greve dos médicos da Grande Cuiabá

>Uma análise da greve dos médicos da Grande Cuiabá

Posted on outubro 16, 2009. Filed under: greve dos médicos da Grande Cuiabá |

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A greve dos médicos em Cuiabá pode estar chegando ao fim. Não tanto por decisão dos médicos em greve, mas por ações da prefeitura que colocou a classe em posição política delicada.

Não vou entrar pela discussão de quem tem razão ou não no assunto. Vou por outro viés. As ações da prefeitura, se nada de novo acontecer, foram mais efetivas do que as dos médicos. A prefeitura soube jogar mais politicamente que o outro lado. Vejamos algumas mexidas e atos.


Os médicos reivindicavam, por exemplo, melhores condições de trabalho no Pronto-Socorro. Distribuíram pela internet fotos do PS em condições ruins. Não escolheram bem o momento. Quando faziam aquilo a prefeitura já tinha até licitação feita para reforma no PS em que seriam aplicados 5,5 milhões de reais. Neutralizava a principal arma de ataque dos médicos, portanto. Presumo que com a reforma se necessitará de menos médicos ainda por cima.


Nos debates havia também diferença. O Wilson Santos, ex-professor de história e muitos anos na política e nos debates, contra pessoas não acostumadas a esse tipo de confronto. No final a balança sempre tendia para o prefeito.


Os médicos são também desunidos em ação política. A profissão já levaria a isso. Ela tem base no individualismo, em que a tônica (correta, por sinal) seria ser bom profissional e ganhar dinheiro. O resto não importaria muito. A profissão leva também a uma autossuficiência que pode ser até boa em alguns aspectos da vida, mas ruim num jogo político que exige outros ingredientes para ser jogado.


Dados diferentes levariam essa profissão para essa autossuficiência um pouco exagerada. Já vem desde os vestibulares. A disputa maior numa universidade é na área médica. Quem passar ali já se sente um pouco acima da média dos estudantes brasileiros. Estatística até ajuda nisso. Tomo como exemplo a UFMT.


A média de notas de estudantes que são aprovados para medicina e não conseguiram a vaga é superior que a maioria da média de concursados para outras áreas dessa universidade. Em palavras mais diretas: a nota do que não entrou para medicina dá para aquele aluno entrar em qualquer outro curso da universidade.


Além disso, o médico trabalha com a vida da pessoa. O que catapulta ainda mais para o alto essa autossuficiência. Os fatos sugerem que isso está incrustado na maneira dele ser. Leva-o a uma aceitação de que pode quase tudo e raramente a uma participação ativa na política.


Na hora que precisam jogar o jogo político não estariam preparados, principalmente pare enfrentar pessoas mais habilitadas nessa área. Nesse momento deveriam se cercar de profissionais de outras áreas, como marketing e imprensa para jogar o jogo com a opinião pública. Talvez não o façam porque acham que tem saber para isso. É um erro.


E, para mostrar como parece que eles não estavam preparados, a prefeitura deve estar trazendo um grupo de medicina do Sul do país para tomar conta da saúde em Cuiabá. Será que os médicos da capital não sabiam que isso fosse possível? Um fato que, se acontecesse, mataria a greve.


O prefeito, atuando politicamente, está dando prazos de trabalho para o grupo que deve vir do Sul. Fala também em contratar médicos já concursados antes. Dá um tempo para que os médicos que pediram demissão, necessitando de trabalhar, voltem atrás. Alguns não devem voltar, a maioria sim.


O jogo político, nessa altura do campeonato, tende para a prefeitura. Foi bom, quem sabe, como aprendizado para os médicos.


Fonte: ALFREDO DA MOTA MENEZES é professor universitário e articulista político.

pox@terra.com.brhttp://www.alfredomenezes.com

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