Ipea

>Desigualdade de Mato Grosso tem cura

Posted on julho 16, 2010. Filed under: Desigualdade, Educação, Ipea, Mato Grosso, PIB, riqueza, Saúde, segurança, Wilson Santos |

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Autor: Wilson Santos
 
Para nossa tristeza e vergonha, o Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – acaba de confirmar o que temos dito com insistência: apesar da alardeada expansão da riqueza, Mato Grosso segue sendo um estado com alta concentração de renda, ou seja, economicamente rico e socialmente injusto.

De acordo com o chamado índice Gini – de 0 (zero) a 1, quanto mais próximo de zero, menor a desigualdade – Mato Grosso registrou em 2008 índice 0,54, marcando um desalentador 13º lugar na escala da distribuição de renda entre os estados brasileiros.

Embora seja equivalente ao nacional, esse índice de 0,54 se configura como expressão dramática, desumana até, da falta de políticas estaduais focadas na geração de oportunidades, quando comparado com o crescimento do Produto Interno Bruto – PIB – no mesmo período avaliado: entre 1995 e 2008, o PIB per capita mato-grossense cresceu 5,87%, enquanto a desigualdade ‘caiu’ um mísero ponto centesimal – de 0,55 para 0,54.

Sem desmerecer o esforço extraordinário e a competência do empresariado rural e urbano e de nossos trabalhadores, os números reluzentes de nossa produção agropecuária e agroindustrial não se reproduzem em justiça social, que só se dá pela distribuição de renda. Com um PIB de R$ 45 bilhões e uma população de pouco menos que três milhões de habitantes, Mato Grosso é, em tese, um estado rico. Na realidade, porém, é um estado com poucos muito ricos, muitos pobres e uma classe média ainda incipiente.

É alentador que o índice de pobreza extrema tenha caído em Mato Grosso, segundo o Ipea, de 20,8% em 1995 para 8,9% da população em 2008 – algo em torno de 260 mil pessoas resgatadas da miséria absoluta.

Contudo, a mesma ética que não permite discussão sobre como as pessoas são salvas, num primeiro instante, da fome e do infortúnio, impõe discutir como lhes assegurar meios para o sustento digno e a ascensão socioeconômica como direito sagrado.

Se, como atesta o índice Gini, do Ipea, a enorme riqueza produzida em Mato Grosso não tem contribuído para a redução das desigualdades, é óbvio que a responsabilidade não pode recair sobre os que geram, com esforço e competência, essa riqueza. Nem sobre os que não têm oportunidade de ajudar a construí-la.

Esse enorme débito social e humano recai sobre o governo do estado, que nos últimos sete anos fez estradas e pontes ‘estratégicas’, mas não construiu o caminho ‘simples’ e seguro para o desenvolvimento social: aquele que passa por investimentos em educação e qualificação profissional, em saúde, segurança e habitação, como única forma de gerar prosperidade coletiva. As pessoas não podem ficar para trás, todos têm que crescer juntos, e no mesmo ritmo, que o Estado.

Em meu governo vou buscar convergir todas as políticas públicas para apressar a redução dessas desigualdades. E o melhor e mais seguro caminho é valorizar o nosso maior patrimônio – o ser humano – investindo em educação pública de qualidade e em ensino profissionalizante capaz de preparar mão-de-obra para suprir demanda cada vez mais exigente.

Por isso tenho dito que vou ‘entupir’ Mato Grosso de escolas técnicas. Só com educação, formação profissional adequada poderemos falar de democratização de oportunidades e de ‘produto interno de felicidade’ em vez desse ‘PIB per capita’, que mascara a injustiça social.

Mato Grosso merece avançar e fazer o que ainda não fez: transformar a riqueza do grão em saúde, segurança e educação.

Wilson Santos é professor e candidato a governador de Mato Grosso

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>Mais apoio para a juventude tornaria o Brasil menos violento

Posted on janeiro 21, 2010. Filed under: Cultura, Educação, ensino superior, Ipea, jovens, juventude, Primeiro Emprego, Saúde, segurança |

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O governo brasileiro não dá prioridade para a juventude. As políticas voltadas para os jovens estão atrasadas e dão poucos resultados. Essa pelo menos é a avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, que lançou a pesquisa Juventude e Políticas Sociais no Brasil, uma análise da situação dessa população em relação ao acesso a diversos direitos, como educação, saúde, cultura e segurança.


Não se pode deixar de reconhecer que houve avanços, principalmente com a Constituição de 1988, quando ganhou mais importância o tema da criança e do adolescente. Há uma série de êxitos nas políticas para esse segmento, no entanto a inserção dos jovens nas políticas públicas é algo muito recente e de poucos resultados, isso o governo brasileiro precisa reconhecer e o Ipea tem toda razão ao lançar críticas às políticas públicas brasileiras.

O Brasil tem hoje uma população de 50 milhões de jovens (entre 15 e 29 anos), o que representa 26% do total de 190 milhões de brasileiros. Fazendo-se uma avaliação com dados nos números apresentados pelo Ipea, chega-se à conclusão, por exemplo, que 31% dos jovens brasileiros podem ser considerados pobres e apenas 13% têm acesso ao ensino superior na faixa etária dos 18 aos 24 anos.

Um outro ponto da avaliação do Ipea que chama a atenção é o fato que a juventude entrou na agenda de políticas públicas somente no final dos anos 90 e, apesar de alguns resultados positivos, ainda falta fazer muito nesse setor. Vale lembrar também que na educação existem gargalos a serem superados. Menos da metade dos jovens de 15 a 17 anos está cursando o ensino médio, etapa de ensino adequada para esta faixa etária, e apenas 13% dos jovens de 18 a 24 anos frequentavam o ensino superior em 2007.

Quando se fala em oportunidade de trabalho a situação ainda é mais grave. A maioria dos jovens precisa optar por trabalhar ou estudar e não existem políticas públicas voltadas para corrigir essa distorção. Vários programas já foram lançados, mas se perderam pelo meio do caminho. Basta lembrar o lançamento, com pompas, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do programa “Primeiro Emprego”.

No papel era tudo muito bonito, mas na prática foi um fiasco pois o empresariado não teve o retorno que desejava do governo federal. Ficou para trás. As políticas públicas voltadas para a juventude, vale destacar mais uma vez, estão atrasadas e precisam ser reavaliadas. Fonte: A Gazeta

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