Lula

>Gastos secretos de Lula com cartão em dezembro foi R$ 884 milhões

Posted on março 14, 2011. Filed under: Lula |

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Em dezembro, último mês de governo Lula, a Presidência da República gastou R$ 884.887,29 com a utilização de cartões de crédito, valor bem maior que a média de R$ 512 mil mensais, durante o ano de 2010. 
Apesar de impressionantes, os gastos são “protegidos por sigilo” para “garantia da segurança da sociedade e do Estado”, explica o “Portal da Transparência”. Mas o sigilo protege apenas o próprio ex-presidente.

Lula decidiu impor “sigilo” aos gastos do governo desde a denúncia de uso cartão de crédito até para comprar tapioca e pagar resorts de luxo.

Os cartões de crédito da Presidência da República são utilizados para despesas com deslocamentos e mordomias da família presidencial.  Fonte: ClaudioHumberto

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>FHC x Lula

Posted on fevereiro 10, 2011. Filed under: FHC, Lula |

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Quem foi melhor para o Brasil, FHC ou Lula? Creio que agora, com Dilma eleita e empossada, já se pode fazer uma avaliação isenta de paixões. Isso é importante porque as novas gerações só se recordam do governo Lula. O de FHC desenvolveu-se quando boa parte dos jovens atuais era criança. Eles não têm opinião formada sobre o que foi a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

FHC e Lula vivem trocando agulhadas. E – quem diria – já foram aliados, no passado. Foi nos anos 70, quando ambos, ombro a ombro, lutavam contra o regime militar.

Afastaram-se na década seguinte. Lula tratou de fundar o PT e o professor Cardoso, na condição de suplente de Franco Montoro, assumiu a senatoria quando este se elegeu governador. Alguns anos depois ajudou a tornar viável um novo partido, o PSDB, formado por dissidentes do PMDB. Por suas opções partidárias, ambos ficaram no sereno durante muito tempo. Mas suas apostas, no longo prazo, mostraram-se acertadas. Os dois, com elas, chegaram à Presidência da República.

E agora, desde os anos 90, tanto PT quanto PSDB são os dois principais partidos que disputam os corações e mentes da opinião pública. Ao menos da parcela que se acredita esclarecida.

FHC e Lula, cada um pôde reinar durante oito anos. Foram eleitos e reeleitos para o posto. Ambos lograram formar folgadas maiorias no Congresso. Fernando Henrique aproveitou-as para fazer profundas reformas na economia. Lula, que lhe sucedeu, fez o carro deslanchar e tratou de, sozinho, recolher os louros da retomada do desenvolvimento e também do soerguimento da autoestima dos brasileiros.

É difícil afirmar, de forma isenta, qual deles foi o mais importante para o Brasil. Em termos de mudanças, FHC foi o mais efetivo. Já quanto à popularidade, foi Lula quem se saiu melhor.

Embora Lula insista em afirmar que a História do Brasil teve início no dia em que o PT chegou ao poder, eu – que não nasci em 2003 – tenho uma visão mais crítica do processo. Venho seguindo o noticiário político e econômico desde que me tornei adulto. Pelas minhas contas, já pude acompanhar a trajetória de oito presidentes, dez governadores do Estado e 12 prefeitos da capital.

Dentre essas três dezenas de governantes, já houve de tudo: militares, civis, eleitos nas urnas, eleitos indiretamente, vices que assumiram, nomeados e também interinos. Houve quem morresse antes de tomar posse e quem fosse impedido em meio ao mandato. Alguns acreditavam falar com Deus; outros, ainda, deixavam Deus esperando na linha.

Alguns eram direitistas e outros, esquerdistas. E muitos eram, também, populistas. Governantes que cultuaram a fama de trabalhar demais, a maioria que se contentava em trabalhar o suficiente e ainda os que, manifestamente, não gostavam de trabalhar. Como diz o povo, houve gente que não era capaz de nada e gente que era capaz de tudo.

Eu fiz oposição a alguns e fui simpático a outros.

Quais foram os melhores? Com mais de três décadas de experiência, confesso que não sei dizer.

Presidentes, governadores e prefeitos, nenhum deles governou sozinho. Todos tiveram equipes qualificadas e assessores especializados. Deram-se melhor os que souberam evitar os áulicos, descobrir talentos, liderar equipes e garantir, politicamente, a sua governabilidade Mais de meio século atrás, o então prefeito Prestes Maia já reconhecia que “governa melhor um político cercado de técnicos do que um técnico cercado de políticos”. E olhem que ele era um técnico.

Iniciei a minha carreira profissional, como jornalista, comentando economia e política no rádio e na TV. Pude constatar que todos os governantes, sem exceção, começaram suas administrações com inúmeros projetos, propostas, promessas e boas intenções. Ao término de seus mandatos, alguns anos depois, bastava contar as suas realizações para perceber que quase nenhuma de suas metas fora atingida. Ao menos não na forma que eles haviam previsto.

Os que lograram marcar presença não foram, necessariamente, os que intentavam criar um novo mundo. Foram aqueles que souberam captar o Zeitgeist – o espírito do tempo, ou da época, como se diz.

O fato é que numa gestão é preciso saber conciliar a sorte com a virtude. Bons jogadores não são apenas os que sempre recebem boas cartas. São também os que fazem o melhor com as cartas que têm.

Alguns lograram êxito. Outros se celebrizaram como exemplos a não serem seguidos.

Os governos de Lula e FHC foram, no meu entender, complementares. Quer no que se refere à retomada do desenvolvimento, quer nas políticas de combate à miséria, o mérito de Lula foi o de pavimentar as picadas que Fernando Henrique já havia aberto.

Se em 2009 a economia brasileira se saiu bem da crise, isso se deve em boa parte à robustez de nosso sistema financeiro. E este só é forte porque foi saneado e normatizado no governo anterior.

Quanto aos programas sociais, como o Bolsa-Família, foi no governo de Lula que se consolidou a ideia, mas foi no de Fernando Henrique que ela se tornou realidade.

O problema é que, atualmente, o que se percebe é que, de tudo o que foi feito, coube somente a Lula a colheita de resultados. O que sobrou para FHC foi apenas o sofrimento das consequências.

Nas últimas eleições, isso ficou patente: quase todo mundo pegou carona na popularidade de Lula e poucos foram os que se atreveram a falar bem de Fernando Henrique.

A nossa posteridade há de fazer justiça. O teste do tempo é implacável: destrói tanto modismos quanto reputações artificiais. E perante a História não basta ser popular para garantir uma vaga. João Mellão Neto – O Estado de S.Paulo

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>PT vai pagar salário mensal de R$ 13 mil a Lula por cargo simbólico

Posted on janeiro 27, 2011. Filed under: Lula |

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O PT decidiu pagar um salário mensal de R$ 13 mil ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no próximo dia 10 receberá novamente o título simbólico de “presidente de honra” do partido.
Segundo o “Painel” da Folha, editado interinamente por Ranier Bragon, o contracheque será equivalente ao do presidente de fato do PT, José Eduardo Dutra.
O novo salário de Lula se soma às duas aposentadorias que ele recebe –uma de anistiado político, outra por invalidez devido à perda do dedo– e às palestras que devem engordar seu caixa a partir de março.
“Não tem por que não pagar. Ele é um importante dirigente político, está se dispondo a trabalhar junto com o PT”, argumenta Dutra.
O salário de Lula vale já a partir de janeiro. Como o estatuto da legenda não prevê pagamento para cargo simbólico, o ex-presidente terá carteira assinada como assessor do PT, mesma situação montada para Dilma Rousseff na campanha.
Segundo aliados do ex-presidente, suas aposentadorias somam R$ 9 mil ao mês.
No patrimônio declarado em 2006, havia R$ 478 mil em aplicações financeiras, em valores da época. Há no PT defesa da equiparação do salário dos dirigentes partidários ao dos congressistas –R$ 26,7 mil. Fonte: Folha
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>Empresa paga aluguel de R$ 12 mil de Lulinha, filho do Presidente Lula

Posted on dezembro 30, 2010. Filed under: Lula |

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O Jornal Folha de S. Paulo publicou na edição de hoje, 30 de dezembro de 2010, e também na sua página online, que um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís, mora desde 2007 em apartamento alugado por R$ 12 mil nos Jardins, bairro nobre de São Paulo. Quem paga a conta é uma empresa com contratos com vários governos, entre eles o federal.
Lulinha
Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, não é sócio da empresa que paga o aluguel. O Grupo Gol, que alugou o apartamento, é do empresário de mídia e mercado editorial Jonas Suassuna, sócio de Lulinha em um outro negócio, a empresa de conteúdo eletrônico Gamecorp.
Primo do ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB), Jonas fez fortuna com venda de CDs da Bíblia gravados por Cid Moreira. Procurado pela Folha, Jonas disse que não vai mais pagar o aluguel para o filho do presidente.
A Folha apurou que até hoje é Suassuna quem paga o aluguel, e o dono do imóvel não havia sido contatado até a semana passada para discutir mudança no contrato, informa reportagem de José Ernesto Credendio e Andreza Matais, publicada nesta quinta-feira.
Outro lado
Lulinha disse à Folha que foi morar com o amigo em 2007, quando se separou. “Ele arcava com o aluguel e eu entrei com os móveis da minha antiga residência e assumi as despesas do apartamento. Há quatro meses pedi para ficar com todo o apartamento, pois me tornei pai, e estamos transferindo o contrato para meu nome.”
Filho do dono do imóvel, o advogado Vladmir Silveira disse que não sabia que o filho de Lula era seu inquilino. “Quem alugou foi o Grupo Gol. O Jonas assina como proprietário dela e fiador, na física”, escreveu, por e-mail.
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>O legado de Lula

Posted on dezembro 28, 2010. Filed under: Lula |

>Por Ricardo Noblat

Na próxima sexta-feira sairá de cena o governo de um único protagonista! Entrará o governo dos coadjuvantes do governo passado. O período de oito anos de Lula foi construído sob medida para que ele, Lula, brilhasse sozinho. Deu certo. Nada indica que a história se repetirá no período de quatro ou de oito anos da presidente Dilma Rousseff.
Presidente Lula
Talvez seja melhor assim. O presidencialismo entre nós concentra poderes excessivos nas mãos de uma só pessoa. E isso não é bom para uma democracia que atravessa pela primeira vez dentro da normalidade três sucessões consecutivas. Fernando Henrique recebeu a faixa presidencial de Itamar e a repassou a Lula, que a repassará a Dilma.
O primeiro momento de Lula como presidente da República foi de natural perplexidade. Seria possível a um ex-pau-de-arara e ex-favelado, que passara fome e sequer completara os estudos, acabar eleito para governar seu país? Depois de ter sido derrotado três vezes, Lula custou a acreditar.
O segundo momento foi de pavor. Coincidiu com o escândalo do mensalão, que levou Lula, em julho de 2005, deprimido por uns tragos tomados a mais, a falar em renúncia ao mandato. Soubera que o publicitário Marcos Valério, um dos operadores do pagamento de propinas a deputados, ameaçava contar tudo.
O então ministro José Dirceu, chefe da Casa Civil, foi acionado para negociar o silêncio de Valério e assim sossegar Lula. Teve êxito. Mas dali a mais um mês ou dois, obrigado a pedir demissão, reassumiu a vaga de deputado federal para ser cassado. Enfim, era preciso entregar alguma cabeça coroada para que Lula preservasse a sua.
O terceiro momento de Lula na Presidência foi de esplendor. E de puro encantamento com ele mesmo. Reeleito em 2006, amparado por uma economia em expansão e idolatrado pela clientela dos programas sociais, passou a se comportar como um enviado de Deus. Ninguém mais do que ele alimentou o culto à própria imagem.
Por pouco não caiu na tentação de gastar parte de sua popularidade para vencer no Congresso a batalha por mais um mandato. Sondou a respeito governadores do PT e de outros partidos, além de auxiliares próximos. E aborreceu-se com alguns que se opuseram à ideia com veemência. Alô, alô, governador Jaques Wagner, da Bahia!
Está de saída porque não tem outro jeito. Mas deixa em seu lugar uma aliada fiel. Que a ele, unicamente a ele, deve sua eleição. E que ele espera que lhe seja fiel até o último dos seus dias na Presidência. Que dia será esse? Por ora, Dilma não faz ideia. Lula deve fazer, mas não conta a ninguém. Até porque pode mudar de ideia.
Lula abusa da credulidade dos brasileiros quando reescreve a história do país como se ela pudesse ser dividida em duas fases: antes dele e depois dele. Os desafetos de Lula incorrem no mesmo erro quando defendem a tese de que ele se limitou a dar continuidade à política herdada dos seus antecessores – além de ter tido muita sorte.
Nenhum presidente fez tanto pelos brasileiros mais pobres do que Lula – e esse será seu grande legado. Em oito anos de governo, o número de pobres foi reduzido a menos da metade. O programa Bolsa Família é uma invenção do governo anterior, eu sei. Mas foi com Lula que se expandiu e hoje atende a quase 13 milhões de famílias.
Quem elege os governantes numa democracia é o povo. Quem tem mais autoridade para julgá-los é ele. Lula foi tolerante e cúmplice com o desrespeito à moralidade pública? Foi. Mas nem isso o impediu de chegar ao fim do governo com a aprovação de 83% dos seus conterrâneos. Tamanho grau de aprovação é um equívoco? Bobagem!
É fato que o povo, só por deter a autoridade suprema numa democracia, não é necessariamente sábio. Mas aonde um regime de sábios, respeitando os direitos do povo, foi capaz de conduzi-lo a uma situação melhor? Recolha-se a São Bernardo do Campo, Lula! Tome uma por mim. E deixe Dilma acertar ou errar em paz.

E-mail para esta coluna: noblat@oglobo.com.br

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>Dois comandos

Posted on dezembro 8, 2010. Filed under: Lula |

>Por Merval Pereira
O Presidente Lula chegou à perfeição, dá ordens no seu governo que está chegando ao fim, e no de Dilma Rousseff, que nem mesmo começou. Indicou mais da metade do ministério, e o Ministro Guido Mantega, que é e continuará sendo o titular da Fazenda, está experimentando a estranha sensação de ter dois chefes.

Um dia, ele anuncia que os cortes serão drásticos, e não pouparão nem mesmo obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), a galinha dos ovos de ouro da presidente eleita Dilma Rousseff.

Certamente não falou isso sem o consentimento dela. Mas ambos esqueceram-se de combinar com Lula, e deu no que deu.

O presidente, que já demonstrou, por palavras e obras, que não está se sentindo muito confortável com o fim de seu “reinado”, desautorizou seu ministro, que também é ministro do futuro governo.

Lula garante que a próxima presidente não terá necessidade de cortar “nem um centavo” das obras do PAC, a menina dos olhos de seu governo.

É a situação mais esquizofrênica de que já se teve notícias na política brasileira.

Mantega, na atual administração, é um ministro gastador, responsável pela mudança de orientação que resultou na busca de um crescimento do PIB que superasse a média de 3,5% considerada o teto para a economia brasileira ficar protegida da inflação.

Ainda no Ministério do Planejamento, e depois no BNDES, Mantega defendia a tese de que o PIB potencial brasileiro era mais próximo de 5%, e pautou sua atuação à frente da fazenda, quando substituiu Antonio Palocci na crise da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira, na busca desse crescimento sem inflação.

Na crise internacional de 2008, não colocou obstáculo à política de Lula de estimular o consumo interno para enfrentar a ameaça de depressão econômica, e aderiu de corpo e alma aos estímulos fiscais para animar o mercado interno.

Ao mesmo tempo, o BNDES passou a ter papel relevante no financiamento de empresas, diante da falta de crédito no mercado internacional. E passou a ser a principal fonte de direcionamento de política econômica, escolhendo setores e empresas.

O superávit primário foi reduzido ao mínimo possível, e os gastos do governo foram acelerados, mais para financiar salários, pensões e programas assistenciais do que para investimentos.

O crescimento do PIB deste ano, que deve estar por volta de 7%, é uma demonstração viva de que a política expansionista deu certo, ajudando o país a enfrentar a crise internacional de maneira exitosa.

Mas também trouxe de volta o fantasma da inflação, e por isso, ainda no governo Lula, várias medidas estão sendo tomadas para contê-lo.

Os efeitos serão sentidos apenas no próximo governo, e talvez por isso o presidente não tenha se incomodado tanto.

As medidas de restrição do crédito tiveram também a intenção, tudo indica, de evitar que a última reunião do Banco Central na administração de Henrique Meirelles e, sobretudo, a última do governo Lula, decretasse o aumento da taxa de juros.

A questão foi jogada para frente, quando teremos que ver na prática o que significam as palavras do futuro presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que ontem na sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado repetiu um mantra que poderia ter saído da boca de Meirelles: “Taxas elevadas de inflação têm efeitos nocivos sobre a economia e perversos sobre a renda da população, em particular sobre segmentos de renda mais baixa”.

Ora, manter a inflação em níveis baixos, embora um assunto técnico, sempre teve um caráter político no governo Lula justamente por que a inflação alta afeta a base de apoio popular do presidente.

Deve-se ao então ministro da Fazenda Antonio Palocci o feito de ter convencido o presidente Lula desse efeito nocivo da inflação sobre qualquer projeto de melhoria da capacidade de consumo das classes mais baixas.

A partir daí, qualquer outro objetivo está subordinado ao controle da inflação.

Mesmo o descontrole de gastos dos últimos dois anos foi feito com um acompanhamento técnico da área econômica, que deve ter medido até que ponto o governo poderia chegar para ganhar a eleição sem perder o controle da situação.

A contenção de custos agora anunciada certamente já era de conhecimento da candidata Dilma Rousseff, mas não podia ser alardeada na campanha eleitoral.

Aliás, esta e outras medidas e posições surgidas após a vitória nas urnas demonstram que a campanha eleitoral de pouco serve para que se saiba como vai governar este ou aquele candidato.

Suas juras e promessas são mais falsas que as de amantes de bolero.

Veja-se o caso da presidente eleita. Após a vitória nas urnas no segundo turno, fez um discurso de estadista e calou-se, atitude, aliás, das mais sensatas.

Abriu a boca oficialmente para o Washington Post, e na entrevista deu pistas fundamentais sobre seu próximo governo, ensaiando inclusive um ligeiro distanciamento do governo de seu preceptor em questões de política externa.

Um distanciamento nem tão grande que pareça um rompimento, mas também não tão tímido que não sugira a possibilidade de um vôo solo, pelo menos em questões sensíveis como os direitos humanos.

Resta ainda saber a amplitude dessa mudança, mas já existe uma expectativa de haver vida própria no próximo governo, e não apenas a repetição enfadonha de gestos e movimentos ditados pelo manipulador dos cordéis.

Talvez por isso Lula tenha sentido a necessidade de dar palpite público sobre um assunto que só diz respeito ao próximo governo.

Resta saber se ele fez isso por que ainda está no comando, ou se está querendo continuar no comando depois do dia 1 de janeiro de 2011.

Fonte: Blog do Noblat

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>A busca da verdade

Posted on dezembro 6, 2010. Filed under: Lula |

>Por Ricardo Noblat*

   “Ele não planeja nem voltar nem não voltar. Vai depender do que acontecer”.                  
(Gilberto Carvalho e o futuro de Lula)

De Lula na semana passada: “Os meios de comunicação confundem crítica com o cerceamento da liberdade de imprensa. É a coisa mais absurda e pobre do ponto de vista teórico alguém achar que não pode receber crítica. Nunca pedi para ninguém falar bem de mim, nunca pedi para fazer matéria falando bem de mim. Só quero que me falem a verdade”.
Presidente Lula
O que é a verdade? A definição mais simples: é o que está de acordo com os fatos ou a realidade. Se digo que o vice-presidente José Alencar está muito doente, digo uma verdade. Incontestável. Digo outra se afirmo que o governo Lula chegará ao fim com um extraordinário índice de aprovação, o mais alto dos últimos 50 anos pelo menos.
Por que não devo dizer que o mais alto de todos os tempos? Porque há 60 ou 70 anos não se avaliava o desempenho dos governos com a regularidade e o rigor de hoje. Estar de “acordo com os fatos ou a realidade” requer precisão. Lula e seus porta-vozes abusaram e ainda abusam da imprecisão quando a tudo aplicam a fórmula genérica do “nunca antes na história deste país…”
Se digo que Lula sabia da existência do mensalão antes que ela fosse denunciada pelo ex-deputado Roberto Jefferson, posso não estar dizendo uma verdade incontestável – Lula jamais o admitiu. Nem foram recolhidas evidências de sobra de que ele de fato soubesse. Mas posso não estar mentindo. A verdade é também uma questão de julgamento relativo.
Como funcionaria dentro do governo, com ramificações em gabinetes a poucos metros do gabinete presidencial, uma “sofisticada organização criminosa” que tentou se “apoderar de parte do aparelho do Estado” – e Lula simplesmente não fazer a mínima ideia disso? O mensalão não se limitou ao pagamento de propinas a deputados. Serviu para animá-los a trocarem de partido. E a partidos a trocarem de lado.
Em um apartamento de Brasília, antes de se eleger presidente em 2002, Lula assistiu à compra pelo PT do passe do PL do deputado Valdemar Costa Neto (SP). Custou mais de R$ 6 milhões. Na ocasião, junto com ele, estavam Alencar, José Dirceu e Delúbio Soares. Foi o então governador Marconi Perilo, de Goiás, quem primeiro falou com Lula sobre o esquema de suborno de deputados. Ele não reagiu.
Dirceu repetiu mais de uma vez antes e depois de ter sido despejado do governo: “Nada fiz à frente do PT ou como ministro da Casa Civil que Lula não estivesse informado”. Não foi desmentido por Lula nem por ninguém. Dirceu é um dos 40 denunciados no Caso do Mensalão. E então: posso afirmar com razoável margem de acerto que Lula sabia de tudo?
Se ele pode dizer que a história do mensalão não passou de uma tentativa de golpe contra seu governo, encontro mais amparo na realidade para afirmar que ele sabia, sim, do mensalão. Baseio-me em fatos, em antecedentes e em deduções óbvias. Ele, apenas em sua imaginação. O que fez mesmo a oposição para derrubá-lo? Via Aécio Neves, conspirou para que ficasse no cargo.
Quando em apuros, autoridades em geral costumam exigir que a imprensa só publique a verdade, nada mais do que a verdade, como se assim pudessem ser beneficiadas. Mas na maioria das vezes são elas próprias que fabricam falsas verdades para encobrir verdades incômodas. Ou são elas que transfiguram verdades a ponto de torná-las irreconhecíveis.
Isso está longe de significar que a imprensa, por má fé ou erro, não publique mentiras. Por si só é o que basta para lhe causar grande dano, atingindo-a no seu patrimônio mais precioso – a credibilidade. Porque se o público começa a duvidar do que escrevo, para isso não presto mais. Ele costuma ser mais condescendente com político que mente do que com jornalista. Deveria ser impiedoso com ambos.
Lula acerta quando diz que a crítica à imprensa nada tem a ver com restrições à liberdade de informar. Quanto à busca pela verdade, digo que ela não deveria ser apanágio apenas da imprensa ou da ciência.



E-mail para esta coluna: noblat@oglobo.com.br – Blog do Noblat: http://www.oglobo.com.br/noblat

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>Lula agora inaugura até solda de tubulação

Posted on novembro 24, 2010. Filed under: Agenda, Inauguração, Lula |

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Presença em canteiros de obras ainda não concluídas marca agenda de final de governo

Depois de esgotar na campanha eleitoral as oportunidades de lançamento de pedra fundamental e início de terraplenagem de obras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou [ontem], 23, uma nova safra de viagens.
Ele esteve no final da manhã [dessa] terça em Ribeirão Preto (SP) para dar o “primeiro pingo de solda” na tubulação de escoamento de álcool de cidades da região e de Goiás para usinas de Paulínia e Taubaté.
Até o final do ano e do mandato, Lula terá uma agenda movimentada.
Mesmo sem poder concluir obras, ele pretende participar do maior número possível de eventos em canteiros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A seus auxiliares, o presidente repete que não quer viver a sensação de final de festa.

Fonte: Blog do Noblat

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>Lula 3. Ou Dilma 1

Posted on novembro 22, 2010. Filed under: Dilma, Lula |

> Por Ricardo Noblat

Eis a questão: Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, será o novo chefe da Casa Civil do próximo governo? Ou acabará nomeado para outro ministério com gabinete dentro ou fora do Palácio do Planalto – pouco importa?

Dilma chora ao discurssar em evento do PT

A Casa Civil é o coração do governo. Palocci ali significará Lula 3. Palocci em qualquer outro lugar significará Dilma 1.

Foi Lula quem escalou Palocci para fazer parte do primeiro escalão da campanha de Dilma. Não foi ela que o escolheu. Se depender de Lula, Palocci ocupará o cargo de chefe da Casa Civil.

É pela Casa Civil que passam todos os atos do governo a serem publicados no Diário Oficial. Uma Casa Civil desidratada de certos poderes nem por isso deixará de ser poderosa.

Se não tivesse sido arrastado pelo escândalo do pagamento de propinas a deputados dispostos a votarem na Câmara conforme a vontade do governo, o ex-ministro José Dirceu poderia ter saído da Casa Civil para ser candidato à sucessão de Lula.

Provavelmente se elegeria. Foi dali que Dilma saiu para se eleger.

Lula faz de conta que não se mete com a formação do novo governo. Afinal, pegaria mal junto ao distinto público aparecer como tutor da presidente eleita. Mas é só o que ele tenta ser.

Outro dia cometeu o ato falho de dizer que Dilma deveria se sentir à vontade para montar seu governo como bem o desejasse.

Por falta de cabimento, jamais se ouvira algo parecido da boca de outro presidente em fim de mandato.

OK, Lula é diferente de todos. O fato é que na história recente do país, a situação de Dilma lembra a de José Sarney, o vice que com a morte de Tancredo Neves se tornou o primeiro presidente civil depois da ditadura militar de 64.

Sarney herdou um ministério nomeado de véspera por Tancredo. Governou com ele durante mais de um ano. E mesmo quando reformou o ministério, seguiu até o desfecho do seu mandato como refém do PMDB, o partido de Tancredo e de Ulysses Guimarães, na época o condestável da Nova República.

Do fim da eleição para cá, saiu de cena a Dilma que fazia tremer os colegas de governo – e que um dia fez chorar o presidente da Petrobras. Sim, esse mesmo que Lula quer manter no lugar.

A Dilma briguenta, do “vamos à luta” contra José Serra e aqueles empenhados em interromper a reinvenção do Brasil, foi arquivada quando prometeu governar para todos os brasileiros.

Entrou a Dilma que chora em público. Que rende homenagens ao PT. E se diz decidida a governar com todos os partidos que a ajudaram a se eleger – e mais aqueles que se ofereçam para apoiá-la daqui para frente.

A nova Dilma é um personagem ainda em construção. Sem dúvida, muito mais atraente e complexo do que o outro.

Cultiva uma preocupação que faz sentido. Enquanto Lula não quer ser visto como o mandão contumaz, ela não quer ser vista como a ingrata, a desleal, aquela que mal foi eleita deu logo as costas para o principal responsável por sua eleição.

Outro dia, Dilma também incorreu num ato falho ao dizer que “presidente não precisa ser celebridade”.

Feita por Serra, por exemplo, a observação soaria como uma crítica a Lula, que persegue os holofotes e terá dificuldades para viver longe deles.

Feita por Dilma foi entendida como a antecipação de um novo estilo de governar. Mais para o recato do que para o exibicionismo. Para a modéstia do que para a arrogância. Tomara que assim seja.

Não existe almoço grátis, costumam repetir os economistas. Alguém sempre paga a conta.

Também não existe eleição grátis. É o que parece querer dizer Lula quando se apressa em indicar aspirantes a peças chaves do governo Dilma – Guido Mantega, Palocci, Henrique Meirelles, Paulo Bernardo, Nelson Jobim e Gilberto Carvalho, entre outros.

Pobre Dilma.

Ganhou o direito de suceder a Lula. Agora luta em silêncio e com uma habilidade insuspeitada para ganhar também o direito de governar. Assim como aconteceu com Sarney, que um dia afirmou: “Você governa o governo. Mas você não governa o tempo que governa”.

A Era Lula está longe de acabar.

Fonte: Blog do Noblat

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>Dicionário Lula

Posted on novembro 7, 2010. Filed under: Lula |

>Por Alfredo da Mota Menezes*

O presidente Lula pediu que a oposição não seja raivosa com a Dilma Rousseff como foi com ele. Pediu também que a oposição pense no Brasil e não trabalhe pelo quanto pior melhor. O Lula é brilhante em desconstruir gentes e ideias. Ele é mais brilhante ainda em construir para o seu lado o que bem entender.

Não dá para não citar mais uma vez que ele conseguiu pôr na cabeça das pessoas que o atual modelo econômico é dele. Se isso não convence todos, o Lula alega que a economia brasileira estava indo para o ralo em 2003 e que ele a salvou. O problema momentâneo fora criado por ele. O mercado desconfiava do Lula da bravata que, mais tarde, virou o da gravata.

O Lula disse que o Congresso foi raivoso com ele. Só há um caso em que foi derrotado no Senado: o da CPMF. Aprovou tudo que queria ali. E a CPMF não foi uma ação isolada, houve uma movimentação nacional, principalmente da Fiesp, para mandar um recado para governos sobre tantos impostos. Pena que caiu no da saúde. Foi uma reação nacional e não de raivosos no Congresso.

Quer mais? O Lula foi contra a criação da CPMF no governo FHC. Quanto pior ficasse a saúde seria melhor eleitoralmente para ele. O próprio Lula já disse que atuava antes com bravatas em cima de governos. Atacava para ter dividendos eleitorais.

O Lula e o PT foram contra o Plano Real, aquele que, ao controlar a inflação, ajudou bastante os mais pobres desse país. Se o Plano desse errado, o Lula teria dividendos na eleição de 1994.

O Lula e o PT foram contra a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral na disputa com Paulo Maluf. Era a derrubada da ditadura sem tiros. Alegava que era um pacto das elites, que tudo continuaria como estava, falava em “ruptura necessária”. Isso é que era apostar no quanto pior melhor.

O Lula, na eleição que passou, fez campanha dura contra senadores que usaram alguma palavra que não o agradou. Viraram “inimigos” políticos o Jereissati, Mão Santa, Agripino Maia, Heráclito Fortes e Artur Virgilio. Falou até em extirpar da política nacional o DEM.

Foi a Goiás várias vezes para tentar derrotar o Marconi Perilo. Não só porque ele é do PSDB. Foi o Perilo que aconselhou o Lula a juntar os vários programas de benefícios sociais em um só, deu o Bolsa Família. O Lula não gosta que lembrem isso. Perilo também alertou o presidente pelo mensalão, destruía a tese de que ele não sabia de nada. E ainda votou contra a CPMF. Virou inimigo político.
Ele, Lula, é tão brilhante que consegue inverter as coisas. Hoje os raivosos ou a favor do quanto pior melhor são outros, ele e o PT nunca foram.

*Alfredo da Mota Menezes é analista político. E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredomenezes.com

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