poder. Pressionados pelas ruas, pelos meios de informação, derrubaram Goulart e acabaram ficando 30 anos. Quando derrubaram o presidente, já havia grupos treinados em Cuba, na China e União Soviética para começar por aqui uma revolução socialista. Com a contra-revolução liderada pelos militares, esses grupos se reorganizaram para a resistência armada. E o governo se organizou para combatê-los. Houve uma guerra interna de que os brasileiros, em geral, não tomaram conhecimento porque enquanto durou, quase 20 anos, houve um total de 500 mortos – número que o trâsito, hoje, ultrapassa em menos de uma semana.

Numa estratégia elaborada pela dupla Geisel-Golbery, planejou-se então devolver o poder aos civis de forma “lenta, gradual e segura”. E, como coroamento do processo, o governo fez aprovar no Congresso, em 1979, a Lei da Anistia, bem mais abrangente que a defendida pela oposição. Uma lei que pacificasse o país, no novo tempo de democracia que se iniciava. Uma anistia “ampla, geral e irrestrita”. Que institucionalizasse o esquecimento, a pá-de-cal, pelos crimes cometidos por ambos os contendores, na suja guerra interna. Incluíam-se os que mataram, assaltaram, jogaram bombas, roubaram – de um lado – e os que mataram e tor turaram do outro. A Nação inteira respirou aliviada quando o Congresso aprovou o projeto do governo e os banidos e asilados começaram a voltar, entre eles o mais famoso de todos, Fernando Gabeira, que havia sequestrado, junto com Franklin Martins, o embaixador americano.


E o país viveu em paz por 30 anos, elegendo presidentes, descobrindo escândalos de corrupção, ganhando copas do mundo. Até que a dupla Tarso Genro, ministro da Justiça, e seu secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, resolvem desenterrar o passado para se vingar de supostos algozes de seus companheiros de esquerda revolucionária. Criaram um órgão para isso. Puseram tudo num decreto, e passaram para o Gabinete Civil, da Ministra Dilma. De lá, o calhamaço foi para a assinatura do presidente Lula, envolvido, na Dinamarca, com a empulhação do “aquecimento global”. Lula alega que assinou sem ver. E eu fico curioso por saber se a assinatura tem valor, porque aqui no Brasil havia um presidente em exercício, José Alencar.


O ministro Nélson Jobim, surpreendido com a unilateralidade do decreto, pediu demissão. E os três comandantes militares se solidarizaram com o ministro. Até que se revolva o impasse, está no ar a primeira crise militar do governo Lula. O decreto cria um órgão para estudar a revogação da pacificadora Lei de Anistia. Orienta a punição dos torturadores mas não dos sequestradores, assassinos e terroristas. Preserva, assim, soldados da guerra revolucionária como os ministros Dilma, Franklin e Minc. E vai atrás de coronéis da reserva. Baseia-se na Constituição, que considera tortura crime imprescritível; omite que terrorismo também é imprescritível, pela Constituição. E esquece o princípio de Direito pelo qual a lei só retroage para beneficiar o réu, não para condená-lo. A Lei de Anistia é de 1979 e a Constituição de 1988. Por que agitar um país pacificado? Vingança ou maluquice mesmo?

Autor: Alexandre Garcia é jornalista em Brasília. E-mail alexgar@terra.com.br – Fonte: A Gazeta


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