melhor idade

>O drama das pessoas idosas

Posted on setembro 25, 2009. Filed under: drama, IBGE, idosos, melhor idade, pessoas idosas, Pnads |

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Muita gente tem uma visão romântica ou alienada da realidade que cerca as pessoas idosas, tanto isto é verdade que chegam até a alcunhar, em substituição aos vocábulos velho/a, idoso/a, a faixa populacional com mais de 60 anos como sendo “a melhor idade”.

O envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida tanto ao nascer quanto nas diferentes faixas etárias é uma realidade mundial. Só que em alguns países, como na França, a chamada transição demográfica e principalmente o aumento relativo e absoluto da faixa etária acima de 60 anos no conjunto da população total (de 10% para 20%) demorou 115 anos e no Brasil vai demorar apenas 13 anos.


Segundo estudos da ONU e de outras instituições especializadas, em 2050 a população mundial total será de 8,9 bilhões de pessoas e os idosos serão de 2,1 bilhões (22,5%), dos quais 1,6 bilhões de pessoas (80%) estarão nos países subdesenvolvidos, sujeitos à realidade da pobreza, da miséria e do abandono.


Para esses bilhões de idosos dos países subdesenvolvidos, também milhões de idosos que vivem na pobreza e na miséria nos países desenvolvidos e também emergentes a vida não será o “glamour” que algumas pessoas teimam em idealizar.


Na atualidade brasileira existem 14,5 milhões de pessoas idosas (acima de 60 anos) e as previsões indicam que nos próximos 20 anos esta parcela da população deverá ser de 30 milhões, ou seja, 13% da população total.


Conforme dados do IBGE, tanto das Pnads quanto dos censos e outros estudos, existe uma reprodução tanto genética quanto e, esta mais importante para definir políticas públicas, social e econômica. A reprodução da miséria, da pobreza, do abandono, da violência e das doenças é uma realidade nua, crua e dura para a vida de milhões de idosos.


Em todas as faixas etárias podemos identificar o mesmo perfil da exclusão social, onde 5% da população abocanham 70% da renda, riqueza e oportunidades que existem na sociedade enquanto 50% da população vivem com no máximo um salário mínimo. Da mesma forma que existem milhões de crianças oriundas das camadas marginalizadas que vivem na miséria e na marginalização, também existem milhões de pessoas que passam a vida toda até chegar ao envelhecimento também vivendo na pobreza na miséria.


A chamada melhor idade, que não deixa de ser uma ironia fabricada pelos detentores do poder e das classes dominantes, indistintamente é propensa a várias doenças, que afetam praticamente todos/as dentre as quais podemos destacar: osteoporose, Alzheimer, doenças cardíacas, Parkinson, demência, câncer, perda de visão e de locomoção, surdez, depressão, insegurança física, emocional, econômica, financeira e violência, para mencionar apenas algumas dessas situações.


A diferença neste, como em qualquer outro grupo demográfico, é que as pessoas idosas que são da classe alta e média alta têm dinheiro para pagar bons planos de saúde, contratar cuidadores/as, casas de repouso com todo conforto, medicamentos e exames caros enquanto milhões de idosos/as pobres são condenados a viver de caridade particular ou pública ou então serem clientes de um sistema de saúde e previdência públicas que é um caos. Para sobreviverem materialmente essas pessoas acabam se transformando em clientes de políticas assistencialistas e manipuladoras dos poderes públicos.


Apesar da existência de inúmeros dispositivos constitucionais e legislação derivada, incluindo o Estatuto dos Idosos (Lei 10.741, de 01 de Outubro de 2003) que na próxima quinta-feira completa seis anos de existência, o drama e exclusão dos idosos/as no Brasil continua sendo a realidade de milhões de pessoas. Ainda existe um longo caminho a ser percorrido para que a cidadania plena, enfim, que o discurso em defesa do idoso/a deixe de ser objeto de palanques eleitorais e seja realmente incluído nas políticas públicas de fato. Este é o desafio que está posto quando vamos comemorar mais um Dia do Idoso no Brasil!

Autor: Juacy da Silva é professor universitário, mestre em sociologia. E-mail professor.juacy@yahoo.com.br Site http://www.justicaesolidariedade.com.br – Fonte: A Gazeta


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