imensuráveis

>As perdas na educação de Mato Grosso são imensuráveis

Posted on outubro 30, 2009. Filed under: Educação, escola, imensuráveis, Mato Grosso, professores, Secretaria de Educação |

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A educação escolarizada pública do Estado de Mato Grosso vai de mal a pior. “Falta de gestão”. Isso não é para menos, pois nada é realizado com planejamento. Tudo se dá na base do improviso. Pior ainda, o governador não vê esse setor como um dos mais importantes da administração estadual. Por isso, Sua Excelência não sente nenhum acanhamento em fechar escolas e demitir professores e funcionárias responsáveis pela limpeza das escolas, sob a lengalenga de contenção de despesas.

Quadro complicado. Revoltante quando se sabe que o governador “cava” brechas de emprego para acomodar seus apadrinhados. Ontem, foi no Tribunal de Contas do Estado, hoje na Agecopa e amanhã, talvez no Senado. Depois que todos eles passaram pelo governo, e um se estagia se no Dnit.

Nesse meio tempo, os interinos vão, aos poucos, sendo descartados. Descartados de uma maneira humilhante. A ponto de ninguém sair em suas defesas. Nem o sindicato, que se mostra fiel ao secretário de Educação. Integrante do “partido que sempre tratou essa entidade da categoria profissional como extensão partidária”, no dizer do autor de um e-mail recebido por esta coluna. Muito menos é voz contrária o colega transformado em burocrata. Condição que o faz perder o senso crítico, além de torná-lo míope em um local onde até processo de aposentadoria se perde em seu percurso de “gaveta em gaveta” da burocracia. Vício há bastante, institucionalizado. Entra e sai governo, porém coisa alguma é mudada, que dirá transformada, a despeito do avanço da tecnologia. O que faz da Secretaria de Educação estadual um órgão ineficiente diante da complexidade gerada pelo dia-a-dia da escola.

Escola que, diariamente, clama por socorro. Mas o governador, talvez preocupado demasiadamente com a macroeconomia, cujo interesse próprio e particular é bastante claro, sequer lhe deu a atenção devida. Contrariando o que dizia o “estar na palma da mão”.

Enquanto isso, ou por conta disso, o ambiente escolar perde não só em qualidade, como também em brilho. Pois no lugar do arejamento, condição necessária para que o alunato se sinta bem, encontra-se uma situação de embaçamento. Daí, inclusive, o desestímulo do estudante, cujo resultado não poderia ser outro senão a apatia, e, nesse estado, também deixa de frequentar as salas de aula.

Fuga que também pode ser atribuída à desorganização de quem administra a secretaria, que, na ponta final, é de fato o governador. Mas, ao invés de se autodemitir ou exonerar o seu auxiliar direto, Sua Excelência prefere jogar a culpa nos interinos, pois estes não “seguraram” a “clientela”.

As demissões, portanto, são, na verdade, atestados de culpabilidade de professores e funcionários de limpeza desligados. Desligados de maneira injusta, desleal e deselegante.

Assim, o atual governador coloca a si mesmo como um dos mais ineficientes para administrar o setor educacional estadual. Posicionando-se bem abaixo dos degraus em que se encontram, embora desconfortavelmente, os ex-governadores Dante de Oliveira e Carlos Bezerra. Na gestão do primeiro fortaleceu a eleição para diretores e consolidou-se o pagamento em dia; enquanto na do segundo, o salário dos profissionais da educação de Mato Grosso era um dos maiores do país.

As perdas, portanto, são imensuráveis. Também, pudera, a educação escolarizada nunca foi vista pelo chefe do Executivo regional como setor relevante.

Autor: Lourembergue Alves é professor universitário. Fonte: A Gazeta. E-ail: lou.alves@uol.com.br

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