herói

>Quando o herói vira carrasco

Posted on maio 19, 2010. Filed under: aposentadoria, Aposentados, carrasco, herói, INSS, previdência social |

> por Antônio Carlos Pannunzio

Os aposentados e pensionistas do INSS lembram-se, muito bem, de que uma das promessas de campanha feitas com maior ênfase pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a de respeitá-los, garantindo que o valor dos benefícios que recebem guardassem uma proporcionalidade justa com os valores das contribuições que pagaram à Previdência Social durante décadas.

Uma vez empossado na Presidência, o chefe do governo, como se houvesse sido vítima de uma amnésia seletiva, reduziu o amplo compromisso assumido com os trabalhadores ao reajuste das aposentadorias e pensões iguais a um salário mínimo pelo mesmo percentual de correção deste. Com isso, as condições de vida dos aposentados que, quando na atividade profissional, ganhavam mais do que o mínimo além de não melhorarem, sofreram, ao longo dos anos Lula, uma acentuada perda do seu poder de compra. É cada vez maior o número dos que, a cada mês, têm de escolher se usam o dinheiro para comprar alimentos ou remédios indispensáveis à manutenção de sua saúde.

Enojado com a conduta do presidente em relação a pensionistas e aposentados, o Congresso usou o seu poder de intervir na questão. A Câmara dos Deputados, sem se dobrar às pressões do governo, concedeu àqueles milhões de trabalhadores um aumento de 7,72% e a matéria passou ao exame do Senado. Ali, o senador Mário Couto (PSDB/PA) espera que seja votada em plenário na próxima terça-feira (18). Para que o reajuste seja válido, o texto precisa ser aprovado até 1º de junho.

O episódio coloca o presidente Lula, ora em fase de contagem regressiva para deixar a Presidência, diante de uma escolha da qual não tem como fugir. Ele pode honrar a palavra empenhada múltiplas vezes, em suas campanhas e garantir uma imediata melhoria de condições de vida àqueles brasileiros. Também pode vetar o aumento e, sonegando o direito dos aposentados e pensionistas a uma vida digna, borrar a imagem de herói da classe trabalhadora, que tanto se esforçou por construir, com uma mancha impossível de ser removida.

Como não faltam, nessa hora, figuras dispostas a justificar o injustificável, os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT/SP), e no Senado, Romero Jucá (PMDB/RR), anteciparam-se na justificação de um veto de Lula à medida provisória aprovada na Câmara, alegando que ela tem um erro de digitação relacionado ao percentual do reajuste. Foram logo desmentidos pela presidência da Câmara, que informou haver corrigido a redação antes do envio da proposta ao Senado.

Desmascarada a sórdida artimanha por ele arquitetada para tirar a brasa do fogo com a mão de parlamentares submissos ao seu comando, o presidente Luiz Inácio da Silva não tem como escapar da decisão que, mais do que qualquer outra, fixará o seu perfil histórico como defensor ou carrasco dos trabalhadores.

Antônio Carlos Pannunzio é deputado federal (PSDB/SP), membro da CCJ, vice-líder de bancada

Anúncios
Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

>Um filme imperdível

Posted on janeiro 22, 2010. Filed under: cinema, filme, herói, imortalizar, manifestações, personagem, surrealista, telespectador, Trabalhadores |

>

Não é a primeira vez que um político tem sua trajetória transformada em filme. Nem será a única. Pois o cinema pode ajudar a fortalecer o mito e consolidar o herói. A despeito das críticas que, de certo modo, foram bastante condescendentes. Não foram duras quanto deveriam ser, pois o dito filme extrapola o seu limite de entretenimento para imortalizar o personagem-político, em pleno final de mandato presidencial.

Foi feito por Lula da Silva exatamente aquilo que Fernando Henrique Cardoso quis fazer por ele próprio em “A arte da política”. As duas obras supervalorizam as ações de cada um deles. Bem mais feliz, no entanto, foi o primeiro. Isso porque o cinema atinge um público maior que o do livro, sobretudo em um país como o Brasil, onde a leitura da palavra escrita continua sendo tarefa de uma parcela pequenina da população.

Baseado em uma tese de doutorado, também transformada em livro, o filme conta a vida do ex-metalúrgico, desde o seu nascimento até a sua ascensão à presidência do sindicato. Vista de um ângulo onde a fantasia se mistura com a utopia. Pior ainda, subestima-se a capacidade de reflexão do telespectador, quando procura vender a imagem de alguém dotado de extrema sensibilidade, comprometido e muito com que faz e dono de uma inteligência rara. Três cenas resumem, e bem, isso, a saber: a da menina morta durante a viagem de “pau-de-arara”, somada a de um trabalhador assassinado por ocasião de uma greve, a que retrata a perda de um dos dedos da mão esquerda do herói e a conversa sobre o garoto prodígio entre a mãe e a professora. Até mesmo o “tu vai se chamar Inácio Luiz da Silva”, em situação anterior, dito pela mãe ao segurá-lo ainda bebê deixa transparecer algo sobrenatural, encantador, surrealista. Talvez, por isso, o filme trata de desaparecer com os seus irmãos, deixando-os a um plano além do secundário. A ponto, por exemplo, de todas as atenções maternas se voltarem tão somente para o filho especial que, com menos de oito anos, se postara a sua frente, a defendê-la contra as ameaças do pai, completamente embriagado e dominado pela ira.

Cada cenário mostrado é de uma grandeza extraordinária. Razão, certamente, pela qual as filmagens tenham custado tão caro. Acima dos padrões do cinema da terra. Por isso contou com a ajuda financeira de um grupo de empresas bastante ligadas ao governo, e que ganham muitíssimo com tamanha ligação.

Uma pena, no entanto, que os atores principais, os que fizeram os papéis da mãe e o do próprio Lula adulto tenham tido desempenhos pífios, que são uma constante quase permanente nas carreiras desses artistas. O filme só não foi um desastre total porque contou com passagens das manifestações dos trabalhadores, que fazem parte do passado do atual presidente. Porém, tais passagens surgem desconectadas, fora dos momentos ideais. Falhou, portanto, o seu diretor. Assim como também pecou quando trocou a bebida preferida do “biografado”, a cachaça, pela cerveja.

Apesar disso, valeu à pena ter assistido a esse filme em função da casa de espetáculo. Cine Odeon, erguido no coração na Cinelândia, no Rio. Diante de tantos cinemas desaparecidos, essa casa continua ali, firme, a desafiar os obstáculos, oriundos de uma modernidade que tenta enjaular um montão de coisas em um único local.

No mais, é preciso dizer, o referido filme se encontra entre os piores já produzidos no país. Muitíssimo distante de O Quatrilho, também dirigido por Fábio Barreto, e igualando-se a 2 Filhos de Francisco, dirigido por Breno Silveira. Isso em termos de qualidade, se é que se pode encontrar qualidade alguma nesses dois filmes.

Autor:Lourembergue Alves é professor universitário. Fonte: A Gazeta E-mail: lou.alves@uol.com.br

Ler Post Completo | Make a Comment ( None so far )

Liked it here?
Why not try sites on the blogroll...