Lulismo

>O lulismo

Posted on novembro 16, 2009. Filed under: descamisados, Lulismo, público, peronismo, populismo |

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Os fatos mostram que há identificação entre o peronismo e o lulismo. Algumas características do peronismo: nacionalismo, intervencionismo econômico, assistência aos descamisados, apoio à nova economia ou substituição de importações, sem oposição ou uma “democracia unânime”, populismo autoritário, apoio nos sindicatos.


Quais seriam as bases ou características do lulismo? Será que se aproxima do peronismo?


É nacionalista. Esse nacionalismo leva a outro elemento do lulismo: contra privatizações. Quem a faz não representa os verdadeiros interesses nacionais. O lulismo tem ainda viés estatizante.


Assistência aos mais pobres. Programas específicos para os nossos descamisados. Se aceita também as regras básicas do liberalismo econômico. O resultado seria o que se chama de social-desenvolvimentismo.


O lulismo não aceita o contraditório, a opinião contrária é rebatida com vigor. Quando ataca os que atacam o lulismo sempre rotulam as pessoas como da direita ou conservadoras. Seriam contra os interesses do povo ou nacionais.


Esse posicionamento tem base em outro pressuposto do lulismo: o populismo autoritário. Ataca inclusive setores da imprensa, da burocracia ou da intelectualidade que levante o dedo para a atuação do lulismo. Não consegue, mas busca o pensamento hegemônico.


O lulismo tem base ainda nos sindicatos e em movimentos sociais, até os irrigam com dinheiro público. Se necessário, podem ser usados como ameaça a outros setores. Há um enfraquecimento dos partidos políticos (incluindo o PT). Qualquer ação para desmoralizá-los é válida.


O lulismo faz tudo para ter o apoio da maioria. Não enfrenta reformas, como as da previdência ou tributária, porque isso poderia trazer desgaste para o projeto de poder. Só bondades políticas, nunca maldades, mesmo que sejam necessárias. Aumentam-se gastos públicos com pessoal para manter o apoio desse segmento para o projeto em andamento. Para criar o clima favorável usam-se sempre programas de impactos com divulgação massiva.


Não está claro ainda se o lulismo será aceito pela maior parta da classe média. Uma parte desse segmento social até apoia o governo Lula. Mas será que ela aceitará o lulismo ou a continuação do poder do presidente e suas ideias em outro personagem da política?


No plano externo o lulismo acena para os mais pobres e faz negócios com os mais ricos. O lulismo não aceita integração econômica com países mais fortes. Aceita e incentiva integração regional onde o Brasil tem presença econômica maior.


Não se sabe ainda como o lulismo vai enfrentar o principal competidor do Brasil na América do Sul: a China. Não pode haver excessos na competição. Ela é também a maior compradora hoje de produtos brasileiros. O lulismo ainda não mostrou suas armas para esse embate.


Não parece recomendável acontecer no Brasil o que aconteceu na Argentina com o peronismo. Criar um debate eterno entre grupos e gentes contra ou favor um presidente que já foi para casa. Alguém acima dos partidos políticos, como no peronismo e que atrasou o país vizinho.


A eleição no ano que é uma das mais importantes que o país já passou. O povo vai decidir se manda o lulismo para casa ou se o quer no poder, através de terceiros, sabe-se lá por quantos anos.

Autor: Alfredo da Mota Menezes – Fonte: A Gazeta.

E-mail: pox@terra.com.br; site: http://www.alfredeomenezes.com


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>Lulismo na eleição de 2010

Posted on novembro 10, 2009. Filed under: Banco do Brasil, Caixa, eleição de 2010, Lulismo, peronismo, Petrobras, sindicatos, Vale do Rio Doce |

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A eleição para presidente no Brasil no ano que vem será a luta entre o lulismo e aqueles que pensam de forma diferente. Será uma das mais importantes da história do país.

O lulismo é quase a repetição do que houve antes na Argentina com o peronismo. Aqui, como ocorreu lá, os partidos estão sendo enfraquecidos e os sindicatos fortalecidos. O lulismo usa os partidos, os movimentos sociais e até setores empresariais para continuar no poder. Os movimentos sociais, mesmo se cometem ações impróprias, nunca são condenados pelo lulismo que, além disso, os irrigam com recursos públicos.

Há um dado novo no Brasil diferente do que ocorreu com o peronismo: o lulismo tem o suporte dos fundos de pensão e dos setores empresarias que ganham dinheiro com eles. Os fundos, na maioria com dinheiro público, como os do Banco do Brasil, Caixa e Petrobras são tão poderosos que quase estatizaram outra vez a Vale do Rio Doce. A presença do Estado na economia é uma das premissas do lulismo.

O lulismo é a continuação das ideias do atual presidente, como o peronismo foi na Argentina. Duas forças enfrentam-se ali desde a década de 1950: uma contra e outra a favor do peronismo. O país, que já foi um dos mais desenvolvidos do mundo, que deixava o Brasil na poeira, hoje é o que é. Um dos motivos dessa situação foi a luta entre ideias peronistas e as contrárias. Os fatos sugerem que se quer repetir no Brasil com o lulismo o que houve no vizinho com o peronismo.

A América Latina passa hoje por aquilo que se chama de autoritarismo populista. Países mudam a Constituição para que um personagem fique no poder por tantos anos.

O Brasil inova: se faz eleição para outro personagem continuar as ideias do líder messiânico. No regime militar o Brasil também inovou: os generais-presidentes eram mudados “democraticamente” de tempos em tempos.

Não pense a imprensa que estaria livre desse novo fenômeno nacional. Se as ideias messiânicas do lulismo continuam em outro governo pode vir mudanças no tratamento com a mídia. É só ver o que aconteceu na Argentina no governo dos Kirchners que se dizem peronistas. Arrumaram meios, com a maioria que adquiriram no Congresso, de controlarem a imprensa.

O embate eleitoral no Brasil no ano que vem será um dos mais caros que o país já teve. De um lado as forças do lulismo com apoio nos ricos fundos de pensão e dos empresários que fazem negócios com eles. Do outro, grupos preocupados com essa invenção da política nacional vão despejar recursos na campanha eleitoral da oposição.

Já se vê algo nessa direção com o que pode acontecer no Nordeste. A oposição fala em contratar milhares de pessoas para de porta em porta tentar reverter o apoio maior que o lulismo tem ali. O gasto na campanha dos dois lados será astronômico.

As forças políticas e empresariais e outros segmentos da sociedade em Mato Grosso deveriam prestar atenção ao âmago do debate que se vai estabelecer na eleição do ano que vem. Podem ser inocentes úteis ao projeto de poder do lulismo. Dilma Rousseff é apenas um detalhe na engrenagem. Não se iludam: se o lulismo ganhar, ele não será controlado.

Se a história ensina, veja o que aconteceu na Argentina. Não é bom ficar lutando nos anos à frente em torno das ideias do líder messiânico. No Brasil talvez até surja uma espécie de “queremismo ou queremos Getúlio”, mote para a volta do outro nome. O futuro do país pode estar sendo jogado na eleição do ano que vem.

Autor: Alfredo da Mota Menezes -Fonte: A Gazeta . E-mail: pox@terra.com.br site: http://www.alfredomenezes.com

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