namoro

>Fuga para frente

Posted on agosto 9, 2010. Filed under: Caratinga, Civil, exame de DNA, fuga, Minas Gerais, namoro, Programa do Jô, Ricardo Noblat |

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Por Ricardo Noblat
A expressão alemã flucht nach vornesignifica “fuga para frente”. Cercado, você ataca – e seja o que Deus quiser. Pisa fundo no acelerador do carro como fez diante do abismo a dupla do filme Thelma e Lousie. Ou então “enfia o pé na jaca” como parece preferir o vice-presidente José Alencar no caso da suposta filha de 55 anos que teve fora do casamento.

Alencar responde desde 2001 a processo de investigação de paternidade na Vara Civil de Caratinga, Minas Gerais. Ali quando era rapaz conheceu Francisca Nicolino de Morais, de apelido Tita, uma enfermeira de 26 anos, e com ela manteve um relacionamento amoroso entre 1953 e 1955.

Segundo testemunhas ouvidas pelo juiz José Antônio Cordeiro, os dois se viram pela primeira vez nas dependências do Clube Municipal da cidade. Passaram então a se encontrar em média três vezes por semana. E às quartas-feiras dormiam juntos na casa de Tita. O namoro era público.

Aos sábados, o casal podia ser encontrado no clube ou no Bar do Geraldo Pereira. Aos domingos, no Bar da Zica. Alencar chegou a pagar o aluguel da casa de Tita e ajudou-a com outras despesas. Até que Tita engravidou e deu à luz a Rosemary em 1955. O relacionamento acabou. Ao completar 42 anos, Rosemary soube quem seria seu pai.

Ela aproveitou uma visita de Alencar a Caratinga em 1998 para dizer-lhe que era sua filha. Na ocasião, Alencar teria comentado que resolveria tudo. Não o fez. Rosemary foi à Justiça e pediu para ser reconhecida como filha dele. Uma vez aberto o processo, os advogados de Alencar tentaram extingui-lo por meio de sucessivos recursos.

Ouvido em juízo, Alencar negou ter tido qualquer relacionamento com Tita e acusou-a de freqüentar “a zona do meretrício” de Caratinga. “Como profissional, oferecia-se a quem a pagasse por seus préstimos”, disse. Ao comentar o caso em “Programa do Jô” da semana passada, insistiu Alencar: “Todo mundo que foi à zona pode ser pai”.

Por duas vezes, o juiz Antônio Cordeiro determinou que Alencar se submetesse a exame de DNA. Em vão. A Jô, Alencar insinuou também que está sendo vítima de chantagem econômica e garantiu que o exame de DNA “não é 100% seguro”. De fato, não é. A margem de acerto do exame é de apenas 99%.

Diz o artigo 2 da Lei 8.560/90: “Na ação de investigação de paternidade, todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, serão hábeis para provar a verdade dos fatos. A recusa do réu em se submeter ao exame de código genético – DNA – gerará a presunção da paternidade, a ser apreciada em conjunto com o contexto probatório”.

Com base na recusa de Alencar em fazer o exame de DNA, no conjunto de provas recolhidas e em jurisprudência consolidada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o juiz decidiu em 21 de julho passado que “a investigante” passe a se chamar Rosemary de Morais Gomes da Silva, filha de José Alencar Gomes da Silva.

O delicado estado de saúde de Alencar, que luta há 13 anos contra um câncer, não lhe confere imunidade para agredir grosseiramente o bom senso. Se permanece apto a assumir a presidência da República na ausência do seu titular era de se imaginar que conservasse intacta sua capacidade de avaliar bem os fatos.

Fernando Collor, Orestes Quércia e Michel Temer, por exemplo, são políticos que reconheceram filhos de relações extraconjugais. Paulo Maluf fez questão de se submeter a um exame de DNA para provar que não era pai de uma menina de nove anos. E provou. Fernando Henrique Cardoso é um caso à parte.

Teve um filho com a jornalista Miriam Dutra pouco antes de se eleger presidente. Os dois sempre negaram que Tomas fosse filho de quem é. Mas Fernando Henrique ajudou a sustentar o filho, recebeu-o várias vezes no Palácio do Planalto, visitou-o na Europa e assumiu-o como tal depois da morte de dona Ruth, sua mulher.

Alencar não é bronco. Mas esse episódio fez emergir uma face dele até aqui desconhecida – rude e mesquinha.



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>Amor rapadura ou amor doce de leite?

Posted on fevereiro 21, 2010. Filed under: AMOR, doce de leite, envelhecer, juventude, maturidade, namoro, paixão, rapadura |

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Margareth Botelho

Uma das vantagens de envelhecer, tanto em corpo como em alma, é a facilidade como passamos a enxergar a vida. O que antes era impossível de se resolver ou exigia manobras mil para se chegar a um bom termo, na maturidade basta um estalo de dedos. Vejo isso com meus filhos adolescentes. Que fase mais sofrida essa! Por exemplo, um namoro mal resolvido derruba o jovem na mesma proporção de uma perda mais real, mas que somente com o tempo ele dará conta disso. A paixão é avassaladora na juventude e as cobranças dos amigos, da galerinha, não permitem que a vítima desse amor viva o relacionamento da forma como deseja.
Talvez sempre tenha sido assim. Aliás, acho mesmo que foi. Tenho lembranças da minha juventude e, confesso, a palavra da amiga ou amigo valiam muito mais que os “sábios” conselhos da minha mãe. O romance que todos desejamos – muitos têm vergonha de admitir – tem começo, meio e fim. E ainda que estejamos no século 21, com um índice altíssimo de divórcios, é muito comum a pretensão de namorar, casar e ter filhos. Enfim, constituir uma família e ponto.
Acredito que o amor romântico, apaixonado não esteja se esvaindo e sim as relações homens e mulheres que não andam boas, saudáveis, eu diria. Os casamentos são desfeitos pelo simples fato de que homens e mulheres mudaram totalmente a forma de encarar o mundo e essa nova família. Um dos desafios é superar sentimentos de posse. O amor companheiro, menos emocional, porém mais leal e compartilhado surge como uma saída para as uniões infelizes e que muitos forçosamente as mantêm por comodismo.
O ledo engano é a tal da eternidade que leva a maioria dos casais acharem que o amor aumenta com o passar dos anos. Acredito que pode até aumentar para alguns. Afinal, há aqueles que conseguem encontrar um meio termo e viverem juntos, comprometidos um com o outro. Seria uma fórmula mágica de relacionamento sólido? Não sei realmente responder… 
Voltando lá nos meus filhos adolescentes, sinto neles essa busca permeada pela frase repetitiva “e foram felizes para sempre” tal qual em contos de fada. Isso me preocupa.
Afinal, divorciada há anos, classifico a nova relação homem e mulher como uma viagem desafiadora, onde uma boa dose de humor fará toda a diferença. Detalhes, espaços livres, rotina quebrada, são temperos que mudam uma trajetória que caminha para um final infeliz. É óbvio que o sexo tem uma importantíssima responsabilidade e completa a história. A química do corpo em compasso com a química do coração… Sim, porque se as histórias não batem, mais cedo ou mais tarde, as pessoas se descobrem angustiadas.
Outro dia conversando com um amigo, falamos sobre uma fórmula – nada inédita – que pode dar certo entre homens e mulheres que já experimentaram o casamento tradicional e hoje têm um grande medo de se envolverem emocionalmente, sexualmente e por aí vai. Seria o amor dividido em casas separadas… Afinal, preservar as nossas chatices, as nossas manias, fechá-las em quatro paredes pode ser a saída. O tempo a dois, marcado pelo imprevisível, é muito estimulante. Deixar que o olhar atento de um para o outro faça com que os corpos se entendam… hummm… tem sabor e parece perfeito! É escolher: amor rapadura ou doce de leite?
Margareth Botelho é jornalista em Cuiabá, diretora de Redação/Fonte:A Gazeta. E-mail: margareth@gazetadigital.com.br
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