heróis

>O Brasil quer se meter a todo custo a cantar de galo, quando não passa de um pintinho

Posted on janeiro 25, 2010. Filed under: Brasil, euforia, galinheiro, Haiti, heróis, ilusória, ONU, pobres |

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Apesar de estarmos numa fase de euforia ilusória perante o cenário mundial, a realidade bate à porta e não adianta fingir que não a escutamos. O Brasil, com uma população de pobres, que não é preciso ser muito informado para saber que não são poucos, é o gigante da vez. Quer se meter a todo custo a cantar de galo, quando não passa de um pintinho com potencial, porém num galinheiro sujo e desordenado.

Nosso presidente quer a todo custo um lugar ao sol na ONU. Porém esse sol está causando mais câncer do que bronzeado. Outro dia, uma cliente me disse que no hospital público que ela trabalha, que já é deficiente em números quantitativos de médicos em relação ao número de pacientes, foram recrutados 7 médicos para ir para o Haiti. Conclusão, o hospital que já não presta o serviço para os brasileiros que pagam seus impostos e os veem rolar por meias e cuecas dos políticos, ainda tem de achar que sua vida vale menos do que a do haitiano, que por um motivo ou outro, vida é vida, e só se pode optar quando há disponibilidade, o que não acontece no Brasil.


Por mais que a mídia despeje números e mais números sobre as estatísticas positivas, o Brasil em 2004 estava em 72º no ranking da educação mundial elaborado pela ONU, e em 2010 está em 88º. O país está abaixo de países como Peru, Bolívia, Argentina e Paraguai. O Suriname está logo atrás do Brasil.


Haverá uma queda de investimentos na educação no período 2009-2010 de US$ 4,6 bilhões.


Nossos soldados voltaram mortos do Haiti e são considerados heróis, porém eu preferiria ver esses heróis mortos em tentativas de acabar com o tráfico nas favelas do Rio de Janeiro ou em qualquer outro lugar do Brasil que sofre continuamente com a bandidagem solta, pois não há polícia que nos proteja.


Dona Zilda Arns, no seu velório, teve a presença do presidente da República, governadores, autoridades e personalidades, como deveria ser; mas fico pensando cá com meus botões: se ela tivesse morrido após uma enfermidade longa, em que não fosse tão trágica e grandiosa como um terremoto, será que o aeroporto de Curitiba teria recebido tantos ilustres num só dia, apesar da importância que essa senhora teve no trabalho que conduziu por toda a vida?


Gostaria de ver o Brasil olhar para o Brasil, deixar um pouco essa soberba megalomundista de se enfeitar com as penas do pavão. Nossas tragédias cotidianas não dão tanto ibope quanto mostrar ao mundo que temos dinheiro, toneladas de alimentos e capacidade para resolver o problema do galinheiro do vizinho que desabou, quando o nosso nem foi levantado, nem tem telhado e as galinhas ciscam perdidas por anos a fio esperando um governo sério que possa lhes dar um milhozinho ao invés de acenar com um milharal que passa na frente do suposto galinheiro e vai direto para as galinhas chinezinhas que não se contentam com migalhas.


Enfim, um lugar na ONU vale qualquer espetáculo; palcos como o Haiti e a compra de aviões franceses com promessas da França votar no Brasil para ter representatividade na ONU são as vedetes da hora.

Autor: Marco Pucci – Fonte: A Gazeta

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