Kid Abelha

>O autoconhecimento é irresistível

Posted on outubro 21, 2010. Filed under: autoconhecimento, crescer, Festival de Música, geração Y, Kid Abelha, Metáfora, mudar, ousar |

>Por Claudinet Antônio Coltri Júnior

Um dos grandes problemas da chamada geração Y (aquela nascida a partir da década de 1980) é que, devido ao excesso de informações e canais disponíveis a ela, acaba por criar um ambiente propício a um certo conhecimento sobre muitas coisas, porém, em sua maioria, superficialmente (… só tenho tempo pras manchetes no metrô […] eu sei de quase tudo um pouco, mas quase tudo mal – Kid Abelha, Nada tanto assim).
Especialistas em comportamento humano e em comportamento nas organizações têm mostrado que a geração Y carece, na verdade, de autoconhecimento. Isso não me parece ter a ver com a geração em si, mas com o modelo de educação que está disponível a ela. As crianças e adolescentes não são preparados, via de regra, para criar, para pensar. Mataram a arte (verdadeira arte) na educação. Muitas escolas mataram-na, mesmo. Outras têm a arte em seu currículo só para dizer que tem. Trabalham com uma arte fria, seca, metodológica (não se meta a exigir do poeta que determine o conteúdo em sua lata […], pois ao poeta cabe fazer com que na lata venha a caber o incabível – Gilberto Gil, Metáfora). Existem outras poucas que têm.
A arte nos faz perceber que o mundo é maior, que podemos mais do que achamos que podemos. No fundo, na época em que passei pelo ensino médio já era assim, mas eu dei muita sorte. O diretor da escola em que eu estudei era compositor e amante da música. Criou o Femuso, Festival de Música Soares Oliveira. Ele nos instigou a participar, a criar músicas. 
Compor uma canção é algo mágico! Ordem and Progress (ordem em português, mesmo, visto que a música fala do domínio português ao domínio norte-americano). Ela foi o pontapé para as mais de cento e sessenta músicas que compus e pelos festivais que participei pela vida a fora. Existem canções que eu nem sei como fiz. Parece que não fui eu quem as escreveu. O Femuso foi a grande mola propulsora para que eu pudesse descobrir que era capaz, que podia fazer diferente, que, se quisesse, podia aprender. E assim foi: nunca tive o gosto de ganhar um festival (amanhã tem um festival e ele está com uma canção / para dizer para a garota, tudo sobre o seu coração / mas ela não apareceu e ele não ganhou – O Jovem Laurence, uma dessas minhas canções). Precisei aprender uma das lições mais duras para um adolescente: aprender a perder. Assim, ficou o valor da arte, da criação artística na educação. Sou grato ao “Juninho”, diretor da escola, (que já está com o Papai do Céu) por ter me permitido sair do normal, ousar, aprender.
Nesta semana estou vivendo um dos momentos mais felizes da minha vida, pois estou vendo o meu filho passando um processo parecido. Ele vai participar de uma peça teatral pela escola em que estuda. E o melhor: não é uma atividade extra, é de cunho pedagógico. Estamos vendo nascer um novo rapazinho, mais forte, mais inteiro. Outro dia eu disse a ele que estava orgulhoso dele, pois estava inventando falas, gestos, enfim, ousando. Ele me disse: “pai, eu tenho que fazer mais do que é esperado, não é isso?”. É isso, meu filho! No mundo de hoje, fazer o que esperam de você vale muito pouco. Precisamos de pessoas verdadeiramente criativas. Pessoas que vão ao âmago das questões e dele tirem uma interpretação nova, mas também exata, correta e que sirva verdadeiramente para as pessoas.
Hoje, a exposição ao autoconhecimento não pode ser mais uma opção, pois é uma necessidade para enfrentar o mundo que por aí virá. Cultive a arte em você, cultive a arte em seus filhos. Precisamos que eles aprendam a fazer, ousar, mudar, crescer como pessoa, permitir-se ver os jardins que o véu do dia-a-dia insiste em nos tirar. Assim, ao fazermos o que achávamos que não podíamos, descobrimos nossa força interior. A arte nos faz ver que podemos muito, que podemos mais. Vejo que a partir desse momento, tanto meu filho, assim como os seus colegas, vão estar mais aptos a ir lá fazer o que será (salve Gonzaguinha)



Claudinet Antônio Coltri Júnior é palestrante; consultor organizacional; coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do Univag. Web-site: http://www.coltri.com.br – E-mail: junior@coltri.com.br – Twitter: twitter.com/coltri

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