Jogo político em MT

>Alfredo da Mota Menezes escreve sobre a saida de Luiz Pagot candidato a governador em 2010

Posted on fevereiro 3, 2009. Filed under: eleições 2010, Jogo político em MT, Luiz Pagot, Sapezal, Wilson Santos |

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No jogo da política

Alfredo da Mota Menezes

O afastamento da candidatura a governador do Luiz Pagot foi uma boa jogada política. Por alguns motivos.

1. A mexida deixou atônitos alguns atores da política no estado. Jaime Campos, que ensaiava fazer oposição, lugar que ele se dá bem, deve voltar atrás. Correligionários do seu partido, frente à nova situação, não vão deixar que ele vá para lados que não possa ter regresso depois.

O Sérgio Ricardo, com o recuo do Pagot, a quem ele gosta de acutilar, agora está sem saber para onde ir. Não tem forte presença no PR e articular internamente uma candidatura a governador não será tarefa fácil. Está também atônito com o novo momento.

2. Tira o foco do governo Maggi. Tem ainda muito tempo para terminar o governo dele. Não há mais como os aliados, pensando em ter apoio do grupo, atirar no seu governo.

3. Preserva o Pagot. Se lá na frente ele se mostrar viável, voltam a postular seu nome. Já estava apanhando muito e ele não tem ainda jogo de cintura para esse tipo de enfrentamento. Aquela reação a uma fala do Arthur Virgílio no Senado é uma prova disso. 4. O afastamento da candidatura abre espaço para se discutir um arco de aliança para 2010.

Aquela história de que o pessoal da botina não tinha ainda aprendido artimanhas de sobrevivência política parece que não pega mais. Aprenderam rápido. Tirar a candidatura do Pagot foi uma tacada das boas. Talvez o PR nem precise mais se reunir em Sapezal em fevereiro.

Ouvi uma discussão interessante sobre o Wilson Santos entre duas pessoas que nem eram do partido dele. Um arguiu longamente que o problema do Wilson é que ele não cumpre acordos políticos. O outro não concordava e dizia que, no geral, a regra na classe política é a de cumprir só os acordos de sua conveniência.

Ele achava que o principal problema nesse momento de ascensão política do Wilson é que ele não tem ainda cultura partidária. E que, sem isso, fica mais difícil impor liderança num grupo.

Não sei quem tem razão na discussão, mas o segundo ponto de vista tem alguma base na história política local. Com exceção do caso Blairo Maggi, que apareceu na política em uma específica circunstância, todos os outros episódios têm alguém com um pé em partido político.

Júlio Campos ganhou a indicação para ser candidato a governador em 1982 porque trabalhou no partido. Benedito Canellas não o fez e dançou. Carlos Bezerra era homem de partido, se fez ali. Aliás, até hoje está nisso. Jaime Campos segue a mesma trilha. Dante de Oliveira idem. Roberto França, Antero de Barros, Serys Marly, Jonas Pinheiro, todos tiveram vivência partidária.

Aquela pessoa que arguía que é importante a participação partidária de um líder dizia ainda que é ali dentro, no cara a cara, até com gente sem votos, no jogo do convencimento e nas atitudes, que se impõe a liderança.

Não é só voto que faz a liderança. Quantas pessoas têm votos e não consegue liderar? Aprender a agir dentro de um partido foi sempre um caminho para se chegar a lugares mais distantes na política. Essa tem sido a regra, casos diferentes são a exceção.

Fonte: Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta às terças, quintas e aos domingos. E-mail: pox@terra.com.br/site: http://www.alfredomenezes.com

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