mãe

>Bater nos pais, pode?

Posted on julho 26, 2010. Filed under: bater, Educar, mãe, país, palmada, paternidade |

> Marco Pucci

No momento em que escrevo, estou voando de São Paulo para Navegantes. Já dentro do avião durante o embarque, alguns minutos atrás, estava sentado e na fila do corredor havia uma senhora com seu filho de uns 10 anos logo atrás. Como a fila demorou para andar, o menino deu um soco na mãe e ainda a xingou. A mãe, uma pata choca, não abriu a boca para repreendê-lo e continuou ali, passiva, esperando a fila andar.

Sou totalmente contra agressão, seja ela física, verbal, psicológica, moral e etc. O problema dessa lei que está aí assustando os papais é que numa sociedade em que a agressão é algo até louvável, como agir dentro de um cotidiano doméstico tolhidos desse, digamos, direito de repreender o filho com uma palmada?

Os jogos de futebol são verdadeiros exemplos de luta livre camuflada: empurrões, rasteiras, cotoveladas, todas propositais, são uma constante em qualquer jogo. A luta livre é um esporte, a tourada outra atração de uma Espanha que avança em direção ao futuro, mas que se nega a terminar com essa barbaridade. Esses exemplos conferem uma legalidade à agressão.

Penso que educar é uma questão de interesse e autoridade, ingredientes que essa geração de novos pais não tem nem ideia, pois os filhos andam de lá para cá nas mãos de parentes, babás e escolas que estão cada vez mais decadentes, e daí vem uma lei justa, porém fora do contexto dessa realidade da educação no Brasil.

Em casa era assim; minha mãe jamais precisou levantar a mão para nos ameaçar, pois tinha autoridade, quando ela prometia algo, cumpria; quando dizia chega ou não pode, sabíamos, eu e minha irmã, que era uma lei irrevogável. Meu pai, italiano autêntico, adorava puxar o cinto e gritar, e com toda essa ópera italiana, não conseguia nunca que o obedecêssemos, pois não tinha o interesse de conversar ou “perder tempo” em se aproximar para tentar um diálogo normal, tudo era exagerado, com gritos e cintadas.

É evidente que a pessoa que precisa bater para educar não tem as qualidades necessárias para assumir a autoridade que lhe compete. No momento em que é necessário colocar limites, quando crianças mal educadas e monstrengos se tornam insuportáveis, como no caso desse menino que bateu na mãe aqui no voo, já é caso para acompanhamento com psicólogos; mas primeiro os pais, e depois, os filhos.

Tenho uma amiga que sempre usou o diálogo com o filho, mas nunca teve autoridade. Combinavam mudanças que jamais eram cobradas e não havia punições se os tratos fossem descumpridos; até hoje luta em buscar essa autoridade que jamais teve paciência de ter o trabalho para assumir.

Educar é algo quase sagrado. Acredito que do jeito que já está descambada a autoridade paterna e materna, ao invés de leis que proíbam bater, deveriam é obrigar os pais a participar de um aprendizado para que seus filhos pudessem ter a chance de realmente ter pais e mães e não o que está aí. O papel de pai e mãe está, em muitíssimos casos, negligenciado, então, proteger as crianças, pelo menos de palmadas injustas, até que é louvável, mas não resolve.

Tenho pena dessas crianças, pois estão totalmente largadas, esquecidas da importância que merecem ter e acabam sendo as vítimas de uma gama de paternidade irresponsável e doentia.

Fonte: A Gazeta

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