Hiroshima

>As bombas desejam explodir

Posted on agosto 11, 2010. Filed under: bomba, bombas, crimes da humanidade, explodir, guerra tecnológica, Hiroshima, Nagasaki, Obama, Oriente Médio, Pandora, Revolução Industrial, Segunda Guerra |

>Arnaldo Jabor
Há 65 anos, em 6 e 9 de agosto de 1945, os americanos destruíram Hiroshima e Nagasaki. Todo ano me repito e escrevo artigos parecidos sobre a bomba nessa data, não para condenar um dos maiores crimes da humanidade, não, mas para lembrar que o impensável pode acontecer a qualquer momento.

Agora, não temos mais a guerra fria; ficamos com a guerra quente do deserto – a mais perigosa combinação: fanatismo religioso e poder atômico. Vivemos dois campos de batalha sem chão; de um lado a cruzada errada do Ocidente, apesar e alem de Obama. Do outro lado, temos os homens-bomba multiplicados por mil. E eles amam a morte.

Hoje, já há uma maquina de guerra se programando sozinha e nos preparando para um confronto inevitável no Oriente Médio. Estamos num momento histórico onde já se ouvem os trovões de uma tempestade que virá. Os mecanismos de controle pela “razão”, sensatez, pelas “soft powers” da diplomacia perdem a eficácia. Instala-se um progressivo irracionalismo num “choque de civilizações” , sim, (sei do simplismo da analise do Huntington em 93, mas estamos diante do simplismo da realidade) formando uma equação com mil incógnitas impossíveis de solucionar. Como dar conta da alucinação islâmica religiosa com amor á morte, do Paquistão, Índia, Israel, do Irã dominado por ratos nucleares em breve, da invencibilidade do Afeganistão, com a hiper-direita de Israel com Bibi, com o Hamas ou o Hellzsbolah que querem impedir o “perigo da paz”?

“There is a shit-storm coming” disse Normam Mailer uma vez.

Tudo leva a crer que algo terrível acontecerá. A crença na razão ocidental foi ferida por dois desastres: o 11 de Setembro e a invasão do Iraque. A caixa de Pandora que Bush abriu nunca mais se fechará.

Estamos às vésperas de uma bruta mudança histórica. Sente-se no ar o desejo inconsciente por tragédias que pareçam uma “revelação”. Surge a fome por algo que ponha fim ao “incontrolável”, a coisa que o Ocidente mais odeia. Mesmo uma catástrofe sangrenta parecerá uma “verdade” nova.

Vivemos hoje na era inaugurada por Hiroshima.

Lá e em Nagasaki três dias depois, inaugurou-se a “guerra preventiva” de hoje. Enquanto o holocausto dos judeus na Segunda Guerra fecha o século 20, motivado ainda por contradições do século 19, o espetáculo luminoso de Hiroshima marca o inicio da guerra do século 21. O horror se moderniza, mas não acaba.

Auschwitz e Treblinkas ainda eram “fornos” da Revolução Industrial, eram massacres “fordistas”, mas Hiroshima inventou a guerra tecnológica, virtual, asséptica. A extinção em massa dos japoneses no furacão de fogo fez em 1 minuto o trabalho de meses e meses do nazismo.

O que mais impressiona na destruição de Hiroshima é a morte “on delivery”, “de pronta entrega”, sem trens de gado humano, morte “clean”, anglo saxônica. A bomba americana foi considerada uma “vitoria da ciência”.

Os nazistas matavam em nome do ideal psicótico e “estético” de “reformar” a humanidade para o milênio ariano. As bombas americanas foram lançadas em nome da “Razão”. Na luta pela democracia, rasparam da face da terra os “japorongas”, seres oblíquos que , como dizia Truman em seu diário: ” São animais cruéis, obstinados, traidores. ” Seres inferiores de olhinho puxado podiam ser fritos como “shitakes”.

A bomba A agiu como um detergente, um mata-baratas. A guerra como “limpeza”, o típico viés americano de tudo resolver, rápida e implacavelmente….E continua aí, cozinhando na impaciência dos generais israelenses e nos falcões do Pentágono.

A destruição de Hiroshima foi “desnecessária” militarmente. O Japão estava de joelhos, querendo preservar apenas o imperador e a monarquia. Diziam que Hitler estava perto de conseguir a bomba – o que é mentira.

Uma das razões reais era que o Presidente e os falcões da época queriam testar o brinquedo novo. Truman fala dele como um garoto: “Uau! E´o mais fantastico aparelho de destruição jamais inventado! Uau! No teste, fez uma torre de aço de 60 metros virar um sorvete quente!…”

O clima era lúdico e alucinado…tanto que o avião que largou a bomba A em Hiroshima tinha o nome da mãe do piloto na fuselagem “Enola Gay” esse gesto de carinho derreteu no fogo 150 mil pessoas. Essa foi a mãe de todas as bombas, parindo um feto do demônio, exterminando 40 mil crianças em 15 segundos.

Os americanos queriam vingar Pearl Harbour, pela surpresa de fogo, exatamente como o ataque japonês três anos antes. Queriam também intimidar a União Sovietica, pois começava a Guerra Fria; alem, claro, de exibir para o mundo um show “maravilhoso” de som e luz, uma super-produção a cores do novo Império.

O holocausto sujou o nome da Alemanha, mas Hiroshima soa como uma vitória tecnológica “inevitavel”. Na época, a bomba explodiu como um alivio e a opinião publica celebrou tontamente. Nesses dias, longe da Asia e Europa, só havia os papeis brancos caindo como pombas da paz na Quinta Avenida, sobre os beijos de amor da vitória. Naquele contexto não havia conceitos disponíveis para condenar esse crime hediondo. A época estava morta para palavras, na vala comum dos detritos humanistas.

Hoje, a época está de novo morta para palavras, insuficientes para deter ou mesmo descrever os fatos. Vale lembrar o poema de William Yeats, “The Second Coming”, de 1919, diante do horror da primeira guerra e ratos e trincheiras…

“Tudo se desmancha no ar. O centro não segura

a imensa anarquia solta sobre o mundo.

Terrivel maré de sangue invade tudo e

as cerimonias da inocência são afogadas.

Os homens melhores não tem convicção;

e os piores estão tomados pela intensa paixão do mal.”

(…)

“Alguma revelação vem por aí;

sem duvida, é a Segunda Vinda.

(…)

Voltou a escuridão; e eu vejo que vinte seculos de sono de pedra

Querem se vingar do pesadelo que lhes trouxe o berço de um presepio.

A hora chegou por fim;

Que monstruosa fera se arrasta para Belém para renascer?”

É isso ai, bichos…Os grandes poetas são profetas.

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>Hoje completa 65 anos da bomba atômica em Hiroshima

Posted on agosto 6, 2010. Filed under: 1945, 6 de agosto, 65 anos, bomba nuclear, Hiroshima, Japão |

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Estima-se que cerca de 70.000 pessoas tenham morrido instantaneamente com a explosão da bomba em Hiroshima. O calor e a radiação carbonizaram todos os que estavam no raio de dois quilômetros da bomba. Na foto, pessoas caminham pelas ruas algumas semanas após a explosão
Na manhã do dia 6 de agosto de 1945, o mundo conheceu o poder de destruição das bombas atômicas. A cidade japonesa de Hiroshima foi alvo do primeiro ataque nuclear da história, proferido pelos Estados Unidos, matando milhares de pessoas instantaneamente e outras lentamente, em decorrência dos efeitos da radiação.

A Segunda Guerra Mundial estava em curso desde 1939. Na Europa, a Inglaterra e a União Soviética tentavam conter as forças nazi-fascistas, enquanto os Estados Unidos reuniu suas forças para combater o Japão imperialista. Os EUA buscavam revidar o ataque japonês à base de Pearl Harbor em 1941 e, após dar ao país um ultimato de rendição sem obter resposta, enviaram a Hiroshima a bomba “Little Boy”, transportada e lançada pelo bombardeiro B-29, apelidado Enola Gay e comandado pelo piloto Paul Tibbets.


Foto: Hulton Archive/Getty

Hiroshima em foto de 1945. A explosão atingiu um raio de 2000 metros do marco zero da bomba, destruindo completamente uma área de oito quilômetros quadrados

Hiroshima em foto de 1945

A Segunda Guerra Mundial estava em curso desde 1939. Na Europa, a Inglaterra e a União Soviética tentavam conter as forças nazi-fascistas, enquanto os Estados Unidos reuniu suas forças para combater o Japão imperialista. Os EUA buscavam revidar o ataque japonês à base de Pearl Harbor em 1941 e, após dar ao país um ultimato de rendição sem obter resposta, enviaram a Hiroshima a bomba “Little Boy”, transportada e lançada pelo bombardeiro B-29, apelidado Enola Gay e comandado pelo piloto Paul Tibbets.
 
Passados apenas 57 segundos do lançamento, a 600 metros do solo, a bomba explodiu liberando 15 quilotons de carga – o equivalente a 15 mil toneladas de TNT –, em uma onda de calor e choque que pulverizou instantaneamente 11 quilômetros quadrados a partir de seu epicentro. Além das 70 mil pessoas mortas no momento da explosão, o número de vítimas dobraria em questão de horas, devido aos graves ferimentos causados por queimaduras e soterramentos. Nos meses e anos que se seguiram, o Japão viu seus milhares de hibakusha – como foram chamados os sobreviventes da bomba atômica – morrerem em decorrência da radiação, com câncer e mutações.

Constatando seu país destruído, o imperador Hiroito assinou a rendição do Japão dia 14 de agosto, após a cidade de Nagasaki também sofrer um ataque. A saída do conflito trouxe o fim da Segunda Guerra, mas marcou para sempre a história mundial, colocando a dúvida sobre o uso deste novo artefato militar.

Após o desastre, Hiroshima construiu museus e memoriais para relembrar o acontecimento e honrar os 140.000 japoneses mortos no ataque. O local do epicentro da explosão recebe hoje o Parque Memorial da Paz, idealizado pelo renomado arquiteto japonês Kenzo Tange. Às margens do rio Motoyasu, onde foram criados os jardins, encontra-se a Cúpula Genbatsu, uma estrutura que resistiu às explosões, tornando-se um marco da cidade e dos sobreviventes. O complexo abriga ainda um museu, com objetos pessoais e ruínas, como um relógio com os ponteiros parados na hora da explosão, 8h15 da manhã. O parque tornou-se patrimônio mundial da Unesco em 1996 e todos os anos é sede de cerimônias para honrar as vítimas e os hibakusha – os sobreviventes que atualmente contabilizam 263.945 pessoas.

Fonte: Veja


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>Hiroshima foi uma "vitória" da ciência

Posted on agosto 12, 2009. Filed under: Arnaldo Jabor, ciência, Hiroshima, Hiroshima e Nagasaki |

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Eu ia escrever sobre as bombas de lama que caem sobre a população brasileira, enviadas pelos senadores do mal. Mas, lembrei-me que há cinco dias , (64 anos no túnel do tempo) em 6 e 9 de agosto de 1945, os americanos destruíram Hiroshima e Nagasaki. Ninguém fala mais nisso. Os jornais esqueceram. Por isso, todo ano me repito e escrevo sobre a bomba nessa data, não para condenar um dos maiores crimes da humanidade, não. Mas para lembrar aos que fazem o favor de me ler que o impensável pode acontecer sempre. O horror se moderniza, mas não acaba.

Agora, não temos mais a guerra fria; ficamos com a guerra escaldante do deserto – nações islâmicas e nucleares – a mais perigosa combinação: fanatismo e poder. Vivemos dois campos de batalha sem chão; de um lado a maquina americana comandada pela lógica do turbo capitalismo, apesar e alem de Obama. Do outro lado, temos os homens-bomba multiplicados por mil. E eles amam a morte. Imaginem homens-bomba nucleares… Paquistão, Índia, Israel e, um dia desses, o Irã. Sem falar na Coréia do Norte, Rússia e na inveja letal que o grande progresso da China poderá provocar no Ocidente americano. Vivemos hoje na era inaugurada por Hiroshima: um tempo em que o suicídio da humanidade virou uma escolha política e militar. Os computadores do Pentágono oscilam: valerá ou não a pena continuarmos atômicos? Há poucos meses, no trágico período Bush, já recauchutaram 10 mil bombas “velhas”, para que rejuvenesçam e durem mais.

Em Hiroshima, inaugurou-se a “guerra preventiva” de hoje. Enquanto o holocausto dos judeus na Segunda Guerra fecha o século 20, por conta de contradições ainda do século 19, o espetáculo dantesco de Hiroshima marca o inicio da guerra do século 21, continuada na destruição do WTC em 2001. Auschwitz e Treblinkas ainda eram “fornos” da Revolução Industrial, mas Hiroshima inventou a guerra tecnológica, virtual, asséptica. A extinção em massa dos japoneses no furacão de fogo fez em 1 minuto o trabalho de meses e meses do nazismo.

O que mais impressiona na destruição de Hiroshima é a morte “on delivery”, “de pronta entrega”, sem trens de gado humano, morte “clean”, anglo saxônica. A bomba americana foi considerada uma “vitoria da ciência”. Hiroshima e Nagasaki prefiguram a Guerra do Golfo, Afeganistão e Iraque 2.

Os nazistas matavam em nome do ideal psicótico e “estético” de “reformar” a humanidade para o milênio ariano. As bombas americanas foram lançadas em nome da “Razão”. Na luta pela democracia, rasparam da face da terra os “japorongas”, seres oblíquos que , como dizia Truman em seu diário: ” São animais cruéis, obstinados, traidores. “Seres inferiores de olhinho puxado podiam ser fritos como shitakes””

Enquanto os burocratas alemães contavam os dentes de ouro e óculos que sobraram nos campos, a bomba A agiu como um detergente, um mata-baratas. Vale lembrar de um detalhe espantoso: o avião que largou a bomba A em Hiroshima tinha o nome da mãe do piloto na fuselagem – “Enola Gay” – esse gesto de carinho batizou de fogo 150 mil pessoas. Essa foi a mãe de todas as bombas, parindo um feto do demônio que exterminou 40 mil crianças em 15 segundos.

Ainda hoje, é fascinante ver as racionalizações que a América militar inventou para justificar seu crime nuclear. O presidente Harry Truman, que mandou a bomba, escreveu: “Eu queria nossos garotos de volta (“our kids”) e ordenei o ataque para acelerar essa volta.” Diziam também que Hitler estava perto de conseguir a bomba, o que é mentira. A destruição de Hiroshima foi “desnecessária” militarmente. O Japão estava de joelhos, querendo preservar apenas o imperador e a monarquia. Uma das razões reais era que o Presidente e os falcões da época queriam testar o brinquedo novo. Truman fala dele como um garoto:

“Uau! É o mais fantástico aparelho de destruição jamais inventado! Uau! No teste, fez uma torre de aço de 60 metros virar um sorvete quente!…”

Alem disso, os americanos queriam vingar Pearl Harbour, pela surpresa de fogo, exatamente como o ataque japonês três anos antes. Queriam também intimidar a União Soviética, pois começava a Guerra Fria; alem, claro, de exibir para o mundo um show “maravilhoso” de som e luz, uma super-produção a cores do novo Império.

O holocausto sujou o nome da Alemanha, mas Hiroshima soa quase como uma vitória tecnológica “inevitável”. Na época, a bomba explodiu como um alivio e a opinião publica celebrou tontamente. Nesses dias, longe da Ásia e Europa, só havia os papeis brancos caindo como pombas da paz na Quinta Avenida, sobre os beijos de amor e vitoria.

Era o inicio de uma era de prosperidade na América, dos musicais de Hollywood, pois o Eixo do mal estava derretido. Até a moda feminina foi influenciada; as mulheres começaram a usar um penteado em cogumelo, chamado Bomba Atômica. Naquele ambiente mundial não havia conceitos disponíveis para condenar esse crime hediondo. A época estava morta para palavras, na vala comum dos detritos humanistas.

A euforia americana avança até 1949, quando a bomba H soviética acaba com a festa, instilando a paranóia nacional que vai crescer muito em 1957, quando sobe o “sputnik”, o primeiro satélite soviético, com um “bip bip” que humilhava os americanos – eu estava lá: parecia um 11 de setembro. Incrivelmente, o holocausto ainda tinha o desejo sinistro de produzir um “sentido” para a matança, um futuro milênio ariano.

Hoje, não há mais objetivos ideológicos ou “humanos” no comando. No lado Ocidental, quem mandam são as Coisas: a lógica do petróleo, a incessante industria militar, a paranóia antiterror que a era Bush tanto manipulou.

Mesmo sem um projeto humano no comando supremo, as bombas desejam explodir. Estamos assim: de um lado, interesses do capital; do outro, Alá. A pulsão de morte e o desejo de mercado se encontraram finalmente. Quem vai controlar?

Fonte: A Gazeta

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