Homem

>Homem que a mulher não conhece ainda

Posted on maio 4, 2010. Filed under: fecundo, fragilizado, Homem, IBGE, masculino, moderno, mulher |

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por Hélcio Corrêa Gomes
É fato que o projeto masculino desenvolvido por muitos séculos como provedor e figura ditatorial prussiana não questionável, que restou em frangalho na imagem social do pai atual – falível e tomado como infalível e inquisidor entrou numa crise profunda. Tudo agravado após a mulher conquistar seu espaço no mercado e estar mais apta ao desenvolvimento do que significa ser mulher. É óbvio que ela mantém na intimidade psíquica o arquétipo masculino de alguém que a tome e lhe assegure absolutamente. Daí não conseguir dividir ou dividir com enorme dificuldade o provimento da vida familiar. E representam (elas) mais de 51% de cabeças dos casais no Brasil – segundo IBGE. É fácil separar. Duro é suportar a vida de lobo da estepe – tanto para um, quanto para a outra, que na grande maioria teve o indizível fundo econômico para separação.
Enfim, a mulher contemporânea reciclou e não se parece mais com suas avós. E tem aspectos sociais melhores e outros íntimos piores, mas que enfrenta diuturnamente suas ambiguidades, o que tem o homem nesta árdua batalha que sequer entabulou novo projeto de masculino e que arrasta a mulher ao fosso do conflito na vida em comum e imprestável ao amor. O projeto machista é ridículo aos próprios olhos do machista. Não há um homem no geral alegre e feliz. O que resta na falta na ausência de um projeto masculino é compartilhar uma disputa indesejável. Ou aderir ao projeto feminino, que não lhe cabe por inteiro.
O homem atual tem que se reciclar rapidamente e encontrar uma posição minimamente confortável ou satisfatória na vida que leva para manter-se num relacionamento. Ela já sabe o que quer e o que é ser mulher moderna. O que ele quer não consegue e o que tem não o satisfaz. O amor clama por mais na relação – por esperanças e mitos. A audácia de viver intensamente na doação recíproca e proteção incondicional (cumplicidade) restou hoje mitigada nestes tempos difíceis.
A ausência do projeto masculino gera indefinição e não abertura de caminho fecundo para se relacionar como deseja a mulher. E o masculino frágil e inconsistente faz hoje uma verdadeira balburdia no relacionamento, o que constitui reclamo feminista rotineiro e interminável de não compromisso masculino no relacionamento amoroso. É uma batalha que pode ser menos árdua somente se o homem conseguir conciliar seus desejos com suas possibilidades – antes mesmo de se relacionar. Harmonizar suas conquistas dentro de suas limitações concretas. Afinal, ambos (homens e mulheres) têm sempre o dever de conhecer com sentimento (o que significa ser um sem excluir o outro). Enfim, enquanto a segurança masculina não conciliar com sua possibilidade de expansão nesta batalha brutal será muito penosa e dura a vida a dois. E a mulher terá na via mais comum, que esperar ou sustentar-se na transitoriedade de viver com um lobo da estepe, que acha que consegue viver só, quando não consegue. E relacionar-se inevitavelmente com um desconhecido de si mesmo.
O homem moderno e fragilizado – frente ao novo sexo forte, a mulher com dupla jornada de trabalho e que lhe ganhou em definitivo o mercado de trabalho, tem o desafio e possibilidade imensa de desenvolver um novo projeto masculino, pois nada mais tem a perder e tudo a ganhar. Ao aprender (conhecer a si) e conseguir comunicar sua nova necessidade e responsabilidade no mundo – quiçá a mulher terá um bom parceiro de filme tecnicolor que deseja – amar diferentemente de nossos vovôs e vovós. O homem capaz de recuperar suas lembranças e emoções e organizar os elementos para o fortalecimento do masculino frágil é a nova identidade masculina. Enfim, um homem que a mulher não conhece – ainda. Mas que há quiçá de conhecer logo.

Hélcio Corrêa Gomes é advogado e diretor tesoureiro da Associação dos Advogados Trabalhista de Mato Grosso (Aatramat). E-mail: helciocg@brturbo.com.br – Fonte: A Gazeta

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